Orgulho e Preconceito
Capítulo 1
Copyright
Esta obra foi postada pela equipe Le Livros para proporcionar, de m aneira totalm ente gratuita, o benefício de sua leitura a àqueles que não podem com prá-la. Dessa form a, a venda desse eBook ou até m esm o a sua troca por qualquer contraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância.
A generosidade e a hum ildade são m arcas da distribuição, portanto distribua este livro livrem ente. Após sua leitura considere seriam ente a possibilidade de adquirir o original, pois assim você estará incentivando o autor e à publicação de novas obras. Se gostou do nosso trabalho e quer encontrar outros títulos visite nosso site:
Le Livros
http://LeLivros.com
1
É um a verdade universalm ente conhecida que um hom em solteiro, possuidor de um a boa fortuna, deve estar necessitado de esposa.
Por pouco que os sentim entos ou as opiniões de tal hom em sej am conhecidos, ao se fixar num a nova localidade, essa verdade se encontra de tal m odo im pressa nos espíritos das fam ílias vizinhas, que o rapaz é desde logo considerado a propriedade legítim a de um a das suas filhas.
— Caro Mr. Bennet — disse-lhe um dia a sua esposa —, j á ouviu dizer que Netherfield Park foi alugado afinal?
Mr. Bennet respondeu que não sabia.
— Pois está —, assegurou ela. — Mrs. Long acabou de sair daqui e m e contou tudo.
Mr. Bennet não respondeu.
— Afinal não desej a saber quem é o locatário? — gritou a m ulher, im pacientem ente.
— Você é quem está querendo m e dizer e eu não faço nenhum a obj eção a isto.
Este convite foi suficiente.
— Pois, m eu caro, você deve saber que Mrs. Long disse que Netherfield foi alugada por um rapaz de grande fortuna, oriundo da Inglaterra. E que além disso ele chegou segunda-feira num a elegante caleça a fim de visitar a propriedade.
Ficou tão encantado que entrou im ediatam ente em negócio com Mr. Morris; Mrs.
Long disse tam bém que ele entrará na posse do prédio antes do dia de S. Miguel.
Alguns dos seus criados devem chegar j á na próxim a sem ana.
— Com o se cham a ele?
— Bingley .
— É casado ou solteiro?
— Oh, solteiro, naturalm ente, m eu caro. Solteiro e m uito rico! Quatro ou cinco m il libras por ano. Que boa coisa para as nossas m eninas, hein?
— Com o assim ? De que m odo pode isso afetá-las?
— Meu caro Mr. Bennet —, replicou a sua esposa —, com o você, às vezes, é enfadonho! Deve saber que ando pensando em casar um a delas...
— Será este o proj eto do hom em ao se instalar aqui?
— Proj eto? Tolice... Com o é que você pode dizer um a coisa destas? É até m uito provável que ele se apaixone por um a delas. Portanto, assim que chegue você deve ir visitá-lo.
— Não vej o m otivo para isto. Você pode ir com as m eninas, ou pode até m andá-las sozinhas, o que talvez ainda sej a m elhor, pois com o você é tão bela quanto qualquer um a delas, Mr. Bingley pode preferi-la.
— Você está m e lisonj eando. Decerto j á tive o m eu quinhão de beleza, m as não am biciono ser nada de extraordinário agora. Quando um a m ulher tem cinco
filhas crescidas, deve deixar de pensar em vaidades.
— Em casos com o esses, em geral, um a m ulher não tem m uito que pensar em beleza.
— Mas m eu caro, você deve realm ente ir ver Mr. Bingley , quando ele chegar.
— Não quero tom ar esse com prom isso.
— Mas lem bre-se das suas filhas. Pense que partido seria para um a delas! Sir William e Lady Lucas estão decididos a ir. E exclusivam ente por m otivo idêntico, pois você sabe que em geral eles não visitam recém -chegados. Deve ir, pois a nós, m ulheres, será im possível fazê-lo, se antes você não o fizer.
— Creio que isto é excesso de escrúpulos da sua parte. Tenho certeza que Mr.
Bingley terá m uito prazer em vê-la. Além disso eu lhe enviarei algum as linhas por seu interm édio, assegurando-lhe que darei o m eu consentim ento para que ele se case com qualquer das m eninas que escolher, em bora devesse acrescentar um elogio para a m inha pequena Lizzy .
— Desej o que não faça tal coisa. Lizzy não é m elhor do que as outras. Estou convencida de que não tem nem m etade da beleza de Jane. E nem sequer m etade do bom hum or de Ly dia. Mas você não cessa de m anifestar a sua preferência por ela.
— Nenhum a delas tem m uito o que se lhes recom ende —, respondeu Mr. Bennet
—; são tolas e ignorantes com o as outras m oças. Mas Lizzy é realm ente um pouco m ais viva do que as irm ãs.
— Com o é que pode falar m al assim dos próprios filhos, Mr. Bennet? Você se com praz em aborrecer-m e; não tem nenhum a pena dos m eus pobres nervos.
— Está enganada, m inha cara. Tenho m uito respeito pelos seus nervos. São m eus velhos am igos. Venho escutando você falar a respeito deles com grande consideração, pelo m enos durante esses últim os vinte anos.
— Ah, você não sabe o que eu sofro!
— Espero que você se restabeleça e viva bastante tem po para ver m uitos rapazes com quatro m il libras anuais de rendim ento se instalarem na vizinhança.
— Pouco nos adiantará que venham vinte deles se você se recusar a visitá-los.
— Pode ficar certa, m inha querida, de que quando chegarem os vinte eu os visitarei a todos.
Mr. Bennet era um m isto tão curioso de vivacidade, hum or sarcástico, reserva e capricho, que a experiência de 23 anos tinha sido insuficiente para que a sua esposa lhe conhecesse o caráter. O espírito de sua m ulher era m enos difícil de com preender; tratava-se de um a senhora dotada de inteligência m edíocre, pouca cultura e gênio instável. Quando se aborrecia im aginava que estava nervosa. A única preocupação da sua vida era casar as filhas. Seu consolo, fazer visitas e saber novidades.