Puro
Capítulo 10
As primeiras horas que os dois passam juntos são tão dolorosamente constrangedoras que cada qual é obrigado a concluir que um erro grave foi cometido. Ele fala demais, depois durante meia hora nada diz. Ela permanece sentada numa cadeira junto à penteadeira, com a claridade se derramando sobre seus ombros. Atormenta-o a ideia de que ela, de repente e inexplicavelmente, não seja tão bonita quanto lhe pareceu em todos os encontros que tiveram na rua. Está usando um vestido branco bordado com flores vermelhas e cor-de-rosa. Será que combina com ela? E na parte superior do colo há uma marca, uma leve mácula que ela tentou disfarçar com pó de arroz. Ela fala — de um jeito que sugere pena dele — sobre isso e aquilo. Faz perguntas educadas a respeito do trabalho dele. O trabalho dele! Pouco melhor do que o de um ladrão de corpos. Será que ele deveria indagar sobre o dela ?
A claridade do quarto desbota e adquire a tonalidade de água suja. De repente, ele se descobre muito zangado. Gostaria de emitir algum comentário azedo, idiota, sobre as mulheres, sobre cortesãs, prostitutas. Alguma observação imperdoável. Em vez disso, diz:
— Precisamos comer.
— Aqui?
— Onde mais?
— Você faz as refeições com os Monnard?
— É claro.
— Talvez esta noite fosse melhor jantarmos no quarto, não?
— Vai precisar conhecê-los em algum momento. Por que não agora?
Lá embaixo, na sala de estar, Madame Monnard está sentada sozinha junto à lareira. Desde que Ziguette partiu, ela perdeu boa parte da vitalidade. Há curtos períodos lacrimosos, soluços abafados em lenços, suspiros, olhares úmidos para o nada, um eventual gemido involuntário. Ela não recebe do marido — e talvez de mais ninguém — qualquer apoio visível. Às vezes, dá a impressão de não tomar o menor conhecimento do mundo à volta, mas se mostra um tanto atônita ao ver Héloïse Godard adentrar o cômodo.
Marie poderia tê-la alertado, é claro; Marie optou por não fazê-lo. A visita que bateu à porta à tarde era, pelo que sabe, simplesmente algum conhecido de Monsieur Baratte, alguém do cemitério, sem dúvida. Talvez aquele indivíduo bastante assustador, Monsieur Lafosse. E agora isso. Isso! A repentina, quase sobrenatural aparição de uma mulher cujo nome em si (supondo-se que alguém saiba seu nome verdadeiro) não pode ser pronunciado diante de pessoas de bem.
— Madame Monnard, esta é Mademoiselle Godard. Mademoiselle Godard será hóspede desta casa — diz Jean-Baptiste.
— Espero, madame — acrescenta Héloïse —, que o fato não lhe cause grande incômodo.
— Vou acertar com seu marido — diz Jean-Baptiste — a questão do aluguel extra.
Madame Monnard assente. Olha de um para o outro, enrosca a orelha da almofadinha com recheio de lavanda que tem no colo.
— Que bela sala a senhora tem aqui — elogia Héloïse. — Elegante e acolhedora. Geralmente é uma coisa ou outra.
— É? — sussurra Madame.
— Não sou uma especialista — prossegue Héloïse, derramando sobre a mulher mais velha o brilho de um sorriso tão generoso, tão sincero, que Jean-Baptiste se vê obrigado a desviar o olhar por medo de gemer de ciúme. Pega na mesa o decantador, serve o líquido em dois copos, entrega um a Héloïse, que o passa a Madame Monnard, que o aceita como se jamais tivesse segurado um copo antes, como se jamais tivesse visto vinho tinto.
— A senhora borda? — indaga Héloïse, apontando para um trabalho medíocre de artesanato pendurado na parede ao lado da lareira.
— Se bordo?
