Puro

Andrew Miller · Capítulo 16 de 48

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Puro

Capítulo 1

 

Apobreza das aldeias é quase pitoresca vista das janelas de um coche que não faz paradas. Quanto terá mudado em duzentos anos? Será que os indivíduos não viviam de forma bem parecida na época de Henrique IV? Talvez vivessem melhor, já que não eram tantos, a terra não se achava tão exaurida, e os senhores, com seus castelos vislumbrados unicamente a distância, existiam em menor número.

Está voltando para casa! Voltando pela primeira vez em onze semanas, embora em seu coração mais pareça que se passaram onze anos, ele na pele de um Ulisses grisalho se esforçando para enxergar a sombra azulada de Ítaca. As estradas, graças a Deus, estão transitáveis. A neve da semana passada derreteu, e as novas temperaturas — e um sol gélido e o ar crepitante da noite — transformaram a lama em rocha.

Jean-Baptiste fez duas baldeações. O cocheiro atual está preocupantemente bêbado, mas os cavalos conhecem o caminho. Pela janela, ele vê um paredão de floresta, sente aflição quando o coche é detido por um bando de gansos que uma garota conduz na estrada. Então, um último morro, uma torre de igreja arroxeada pela luz do crepúsculo e a voz do cocheiro gritando: “Bellême! Bellême!”

Desembarca na praça do mercado. A mala é desamarrada do maleiro e jogada em seus braços. Como sempre, um pequeno grupo de moradores está reunido por ali, de braços cruzados, observando. Em Bellême, a curiosidade jamais sairá de moda. Um dos observadores, uma viúva que se dedica à cura de dores de dente, paralisia e escaras, o reconhece, e ele fala com ela, sendo informado das mortes de dois ou três cidadãos cujos nomes lhe são familiares, do casamento de uma garota local com um tosquiador de Mamers, de que um sujeito foi flagrado invadindo a propriedade do cardeal e enviado para julgamento em Nogent. Aparentemente, ninguém está ganhando dinheiro. Do solo só nascem pedras. Ainda assim, de alguma forma todos vão levando a vida, e o relógio da igreja está sendo consertado, e Deus permitirá que o próximo ano seja melhor, pois não há gente ruim ali e seus pecados não passam de pecadilhos.

— E você? — pergunta ela, tomando fôlego, afinal. — Esteve em algum lugar?

Ainda lhe resta um bom caminho a percorrer. Pendurando a sacola no ombro, ele desce o morro, atravessa o regato por sobre as pedras e cruza, cauteloso, um campo onde um dia foi perseguido por um touro branco. Da mata a seu lado vem o cheiro de fumaça das fogueiras dos queimadores de carvão, aquela gente misteriosa que não se mistura. Depois, ele passa pelo azevinho — carregado de frutos este ano —, por Fairfield, ouve os cães começarem a ladrar e vê a casa, o quintal, os anexos toscos. Todas as pedras e a lama do lar estão precisamente onde deveriam estar, onde têm de estar e, ainda assim, por algum motivo, isso o surpreende. Ele aperta o passo; uma figura surge à porta. Ele ergue o braço, ela também. Durante os últimos minutos de caminhada, ela o observa. Parece que esse olhar é a trilha que ele pisa, que esses olhos cinzentos são o destino final da sua caminhada.

Depois de se abraçarem, ele se senta junto ao fogo, aquece as mãos nesse calor. Por um instante, um breve lapso de segundo, sente uma felicidade simples e eufórica, e nada no mundo é mais complicado que os desenhos num livro infantil. Está em casa! Finalmente em casa! Então, o momento passa.

A mãe se desdobra com ele, lhe traz coisas, faz perguntas, agradece o dinheiro recebido. Jean-Baptiste acha que lhe nasceram algumas rugas junto aos olhos e à boca. E não é que surgiram mais cabelos brancos sob as pregas da touca de linho? Gostaria de perguntar se ela anda bem de saúde, mas a resposta seria apenas um sorriso acompanhado da garantia de que está ótima. O sofrimento é uma graça de Deus, não algo de que se queixar.

