O Exterminador do Futuro
Loja de Armas Garrett 10:23 a.m.
■ LOJA DE ARMAS GARRETT
10:23 A.M.
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Rob Garrett, atrás do balcão de vidro, olhou para cima na direção dos olhos azuis e frios do cliente.
O homem parecia um halterofilista, mas estava vestido como um daqueles garotos malucos da Melrose.
Provavelmente um pirado. A cidade estava cheia deles. Havia doidos de todos os tipos em Los Angeles.
Rob começou no comércio com uma farmácia em Bangor, no Maine, catorze anos atrás.
Rob era do tipo aventureiro, ele achava, então fez as malas e seguiu para o oeste. Ele próprio sempre
colecionara armas, então assumiu uma loja de armas na Sunset Boulevard. A princípio, ficou receoso de
lidar com os bandidos com sérios problemas que entravam na loja, mas nos últimos anos havia aprendido
a identificar os perigosos e a evitar problemas em geral. O tal halterofilista não tinha uma aparência
particularmente perigosa. Sua expressão era calma, neutra, a não ser quando olhou para a estante de
armas atrás do balcão. Aí seu rosto se transformou em um cone de concentração. Seus olhos pararam em
cada arma como se ele pudesse identificar todas.
Aquilo chamou atenção de Rob. Talvez um colega colecionador? O desejo de fazer contato com alguém
parecido fez com que Rob ignorasse as roupas esquisitas do homem e se concentrasse na pessoa. Porra,
havia vários tipos de colecionadores de armas.
“Posso ajudá-lo, senhor?”, ele disse, esperançoso. Colecionadores de armas também gastavam bastante
dinheiro.
O homem, enfim, abaixou o olhar que não piscava para Rob, somente agora reagindo como se ele
existisse.
Ele começou a pedir artilharia pesada, as semiautomáticas, os produtos militares que Garrett não queria
ter, mas tinha mesmo assim, porque estavam começando a vender muito bem.
Elas eram todas armas perfeitamente legais, a não ser que você soubesse lixar os pinos das
semiautomáticas para fazê-las atirar sem parar.
Merda, pensou Rob, esse cara tem o maior bom gosto. Ele passou para um lado e para o outro, tirando
um arsenal formidável das prateleiras.
Com a voz que soava como se estivesse comprando lâminas de barbear, o homem disse: “Quero ver a
escopeta automática SPAS-12”.
“Ela é automática e também tem alimentação manual, sabe”, interveio Rob. O homem manteve os olhos
nas prateleiras.
“Fuzil de assalto semiautomático Armalite AR-180”, solicitou ele.
Enquanto Rob o retirava da prateleira, o cliente continuou. “A pistola a gás semiautomática Desert
Eagle .357 Magnum com pente de dez. A carabina AR-15 5.56 com coronha retrátil.”
Rob estava um pouco ofegante tentando acompanhar.
O homem continuou com a voz monótona. “Laser de pulsos de plasma faseado com alcance de 40
watts.”
Rob ficou paralisado, confuso, tentando conciliar o pedido com o estoque de sua loja, para em seguida
apertar os olhos para o cliente. Plasma faseado. Muito engraçado. “Ei, amigo, só tenho o que está
exposto. Mais alguma coisa?”
Rob estava pensando que o cara devia ter prestado serviço militar. Pelo jeito que escolhia as armas, e
por sua maneira de ser, talvez fosse dos Fuzileiros Navais. Vai saber. Vai ver o cara era um guerrilheiro
de verdade. O cliente pegou uma Colt .45 automática de cano longo, olhando o dispositivo a laser
acoplado em cima. Parecia uma mira, mas na verdade era um pequeno gerador de laser com bateria
interna. Quando o homem apertou o gatilho de leve, um raio brilhante e fino de luz vermelha saiu da ponta
do dispositivo.
“Essa é uma boa arma”, disse Rob. “Acabou de chegar. Você mira o ponto em que deseja que a bala
entre. Não dá pra errar.” O cliente estava apontando o raio para a parede. Na direção da prateleira de
exposição atrás de Rob. Para Rob. Onde quer que o feixe encontrasse uma superfície, aparecia uma
minúscula e intensa bola de luz.
Era uma beleza observar o cliente. Ele estava movendo o raio para lá e para cá, muitas vezes, quase
como se pudesse se transformar em uma extensão da própria arma. Fascinante.
O homem mais uma vez passou cuidadosamente os olhos sobre as prateleiras enquanto mexia nos
mecanismos da crescente pilha de armas, parecendo familiarizar-se instantaneamente com elas. Em
seguida, voltou aquele olhar firme na direção do proprietário novamente.
“UZI nove milímetros.”
Rob foi pegá-la, dizendo “Você conhece suas armas, amigo. Qualquer uma dessas aí é ideal para a
defesa do lar”.
Rob esperou um sorriso que não veio. Que se fodam as piadas. Melhor me ater aos negócios. “Quais
você vai querer?”
“Todas”, disse o homem taciturno, inexpressiva e decididamente. Rob ergueu as sobrancelhas.
“Talvez eu feche mais cedo hoje. Há uma espera de quinze dias nas pistolas, mas os fuzis você pode
levar agora.” Rob começou a embrulhá-las, mas se virou ao ouvir o barulho dos cartuchos sobre o vidro.
O homem estava calmamente abrindo uma caixa de cartuchos calibre 12 e deslizando-os rapidamente
pelo alimentador automático.
“Ei! Você não pode fazer isso...”
O homem encarou Rob e apontou a escopeta para o rosto dele. O cliente disse: “Errado”.
Rob pensou por um momento se tratar de mais uma piada idiota e, em seguida, um segundo antes do
estouro da escopeta, em uma revelação silenciosa, ele percebeu que devia ter ficado no Maine.
O Exterminador levou as armas e os sacos de munição até a van e os colocou no porta-malas. Eram
mecanismos primitivos de matança, mas ele estimou que seu poder de fogo estava confortavelmente
acima do mínimo necessário para a situação.
Assim que roubou o carro, levou dezesseis minutos para se adequar às regras aleatórias do tráfego da
cidade. Em duas ocasiões, fez carros subirem na calçada, e em outra atravessou um cruzamento e raspou
a lateral de um ônibus circular. Mas depois aprendeu a calcular o vaivém dos veículos e a deduzir as
regras de trânsito através da memória e da análise da atividade contextual. Ele estava aprendendo a se
virar.