— O quadrinho, madame. Fiz um como esse quando era menina, mas nem de longe tão perfeito.
— Minha filha bordou. Minha filha, Ziguette. — É a primeira vez desde a agressão que ela ousa mencionar o nome da filha na presença do engenheiro.
— Posso ver que ela é muito talentosa — comenta Héloïse.
Madame Monnard sorri. De pura gratidão, puro alívio. E uma onda de heroísmo brota nela. Das entranhas para o coração, do coração para a boca.
— Mademoiselle — diz ela, agarrando com mais força a almofada —, acaso acha que o dia foi mais quente hoje? Mais que ontem?
Héloïse assente.
— Creio, madame, que talvez tenha sido.
* * *
Meia hora mais tarde — uma meia hora que passa como um pequeno regato de conversa feminina educada —, Monsieur Monnard se junta ao grupo na sala. Ele chega, como sempre, cheirando a algum ácido, a algum componente de odor acre utilizado no ofício de cuteleiro. É a esposa quem, quase eufórica, lhe apresenta Héloïse — “Uma amiga de Monsieur Baratte” —, mas fica a cargo de Jean-Baptiste informar ao senhorio que Mademoiselle Godard passará a ser hóspede da casa. Moradora. Com ele.
— Moradora, monsieur?
— Sim.
— Aqui?
— Sim.
— Na casa?
— Sim.
Este é o momento em que Monsieur Monnard pode encenar sua repulsa. O momento em que ele pode se recusar, ostensivamente e a plenos pulmões, a aceitar tanto um quanto outro em sua casa por um minuto que seja a mais, que pode, supostamente, se descontrolar e voar no pescoço do engenheiro, engalfinhar-se com ele... mas o momento passa, engolido talvez pela lembrança da filha deitada nua e inocente como um cordeirinho na própria cama, com um pedaço de metal ensanguentado a seus pés. Ele espana um cisco da manga, olha pela janela para o lugar onde as fogueiras de Les Innocents ardem com vigor na noite de primavera.
— Entendo — diz ele. — Com efeito.
Todos se sentam à mesa. Marie, entrando com a bandeja, serve Héloïse em primeiro lugar, parecendo já ter sido conquistada por ela. O primeiro prato é uma sopa de rabanete. Como prato principal, acompanhado de verduras e cebolas cozidas, são servidos pedaços pequenos de uma carne cinzenta num molho da mesma cor.
— É enguia, madame? — indaga Héloïse. Quando Madame Monnard confirma, Héloïse consegue dizer meia dúzia de coisas inteligentes, pertinentes, a respeito de enguias. — E elas são misteriosas, madame. Me disseram que ninguém sabe onde criam os filhotes.
— Quando eu era criança — emenda Madame —, eu gostava de observá-las nos baldes do mercado. Costumava me perguntar o que aconteceria se eu mergulhasse a mão na água. Se elas comeriam minha mão.
— Danem-se — rosna Monsieur Monnard.
— Pois não, senhor? — indaga Héloïse.
— Acho que eu não disse nada, mademoiselle.
— Meu marido — começa Madame Monnard — tem um grande estabelecimento comercial na rue Trois Mores. Vende lâminas de todo tipo, das mais simples às mais sofisticadas. Père Poupart, da igreja Saint-Eustache, corta sua carne com uma das facas do meu marido.
— Eu já o vi. O estabelecimento. Todos comentam sobre sua qualidade excelente.
— Mademoiselle conhece Père Poupart? — pergunta Madame, que parece ter conseguido dominar a arte de esquecer-se por completo de quem é a sua interlocutora.
— Cruzamos um com o outro na rua, madame.
— Ele tem uma bela voz empostada. A minha filha, acho eu, adorava ouvi-la.
— Precisa-se de uma voz potente numa igreja tão grande.
— Sem dúvida, mademoiselle. Acho, realmente, que isso é verdade.