A irmã, Henriette, chega, as mãos frias aninhadas sob os braços. Passou o dia na leiteria e cheira como uma ama de leite. Quer saber de tudo, diz. O interesse demonstrado o lisonjeia e ele se ouve, meio atônito, remodelar com fluência o passado recente. Escutando-o, alguém imaginaria que ele e o ministro passam as manhãs juntos, passeando pelos jardins de Versalhes. Os Monnard se transformam numa simples família burguesa, amistosa, irrepreensível, enquanto Armand é precisamente o tipo de companhia que a mãe — que sempre se preocupou com a solidão do filho — escolheria para ele, um amigo sobre o qual jamais recairia a suspeita de que pudesse viver maritalmente com a proprietária do apartamento em que mora ou ter apreço especial por princesas embalsamadas. Quanto ao trabalho em Les Innocents, ele repete tão somente o que já disse nas cartas: que foi encarregado da melhoria sanitária de um bairro populoso e de algumas alterações estruturais numa igreja ali localizada. Não há motivo para não lhes contar tudo, nada que o proíba, o trabalho não é indecente, mas, quando chega a hora, ele se enche de medo de ver algo no rosto das duas, de vislumbrar algum reflexo de nojo imperfeitamente disfarçado.

A irmã quer saber se ele viu a rainha.

— Vi — desembucha ele, a mentira mais descarada até então. Naturalmente, exigem que ele descreva a monarca em detalhes.

— Ela estava a uma certa distância — explica — e cercada pelas damas de companhia.

— Mas você deve ter visto alguma coisa.

Ele descreve Héloïse. Mãe e filha ficam encantadas, sobretudo a jovem.

— Ela não devia estar muito longe — observa a moça —, já que você nos deu uma descrição perfeita.

Uma hora depois, em meio ao barulho de portas batendo e à alegria esfuziante dos cachorros, o irmão, Jean-Jacques, entra de rompante, tão parecido na aparência ao pai falecido quanto Jean-Baptiste se parece com a mãe viva. Encosta o fuzil — o velho mosquete Charleville do pai — na lateral da cômoda e saúda o irmão com uma afeição evidente e máscula, cujo efeito imediato é fortalecer em Jean-Baptiste aquela sensação de estranhamento que só faz crescer desde o momento em que se sentou.

— Acertei um coelho — diz Jean-Jacques. — Um pequenininho, lá perto da vala. Fiz o coitadinho explodir em mil pedaços. Vou dá-lo aos cachorros.

— Para acertar alguma coisa... — observa Jean-Baptiste, assentindo para mosquete.

— O segredo é mirar meio metro à esquerda. Você bem que podia calcular para mim, irmão. Peça ajuda a Euclides.

— Seria mais fácil comprar uma arma nova, com estriamento.

— Eu sentiria saudade da velha — atalha Jean-Jacques, acomodando-se no lado oposto ao fogo, esticando as pernas à frente. — Então, quais são as novidades em Paris, hein?

— Nada de mais.

— Você emagreceu.

— E você ganhou uma pança. Terá de alargar esse colete.

— A pança lhe cai bem — diz Henriette. — Não acha?

Cai mesmo. À perfeição. Como ele se encaixa nesse mundo normando! Ombros largos de tanto trabalhar na fazenda. Um belo colorido nas bochechas e o cabelo escuro preso com um pedaço velho de fita azul. Um camponês bem-apessoado. Um homem adaptado, um homem no seu devido lugar. Não espanta que jamais tenha demonstrado inveja do sucesso do irmão mais velho, da sua instrução, da proteção com que este contou da parte de homens poderosos. Sua ambição sempre foi de uma natureza diversa — menos extravagante, mais facilmente atingível. E qual dos dois é o mais livre agora? Qual dos dois extrai mais prazer da vida? Qual deles, na avaliação de um juiz isento nessa matéria, parece estar realizado, parece ter chegado aonde queria?

