Orgulho e Preconceito

Jane Austen · Capítulo 5 de 62

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Orgulho e Preconceito

Capítulo 5

Ficou estabelecido portanto que Miss Bennet era um a m oça encantadora e Bingley se sentiu autorizado com esses elogios a pensar nela da form a que m ais desej asse.

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A pouca distância de Longbourn, vivia um a fam ília com que os Bennet m antinham relações particularm ente íntim as. Sir William Lucas fora antigam ente com erciante em Mery ton, onde acum ulara um a fortuna regular e onde, tam bém , fora agraciado pelo rei com um título de cavaleiro, enquanto exercia as funções de prefeito. A honra fora talvez dem asiadam ente apreciada.

Ela lhe inspirara um a repulsa pelo seu negócio e pela pequena cidade com ercial em que habitava. Abandonando as duas coisas, m udou-se com a fam ília para um a casa situada a m ais ou m enos um a m ilha de Mery ton, lugar que depois ficou sendo cham ado “Lucas Lodge”, onde podia pensar com prazer na sua própria im portância e, livre dos negócios, dedicar-se inteiram ente à sociedade.

Em bora orgulhoso da sua posição, esta não o tornou desdenhoso; ao contrário, Sir William era todo atenção para os outros. Por natureza inofensivo, am ável e prestativo, a sua apresentação em St. Jam es o tornara polido e cortês.

Lady Lucas era um a m ulher de bons sentim entos, cuj a inteligência não era dem asiadam ente brilhante para im pedir que fosse um a vizinha preciosa para Mrs. Bennet. Tinha vários filhos. A m ais velha de todos, um a m oça aj uizada e inteligente, de cerca de 27 anos, era a am iga m ais íntim a de Elizabeth.

Era absolutam ente necessário que Mrs. Lucas e Mrs. Bennet se encontrassem para discutir um baile a que tivessem com parecido. E na m anhã seguinte, Mrs.

Lucas e sua filha se dirigiram para Longbourn, a fim de trocar im pressões.

— Você com eçou bem a noite, Charlotte — disse Mrs. Bingley para Miss Lucas.

— Foi a prim eira que Mr. Bingley escolheu para dançar.

— Sim , m as ele pareceu gostar m ais do segundo par.

— Oh, você se refere a Jane, suponho eu, porque Mr. Bingley dançou com ela duas vezes? Isto decerto leva a crer que ele a achou interessante. Aliás estou certa de que este foi o caso. Ouvi falar a respeito disso, m as não m e lem bro exatam ente o que foi — qualquer coisa sobre Mr. Robinson.

— Talvez a senhora se refira ao que eu ouvi num a conversa entre ele e Mr.

Robinson: j á não lhe contei isto? Mr. Robinson perguntou o que ele achava do baile de Mery ton, se não achava que havia grande núm ero de m ulheres bonitas na sala. E perguntou tam bém qual era a que ele achava m ais bonita. Mr. Bingley respondeu im ediatam ente: “oh, a m ais velha das irm ãs Bennet, sem dúvida. Não pode haver duas opiniões a este respeito.”

— Palavra de honra — bem , a resposta foi de fato m uito pronta — parece até que... No entanto tudo pode dar em nada, você sabe.

— Você é que não ouviu conversas tão agradáveis, Eliza — disse Charlotte. — As palavras de Mr. Darcy não foram tão am áveis quanto as de seu am igo, não é?

Pobre Eliza! Ser j ulgada apenas tolerável...

— Peço-lhe que não incite Lizzy a ficar ressentida com a grosseria de Mr.

Darcy , pois é um hom em tão desagradável que seria um a infelicidade ser cortej ada por ele. Mrs. Long m e disse ontem que ele ficou sentado ao seu lado durante m eia hora sem abrir a boca um a só vez.

— A senhora tem certeza? Não haverá aí um pequeno engano? — indagou Jane.

— Estou certa que vi Mr. Darcy falando com ela.

— Sim , porque ela perguntou afinal se gostava de Netherfield e ele não teve outro rem édio se não responder. Mas Mrs. Long disse que ele ficou m uito aborrecido porque lhe dirigira a palavra.

— Miss Bingley m e disse — com entou Jane — que ele é m uito calado, exceto com as pessoas m ais íntim as. Com estas m ostra-se notavelm ente agradável.

— Não acredito num a só palavra. Se fosse assim tão agradável, teria conversado com Mrs. Long. Mas eu com preendo tudo; todo m undo diz que ele é terrivelm ente orgulhoso, e com certeza ouviu dizer que Mrs. Long não tem carruagem e que teve de ir ao baile num carro alugado.

— Pouco m e im porta que ele não tenha conversado com Mrs. Long — disse Miss Lucas —, m as eu queria que tivesse dançado com Eliza.

— Se eu fosse você, Lizzy — disse a m ãe —, na próxim a vez m e recusaria a dançar com ele.

— Creio que posso lhe prom eter com segurança que nunca m ais dançarei.