Orgulho e Preconceito

Jane Austen · Capítulo 16 de 62

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Orgulho e Preconceito

Capítulo 16

“estúpidos e desagradáveis”. Alguns deles deviam vir j antar com os Philips no dia seguinte, e a tia prom eteu que faria o seu m arido visitar Mr. Wickham e convidá-lo igualm ente, caso a fam ília de Longbourn pudesse vir depois do j antar.

Assim ficou com binado, e Mrs. Philips declarou que faria um j ogo de loteria e que ofereceria um a ceia m ais tarde.

A expectativa de tais prazeres era m uito agradável, e todos se separaram

extrem am ente felizes. Mr. Collins repetiu as suas desculpas e tornou a ser tranquilizado com incansável am abilidade por Mrs. Philips.

A cam inho de casa, Elizabeth contou a Jane a cena que presenciara entre os dois cavalheiros, m as Jane declarou que aquele procedim ento lhe parecia incom preensível. Mr. Collins, ao regressar, alegrou Mrs. Bennet, dizendo que tinha apreciado im ensam ente as m aneiras e a polidez de Mrs. Philips. Declarou que, a não ser Lady Catherine e sua filha, nunca vira um a m ulher tão elegante, pois Mrs. Philips não só o recebera com a m aior am abilidade, com o o tinha incluído especialm ente no seu convite para a próxim a noite, em bora o estivesse vendo pela prim eira vez. Em parte isso devia ser atribuído ao seu parentesco com a fam ília de Longbourn, m as m esm o assim nunca fora tratado com tanta atenção durante toda a sua vida.

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Nenhum a obj eção foi feita quanto ao com prom isso que as m eninas tinham tom ado para a noite seguinte, e todos os escrúpulos que Mr. Collins m anifestou de deixar Mr. e Mrs. Bennet por um a noite, durante a sua visita, foram vencidos com firm eza. Em hora oportuna a carrua gem saiu de Longbourn conduzindo Mr.

Collins e suas cinco prim as a Mery ton. Ao entrarem na sala, as m eninas tiveram o prazer de saber que Mr. Wickham tinha aceitado o convite de Mr. Philips e j á se encontrava em sua casa.

Depois que todos se tinham sentado, Mr. Collins teve a oportunidade de olhar em torno e adm irar a casa. Ficou tão im pressionado com o tam anho e a m obília da sala que declarou que tinha quase a im pressão que estava num a pequena sala de alm oço de verão em Rosings, com paração que a princípio não foi m uito apreciada. Mas quando Mrs. Philips soube o que era Rosings e a quem pertencia, e depois que ouviu a descrição de um dos salões de Lady Catherine e soube que um a das lareiras por si só custara oitocentas libras, ela sentiu toda a força do elogio; não teria ficado ressentida se com parassem a sua sala com o quarto da caseira de Rosings. Mr. Collins se alongou na descrição das riquezas de Lady Catherine e da sua propriedade, com digressões ocasionais em louvor da sua própria e hum ilde residência e dos m elhoram entos que estavam sendo feitos nela; finalm ente outros cavalheiros se acercaram . Mr. Collins encontrou em Mrs.

Philips um a ouvinte m uito atenciosa. Ela estava cada vez m ais convencida da im portância do seu convidado e resolvida a passar adiante para todas as suas vizinhas, assim que pudesse, tudo o que estava ouvindo. Mas para as m eninas, que não queriam prestar atenção no seu prim o, que nada tinham a fazer senão exam inar as im itações de porcelana sobre a lareira, o intervalo pareceu m uito longo. E afinal os cavalheiros se aproxim aram , e quando Mr. Wickham entrou na sala, Elizabeth sentiu que a adm iração que desde o prim eiro m om ento sentira por ele não era de m odo algum exagerada. Os oficiais do condado de… eram todos pessoas m uito distintas e os m elhores dentre eles estavam presentes; m as Mr.

Wickham ultrapassava a todos, em aspecto, m aneiras, m odo de andar, do m esm o m odo que eles, os oficiais, eram superiores ao gorducho do tio Philips, com o seu rosto redondo e o seu hálito cheirando a vinho do Porto.

