Orgulho e Preconceito

Jane Austen · Capítulo 31 de 62

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Orgulho e Preconceito

Capítulo 31

Apresentou os seus cum prim entos a Mrs. Collins com a reserva habitual e quaisquer que fossem os seus sentim entos para com a am iga da dona da casa, ele a cum prim entou discretam ente. Elizabeth fez um a curta reverência, sem dizer um a só palavra. O coronel Fitzwilliam com eçou a palestrar im ediatam ente, com

a sim plicidade de um hom em bem -educado. A sua conversa era m uito agradável, m as seu prim o, depois de dirigir um a ligeira observação sobre a casa e o j ardim , perm aneceu sentado durante algum tem po em silêncio. E afinal ele j ulgou que devia indagar da saúde dos parentes de Elizabeth. Ela lhe respondeu com a sim plicidade de sem pre e depois de um a curta pausa, acrescentou:

— Minha irm ã m ais velha tem estado em Londres nestes últim os três m eses.

Nunca lhe aconteceu encontrá-la?

Sabia perfeitam ente que nunca a tinha encontrado. Mas queria ver se ele deixaria transparecer que estava inform ado do que se tinha passado entre os Bingley e Jane. Pareceu-lhe que Mr. Darcy se m ostrava um pouco confuso ao responder que nunca tivera a boa sorte de encontrar Miss Bennet. O assunto não foi m ais m encionado e pouco depois os dois cavalheiros partiram .

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As m aneiras do coronel Fitzwilliam foram m uito apreciadas na reitoria. Todas as senhoras acharam que ele contribuiria consideravelm ente para alegrar os j antares em Rosings. Passaram-se alguns dias, no entanto, antes que recebessem novo convite, pois havendo visitas em casa, eles não eram m ais necessários. E foi só no dom ingo de Páscoa, quase um a sem ana depois da chegada dos cavalheiros, que o tal convite foi feito, ao saírem da igrej a; assim m esm o foram apenas convidados para ir a Rosings depois do j antar. Durante a últim a sem ana não tinham tido quase ocasião de ver Lady Catherine ou a sua filha. O coronel Fitzwilliam tinha estado de visita à reitoria m ais de um a vez neste intervalo. Mas Mr. Darcy fora visto apenas na igrej a. O convite naturalm ente foi aceito e à hora designada eles se reuniram ao grupo que j á se encontrava na sala de Lady Catherine. Esta os recebeu am avelm ente, m as era evidente que a com panhia daquela gente não era nem de longe tão aceitável agora com o nos dias em que não havia m ais ninguém lá. Lady Catherine era toda atenção com os seus sobrinhos e falava com eles, especialm ente com Darcy , m uito m ais do que com qualquer outra pessoa na sala.

O coronel Fitzwilliam pareceu realm ente contente de vê-los. Em Rosings, tudo o que aparecesse de fora para ele era um alívio bem -vindo e a bela am iga de Mrs.

Collins o interessava m uito. Sentou-se ao lado dela e falou m uito agradavelm ente acerca do Kent, do Hertfordshire, de viagens, livros e m úsica; Elizabeth sentiu que j am ais se divertira tanto naquela sala; a conversa era tão anim ada que atraiu a atenção de Lady Catherine, bem com o a de Mr. Darcy . Os olhos deste últim o se voltaram repentinam ente para eles com um a expressão de curiosidade; e dentro em pouco tornou-se evidente que Lady Catherine com partilhava dos sentim entos do seu sobrinho, pois exclam ou, sem nenhum a reserva:

— Que é que você estava dizendo, Fitzwilliam ? De que é que vocês conversavam ? Que é que você estava contando para Miss Bennet? Queria saber o que é.

— Estávam os falando de m úsica — disse ele, im possibilitado de esquivar um a resposta.

— De m úsica? Então fale em voz alta. É de todos os assuntos, o m eu favorito. Se estão falando de m úsica quero tom ar parte na conversa. Creio que existem poucas pessoas na Inglaterra que apreciam m ais a m úsica do que eu. Ou que tenham um gosto m ais fino. Se eu j am ais tivesse aprendido m úsica, seria um a grande intérprete. E Anne tam bém , aliás, se a saúde dela o tivesse perm itido.

Estou certa de que ela tocaria adm iravelm ente. Georgiana tem feito m uitos progressos, Darcy ?

Mr. Darcy louvou afetuosam ente o talento da sua irm ã.

— Estou m uito satisfeita com isto — disse Lady Catherine. — Diga-lhe que

nunca poderá brilhar se não estudar m uito.

— Eu lhe asseguro, m inha tia — replicou ele —, que não precisa de tal conselho.

Estuda com m uita constância.

