O Exterminador do Futuro

James Cameron · Capítulo 42 de 52

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O Exterminador do Futuro

Hotel Panamá 10:05 a.m.

■ HOTEL PANAMÁ

10:05 A.M.

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Rodney empurrava o carrinho barulhento, saindo do banheiro no fim do corredor, e resmungou quando

sua volumosa barriga se dobrou como uma sanfona relutante, ao se abaixar para pegar a placa de EM

MANUTENÇÃO que caíra da porta. Ele a jogou no carrinho, caindo entre vidros de desinfetante e

limpadores. Rodney reacendeu um charuto fumado pela metade, puxou o fumo com força, soprando

fumaça em torno de sua cabeça careca para abafar o odor azedo dos produtos de limpeza.

Rodney bateu perfunctoriamente a porta do 102 e a abriu. Jasmine sorriu quando ele entrou, levantando

o olhar das unhas pintadas de vermelho que ainda não haviam secado. O nome verdadeiro de “Jasmine”

era Bob Hertel, mas Rodney não conseguia superar a forma das pernas “dele” quando passava pela

calçada na frente do Panamá. Os saltos altos realmente esculpiram suas panturrilhas. Rodney não se

importava como eles pagavam o aluguel, contanto que pagassem. Jasmine, vestindo uma camisola longa,

estava sentada em meio aos seus pertences no quarto de oito metros quadrados e cantou para Rodney,

provocando-o como sempre.

Rodney estava acostumado; ele varreu em silêncio e depois saiu.

Quando chegou ao 103, encontrou notícias ruins. O fedor estava fraco, mas era inconfundível, e tudo

que ele pensou foi “Ah, merda, outro bêbado morto não. Já vai ser o segundo este mês, com esses

policiais filhos da puta por toda parte. As garotas vão reclamar e jogar suas pinças de sobrancelha em

mim”.

Decidindo que era melhor acabar logo com aquilo, Rodney bateu à porta. Ele ouviu as tábuas frágeis do

chão rangerem, mas ninguém respondeu. Ele bateu novamente e disse “Ei, meu chapa, tem o que aí dentro,

um gato morto?”, esperando que fosse só aquilo mesmo.

O Exterminador estava arrumando as coisas que havia pegado no apartamento de Sarah em cima da

cama infestada de insetos quando a batida à porta o fez rapidamente ficar on-line, em estado de alerta.

Dentro de 1,7 segundo a Magnum automática .375 estava em sua mão, engatilhada e apontada para a

pessoa do outro lado da porta.

Um leve contorno infravermelho de calor desenhou a figura de um homem parado ali. Já que ele

determinou, através do tom de voz, condição física e comportamento passivo – nenhuma tentativa de

entrar – que o homem não era uma ameaça, o Exterminador não atirou através da porta. Essa ação

poderia ameaçar a segurança da base de operações e, portanto, não era uma opção viável. Uma lista de

respostas verbais alternativas apareceram no display interno.

NÃO

SIM

NÃO SEI

POR FAVOR, VOLTE MAIS TARDE

VÁ EMBORA

VÁ SE FODER

VÁ SE FODER, OTÁRIO

 

A última piscou com destaque e o Exterminador verbalizou com volume suficiente para ser ouvido pela

porta.

“Vá se foder, otário.”

“Vai você também, meu chapa”, respondeu Rodney, e empurrou o carrinho até o final do corredor sujo.

Um filho da puta bêbado vivo é sempre melhor que um morto.

Dentro do quarto fétido, o Exterminador espantou as moscas que estavam depositando seus ovos na

órbita ocular aberta. Limpando a lente com um pano, a máquina pegou a caderneta de telefone de Sarah e

começou a escanear metodicamente as páginas conforme as virava.

Análises de probabilidade preliminares indicavam que a pista para localizar sua vítima estaria ali.

Poderia demorar, mas o tempo era insignificante para ele.