Mr. Wickham era um felizardo para quem se dirigiam quase todos os olhares fem ininos, e Elizabeth foi a feliz eleita perto da qual se sentou. E o rapaz se pôs im ediatam ente a conversar da m aneira m ais agradável, em bora o assunto se lim itasse apenas à noite chuvosa que fazia, e à probabilidade de um a estação chuvosa. Elizabeth sentiu que o assunto m ais banal podia tornar-se interessante graças à arte do narrador.

Diante de rivais tão tem íveis com o Mr. Wickham e os oficiais, Mr. Collins parecia m ergulhar na insignificância. Para as m oças ele não tinha interesse

algum . Mr. Collins encontrava, entretanto, às vezes, em Mrs. Philips, um a ouvinte benévola. Graças à atenção desta senhora, recebeu um a abundante provisão de café e de biscoitos. Quando as m esas de j ogo foram colocadas, teve ocasião de retribuir aquelas am abilidades, oferecendo-se para seu parceiro de whist.

— Sou um pouco fraco no j ogo atualm ente — disse —, m as aproveitarei de boa vontade a presente ocasião para m e aperfeiçoar, pois na m inha atual situação...

Mrs. Philips ficou m uito grata com o convite, m as não quis esperar os m otivos.

Mr. Wickham não j ogava whist, porém a sua presença com o espectador na m esa em que j ogavam Elizabeth e Ly dia foi recebida com grande prazer. A princípio parecia haver um certo perigo de que Ly dia o absorvesse inteiram ente, pois esta conversava m uito; m as Ly dia tinha tam bém grande entusiasm o pelo whist e dentro em pouco estava tão absorta com as apostas e os prêm ios, que não prestava m ais atenção a ninguém . Mr. Wickham ficou portanto à vontade para falar com Elizabeth, que estava pronta a ouvi-lo com a m aior boa vontade, em bora não tivesse a esperança de que ele contasse o que m ais desej ava: a história das suas relações com Mr. Darcy . Elizabeth não ousou sequer m encionar o nom e daquele cavalheiro. Mr. Wickham , ele próprio, introduziu o assunto e perguntou qual a distância que separava Netherfield de Mery ton e depois de ouvir a resposta, perguntou, hesitante, há quanto tem po Mr. Darcy estava habitando lá.

— Há um m ês, m ais ou m enos — respondeu Elizabeth.

E em seguida, para não deixar m orrer o assunto, acrescentou:

— Ouvi dizer que ele tem um a grande propriedade no Derby shire.

— Sim — replicou Wickham —, tem um a bela propriedade. Dez m il libras líquidas por ano. Aliás a senhora não poderia encontrar m elhor inform ante do que eu sobre esse assunto, pois desde a m inha infância conheço a fam ília bastante intim am ente.

Elizabeth não pôde se im pedir de m anifestar espanto.

— A sua surpresa, Miss Bennet, é m uito natural, pois viu com que frieza nos cum prim entam os ontem . Conhece intim am ente Mr. Darcy ?

— Não queria conhecê-lo m ais do que conheço. Passei quatro dias na m esm a casa que ele e o acho m uito desagradável.

— Não tenho direito de m anifestar a m inha opinião — disse Wickham —; não estou qualificado para form ar um j uízo, pois o conheço há tanto tem po e tão bem que m e é im possível falar com im parcialidade, m as acho que a sua opinião surpreenderia a todos e talvez nunca a exprim isse tão categoricam ente em outro lugar qualquer. Aqui a senhora está no m eio da sua própria fam ília.

— Dou-lhe a m inha palavra de honra que não falo aqui de m aneira diferente da que falaria em outra qualquer casa das redondezas, exceto Netherfield. Mr.

Darcy não é nada benquisto aqui no Hertfordshire. Todos o acham insuportavelm ente orgulhoso. Não encontraria um a opinião diferente a seu

respeito.

— Não posso dizer que m e entristece o fato de um hom em não ser apreciado além do que m erece — disse Wickham , depois de um a curta pausa. — Mas no caso de Mr. Darcy acho que isto não acontece frequentem ente. A sociedade se deixa cegar pela sua fortuna e pela sua im portância, e se deixa atem orizar pelas suas m aneiras altivas e despóticas e o vê apenas com o ele desej a ser visto.

— Mesm o conhecendo-o m uito pouco com o eu o conheço, acho que ele deve ser um hom em de m au gênio.