— Seu velhaco! — grita Monsieur Monnard, levantando-se de um salto. Ragoût, contaminado pelo clima geral de anarquia malreprimida, pulou em cima da mesa e se apossou de um pedaço da enguia de Monsieur Monnard, com o qual foge para baixo do piano-forte. Monsieur Monnard, livre afinal para se expressar, atira o prato na direção do gato, mas com demasiada violência. O prato acerta a lateral do instrumento e se desintegra numa chuva de porcelana e molho cinzento. No silêncio que se segue, Jean-Baptiste se põe de pé. Um instante depois, Héloïse faz o mesmo.
— Deve estar cansada da viagem, mademoiselle — diz Madame Monnard, com expressão aérea.
— É muita gentileza tanta consideração — agradece Héloïse, embora não tenha viajado mais que a distância de meia dúzia de ruas. — Boa-noite, monsieur.
Monsieur Monnard assente, rosna, mas não ergue o olhar do chão — talvez não possa erguê-lo —, onde Ragoût, tendo engolido às pressas seu naco de enguia, cuidadosamente limpa com a língua os fragmentos maiores do prato, sujos de molho.
Os dois sobem para o quarto — o quarto deles, se é que o é. Nem a noite nem o quarto estão especialmente frios (algumas semanas antes, daria para ver a própria respiração lhes sair da boca), mas Jean-Baptiste se ajoelha no tapete defronte à lareira e se ocupa acendendo o fogo. Quando a lenha começa a arder, põe-se de pé para contemplar as chamas e, ainda de olho no fogo, diz a Héloïse que precisa voltar ao cemitério.
— Agora?
— Vão carregar as carroças.
— Você vai demorar?
— Tanto quanto for necessário.
— E não há outra pessoa que possa fazer isso?
— A questão não é essa.
* * *
Ele sai, apressado. Ela olha para a porta fechada, ouve seus passos na escada. Logo, escuta o barulho da porta da frente. Durante vários minutos fica impassível, o rosto totalmente despido de expressão. Então, ergue uma das mãos, enxuga duas lágrimas que não deseja que escorram e vai até a penteadeira. Desata e torna a atar a fita de seda de madras que lhe prende o cabelo, descalça os sapatos, esfrega o peito do pé direito onde o sapato pinica e, depois, começa a desabotoar-se, a desamarrar-se, ocupa-se com ilhoses, laços e grampos até não restarem senão a anágua, a liga e as meias. Abre uma bolsa de tapeçaria — uma das três sacolas grandes em que levou tudo que é seu — e tira uma camisola acolchoada e um par de babuchas de couro, um frasco de água de laranjeira, um pano. Limpa o rosto com a água de laranjeira, passa o pano no pescoço, debaixo dos braços e entre os seios. O toalete fica no canto do quarto, encoberto por uma cortina de algodão pregueado presa a uma moldura de madeira. Ela se senta e, quando acaba, usa a água de laranjeira para a higiene das dobras das coxas. Seu período está próximo, consegue sentir nas entranhas aquele peso, aquele leve inchaço. Já conheceu homens que têm nojo do sangramento de uma mulher e outros que — mais estranhamente — sentem atração por isso. O engenheiro, suspeita ela, deve fazer parte da maioria masculina que tenta com afinco não pensar no assunto.
Ela abotoa a camisola, aviva o fogo com o atiçador, começa a examinar o quarto. Parece óbvio que não é o quarto que ele costumava ocupar, pois não há nada que lhe pertença ali. O guarda-roupa está vazio (ela não vai, por enquanto, pendurar seus vestidos). Não há desordem masculina. Teria gostado de dar uma olhada naquele traje que uma vez o viu usar, aquela coisa cor de alface. Mas não há coisa alguma dele, nem mesmo uma camisa. De quem foi esse quarto, então, se não dele? Pode imaginar — corretamente, é bem provável —, mas amanhã vai conseguir que a criadinha estranha lhe conte coisas. A criada há de saber de tudo.
