Política Externa como Ação Afirmativa: o Governo Lula na África
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC
Dácio Roberto Matheus – Reitor
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Editora UFABC
Coordenação
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Equipe Técnica
Cleiton Klechen
Natalia Gea
Irene Vida Gala
Política Externa como Ação
Afirmativa
Projeto e Ação do Governo Lula na
África 2003-2006
Santo André
2019
© Copyright by Editora Universidade Federal do ABC (EdUFABC)
Todos os direitos reservados.
Revisão e Normatização do Texto
M&W Comunicação Integrada
Projeto Gráfico, Diagramação e Capa
Paolo Malorgio Studio
Imagens de capa
Canoa de pescadores, em Busua Beach, litoral de Gana
Fevereiro de 2012 - Irene Vida Gala
Impressão
RB Digital
CATALOGAÇÃO NA FONTE
SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO
ABC
G146p
Gala, Irene Vida
Política externa como ação afirmativa [livro eletrônico]: projeto e ação do Governo Lula na África, 2003-2006 / Irene Vida Gala — Santo André, SP : EdUFABC, 2019.
1.600 Kb; EPUB
ISBN: 978-65-89992-30-1
1. Política Externa - Brasil. 2. Ação Afirmativa - África. 3. Política e Governo - Brasil. 4. Cooperação Internacional. 5. Questão Racial. 6. Silva, Luís Inácio Lula da, 1945-. I. Título
CDD 22 ed. – 327.8106
Elaborado por Marciléia Aparecida de Paula – CRB-8/8530
EDITORA ASSOCIADA
Versão digital: dezembro de 2022
“As relações internacionais, sejam elas de comércio, de intercâmbio
cultural, intelectual e tecnológico, ou quais forem, não poderão
desconsiderar o corte racial. Isso faz com que o Brasil, em relação aos
outros países, coloque na agenda internacional a questão racial.”
Diretriz n. 5
– Inserção da questão racial na agenda internacional do Governo
Brasileiro
– da Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial,
instituída pelo Decreto n. 4.886, de 20 de novembro de 2003
Prefácio
O livro que a embaixadora Irene Vida Gala aqui apresenta é uma obra de fôlego e de coragem. Oferece uma vasta gama de aspectos analíticos e empíricos sobre uma área até então muito pouco conhecida no Brasil e, consequentemente, muito desguarnecida, que é a relação entre Política de Ação Afirmativa e Política Externa, revelando, de forma extremamente crítica, como o próprio título indica – Política externa como ação afirmativa: projeto e ação do governo Lula na África, 2003-2006 –, os desafios enfrentados na identificação e na construção dos "múltiplos atributos da política externa brasileira para a África e, em especial, aqueles capazes de lhe assegurar continuidade por estarem associados à luta contra o racismo no Brasil."
A autora tem uma rara e dupla vantagem que deve ter contribuído substancialmente para o desenvolvimento da obra: na carreira diplomática desde 1986, trabalhou no Departamento da África, foi chefe da Divisão de África II, participou de inúmeras missões permanentes e provisórias no continente africano, e ocupou a chefia da Embaixada do Brasil no Gana (África do Oeste). Na área acadêmica, é mestre em Relações Internacionais, com a dissertação intitulada: Pensamento Africano em Relações Internacionais.
A obra que a Editora da Universidade Federal do ABC está publicando é marcada por uma refinada percepção da autora sobre o lugar de fala do movimento negro na construção das relações Brasil-África e representa uma novidade no universo dos Estudos Africanos e da política externa, tendo sido aprovada, não por acaso, com louvor, no Curso de Altos Estudos do Instituto Rio Branco.
Em outras palavras, como bem destaca a própria embaixadora, o trabalho lança luz "sobre o que é novo na política africana do Governo Lula, ao mesmo tempo em que sublinha – ou até mesmo privilegia – outro modo de olhar as relações Brasil-África, a partir da ótica do Movimento Negro. Simultaneamente, o trabalho detém-se na apresentação e análise institucionais da política externa do Governo Lula para a África, com o intuito não só de apontar novidades sobre as quais ainda pouco se elaborou, mas também de articular claramente as orientações e parâmetros que balizam a ação dos agentes diplomáticos e outros funcionários do Estado."
A autora, ao reconhecer o protagonismo do Movimento Negro na elevação do continente africano a uma das prioridades da política externa do Governo Lula, inaugura uma nova fase na compreensão da vinculação entre o externo e o interno na concepção da política africana e levará as(os) leitoras(es) invariavelmente à questão racial no Brasil, sem ignorar os seus reflexos no discurso e na ação da diplomacia brasileira de ontem, mas também no cenário que se afigura.
Mesmo considerando que o estudo trata do curto período que vai de 2003 a 2006 – primeiro governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva –, não é uma obra datada e poderá auxiliar na compreensão das mudanças ocorridas na política externa para a África, especialmente no período inaugurado com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, no dia 31 de agosto de 2016.