Mr. Wickham se lim itou a sacudir a cabeça.

— Não m e surpreenderia — disse Wickham — se não se dem orasse aqui m uito tem po m ais.

— Isto eu não sei, m as nada ouvi falar a respeito da sua partida. Espero que os seus planos, Mr. Wickham , não sej am afetados pela presença de Mr. Darcy nestas redondezas.

— Oh, não. Não há de ser ele que há de m e enxotar daqui. Se quiser evitar encontrar-se com igo, ele é quem deve partir. Não estam os em term os m uito am igáveis; é-m e desagradável encontrá-lo, m as não tenho outros m otivos para evitá-lo, senão aqueles que não m e pej o de proclam ar diante de todo m undo: a consciência de ter sido tratado inj ustam ente por ele e a pena que m e causa o seu feitio desagradável. O pai dele, Miss Bennet, o falecido Mr. Darcy , foi um dos hom ens m elhores que j á pisaram sobre a terra, e o m elhor am igo que j am ais tive; e nunca m e encontro com o atual Mr. Darcy sem que m e sinta ferido por m il lem branças tristes. A sua conduta para com igo foi sem pre escandalosa, m as creio realm ente que lhe perdoaria tudo, contanto que ele não desm erecesse a m em ória do seu pai.

Elizabeth sentiu crescer o seu interesse e o ouvia com toda a atenção, m as a delicadeza do assunto im pedia m aiores investigações. Mr. Wickham abordou outros tem as de natureza m enos especial: Mery ton, as pessoas da redondeza, a sociedade e pareceu m uito satisfeito com tudo o que tinha visto, referindo-se especialm ente a esta últim a com m uita am abilidade.

— O que m ais m e induziu a aceitar o posto no regim ento — disse — foi a perspectiva da agradável sociedade que encontraria aqui. Sabia que era um dos regim entos m ais respeitáveis, e m eu am igo Danny m e convenceu ainda m ais, com a descrição que fez da sociedade de Mery ton, das grandes atenções que tinha recebido e das excelentes relações que fizera. Confesso que a sociedade m e é necessária. Sofri certos desenganos e não suporto a solidão. Preciso de um a ocupação e de um a com panhia. A vida m ilitar não é aquela para que m e sinto feito. Mas as circunstâncias a tornaram desej ável no m om ento. Minha carreira devia ter sido o clero. Fui educado para entrar na Igrej a e neste m om ento eu estaria de posse de um a posição im portante, se aquele cavalheiro de que falávam os o tivesse desej ado.

— Sim ?

— Sim . O falecido Mr. Darcy tinha m e prom etido a m elhor paróquia que prim eiro vagasse nos seus dom ínios. Ele era m eu padrinho e m e dedicava grande afeição. Nunca poderia pagar o que lhe devo. Ele tencionava velar sobre o m eu futuro e pensou que o tivesse feito. Mas quando o lugar vagou, foi dado a outra pessoa.

— Que horror! — exclam ou Elizabeth. — Com o pôde desrespeitar a vontade do pai? Por que é que o senhor não procurou um a reparação legal?

— Os term os da doação eram apenas verbais. Não havia fundam ento para um a ação legal. Um hom em de honra não hesitaria em cum prir as disposições paternas, m as Mr. Darcy preferiu duvidar de que estas disposições existissem , ou tratá-las com o sim ples recom endações e afirm ou que eu tinha perdido todo o direito ao lugar que pleiteava pela m inha extravagância e pela m inha im prudência. O certo é que o lugar ficou vago há dois anos, no m om ento exato em que eu atingia a idade exigida para ocupá-lo. E creio que foi dado a outra pessoa; e não é m enos certo que eu nada tenho feito para desm erecê-lo. Tenho um gênio franco e im pulsivo e talvez m anifestasse com dem asiada liberdade aos outros e ao próprio Mr. Darcy a opinião que tenho dele. Não m e lem bro de ter feito nada m ais grave. Mas o fato é que som os hom ens de feitio m uito diferente e que ele m e odeia.

— Isto é revoltante. Ele m erece ser publicam ente condenado.

— Mais cedo ou m ais tarde o será, m as não por m eu interm édio. Enquanto a m em ória do pai dele viver em m im , não o denunciarei, nem m esm o o provocarei.

