O Exterminador do Futuro
Studio City Hatterass Street, 12.856 12:02 p.m.
■ STUDIO CITY
HATTERASS STREET, 12.856
12:02 P.M.
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Mike e Linda estavam parados na calçada, discutindo por causa do caminhão de brinquedo. Ele dizia que
o brinquedo era dele. Ela estava segurando o caminhão. Tinha 9 anos, dois a mais que ele. Era um
modelo de plástico, com detalhes realistas, de um caminhão basculante e ele o estava usando para
escavar o jardim da sra. Connor. Linda chegou por trás dele e tomou o caminhão. “Mamãe falou que você
não pode mais brincar aqui.”
Mike agarrou o caminhão. “Você não é a mamãe, cara de pastel!”
“Ela disse que eu é que mandava enquanto ela ia ao mercado”, respondeu Linda com altivez. Mas Mike
avançou e arrancou-lhe o brinquedo. Quando caiu no chão, ele deu um salto para pegá-lo. O caminhão
pulou para a rua e rolou até parar.
“Que jogada inteligente, Mikey.”
Mike deu de ombros e saiu para pegá-lo.
Um carro vinha pela rua. O motorista estava metodicamente examinando as casas para verificar seus
números.
Linda viu o carro e correu atrás de Mike. Ela deu-lhe um puxão para trás. “Espera o carro, seu burro.”
Mike se contorceu impacientemente conforme a perua se aproximava. “Anda, anda”, ele ordenava ao
motorista. Mike e Linda ficaram na calçada e observaram o carro reduzir de repente, virar na direção
deles e depois derrapar até parar, amassando o caminhão de brinquedo e transformando-o em uma
panqueca de plástico.
As crianças ficaram paralisadas. Linda deu um passo para trás, apreensiva, e Mike piscava de surpresa
e ofensa crescente.
Mike e Linda olharam para o gigantesco homem quando ele saiu do carro e marchou em sua direção.
Parecia alguém vindo de um pé de feijão, pensou Mike. Linda estava apenas com medo, segurando Mike
pelo pescoço.
O homem simplesmente passou pelas crianças como se não pudesse vê-las. “Ei!”, gritou Mike antes de
Linda tapar a boca dele com a mão.
O Exterminador ignorou as crianças e andou até a entrada da casa de Connor. Ele bateu à porta. Um
pequeno lulu-da-pomerânia latia sem sucesso a seus pés. Aquilo não significava nada para ele. Estava
apenas aguardando Sarah Connor.
Ela foi até a porta e a abriu somente até a extensão da corrente do trinco.
“Sim?”, ela perguntou ressabiada, olhando, pela fenda, para aquele homem enorme e de aparência
bizarra.
“Sarah Connor?”, perguntou o Exterminador de maneira suave.
“Sim.”
Ele esmurrou a porta. Ela partiu a corrente e se abriu para dentro, fazendo a mulher perder o equilíbrio.
Sarah Connor gritou e caiu para trás. Em um instante, o Exterminador sacou a .45 e ativou a mira a laser,
que atravessou a sala e parou na testa da mulher. Por um segundo, ela ficou cega pelo brilho vermelho;
em seguida, sua visão foi estilhaçada quando uma bala a atingiu dois centímetros acima da sobrancelha
direita.
Ela desabou sobre o carpete e o Exterminador abaixou o feixe e o colocou no centro do peito de Sarah.
Ele atirou até a munição acabar. Os estouros em staccato ecoaram por cima dos latidos agudos do lulu na
varanda.
O Exterminador se abaixou e, com um estilete, fez uma incisão do tornozelo até o joelho.
Mike havia corrido atrás do homem antes que ele entrasse na casa e agora estava parado na calçada,
observando, através da porta aberta, a violência lá dentro. Não entendia a dimensão daquilo. Ele adorava
desenhos. Especialmente Tom e Jerry. Mike ria quando Tom derrubava alguma coisa em cima de Jerry e
o rato se achatava, como aconteceu com seu caminhão, e depois voltava ao normal. A sra. Connor não
estava voltando. Em vez disso, ela estava manchando o carpete. Ele nunca vira ninguém ficar tão parado.
Linda apareceu logo quando o homem começou a cortar a sra. Connor, abrindo-a tão calmamente como se
estivesse cortando um assado.
Linda agarrou a mão de Mike e o puxou para a casa deles, ao lado daquela. Ela bateu a porta e a
trancou.
O Exterminador se levantou, olhando para o corpo da mulher morta. Ele não havia encontrado o que
estava procurando. Identificação do alvo negativa. Ele analisou suas opções por um instante, depois pôs
a arma no bolso e andou até a porta.
Da janela de casa, eles assistiram ao homem caminhar de volta até seu carro e entrar. Quando ele se foi,
Linda começou a chorar.
Tudo em que Mike podia pensar era como seu caminhão de brinquedo havia ficado achatado ali no
asfalto. O menino murmurou baixinho: “Ele quebrou o caminhão”.
A coisa toda levara talvez dois ou três minutos. E já estava se tornando irreal. Não houve drama algum.
Apenas morte. Abrupta e sem significado aparente. Mas existia um significado muito profundo para esses
acontecimentos, um significado que pouquíssimas pessoas decifrariam; e, com certeza, se isso
acontecesse, um significado triste e intenso demais se revelaria para aquelas crianças pressionadas
contra a janela, mas elas jamais o compreenderiam.
Nos anos seguintes, os pais de Mike e Linda gastariam milhares de dólares em psicanálise.
Mas não adiantaria nada.