Orgulho e Preconceito

Jane Austen · Capítulo 32 de 62

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Orgulho e Preconceito

Capítulo 32

Darcy sorriu e disse:

— Tem toda a razão. Em pregou o seu tem po m uito m elhor. Ninguém que tenha tido o privilégio de ouvi-la pode pensar que lhe falta algum a coisa. Nenhum de nós dois executa para os estranhos.

Nesse m om ento foram interrom pidos por Lady Catherine, que perguntou qual era o assunto da conversa. Elizabeth im ediatam ente recom eçou a tocar. Lady Catherine se aproxim ou e depois de ouvir durante alguns m inutos, disse para Darcy :

— Miss Bennet não estaria tão fora de form a se estudasse m ais e tivesse a vantagem de ter um professor de Londres. Ela articula bem , m as não tem tanta expressão quanto Anne. Anne seria um a pianista notável se a sua saúde tivesse perm itido.

Elizabeth olhou para Darcy , para ver com o ele acolhia aquele elogio à sua prim a; m as nem naquele m om ento, nem em outra qualquer ocasião pôde discernir qualquer sintom a de am or. E a j ulgar pela atitude geral de Mr. Darcy , Elizabeth pôde fazer a seguinte reflexão consoladora para Miss Bingley : que se esta fosse tam bém sua prim a teria a m esm a possibilidade de se casar com ele.

Lady Catherine continuou com as suas observações sobre a execução de Elizabeth, alternando-as com conselhos sobre técnica e expressão. Elizabeth os recebeu com toda a paciência e am abilidade; e a pedido dos cavalheiros, continuou tocando, até que a carruagem de Lady Catherine foi cham ada a fim de conduzir as visitas para casa.

32

No dia seguinte, de m anhã, Elizabeth estava sentada sozinha escrevendo para Jane, quando a cam painha da porta a fez sobressaltar-se. Mrs. Collins e Maria tinham ido fazer com pras na aldeia. Com o Elizabeth não tinha escutado nenhum a carruagem se aproxim ar, pensou que provavelm ente a visita seria Lady Catherine e, apreensiva, estava escondendo a carta que escrevia, a fim de escapar a perguntas indiscretas, quando a porta se abriu e Mr. Darcy , sozinho, entrou na sala.

Ele pareceu tam bém surpreendido ao encontrá-la só. Desculpou-se pela sua intrusão, dizendo que pensava estarem todas as senhoras em casa.

Em seguida sentaram -se e, depois das perguntas de estilo, estavam a ponto de cair num silêncio total. Era absolutam ente necessário, pois, encontrar assunto. E

nessa em ergência, Elizabeth, lem brando-se da últim a vez que o vira no Hertfordshire, e curiosa de saber o que ele diria para j ustificar a sua súbita partida, observou:

— Com que rapidez todos partiram de Netherfield em novem bro passado, Mr.

Darcy ! Deve ter sido um a surpresa m uito agradável para Mr. Bingley revê-los todos tão cedo depois que partiu. Se não m e engano, ele saiu no dia anterior, não?

Espero que o tenha deixado bem , a ele e a suas irm ãs, agora quando deixou Londres.

— Perfeitam ente, obrigado.

Elizabeth com preendeu que não receberia outra resposta. E depois de um a curta pausa, acrescentou:

— Se não m e engano, ouvi dizer que Mr. Bingley não tenciona voltar m ais a Netherfield.

— Nunca ouvi dizer tal coisa; m as é provável que ele passe lá m uito pouco tem po, de cada vez, daqui para o futuro. Ele tem m uitos am igos e está num a idade em que os am igos e os com prom issos aum entam continua m ente.

— Se ele tenciona ficar tão pouco em Netherfield seria m elhor para a vizinhança que desistisse inteiram ente do lugar. Pois neste caso outra fam ília poderia se instalar lá. Mas talvez Mr. Bingley a tenha tom ado pensando m enos na conveniência dos vizinhos do que na sua própria. E naturalm ente não devem os esperar que se guie agora por outros princípios.

— Eu não ficaria surpreso se ele passasse a propriedade a outros assim que se oferecesse um a oportunidade vantaj osa — respondeu Darcy .

Elizabeth não respondeu. Tinha m edo de falar m ais longam ente sobre Mr.

Bingley . E nada m ais tendo a dizer, resolveu deixar a cargo de Mr. Darcy o trabalho de encontrar um novo assunto.

Ele percebeu aquela intenção e logo com eçou:

— Esta casa parece m uito confortável. Creio que Lady Catherine a reform ou

bastante depois da vinda de Mr. Collins.

— Acredito que sim . E estou certa de que ela não poderia ter dispensado a sua bondade a um a pessoa m ais reconhecida.

— Mr. Collins parece ter tido m uita sorte na escolha da esposa.

— Realm ente. Seus am igos têm m otivos para satisfação, pois ele encontrou um a das poucas m ulheres sensatas que o teriam aceito. E tendo-o aceito, capaz de torná-lo feliz. A m inha am iga é m uito com preensiva, e em bora eu não considere o seu casam ento com Mr. Collins o seu ato m ais aj uizado, reconheço no entanto que parece perfeitam ente feliz. E considerando as coisas com prudência, parece de fato que ela fez um bom casam ento.

— Deve ser certam ente m uito agradável para ela ter a sua casa a um a distância relativam ente tão curta da sua fam ília e dos seus am igos.

