Orgulho e Preconceito

Jane Austen · Capítulo 30 de 62

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Orgulho e Preconceito

Capítulo 30

Collins pediu à sua prim a que desse a sua opinião sobre tudo o que tinham visto em Rosings. Para o bem de Charlotte, Elizabeth deu um a resposta m ais favorável do que realm ente tinha vontade de dar. Os seus louvores, em bora lhe custassem algum trabalho, de nenhum m odo foram j ulgados suficientes por Mr. Collins e im ediatam ente ele se sentiu obrigado a tom ar a seu cuidado o elogio de Lady Catherine.

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Sir William ficou apenas um a sem ana em Hunsford; m as sua visita foi suficiente para convencê-lo de que sua filha estava instalada da m aneira m ais confortável e que possuía um m arido e um a vizinha difíceis de encontrar iguais. Enquanto Sir William ficou em Hunsford, Mrs. Collins lhe consagrou as suas m anhãs.

Passeava com ele no seu cabriolé para lhe m ostrar a região; m as depois que ele partiu, a fam ília voltou para as suas ocupações habituais e Elizabeth ficou satisfeita porque não tinha que ficar tão constantem ente com seu prim o, pois a m aior parte das horas, entre o café da m anhã e o alm oço, ele passava agora trabalhando no j ardim , lendo ou escrevendo e olhando pela j anela da biblioteca, que confrontava a estrada. A sala das senhoras ficava nos fundos. Elizabeth a princípio se espantou de que Charlotte não preferisse a sala de alm oço para uso com um ; era m aior e de aspecto m ais agradável. Mas logo com preendeu que a sua am iga tinha um excelente m otivo para o que fazia, pois sem dúvida Mr.

Collins passaria m uito m enos tem po na sua biblioteca se elas ficassem num a sala igualm ente agradável.

Da sala de visitas nada se podia ver da estrada. E dependiam de Mr. Collins para saber quais as carruagens que surgiam e quantas vezes Miss de Bourgh passava no seu faéton, coisa que ele j am ais deixava de anunciar. E em bora isto acontecesse quase todos os dias, m uitas vezes Miss de Bourgh parava na reitoria e conversava alguns m inutos com Charlotte. Mas quase nunca ela descia. Poucos dias decorriam sem que Mr. Collins fosse a Rosings. E frequentem ente a sua esposa achava que devia acom panhá-lo. E Elizabeth só com preendeu o sacrifício de tantas horas quando se lem brou que possivelm ente existiam outros cargos eclesiásticos que dependiam da fam ília. De vez em quando Lady Catherine os honrava com um a visita. E nessas ocasiões, nada do que se passava na sala escapava à sua atenção. Ela observava as ocupações das m oças, olhava para os seus trabalhos e aconselhava que os fizessem de m aneira diferente. Achava errada a disposição dos m óveis ou descobria um a negligência da criada. E se ficava às vezes para as refeições, era só para observar que os assados de Mrs.

Collins eram grandes dem ais para a fam ília.

Elizabeth logo descobriu que a grande senhora, em bora não fosse com issionada com o título de j uiz de paz para o condado, era um m agistrado m uito ativo para a sua própria paróquia e levava as m enores coisas ao conhecim ento de Mr. Collins; e quando qualquer dos aldeões se m ostrava descontente ou caía na m iséria, ou quando surgia um a contenda, ela corria para a aldeia, a fim de dirim ir as questões, silenciar as queixas e harm onizar as disputas e as desgraças com reprim endas e dinheiro. Os j antares em Rosings foram repetidos duas vezes por sem ana e se não fosse a ausência de Sir William e o fato de só haver um a m esa de j ogo seriam um a repetição exata do prim eiro. Os outros com prom issos sociais

eram m ínim os, pois o gênero de vida das fam ílias da vizinhança estava em geral além dos m eios da fam ília Collins. Isto entretanto não desagradava a Elizabeth que, em sum a, passava o tem po bastante agradavelm ente. Havia horas de conversação interessante com Charlotte e com o fizesse um tem po excepcionalm ente belo para aquela época do ano, podia passear frequentem ente ao ar livre. O seu passeio favorito, que fazia em geral enquanto os outros visitavam Lady Catherine, era no bosque aberto que lim itava aquele lado do parque, onde havia um a bela alam eda coberta que ninguém m ais parecia apreciar e onde se sentia protegida da curiosidade de Lady Catherine.

Dessa m aneira tranquila, passaram os prim eiros 15 dias da visita. A Páscoa estava se aproxim ando e durante a sem ana que a precedia devia chegar um a pessoa a Rosings; e com o a fam ília era tão pequena, esse acréscim o devia ser im portante. Pouco depois da sua chegada, Elizabeth ouviu dizer que Mr. Darcy estava sendo esperado em Rosings daí a poucas sem anas. E em bora ela preferisse qualquer outra pessoa do seu conhecim ento, a chegada de Mr. Darcy viria contribuir para o aparecim ento de um rosto com parativam ente novo nos j antares em Rosings. Além disso teria ocasião de observar pela sua atitude para com a prim a, a quem ele estava evidentem ente destinado por Lady Catherine, até que ponto os desígnios de Miss Bingley eram infundados. Lady Catherine falava na sua chegada com a m aior satisfação, referia-se a ele nos term os m ais elogiosos e quase ficou zangada ao saber que Miss Lucas e Elizabeth j á o conheciam . Sua chegada foi logo sabida na reitoria, pois Mr. Collins passou a m anhã inteira passeando perto dos portões do parque, a fim de ser o prim eiro a ver. Ao surgir a carruagem , fez um a reverência e depois correu para casa.

Na m anhã seguinte, apressou-se a visitar Rosings para apresentar os seus respeitos. E teve que apresentá-los duas vezes, pois havia dois sobrinhos de Lady Catherine. Mr. Darcy tinha trazido consigo o coronel Fitzwilliam , o filho m ais m oço do seu tio, o Lord...; com grande surpresa para todos, quando Mr. Collins voltou para casa, vira-os atravessar a estrada. E, im ediatam ente, correndo para o outro quarto, avisou as m eninas da honra que as esperava, acrescentando:

— É a você, Eliza, que agradeço esta am abilidade. Mr. Darcy não viria aqui tão cedo por m inha causa.

Elizabeth ainda não acabara de protestar contra esta hom enagem , quando a chegada dos dois cavalheiros foi anunciada pela cam painha da porta e pouco depois eles entraram na sala. O coronel Fitzwilliam , que vinha na frente, parecia ter aproxim adam ente trinta anos de idade; não era bem -apessoado m as tinha as atitudes e os m odos de um verdadeiro gentlem an. Mr. Darcy não tinha m udado.