79 Park Avenue

Harold Robbins · Capítulo 14 de 55

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79 Park Avenue

Capítulo 13

— Obrigada por ter me trazido — disse a Mike, parando à porta de sua casa.

— Foi um prazer — disse Mike, sorrindo.

— Não tive a intenção de estragar sua noite.

Quando ela já ia entrando, Mike perguntou:

— Quando é que vou vê-la de novo?

— Não sei.

— Por quê? — perguntou ele, aproximando-se dela. — Porque é a garota de Ross?

— Não sou a garota de Ross, já lhe disse.

— Quando posso ver você?

— É difícil dizer. Termino o curso na semana que vem e tenho de procurar emprego.

Mike sentiu uma pontada de ciúme e disse sarcasticamente:

— Enquanto isso, irá procurar Ross. Ele tem dinheiro para gastar.

— E não vou procurar Ross. Ele pode pegar o dinheiro dele e fazer o que bem quiser. Pode dizer a ele que eu disse isso.

— Por que eu? Diga você mesma.

— Sabe muito bem por quê — disse ela friamente. — Vocês dois me levaram para lá, e você certamente sabia o que Ross ia fazer.

— Você também sabia que ele ia jogar dados. Por que vem com isso agora?

— Eu sabia que ele ia jogar, mas não que ia ser um jogo roubado. Não sabia que ele ia trocar os dados.

— Trocar os dados?

— Sim, quando ele me pediu que soprasse, sabia que todos estavam olhando para mim e que não prestariam atenção. Não me agrada ser cúmplice dessas coisas.

Mike deu um suspiro, compreendendo afinal por que ela saíra de repente.

— Você pode não acreditar, mas eu também não sabia.

Ela o olhou cheia de dúvidas.

— Não gosto disso também, Marja.

— Não sei. Eu poderia compreender se você jogasse assim porque precisa de dinheiro, mas Ross não precisa de nada.

— Não sabia disso, Marja, acredite — disse ele.

— Está bem — disse ela. — Acredito. Boa noite.

— Boa noite.

Viu-a entrar, e então tomou o caminho de casa.

 

Entrou na travessa que levava ao apartamento de sua família, no porão do grande edifício.

Ross surgiu de repente da escuridão.

— Mike!

— Que é, Ross? — perguntou Mike, parando.

— Onde vocês se meteram? Ganhei mais de cento e vinte dólares!

— Marja quis ir para casa.

Ross não deu muita atenção ao que ele disse. Tirou uma maço de dinheiro do bolso.

— Quero dar a sua parte. Vinte dólares são seus.

Mike olhou para a mão estendida de Ross, mas não fez qualquer menção de pegar o dinheiro.

— Que é que há com você? Pegue.

— Não, muito obrigado. Não quero esse dinheiro. É todo seu.

— Não seja bobo. Pegue o dinheiro. Acha que tem veneno?

— Fique com ele, Ross. É todo seu. Foi você que o ganhou.

— Ah! Já sei! — exclamou Ross. — Marja deu com a língua nos dentes.

Mike nada disse, e Ross continuou, rindo:

— Foi muito fácil. Foi quase como tirar um bombom das mãos de uma criança, enquanto eles estavam olhando para Marja debruçando-se sobre a mesa; foi genial!

Mike continuou calado, e Ross bateu-lhe no ombro.

— Ora, rapaz, tome o dinheiro. Amanhã de manhã, você já estará vendo as coisas de maneira diferente.

— Não quero esse dinheiro! — exclamou Mike, fazendo um gesto brusco. Bateu na mão de Ross e o dinheiro caiu no chão.

— Que é que há com você?

— Nada. Apenas não gostei do que você fez. Enganou a pobre moça. Se você fosse surpreendido, todos nós teríamos de pagar, inclusive ela. Não seria tão agradável assim, não acha?

— Mas ninguém me pegou. Por que toda essa zanga?

Mike não respondeu. Ross se abaixou para pegar o dinheiro.

— Não compreendo por que você ficou assim. Espere aí — disse ele, levantando-se de repente. — Para onde foi que você a levou?

— Para a casa dela, já lhe disse.

— Demorou muito. Estou esperando você aqui há mais de uma hora.

— Fomos a pé. Meu pai nunca me deu um Buick.

— Não passou um instante pelo parque e não a levou para um canto escuro, para fazer uma porção de coisas com ela? A taradinha gosta disso, sabe?

Mike sentiu a cabeça estalar. Agarrou Ross e apertou-o de encontro à parede.

— Não fale dela assim!

— Então eu tinha razão! — exclamou Ross, triunfantemente. — Você ficou caído por ela! A garota é formidável, rapaz! Mas não se deixe enganar por ela. Aquela lá é de todo mundo.

Mike bateu com toda a força da sua raiva. A cabeça de Ross virou para trás e ele começou a cambalear, a boca sangrando. Mike recuou um pouco e disse-lhe:

— Da outra vez, aprenda a calar a boca.

Ross levantou-se e sentou-se no chão. Depois, levou a mão lentamente até a boca. Olhou para Mike, com os olhos fuzilando de raiva, apesar da dor que sentia.

— Você me paga, Mike — disse ele. — E vai me pagar dobrado.

— Quando você quiser!

— Sua hora chegará. Não se preocupe.

— Não estou preocupado — disse Mike, dando-lhe as costas e seguindo para casa.