Ao menos a janela dá para a rua, e não para o cemitério. E nunca teve cliente algum na rue de la Lingerie, ninguém de quem ela precise sentir vergonha caso encontre. Não que pretenda sentir vergonha seja do que for. Largou a vida antiga — antiguidade de um ou dois dias —, mas não se rebaixará a ponto de cometer a indignidade de fingir. Viveu publicamente, foi uma mulher pública durante quase quatro anos, exerceu, à vista da opinião pública, o ofício que os pais, por seus atos, e não por palavras, lhe ensinaram a exercer na estalagem da estrada Paris—Orléans. Mas quatro anos já bastam. Fez o que era preciso. Dor e raiva esgotaram seu curso; ela as extirpou como a um espinho de suas entranhas e ficou purgada, carrega milhares de pequenas cicatrizes, mas não morreu. E agora uma nova vida. Uma nova vida com um estranho esquisito de olhos cinzentos, que, não obstante, ela parece conhecer muito bem. Um estranho que a quer — não lhe resta dúvida quanto a isso —, e não apenas na primeira terça-feira do mês como o velho Ysbeau...
A lembrança do livreiro a faz voltar à bolsa de tapeçaria e dela tirar dois livros, que leva até a penteadeira. Senta-se e aproxima a vela. O que será? O diabo enamorado, de Cazotte? Ou Newton para senhoras, de Algarotti? Esta noite talvez deva ficar com Algarotti e Newton. Então, quando ele voltar, ela poderá acalmá-lo pedindo-lhe que explique coisas (ele há de gostar; todos eles gostam). Acomoda-se, encontra a página onde parou e está prestes a começar um capítulo sobre ótica quando ouve, na parte inferior da porta, um som de arranhões.
* * *
Ele não vai até o cemitério, nunca pretendeu ir. Toma a direção oposta, a do Palais Royal. Precisa andar, pensar, parar de pensar. Será que vai ter uma de suas dores de cabeça? Surpreendentemente, não.
Como ela deve estar arrependida de ter vindo! Aquele jantar! Grotesco! Pior ainda foi o comportamento dele — insensível, grosseiro. Como se sentisse raiva dela! Ela, por quem ele ansiou o inverno todo! Por que não é capaz de simplesmente almejar, simplesmente desejar, sem contradições, sem um “não” inexplicável em alguma dobra esquecida do coração? E agora ele fugiu, quando deveria estar fazendo o que qualquer homem decente estaria fazendo na companhia de uma mulher como Héloïse Godard. Armand estaria na segunda vez a essa altura. As janelas explodiriam em seus batentes. Ideia desagradável essa, claro, a de Armand com Héloïse. Se algum dia o sujeito encostar um dedo nela...
No Palais, o ar noturno cintila com luzes supérfluas. Archotes, candelabros, fieiras de lanternas chinesas. Se pudesse iluminar o cemitério desse jeito, seria possível cavar a noite toda. Mais trinta homens extras, um grupo dormindo, o outro cavando, e uma mudança de turno na aurora e no crepúsculo. Em Valenciennes, alguns veios eram explorados assim, homens e mulheres, bombas e cavalos, trabalhando vinte e quatro horas. Deus sabe que ele precisará pensar em alguma inovação se não quiser continuar desenterrando os mortos quando o novo século começar.
Progride com dificuldade, o casaco preto roçando em verdes e vermelhos, prata e ouro. Rostos se destacam na multidão. Um homem, usando uma camada pesada de pó de arroz, mostra a ponta da língua para o engenheiro. Duas mulheres, que podem ou não ser cortesãs com apartamentos no primeiro piso, lançam-lhe um olhar, enquanto brincam de provocar um macaco amarrado a uma estaca por um pedaço de corrente prateada...