— O senhor cham a isto um a distância curta? São quase cinquenta m ilhas.

— E o que são cinquenta m ilhas num a boa estrada? Pouco m ais do que m eio dia de viagem . Considero isto um a distância fácil.

— Nunca consideraria a distância com o um a das vantagens do casam ento —

exclam ou Elizabeth. — Eu j am ais teria dito que Mrs. Collins está instalada perto da sua fam ília.

— É um a prova da sua afeição pelo Hertfordshire. Qualquer lugar que não se encontre nas proxim idades de Longbourn deve lhe parecer longínquo.

Enquanto falava, havia nele um a espécie de sorriso que Elizabeth j ulgou com preender. Devia supor que ela estava pensando em Jane e enrubesceu, ao responder:

— Não quero dizer com isto que um a m ulher não deva m orar um pouco longe da fam ília. O longe e o perto são relativos e dependem de várias circunstâncias.

Quando existe fortuna e as despesas de viagem são pouco im portantes, as distâncias não têm inconveniência. Mas este não é o caso aqui. Mr. e Mrs. Collins têm um rendim ento que lhes perm ite um a vida confortável, porém não é suficiente para viagens frequentes. Estou persuadida de que m inha am iga só se consideraria perto da fam ília se m orasse na m etade da atual distância.

Mr. Darcy aproxim ou um pouco a sua cadeira e disse:

— Mas a senhora não tem direito de ser tão bairrista. A senhora não pode ter m orado sem pre em Longbourn.

Elizabeth olhou para ele, surpresa.

Mr. Darcy pareceu m udar de ideia. Recuou a cadeira, tom ou um j ornal em cim a da m esa e percorrendo-o, num tom m ais frio:

— Agrada-lhe o Kent?

Seguiu-se um curto diálogo sobre o condado, calm o e conciso de am bas as partes, que a chegada de Charlotte e da sua irm ã, um pouco depois, veio interrom per. O tête-à-tête pareceu surpreendê-las. Mr. Darcy relatou o engano que ocasionara a sua intrusão, e depois de ficar sentado m ais alguns m inutos sem

dizer quase nada, foi-se em bora.

— Qual pode ser a significação dessa visita? — disse Charlotte, depois que ele partiu. — Minha cara Eliza, ele deve estar apaixonado por você. Sem o que nunca nos teria visitado dessa form a pouco cerim oniosa.

Mas quando Elizabeth contou que ele ficara em silêncio, a hipótese não pareceu m uito plausível, m esm o para Charlotte que a desej ava. E depois de várias conj eturas, elas supuseram afinal que a visita era devido apenas à dificuldade de encontrar ocupação, coisa que naquela época do ano não era nada de estranhar.

Todos os j ogos em cam po aberto estavam fora de questão. Dentro de casa havia Lady Catherine, livros e um a m esa de bilhar. Mas os cavalheiros não podem ficar sem pre trancados dentro de casa; e fosse porque a reitoria era tão próxim a, ou porque a cam inhada fosse agradável, ou os seus m oradores interessantes, o fato é que os dois prim os se acharam tentados a cam inhar até lá quase todas as m anhãs. Eles chegavam em horas diferentes, ora j untos, outras vezes separados, e de vez em quando acom panhados pela sua tia. Era evidente para todos que o coronel Fitzwilliam vinha porque achava agradável a com panhia dos habitantes de Hunsford, coisa que naturalm ente o recom endava ainda m ais. E a satisfação que Elizabeth experim entava ao vê-lo, bem com o aquela com que recebia a sua evidente adm iração, lem brava-lhe o seu antigo favorito George Wickham . E

em bora, ao com pará-los, visse que havia m enos doçura cativante nas m aneiras do coronel Fitzwilliam , acreditava que ele fosse dos dois o m ais culto.

Era m ais difícil com preender por que Mr. Darcy vinha tão frequentem ente à reitoria. Não podia ser pela com panhia, pois ficava a m aior parte do tem po calado, às vezes durante dez m inutos seguidos. E quando falava, parecia fazê-lo m ais pela dura obrigação de ser polido do que por prazer. Raram ente parecia ficar de fato anim ado. Mrs. Collins não sabia o que fazer com ele. E o fato do coronel Fitzwilliam caçoar ocasionalm ente da casm urrice do seu prim o, provava que havia m udado; o pouco que Charlotte sabia a respeito de Mr. Darcy não era suficiente para que com preendesse, por si, este fato. Teria ficado satisfeita se descobrisse que esta m udança era o efeito do am or, e o obj eto daquele am or a sua am iga Eliza. Portanto dispôs-se seriam ente a encontrar a causa daquela m udança. Observava-o todas as vezes que o encontrava em Rosings, ou quando ele vinha a Hunsford, m as sem grande sucesso. Ele olhava decerto bastante para a sua am iga, m as a expressão daquele olhar era duvidosa. Era um olhar sério, fixo, e Charlotte perguntava m uitas vezes se havia realm ente nele algum a adm iração. Outras vezes, parecia-lhe apenas um olhar distraído. Um a ou duas vezes sugerira a Elizabeth a possibilidade de Mr. Darcy se achar interessado por ela, m as esta sem pre ria de sem elhante ideia. E Mrs. Collins achou que era m elhor não despertar esperanças que pudessem acabar em desapontam ento; pois na sua opinião, toda a relutância da sua am iga se desvaneceria no m om ento em que o supusesse em seu poder.