— Mas qual pode ser o m otivo que o levou a proceder tão cruelm ente? — disse Elizabeth, depois de um a pausa.

— A furiosa antipatia que tem por m im , um a antipatia que eu não posso deixar de atribuir em parte à invej a. Se o falecido Mr. Darcy tivesse gostado m enos de m im , o filho talvez m e suportasse m elhor. Mas a extraordinária afeição que o pai m anifestava por m im irritava-o quando ainda era m uito criança. Com o tem peram ento que ele tem , não podia tolerar a com petição em que nos defrontávam os e a preferência que frequentem ente m e era dada.

— Eu não supunha que Mr. Darcy fosse tão ruim assim , em bora nunca m e sentisse atraída por ele. Pensava que desprezasse os seus sem elhantes em geral, m as não suspeitava que fosse capaz de tom ar um a vingança tão baixa e se m ostrar tão inj usto e tão desum ano.

Depois de refletir alguns m inutos, ela continuou:

— Recordo-m e que ele se gabou certa vez em Netherfield de ser im placável nos seus ressentim entos. E de ser dotado de um tem peram ento rancoroso. Deve ter um gênio terrível.

— Quanto a isto nada posso dizer — replicou Wickham —, não m e sinto com

forças para j ulgá-lo com j ustiça.

Elizabeth tornou a m ergulhar nos seus pensam entos e, depois de algum tem po, exclam ou:

— Tratar desta m aneira o afilhado, o am igo, o favorito de seu pai...

E poderia ter acrescentado: um rapaz com o o senhor, cuj a aparência depõe tanto a seu favor. Mas se lim itou a dizer:

— E além disso um com panheiro de infância, um íntim o, com o o senhor m esm o disse...

— Nascem os na m esm a paróquia, dentro dos lim ites do m esm o parque, passam os j untos a m aior parte da infância, vivem os na m esm a casa, com partilham os os m esm os divertim entos e fom os obj etos da m esm a afeição paternal. Meu pai com eçou a vida na m esm a profissão em que o seu tio parece ter se distinguido, m as ele abandonou tudo para servir Mr. Darcy dedicando todo o seu tem po à adm inistração da propriedade de Pem berley . Era altam ente estim ado por Mr. Darcy , que fez dele o seu íntim o am igo e confidente. Mr.

Darcy , m ais de um a vez, reconheceu publicam ente que devia as m aiores obrigações a m eu pai, pelos serviços que este lhe prestara na adm inistração dos seus bens. E quando, um pouco antes da m orte de seu pai, Mr. Darcy lhe prom eteu espontaneam ente encarregar-se do m eu futuro, estou convencido de que sentia que essa prom essa era um a dívida de gratidão para com m eu pai, além de ser um a prova de afeição para com igo.

— Com o é estranho! — exclam ou Elizabeth. — Que coisa abom inável! Espanta-m e que o próprio orgulho de Mr. Darcy não o tenha levado a ser j usto para com o senhor. E se não houvesse outro m otivo, bastava este. Ele devia ser orgulhoso dem ais para ser desonesto.

— Espantoso — replicou Wickham —, pois quase todos os seus atos podem ser relacionados com o orgulho. E o orgulho tem sido o seu m elhor am igo. O orgulho o conduziu até m ais próxim o da virtude do que qualquer outro sentim ento. Mas nenhum de nós é coerente, e na sua conduta para com igo agiram ainda im pulsos m ais fortes do que o orgulho.

— Mas pode um orgulho tão abom inável lhe ter sido j am ais de algum a vantagem ?

— Sim . Levou-o frequentem ente a ser liberal e generoso, a despender grandes quantias, a ser hospitaleiro, a aj udar os seus colonos e a m itigar os sofrim entos dos pobres. O orgulho da fam ília e o orgulho filial, pois ele tem grande orgulho do pai, conduziram-no a isto. Não desm erecer a fam ília, não parecer ter degenerado quanto a certas qualidades que a tornaram fam osa, não deitar a perder a influência da casa de Pem berley , são m otivos poderosos. Ele possui tam bém orgulho fraternal, o qual, som ado a certa afeição, o faz zelar com carinho e cuidado pela sua irm ã; a senhora deve ter ouvido dizer que ele é o m elhor e o m ais atencioso dos irm ãos.