Nessa noite, os irmãos partilham o antigo quarto, são embalados até dormir pelo pio de corujas e acordam juntos sob a luz de uma lua que se retira tardiamente. Na cozinha — o mundo limpo e ordenado onde até a luz dá a impressão de se assentar como musselina alvejada —, a mãe está atiçando o fogo, jogando pedaços pequenos de lenha sobre chamas modestas. Escalda cidra. Eles a tomam quente o bastante para fazer doerem os dentes, enchem os bolsos com pão e maçãs e partem no lombo da égua para serrar uma árvore caída, um velho olmo que as tempestades outonais arrancaram da terra pela raiz.

É um trabalho prazeroso, sadio, embora não seja fácil para Jean-Baptiste acompanhar o ritmo do irmão. Os dois suam, riem sem motivo, competem no serrote, sugerem sexo nas histórias que contam e voltam para casa com a garganta seca e a égua carregada de madeira cheirosa.

Uma semana dessa vida, e ele já começa a esquecer os Monnard, Lecoeur, Les Innocents. Descobre em si mesmo um grande apetite para o esquecimento. Deixa o sotaque ficar mais carregado, redescobre o andar pesado dos camponeses, aquela considerável lentidão de movimento e de gestos, marca registrada dos homens em meio aos quais ele cresceu.

Na véspera de Natal, a família assiste à missa em Bellême. Todos envergam suas melhores roupas e cumprimentam uns aos outros. Embora Jean-Baptiste não se envergonhe do traje pistache, no último momento em Paris faltou-lhe coragem para encarar a família envolto na visão do futuro de Monsieur Charvet. Chegou mesmo a pensar, por um instante, em voltar à place des Victoires para ver se seu velho traje continuava por lá (a mãe já perguntou por ele), mas deixou-se intimidar pela expectativa do desdém de Charvet, da sua conclusão não verbalizada de que o jovem engenheiro talvez seja, afinal, uma dessas criaturas tímidas que um dia dão um salto adiante e no outro recuam apressadas. Em vez disso, ele está vestindo um traje emprestado de Monsieur Monnard, algo cor de pombo e respeitável, o tipo de figurino possível de envergar no jantar anual da Associação dos Cuteleiros. Que lhe cai bem, aliás. Talvez melhor do que ele gostaria.

Na igreja, sentam-se no banco de sempre, de frente para a Capela de Saint-Anne. Todos, com exceção dos moribundos e daqueles que já beberam até o estupor, estão presentes. O padre, Père Bricard, é famoso na cidade pelo tamanho modesto do seu rebanho, pela indiferença incompreensível quanto à maneira como os membros do seu rebanho optem por obter a condenação eterna. Terminada a missa, e depois que os vizinhos já se cansaram de sentir frio do lado de fora da igreja, e as crianças não conseguem mais encontrar gelo para quebrar com o salto das botas e os cães já ficaram roucos de tanto latir, os Baratte voltam para casa atravessando o regato e os campos. Na fazenda, os irmãos verificam o estado dos animais, dão uma espiada no estábulo, conferem se está tudo bem com o gado e os cavalos, e depois entram em casa para beber e mexericar. (Quem era aquele cavalheiro com a família Vadier? Não estaria dando uma atenção especial a Camille Vadier? Que chapéu mais estranho o de Lucile Robin! Sem dúvida ela não teve a intenção de ficar com aquela cara!)

Finalmente, o fogo é apagado, a mesa, arrumada, e a casa vai dormir. Em seu quarto, os irmãos continuam a conversa deitados no escuro, trocando histórias sobre o pai. É um ritual entre os dois, uma coisa que sempre precisa ser feita: resumir a vida e o caráter do falecido numa dezena de episódios escolhidos num estoque compartilhado. Aquele, por exemplo, em que no meio do mercado ele disse ao velho Tissot o que pensava dele, e a noite em que tirou o mascate, meio morto, de dentro do rio e o carregou para casa nas costas, e como, trabalhando na oficina, cercado de ilhoses, agulhas e linha encerada, ele mais parecia um touro montando uma guirlanda de margaridas...