— Tanto m elhor. Nunca é dem ais. E na próxim a vez que escrever para ela, recom endarei que não se descuide do seu piano. Eu sem pre digo às m oças que nenhum a distinção pode ser alcançada sem um estudo constante. Já disse a Miss Bennet várias vezes que nunca tocará realm ente bem se não estudar m ais. E

com o não há piano em casa de Mrs. Collins, ela está convidada, com o j á disse m uitas vezes, a vir a Rosings todos os dias estudar piano no quarto de Mrs.

Jenkinson. Naquela parte da casa ela não incom odaria a ninguém .

Mr. Darcy pareceu um pouco envergonhado da grosseria da sua tia e nada respondeu. Depois do café, o coronel Fitzwilliam lem brou a Elizabeth a sua prom essa de tocar para ele; e a m oça se sentou im ediatam ente ao piano. Ele aproxim ou a sua cadeira. Lady Catherine ouviu m etade de um a canção e em seguida continuou a conversar com o antes com o outro seu sobrinho, até que este últim o se afastou e, dirigindo-se resolutam ente para o piano, colocou-se de m aneira a poder observar o rosto da bela executante. Elizabeth percebeu o que estava fazendo e na prim eira pausa virou-se para ele e disse, com um sorriso m alicioso:

— É para m e assustar, Mr. Darcy , que se aproxim ou com toda esta im ponência?

Mas eu não ficarei alarm ada, em bora a sua irm ã toque tão bem . Tenho um a persistência que a vontade dos outros é incapaz de intim idar. Nesses m om entos a m inha coragem sem pre m e socorre.

— Eu não direi que a senhora está enganada — replicou ele —, porque é im possível que acredite realm ente que eu tivesse a intenção de alarm á-la. Eu tenho o prazer de conhecê-la j á há bastante tem po para saber que gosta m uito de exprim ir de vez em quando opiniões que de fato não são as suas.

Elizabeth riu cordialm ente com essa descrição da sua pessoa e disse para o coronel Fitzwilliam :

— Seu prim o vai lhe dar um a bela ideia a m eu respeito, ensinando-lhe a não acreditar num a só palavra do que eu falo. É um a falta de sorte ter encontrado um a pessoa capaz de expor aos outros o m eu caráter real num lugar onde eu tinha tido a esperança de deixar um a boa im pressão. Realm ente, Mr. Darcy , é um a falta de generosidade da sua parte m encionar aqui tudo o que descobriu sobre as m inhas fraquezas no Hertfordshire. E além disso acho a sua atitude m uito pouco política, pois m e incita a represálias. Neste caso podem sair coisas que escandalizarão os seus parentes.

— Eu não tenho m edo da senhora — disse ele sorrindo.

— Não deixe de dizer as coisas de que o acusa — exclam ou o coronel Fitzwilliam . — Queria saber com o é que ele se com porta entre os estranhos.

— O senhor o saberá. Mas prepare-se para ouvir coisas horríveis. Na prim eira vez em que eu o vi no Hertfordshire foi num baile. E nesse baile o que é que o senhor acha que ele fez? Dançou apenas quatro danças. Sinto m uito causar-lhe essa desilusão, m as é verdade. Ele dançou apenas quatro danças, em bora faltassem cavalheiros. E sei que m ais de um a m oça ficou sentada por falta de um par. Mr. Darcy , o senhor não pode negar o fato.

— Naquela ocasião eu não tinha a honra de conhecer outras m oças no salão a não ser as do m eu próprio grupo.

— É verdade, e ninguém pode ser apresentado a um a pessoa estranha num salão de baile. Bem , coronel Fitz william , que devo eu tocar agora? Meus dedos esperam a sua ordem .

— Talvez — disse Darcy — eu teria feito m elhor se houvesse solicitado um a apresentação. Mas eu m e considero m alqualificado para m e recom endar pessoalm ente aos estranhos.

— Devem os perguntar a seu prim o a razão para isto — disse Elizabeth, continuando a se dirigir ao coronel Fitzwilliam . — Devem os perguntar-lhe por que um hom em bem -educado e sensato, que tem a experiência do m undo, está m alqualificado para se recom endar às pessoas estranhas?

— Posso responder a sua pergunta sem consultá-lo — respondeu Fitzwilliam . —

E porque ele não quer se dar ao trabalho.

— É certo que eu não tenho um talento que m uita gente possui — disse Darcy —: o de conversar facilm ente com pessoas que não conheço. Não consigo encontrar o tom apropriado nem m e fingir interessado pelos assuntos dos outros, com o vej o acontecer frequentem ente.

— Meus dedos não se m ovem sobre este instrum ento de um a m aneira tão m agistral quanto os de m uitas outras m ulheres. Eles não têm a m esm a força e a m esm a rapidez, nem possuem a m esm a força de expressão. Mas disso eu sem pre m e acusei com o de um defeito. Porque eu nunca m e dei ao trabalho de estudar; não é que eu não acredite que os m eus dedos sej am inferiores aos de outra qualquer m ulher.