— Que espécie de m oça é Miss Darcy ?

Ele sacudiu a cabeça.

— Eu desej ava responder que é am ável. Causa-m e m ágoa falar m al de um Darcy . Mas é extrem am ente parecida com o irm ão, m uito, m uito orgulhosa. Em criança era extrem am ente afetiva e agradável, e gostava m uito de m im . E a fim de distraí-la, perdi m uitas horas da m inha vida. Mas agora ela j á não representa nada para m im . É um a bonita m enina de 15 ou 16 anos e dizem que m uito prendada. Desde a m orte do pai vive em Londres, em com panhia de um a senhora que dirige a sua educação.

Depois de m uitas pausas, em que tentou falar noutros assuntos, Elizabeth não pôde deixar de voltar ao prim eiro, e disse:

— Espanta-m e a intim idade dele com Mr. Bingley . Não sei com o este, que parece ser todo bom hum or e é realm ente extrem am ente sim pático, pode ter am izade por aquele hom em . Não entendo com o os seus gênios com binam .

Conhece Mr. Bingley ?

— Não.

— É um hom em am ável, bem -educado, encantador. Ele não deve conhecer a verdadeira natureza de Mr. Darcy .

— Provavelm ente não. Mas Mr. Darcy sabe agradar quando quer. Não lhe faltam qualidades. Ele sabe ser um com panheiro agradável, quando acha que vale a pena. Entre os seus iguais m ostra-se m uito diferente do que com os m enos afortunados. Seu orgulho nunca o abandona; m as com os ricos ele é liberal, j usto, sincero, razoável, honrado, e talvez agradável. Mesm o levando em conta a sua fortuna e a sua figura.

Pouco depois term inou a partida de whist. Os j ogadores se reuniram em torno da outra m esa e Mr. Collins se sentou entre a sua prim a Elizabeth e Mrs. Philips. Esta lhe fez as perguntas de costum e sobre o seu êxito no j ogo. A sorte não lhe tinha sido m uito favorável. Ele tinha perdido todos os pontos. Mas quando Mrs. Philips com eçou a exprim ir o seu pesar, Mr. Collins lhe assegurou, m uito grave, que isto não tinha a m enor im portância, que considerava o dinheiro um a coisa secundária, e pediu que não se preo cupasse com o fato.

— Sei perfeitam ente, m inha senhora — disse — que quando um a pessoa se senta num a m esa de j ogo, deve correr o seu risco. Felizm ente a m inha situação perm ite perder cinco shilings sem nenhum a preocupação. Muitos não podem dizer o m esm o, m as graças a Lady Catherine de Bourgh estou livre dessas pequeninas m isérias.

Mr. Wickham prestou atenção a estas palavras e, depois de observar Mr. Collins durante alguns m om entos, perguntou a Elizabeth se o seu parente era intim am ente relacionado com a fam ília de Bourgh.

— Lady Catherine de Bourgh — respondeu Elizabeth — concedeu-lhe recentem am ente um lugar de reitor. Não sei quando Mr. Collins lhe foi

apresentado pela prim eira vez. Mas estou certa de que não a conhece há m uito tem po.

— A senhora deve saber naturalm ente que Lady Catherine de Bourgh e Lady Anne Darcy eram irm ãs. E por conseguinte esta senhora é tia do atual Mr.

Darcy .

— Não, não sabia. Não sabia m esm o da existência de Lady Catherine até o dia de ontem .

— Sua filha, Miss de Bourgh, herdará um a grande fortuna. Acredita-se que ela e seu prim o reunirão as duas propriedades.

Esta inform ação fez Elizabeth sorrir, pois se lem brou da pobre Miss Bingley .

Todas as suas atenções, a sua afeição por Miss Darcy e os elogios a Mr. Darcy seriam inúteis se ele j á estivesse destinado a outra m ulher.

— Mr. Collins — disse Elizabeth — fala m uito bem tanto de Lady Catherine com o da sua filha, m as certos detalhes que referiu acerca daquela senhora m e fazem suspeitar que a gratidão o torna cego e que, apesar de ser a sua protetora, ela é um a m ulher arrogante e convencida.