Essas histórias confortam os irmãos. Permitem-lhes evitar outras histórias, como aquelas em que o pai usa e abusa dos punhos ou do cinto, da bengala de freixo, das botas ou de um par de luvas recém-costuradas para espancar os filhos, Henriette ou a esposa até cair de costas, exausto e tremendo. Também não falam do seu último ano de vida, embora seja nisso que Jean-Baptiste pensa quando os dois se calam e Jean-Jacques começa a roncar. Como o pai se perdeu dentro da própria cabeça, esqueceu o nome das ferramentas e depois esqueceu como usá-las. Como passou a se dirigir à esposa como se falasse com a própria mãe e a chamar Henriette pelo nome da irmã há muito falecida. Quando o fim se avizinhou, Jean-Baptiste foi chamado de volta da École de Ponts e passava horas junto ao leito do doente falando de Maître Perronet, de estradas e pontes cinzentas, enquanto o pai mantinha a cabeça imóvel no travesseiro, os olhos e os lábios entreabertos. Os lilases brancos desabrochavam. Abelhas e borboletas entravam pela janela estreita e, depois de contornar a cortina, descobriam novamente a saída. Duas vezes na semana o médico vinha de Eperrais cuidar inutilmente do paciente. A família se revezava para satisfazer as necessidades do luveiro, dando-lhe sopa na boca, sentando-o na beira da cama para que ele usasse o urinol, umedecendo seus lábios, acalmando sua inquietação. Isso durou o verão todo — todo um verão visto através da janela do quarto do doente —, até uma tarde, uma tarde carregada com o prenúncio da última tempestade da estação, em que o pobre homem aflito sentou-se na cama, agarrou nas suas as mãos de Jean-Baptiste, encarou o filho e, com uma voz vinda das profundezas de suas entranhas geladas, disse: “Amo muito você.”

Amor? Nada desse tipo jamais fora dito entre os dois até então. Nenhum dos filhos jamais esperou ouvir tais palavras do pai. Com quem, então, nessa pequena ressurreição, ele imaginava estar falando? Por acaso sabia tratar-se do seu primogênito? Por acaso supunha que fosse Jean-Jacques? Ou talvez pensasse no próprio irmão, Simon, com cuja ausência travara, várias vezes, longas conversas murmuradas. Não houve continuação, nada que pudesse esclarecer coisa alguma. Dois dias depois o luveiro recolheu-se a seu imenso silêncio privado. Duas semanas depois disso morreu como um homem que, aparentemente, não mais sabia o próprio nome.

Na manhã de Natal — e bem cedo, até para costume do campo —, Jean-Baptiste vai com a mãe até a casa no morro, a casa protestante, onde ela e um punhado de outros rezam da maneira como preferem. Os poucos que os veem na estrada fingem não saber para onde os dois se dirigem. Madame Baratte é uma mulher decente, e existe muita gente na Normandia para quem o evangelho de Jesus Cristo não significa coisa alguma. Ela que tenha suas pequenas heresias.

Mãe e filho passam por um pátio asseado e são admitidos assim que mostram o rosto. À esquerda da porta fica uma ampla escadaria, as pedras tão usadas que parecem pertencer ao leito de algum velho rio. Na curva da escada há uma coluna, uma cruz nua plantada na pedra e espaço suficiente para seis ou sete pessoas se reunirem. Uma pequena janela dá para a estrada — vista que já deve ter sido mais necessária no passado. O pastor é um holandês. Fala francês com um sotaque que Jean-Baptiste sempre achou levemente cômico. Está bem-barbeado e tem o olhar de uma criança. Abre a Bíblia. As páginas, de tão manuseadas, desbotaram para um tom de cinza-nada, mas ele não precisa lê-las. Ele recita.