Do lado de fora do Café Correzza, um jovem de cabelo louro equilibra-se precariamente sobre uma cadeira e faz um discurso. Sobre o quê? O de sempre. Os corações dos homens, as exigências da Natureza, a promessa da filosofia, o destino da humanidade, justiça indômita, virtude... Por acaso mencionou Bêche? Bêche, o Vingador? Impossível ouvir acima da algaravia, dos mexericos, das gargalhadas, da marcha irregular de meretrizes e burgueses, da meia dúzia de bandas que toca na esplanada.
Ele entra no l’Italien, consegue um lugar junto ao fogão de porcelana, pede um brandy. Vem sendo servido mais depressa ultimamente. Será por causa do casaco preto? Uma autoridade negra que o leva a parecer meio padre, meio funcionário do governo, um detentor de poderes ambíguos? Ou será alguma coisa que Ziguette Monnard desenterrou? Uma disposição recém-descoberta para encostar uma chave na garganta de um homem? A violência é respeitada. Esse tanto ele aprendeu sobre o mundo. Talvez seja até uma dessas virtudes sobre as quais o jovem em cima da cadeira discursava. Cavalheiros mergulhados até a fivela do sapato em sangue, fazendo reverências um para o outro. Un beau geste. Violência virtuosa. A necessidade virtuosa dela. Violência como um dever. Provavelmente é o que entrará na moda.
Quando enfia a mão no bolso para pagar o brandy, puxa o acessório de cetim de Ziguette. O garçom o brinda com um sorriso quase invisível de garçom. Do lado de fora, ele passa no meio de uma família de bandolinistas, abandona o acessório de cetim no parapeito da entrada do Salon no 7 e torna a mergulhar no silêncio escuro e repentino das ruas que ficam atrás da Bolsa. Um pouquinho de brandy o deixou sóbrio. Ele agora sabe o que fazer. Quando alcança o arcobotante de Saint-Eustache, começa a correr.
* * *
Ao chegar em casa, ele se desaponta a princípio por encontrá-la tão menos infeliz do que imaginara. Com efeito, ela não parece nada infeliz. Sorri para ele, calmamente, estende-lhe o livro que está lendo por cima da cabeça de Ragoût, que aninhou com perfeição o corpanzil em seu colo. Aponta com o dedo uma palavra no meio da página.
— Não consigo ver — diz ele.
— Você não está olhando — diz ela.
— Você não pode ler para mim? — indaga ele.
— Refração.
— Ah! — exclama ele, rindo. — Sei o que é refração. Usar uma lente para alterar o ângulo da luz.
Ele carrega o gato para o corredor (posto no chão, o bichano treme, indignado), depois volta para o quarto, despe as botas, o casaco e o colete. Os dois se sentam lado a lado na cama. Ela umedece dois dedos e apaga a vela. A lareira provê claridade suficiente. Os dois se deitam. Beijam-se. As bocas, no início, parecem, a um e ao outro, frias, mas depois ganham calor. Ela é boa com botões, o que não chega a surpreender. Ele luta para despir o culote, aperta o rosto de encontro aos seios dela, cola-se ao seu corpo. Com delicadeza, ela lhe escapa e desce a combinação até enroscá-la nos quadris. Quando ousa olhar, ele vê a luz das chamas refletida nas coxas dela. Sob a camisa, ele está duro como uma garrafa, duro demais. Praticamente assim que ela o toca, ele estremece e deixa sair o tipo de meio grito estrangulado que deve ter lhe escapado na noite em que Ziguette Monnard o atacou com a régua de metal.
Passa-se mais uma semana antes que, num encontro inesperado no meio da tarde, sem que nenhum dos dois esteja muito despido, ele, enfim, a penetre. Baixa, então, a testa, encostando-a de leve contra a dela. Com o polegar, ela alisa a linha da cicatriz, o sulco de pele insensível. Desse momento em diante, no fundo do coração, ele passa a considerá-la sua esposa.