O Exterminador do Futuro

James Cameron · Capítulo 7 de 52

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O Exterminador do Futuro

Bairro Silver Lake Hotel Panamá 10:20 a.m.

■ BAIRRO SILVER LAKE

HOTEL PANAMÁ

10:20 A.M.

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Era um prédio de quatro andares com risco de incêndio que fedia a desinfetante e privadas entupidas. No

inverno era uma geladeira; no verão, um forno – congelando ou assando as pessoas sem misericórdia.

Mas era barato. Afastado da rua principal. Com uma saída de incêndio pela qual ele podia sair e cair em

um beco, sem ser visto pelo atendente da recepção.

Foi por isso que ele o escolheu. Largou um bolo de notas sobre o balcão e se recusou a assinar a ficha

de registro. Aqueles olhos azuis observaram fixamente o funcionário magrelo, de orelhas grandes e 50

anos como um inseto na parede. O atendente balbuciou alguma coisa sobre escrever sr. Smith no livro

para ele, depois lhe entregou as chaves do pequeno quarto subindo as escadas.

Ele examinou o interior em detalhes minuciosos conforme avançava pelos degraus de maneira decidida

e percorreu o estreito corredor. Piso de madeira podre. Paredes estufadas, como carne cozida, em que a

terceira demão de tinta, aplicada às pressas, estava descascando.

Os barulhos. Vozes nos cubículos úmidos. Raiva reprimida. Lamentos solitários. Gemidos sexuais.

Silêncio. Muitos quartos estavam vazios. Ótimo.

Ele entrou em seu quarto e fez uma pausa, analisando tudo com um olhar arrebatador. A janela que dava

para a saída de incêndio. A mesinha. Uma escrivaninha. Uma cama de molas enferrujadas. Um recanto

com pia e privada. Uma tomada. De 110 volts. Ótimo.

E começou a arrumar suas ferramentas.

Ele havia descido a Ventura Canyon Road no escuro, sem ver um carro ou pessoa. Precisou andar

porque o cronoporte queimara os circuitos elétricos em um raio de cem metros.

Então desceu a montanha como um deus implacável descendo o Olimpo, com as correntes de enfeite

das botas do punk tilintando a cada passo. À procura.

Ele dispunha de um tempo indeterminado para localizar e exterminar o alvo, portanto podia adquirir o

equipamento apropriado com calma. Suas roupas não lhe serviam bem, mas ele obteria outras mais tarde,

se necessário.

Primeiro, orientação.

Quando a borda do horizonte começou a se arroxear com a luz do dia, o Exterminador encontrou uma

mulher de seus quarenta e tantos anos indo da porta de sua casa até seu BMW sedã, balançando as chaves e

carregando uma enorme bolsa de couro. Ele permaneceu no fim da entrada da garagem, atrás de um arbusto fora da vista, e prestou atenção em sinais de vida na grande casa da qual a mulher saíra. Nenhum

som, luz ou movimento. Ótimo.

Ele analisou suas possibilidades e decidiu esperar. E observar.

A mulher abriu a porta do veículo com uma das chaves e depois se sentou ao volante. Ela colocou outra

chave em um buraco e a girou. A ignição fez o motor de arranque gemer e zumbir até a gasolina ser

injetada na câmara de combustão do motor e acioná-lo. A mulher puxou uma alavanca e a transmissão

emitiu um ruído ao entrar em marcha a ré. Ela puxou outra alavanca e uma luz se apagou no painel. Em

seguida, tirou o pé do pedal no assoalho do veículo e saiu da garagem.

Simples.

O Exterminador calculou alternativas possíveis ao continuar sua andança até a cidade.

Dez minutos mais tarde, ele encontrou um veículo apropriado. Uma perua. Ford Kingswood Estate.

Circa 1978. Ninguém estava por perto. A rua do subúrbio estava tranquila naquele tom cinzento e rosa do

início da manhã. Ele andou até o carro amarelo e atravessou a janela lateral com o punho. O vidro se

espatifou com a força do impacto. Sem notar os cacos afiados espalhados por todo o assento, o

Exterminador destravou a porta por dentro. Ele se pôs atrás do volante e examinou o interior. Os

controles do painel. Demorou um pouco a recuperar os dados do modelo específico, mas em um instante

ele o viu em sua memória com precisão de detalhes.

Ele se abaixou e, com a mão, quebrou o conjunto de ignição da coluna de direção, que se abriu como

uma fruta madura. Arrancou a cobertura de plástico da coluna de direção com um movimento, tirando

junto o cilindro da trava do lugar. Usando os dedos como pinças, ele girou lá dentro o minúsculo eixo

exposto. O motor girou duas vezes e pegou. Ele se lembrou da mulher no BMW e adaptou os movimentos

dela, dando a ré no carro em direção à rua. Parou por um breve momento, reexaminando as mudanças de

câmbio, depois o colocou na posição dirigir e saiu acelerando rua abaixo. Tempo total: onze segundos.

Ele prestou atenção à disposição das ruas. As ruas correspondiam ao mapa em sua memória – sua

memória perfeita e praticamente sem limites. Cada nome de rua e seus respectivos pontos de referência

eram devidamente anotados; nunca seriam esquecidos.

Ele passou pela Los Feliz Boulevard até o cruzamento com a Sunset, depois virou na direção sudeste.

Algumas quadras depois, encontrou o que estava procurando: uma loja de ferragens que acabara de ser

aberta pelo dono.

O Exterminador foi seu primeiro cliente. E seu último. Depois, a caminho de obter armas, ele localizou

a base de suas operações, alugando um quarto no Hotel Panamá.

Ele olhou para as ferramentas que havia coletado espalhadas na cama.

Estiletes. Pinças. Alicates. Lanterna de bolso. Porcas e parafusos. Chaves de fenda. Várias lixas. E

outras miudezas. Ele também pegara uma pilha de roupas de trabalho e a jaqueta de couro como roupas

de reserva. Não havia muito dinheiro no caixa, mas o Exterminador também não precisava de muito.

Seria uma missão curta.

Ele usou a saída de incêndio a fim de testá-la como rota alternativa. Ninguém o viu sair.