Política Externa como Ação Afirmativa: o Governo Lula na África
O Movimento Negro e os partidos políticos
O Movimento Negro e os partidos
políticos
Fruto da própria situação de inferioridade e marginalização em
que historicamente viveram os descendentes de africanos no Brasil, as relações entre o Movimento Negro e os partidos políticos foram sempre diminutas, e as questões raciais mal figuravam na agenda das agremiações políticas brasileiras. O tema é objeto do trabalho de Gevanilda Gomes dos Santos, Partidos Políticos e etnia
negra 351 352 , em que a autora analisa a reação dos partidos políticos
às reivindicações do Movimento Negro contemporâneo.
Ela conta que, até 1978, ano da criação do Movimento Negro
Unificado Contra a Discriminação Racial (MNUCDR), "as organizações partidárias, tanto oficiais quanto clandestinas, não
possuíam um discurso de combate ao racismo", 353 pois sequer admitiam a existência de preconceito ou de discriminação racial no País. A exceção histórica foi o PTB, que sempre dedicou atenção especial às relações sociorraciais,além do gesto singular do deputado Afonso Arinos, da UDN-MG, que apresentou, em 1951, o projeto de lei antidiscriminação racial que ficou conhecido por seu
nome.354 Esse projeto fora inicialmente apresentado, sem êxito, em 1946, como reivindicação da I Convenção Nacional do Negro, realizado, em 1945.
Na década de 1970, nem a Arena, nem o MDB alteraram
significativamente o tratamento conferido à questão racial. Ao contrário, valendo-se "das restrições constitucionais e da ideologia da democracia racial [que] garantiam o silêncio sobre as
desigualdades sociorraciais brasileiras", 355 ambos reforçaram o mito da democracia racial e conseguiram, ademais, a adesão de parlamentares negros, sobretudo os da oposição. Exemplo notório foi o Deputado Adalberto Camargo, "a maior expressão eleitoral
negra"356 à época, eleito pelo MDB-SP, em 1966, e reeleito até 1978. Em consequência, persistiam tensões entre os dois partidos e
as organizações do Movimento Negro, 357 cujo discurso era bastante mais crítico à realidade sociorracial brasileira.