— “Eis que o Senhor vai assolar a terra e devastá-la, porá em confusão a sua superfície e dispersará os seus habitantes...”

Nada de crianças? De estábulos? Nada de pastores e reis itinerantes?

— “A terra será devastada, ela perece; o mundo definha, ele perece; a terra está profanada sob os pés de seus habitantes...”

Ezequiel? Isaías? Os outros hão de saber.

— “Na cidade só ficou a desolação, a porta ficou reduzida a ruínas... Aquele que fugir ao grito de pavor cairá na cova, aquele que conseguir subir da cova será apanhado na armadilha...”

Ele não poupa os ouvintes. Não acharia generoso poupá-los. No final — final demorado —, o pastor fecha o livro e à pequena congregação resta examinar a própria consciência em silêncio, enquanto Jean-Baptiste, de chapéu na mão, porém sem baixar a cabeça, olha o sol lá fora e se deixa perder por alguns momentos na beleza e no mistério das coisas mais comuns entre todas. Quando a reunião se encerra, os presentes se abraçam, contrafeitos, solenemente, e depois partem em duplas e se fundem ao dia ensolarado.

Na fazenda, a cozinha já está cheia de parentes. Crianças — um menino e uma menina que Jean-Baptiste reconhece apenas vagamente — sobem nas suas costas assim que ele se senta. O Primo André, claro, está lá, parecendo próspero, maçônico, entretendo as mulheres com histórias de escândalos provincianos. E lá está, também, o mais pobre de todos os parentes, o velho Dudo com a esposa — a mais pura expressão camponesa dos Baratte —, os olhos de ambos indistinguíveis dos olhos dos animais que criam em seu lamacento pedaço de terra normanda. Falam exclusivamente a língua arcaica, não entendem francês e se sentam na extremidade da mesa, roubando fatias de salsichão branco que escondem sob as batas rústicas. Para tanto, sempre se toma o cuidado de botar uma dessas travessas ao lado do casal. Até as crianças já aprenderam a ignorar o que os dois fazem.

Em meio a tudo isso, a essa algaravia amistosa, Jean-Baptiste vai tomando sua sidra. A visita, como todas as que faz à casa materna há tempos, foi um fracasso obscuro. Quando será que nos tornamos incapazes de voltar, de voltar de verdade? Que porta secreta é essa que se fecha? Tendo desejado tanto escapar de Paris, ele agora está ansioso para retornar. Seja qual for o rumo que tome a sua vida — qualquer que seja o destino que o prende agora —, ela será vivida em outro lugar, não aqui, nas florestas e nos campos queridos da sua infância. Esvazia o copo, mastiga alguma coisa que ficou no fundo e estende o braço para a jarra. A irmã está sentada a seu lado. Quando eram mais novos, os dois costumavam brigar, e ela lhe parecia despeitada e orgulhosa. No entanto, agora — sem graça aos vinte e três anos —, ela esbanja bondade e tem uma sabedoria adquirida só Deus sabe onde, uma sabedoria invejável. Faz mais perguntas sobre Paris, sobre o que anda em moda por lá, sobre aqueles Monnard com quem ele mora. Ele sabe que ela sabe que o irmão não lhe contou sequer a metade da história. O que mais lhe interessa saber é se ele está bem de saúde. Meio cansado, ele responde, dando de ombros. Não tem dormido como costumava dormir. Então se dá conta daquilo a que ela talvez esteja se referindo.

— Você quer dizer que o meu hálito não está tão puro quanto antes?

— Ficamos pensando se seria por causa do ar em Paris, Jean. Ele não é tão bom quanto o daqui.

— Não é — confirma ele. — Não mesmo.

— Então, quando voltar, você se recuperará — garante ela. — Acho até que já melhorou.

Ele agradece à irmã, com um risinho.

— Quando você vai voltar? — indaga ela.