Entre 2003 e 2013 os avanços das Relações Brasil / África foram marcantes e o continente africano quase deixou de ser um OPNI – Objeto Político Não Identificado. Durante os oito anos de mandato do Presidente Lula, foram abertas ou reativadas 18 embaixadas brasileiras no continente africano. De 2009 a 2013, o intercâmbio comercial do Brasil com o continente africano cresceu 66,4%, passando de US$ 17,16 bilhões para US$ 28,53 bilhões. As exportações cresceram 27,5% e as importações dobraram em 106,1%. Em 2013, a África absorveu 4,6% das nossas exportações. A cooperação Sul-Sul ganhou novo impulso com a instalação de escritórios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no continente africano.
Vale destacar que graças aos votos dos países africanos, o Brasil assumiu a direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Relações de cooperação Sul-Sul interessam ao Brasil e ao continente africano.
Os inúmeros eventos, projetos e ações sobre África, desenvolvidos no Brasil, especialmente nas universidades brasileiras nos últimos 15 anos, a exemplo da II Conferência Internacional de Intelectuais da África e da Diáspora (II CIAD), com o tema-geral "A Diáspora e o Renascimento Africano", revelam que importantes avanços estavam em processo.
Destaco ainda: a Lei n. 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história da África e das culturas afro-brasileiras nas escolas de educação básica pública e privada, bem como instituem as diretrizes curriculares nacionais para as relações étnico-raciais e história africana e afro-brasileira; o Programa de Cooperação temática em matéria de ciência e tecnologia (ProÁfrica); o surgimento dos Núcleos de Estudos Afro-brasileiros (NEAB); o fortalecimento da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN) e crescimento do Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros (Copene); a Lei de Cotas; a inauguração da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) etc. Em síntese, exemplos de iniciativas que contribuem significativamente no combate às desigualdades raciais e sociais no Brasil.
A Editora UFABC apresenta ao público brasileiro não apenas uma das mais importantes obras sobre relações Brasil – África, apresenta também um incontestável marco simbólico e político que envolve a memória do movimento negro e que só pode ser compreendido pelas históricas lutas de resistência negra na África e na sua 6ª Região, a diáspora, que inclui o Brasil.
Acácio Almeida
Pró-Reitor de Assuntos Comunitários e
Políticas Afirmativas da Universidade Federal do ABC
Table of Contents / Sumário /
Tabla de Contenido
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Nota da autora
Introdução
Parte primeira – Os antecedentes
1. Notas bibliográficas sobre a História das Relações
Brasil-África
Uma história sem negros... Ou olhares brancos
Uma história com negros... Ou olhares negros
A questão racial na história ... Ou olhares atentos
2. Voltar-se para a África: um compromisso de campanha
nas plataformas de governo pós-85
O Partido dos Trabalhadores e a África
3. O Movimento Negro, a questão racial e a Política
Externa para a África
O Movimento Negro e a elaboração do programa de
governo
A história do Movimento Negro
O Movimento Negro e a África – Voltar-se para a
África
O Movimento Negro e os partidos políticos
A luta de classes e a questão racial
As teses eugênicas e a democracia racial
O voto racial e o papel das organizações culturais
A questão racial e a Política Externa para a África
4. Os negros e a conquista de cidadania. Um novo quadro
de referência cultural
Parte segunda – A implementação da Política Externa do
Governo Lula para a África
5. Os discursos presidenciais e a concepção da Política
Externa para a África
Uma leitura dos discursos presidenciais
Pilares da política externa do Brasil para a África
Compromisso partidário – "O sinal para dentro do
Brasil"
Legitimação interna e legitimação externa
A parceria democrática
A aliança estratégica contra a exclusão
A ação conjunta no plano multilateral
A reforma do conselho de segurança à margem da
visão estratégica
6. As relações Brasil-África: Uma estrutura de pilares e
eixos
7. Apresentação e análise dos eixos bilaterais
Eixos tradicionais bilaterais
O diálogo político bilateral
A cooperação militar
A cooperação educacional
As relações econômico-comerciais
Novos eixos bilaterais
A assistência humanitária e a ajuda ao
desenvolvimento
A cooperação técnica como instrumento contra a
exclusão social
Ainda a cooperação técnica
A cooperação científica e tecnológica
As relações etnorraciais
8. Apresentação e análise dos eixos multilaterais
Eixos multilaterais econômicos
Eixos multilaterais políticos
A África passa a ser aqui
Referências
Documentos
Lista de anexos
Anexo I – Principais documentos do Partido dos
Trabalhadores e suas referências a negros, questões
raciais, África e temas africanos
Anexo II – Missões e visitas
Anexo III – Discurso de posse do senador Abdias
Nascimento no Senado Federal