79 Park Avenue

Harold Robbins · Capítulo 19 de 55

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79 Park Avenue

Capítulo 18

Eram três e meia quando o táxi parou à porta de sua casa. Ela saltou e começou a subir a escada.

— Marja!

Um vulto surgiu da escuridão ao lado da porta.

— Mike! Que está fazendo aqui?

— Estava esperando por você, muito preocupado. Tudo bem?

Ela acendeu um cigarro e respondeu:

— Tudo bem.

— Esperei perto do dancing até meia-noite e meia. Perguntei então e soube que você havia saído mais cedo. Vim para cá pensando que você não estivesse passando bem, mas seu pai me disse que você ainda não tinha chegado.

— Não precisava ter esperado. Fui a uma festa.

— Onde?

— Na casa de Jack Ostere — disse ela, sem pensar. — Você não o conhece.

— Como é que foi parar lá?

— Joker me pediu que fosse.

— Não gosto disso — murmurou ele.

— Por quê? — perguntou ela sem disfarçar sua irritação.

— Não é justo ele mandar você a lugares assim.

— Ninguém pediu a sua opinião — disse ela, furiosa.

— Você não devia ter ido.

— Se você não me andasse espionando, nunca teria sabido.

— Não a ando espionando, Marja — disse ele com voz magoada. — É que tive receio que houvesse acontecido alguma coisa!

— Mas já viu que não aconteceu e agora pode voltar para sua casa. Você está começando a me irritar!

Depois de dizer isso, subiu precipitadamente a escada e entrou no prédio, deixando-o sozinho na rua.

Mike ficou ali parado durante algum tempo. Depois, uma estranha tristeza caiu sobre ele, e começou a voltar para casa. Havia ocasiões em que ele achava que não a conhecia de modo algum.

 

Peter estava sentado à mesa, com a inevitável lata de cerveja à sua frente. Voltou para ela os olhos injetados e perguntou:

— Por onde andava?

— Trabalhando — respondeu ela laconicamente.

— Seu namorado diz que você saiu cedo. Mas não veio para casa.

Ela não respondeu e saiu da cozinha para ir para seu quarto. Ele deu um pulo da cadeira e lhe tomou a frente.

— Onde foi que esteve com esse vestido?

— Já lhe disse que estava trabalhando.

— Vestida assim? Com os peitos todos de fora?

— Estas são as minhas roupas de trabalho. Estava tão cansada que não quis trocar de roupa e vim para casa assim mesmo. E tenho de devolver o vestido amanhã, pois não é meu.

Antes que ela pudesse impedi-lo, ele lhe arrebatou a bolsa da mão e abriu-a, espalhando o seu conteúdo em cima da mesa. Viu logo a nota de vinte dólares e pegou-a.

— Onde conseguiu isso?

— Foi uma gorjeta.

— Não se ganha gorjeta assim só dançando.

Ela não respondeu. Ele estendeu a mão e deu-lhe uma bofetada que a atirou de encontro à parede. A alça do vestido desceu e o vestido começou a cair. Ela o apertou contra o peito.

— Eu bem disse a sua mãe quem você era, mas ela não acreditou em mim. É bom que ela não esteja mais aqui para ver isso.

— Bom para você, não é?

Ele começou a tirar o cinto das calças e a avançar ameaçadoramente para ela.

Ela se esquivou dele com o corpo e, abrindo a gaveta da mesa, tirou uma faca de cozinha muito afiada, que segurou com firmeza, ao mesmo tempo que dizia:

— Venha! Experimente!

Ele olhou para a faca com os olhos chamejantes de ódio e recuou.

— Marja! Você não sabe o que está fazendo!

— Não? — exclamou ela, rindo.

Ele respirou fundo. A moça estava alucinada. Afastou-se dela cautelosamente.

— Está bem, está bem — disse ele, ansiosamente.

— O dinheiro! — disse ela.

Ele jogou a nota de vinte dólares em cima da mesa, e ela a guardou prontamente na bolsa com o resto do que era seu.

— Se você voltar a se aproximar de mim — disse ela com voz grave e pausada —, ou se tentar tocar em mim, juro que o matarei!

Ele nada disse. Não duvidava de que ela estivesse falando a sério. Ela entrou para o quarto e fechou a porta, enquanto ele se dirigia para a geladeira com a mão subitamente trêmula.

Marja encostou-se à porta fechada e cerrou os olhos. Era como se mil anos houvessem passado desde que sua mãe morrera e, entretanto, havia pouco mais de um mês. Abriu os olhos e viu a faca que tinha na mão.

Sentiu um arrepio no corpo e tremeu convulsivamente. Jogou a faca em cima da cama e começou a despir-se. Só viu a faca de novo quando foi se deitar. Escondeu-a debaixo do colchão. Desse dia em diante, nunca se deitava sem antes verificar se a faca estava no lugar.