O Exterminador do Futuro

James Cameron · Capítulo 19 de 52

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O Exterminador do Futuro

Bairro Rampart Lapd 6:31 p.m.

■ BAIRRO RAMPART

LAPD

6:31 P.M.

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Edward Theodore Traxler saiu cautelosamente da sala do café para o agitado corredor da Divisão de

Roubos e Homicídios do LAPD.

Um homem grande, negro, na casa dos 40 e sólido como um monólito, ele balançava cuidadosamente

um copo quente de isopor entre dois dedos e cruzou o caminho repleto de obstáculos como um urso de

patins. Ele se esquivou de um prisioneiro algemado que rosnava e foi em direção à segurança da parede

do lado direito. Consegui, pensou ele, sem derramar uma gota.

Ele estava realizando sua famosa proeza “compulsiva-neurótica”: mascar chiclete, fumar um cigarro e

beber café ao mesmo tempo.

“Ei, Ed.” Traxler ouviu o sargento Hal Vukovich chamá-lo. Ele se virou e esperou seu parceiro magro e

entediado alcançá-lo.

Vukovich estava levemente sem fôlego. Havia caçado seu chefe em toda a delegacia. Ele trotou até

Traxler e pôs uma mão solidária em seu ombro. Traxler se encolheu; café escaldante pingou em seu

pulso. Vukovich fez um sinal para os dois arquivos em sua mão e levantou as sobrancelhas, como se

dissesse “Espera até ver isso aqui. É tão doentio que não chega nem a ser engraçado”. Ele entregou a

Traxler uma das pastas e abriu a porta de sua sala.

Contra a vontade, Traxler largou o copo que agora estava pela metade – a maior parte ficou na manga

de sua camisa – e colocou os óculos bifocais sobre a ponte do nariz. Dentro da pasta parda havia uma

foto dez por oito colorida da Unidade de Perícia, que mostrava a parte superior do tronco de uma mulher.

Ela estava deitada no chão de seu apartamento e coberta com todo o sangue que deveria estar dentro dela.

“O que temos aqui?”, perguntou Traxler, batucando a foto impacientemente. Vukovich se sentou na ponta

da mesa de Traxler manchada de café.

“Garota morta”, disse ele, sorrindo involuntariamente – o tipo de sorriso por reflexo nervoso que se

tem quando algo não é nem um pouco engraçado.

“Isso dá pra ver.”

O sorriso sumiu. Traxler aguardou e olhou para a imagem da mulher morta em sua mão. Ele já vira

muitas fotos como aquela. Eram sempre nojentas, mas não especialmente incomuns.

Vukovich acendeu um Camel sem filtro e começou. “Sarah Helene Connor. Trinta e cinco anos. Seis

tiros a menos de três metros. Arma de calibre grosso...”

“Sabe de uma coisa? Eles funcionam”, disse Traxler, apontando para seus óculos.

Vukovich silenciosamente lhe entregou a outra pasta parda.

“O que é isso?”

“Garota morta número dois”, disse Vukovich, como se aquilo explicasse a história toda, “enviada da

Divisão do Vale esta tarde.”

Traxler olhou para o cadáver ensanguentado e crivado de balas de outra mulher. Bem, ela com certeza

estava morta. Mas isso não parecia explicar muita coisa.

“Tenho certeza de que há um sentido em tudo isso”, disse Traxler, fingindo ter uma paciência infinita.

Vukovich solenemente se levantou da mesa e puxou a ficha de informações da vítima debaixo da foto.

Ele a segurou na frente dos óculos de Traxler.

“Olhe para o nome, Ed.”

Traxler olhou impacientemente. Ele parou. O que tem? Depois olhou outra vez e leu novamente – desta

vez devagar.

“Sarah Anne Connor. É isso mesmo?”, perguntou Traxler. Vukovich assentiu. Traxler ainda não estava

convencido de que aquilo não era uma manifestação elaborada do senso de humor bizarro de seu

parceiro. Ele esperou pela piscadela e o sorriso que lhe indicariam que a piada havia terminado.

Mas Vukovich não estava sorrindo.

“Você está de brincadeira?”, perguntou Traxler, incrédulo. Seu parceiro balançou a cabeça

silenciosamente. Isso não era nenhuma brincadeira, nem para ele.

“Tem mais, Ed”, disse ele controladamente.

Vukovich pôs a mão dentro da pasta e puxou duas outras fotos. Detalhes da perna esquerda das vítimas,

a pele branca translúcida puxada uniformemente para trás, como um papel de bala hediondo que revelava

os segredos brancos e vermelhos em seu interior. Havia algo extremamente perturbador nas incisões.

Elas eram precisamente retas e uniformes. E perfeitamente idênticas nas duas mulheres. Perfeitamente.

Como se tivessem sido feitas em uma linha de produção. Traxler sentiu a raiva acordando em seu recinto

no cérebro e chegando para ver a carnificina com ele. Que merda era essa para uma pessoa fazer com a

outra?

Os dois detetives ficaram ali, sob a luz recortada das persianas, como monges se reunindo em voz baixa

no túmulo da sensatez.

“Abertas do tornozelo até o joelho, as duas. A mesma incisão, apenas na perna esquerda. Mesmo modus

operandi”, disse Vukovich, desnecessariamente. Em seguida, aquele sorriso nervoso se abriu e

desapareceu outra vez. “Esquisito pra caralho”, acrescentou.

Traxler apenas olhou para as fotos, depois as colocou de volta nas pastas pardas e as jogou sobre a

mesa. Aquela seria uma longa noite.

Vukovich balançou a cabeça de desgosto quando um novo pensamento lhe ocorreu. “A imprensa vai

cair matando em cima disso”, disse ele.

Traxler assentiu, enfiando um chiclete novo na boca. “Um assassino em série de um dia só”, ele disse,

vendo a manchete flutuando no ar à sua frente. Abriu a gaveta de sua mesa e procurou em vão uma

aspirina, tentando aplacar a dor de cabeça que ele sabia que estava vindo. Não estava lá. Merda.

Vukovich ficou de pé e caminhou lentamente pela sala. Ele apanhou o vidro quase vazio de Tylenol em

cima do armário de arquivos de Traxler e o jogou para o colega.

“Eu odeio esses esquisitos”, resmungou ele.