Puro

Andrew Miller · Capítulo 10 de 48

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Puro

Capítulo 9

 

 

—O ministro — diz Monsieur Lafosse — acatou os seus pedidos. Você terá os homens de que precisa. O mesmo é válido para os cavalos e a madeira. Esta bolsa, cujo recibo você passará aqui e aqui, contém quinhentos livres. E aqui você tem letras de câmbio, que podem ser sacadas com Kellerman, o ourives, na rue Saint-Honoré. Esperamos que preste contas de cada sou. Garanto-lhe que o ministro não achará graça, caso, por exemplo, descubra que você gastou cinquenta livres para comprar um casaco novo.

Jean-Baptiste enrubesce. Pensa em se defender, mas não consegue, de imediato, atinar com tal defesa. Dizer que estava bêbado e que desejava ser moderno? Ser visto como moderno?

— Quanto às suas perguntas sobre o que deve ser preservado na igreja, a resposta é a mesma que já lhe foi dada antes. Nada.

— E o velho padre?

— Não estamos sugerindo a demolição de um padre.

— O que eu quis dizer foi: ele não vai protestar?

— Por quê? A igreja não lhe pertence.

— Mas ele não terá boa vontade...

— Você não sabe lidar com um padre velho?

— Sei... é claro.

— Então, não existe dificuldade.

— E o músico? O organista da igreja?

— O que tem ele?

— Quando a igreja se for, ele há de perder seu cargo.

— Supõe-se que sim.

— Ouvi dizer que é muito talentoso. Talvez o ministro...

— Você está pedindo que o ministro se preocupe com o destino de um organista de igreja? Logo vai apelar em nome do coveiro.

— Eu imaginei...

— Você parece confuso, Baratte, quanto ao que veio fazer aqui. Comece o seu trabalho o quanto antes. Não permita que obstáculos triviais o detenham. Se não houver começado a trabalhar até o Ano-novo, será substituído por alguém mais eficiente. Fui claro?

— Perfeitamente, monsieur. Posso falar a respeito do que me incumbiram de fazer? A minha presença aqui levanta suspeitas, boatos.

— Explicações não porão fim aos boatos.

— E que destino terão os restos?

— Os ossos? Você logo será informado quanto a esse assunto.

Um momento de silêncio inóspito se instala entre os dois. Os olhinhos de Lafosse examinam o aposento e, por um instante, se detêm no piano-forte. Tal contemplação parece diverti-lo intimamente.

— Seu novo alojamento está a gosto?