As 999 Primeiras Mulheres de Auschwitz
Trinta
6 de maio de 1943
Cara Lenka!
Recebemos o seu cartão hoje. Temos que nos revezar para escrever
para você toda semana — e, acredite, é por causa de um amor muito
sincero. Também lhe enviarei algo, mas, infelizmente, tudo anda
incerto e difícil. Vou mandar roupas e meias. Estamos bem. Somente
nossa grande preocupação com você torna a vida mais amarga. Do
contrário, está tudo bem. Recebemos algo de Nusi [ilegível], mas não
soubemos nada de Magduska! Também lemos os cartões das meninas
Wahrmannova [também presentes no primeiro transporte de Prešov],
com cujos pais muitas vezes estamos. Por favor, transmita a elas
nossas mais sinceras lembranças.
NÓS BEIJAMOS VOCÊ!
Pipapio [Vovô], Lilly, Milan
UMA CARTA DE LENKA A SEU IRMÃO, Simon, enviada pelo correio, nos dá uma visão da vida dela como funcionária. Ela lhe informa de que o correio é entregue aos prisioneiros toda sexta-feira e pede desculpas por
“não escrever em dezembro”, pois estava doente “há algumas semanas”. 233 O fato de ela ter estado doente e voltado ao trabalho diz muito sobre sua posição hierárquica superior no campo. “Estamos aqui com várias meninas de Prešov e tivemos a chance de passar algum tempo livre juntas”, ela escreve. “Eu também fiz muitas novas amigas aqui.” Não é de admirar que a família estivesse confusa. Se ela via muitas meninas da cidade, por que não tinha contato com suas primas mais novas? Esta foi sua primeira carta mencionando algo enigmático: “Nusi e Zola estão com Zsenka, nossa prima”.
Quase imediatamente, Mamã e Lilly responderam. “A mãe de Magduska [Irma] está muito doente, Bela chora por Magduska e culpa você por não escrever sobre ela. A mãe de Nusi também gostaria de saber… Quem é tia
Zsenka?”. 234
As prisioneiras eram frequentemente tão cautelosas com as mensagens codificadas que as tornavam quase indecifráveis. Mas podemos adivinhar que, em maio de 1943, Nusi Hartmann, de rosto alegre e sorridente, estava morta. O cartão-postal que a família havia recebido dela era um daqueles pré-datados, e fora enviado depois de sua morte. Não temos ideia acerca das circunstâncias em que Olga Hartmann (Nusi) morreu ou em que data. O destino de Magduska também ainda era um mistério.
“DRESCHLER ERA FEIA”. 235 Todo mundo dizia isso. Seus grandes dentes salientes se projetavam para fora dos lábios, mesmo quando ela tentava fechá-los. Notória por espancar e abusar de prisioneiras, ela era temida e odiada por todas. Você certamente não gostaria de ouvi-la gritando seu nome com raiva, como se fosse uma sentença de morte. Mas então Edith e Elsa ouviram. O mero soar da voz de Dreschler gritando seu número fez os pelos da nuca de Edith se arrepiarem. E agora?
— 1970! Ainda está lá fora?
O número tamborilou no hálito quente da SS mais feia do mundo. Elsa olhou para Edith aterrorizada. Elas deveriam enfrentar a situação ou fugir? E para onde poderiam correr, ainda mais com Edith mancando? Lentamente, com os olhos fixos no chão, Edith virou-se.
Dreschler estava apontando para elas e quase acertando a supervisora do bloco com a sua chibata. “Como você ainda deixa essas prisioneiras saírem para trabalhar?”. Ela apontava para o pequeno corpo de Edith e o rosto aterrorizado de Elsa. “Elas estão aqui há muito tempo. Elas merecem um lugar onde o trabalho não seja tão duro, que não seja lá fora, na chuva, neve e no vento congelante! Dê a elas boas tarefas!”.
A supervisora do bloco, Gizzy, que também viera no primeiro transporte, tampouco tinha a reputação de ser gentil ou justa, e olhou para as duas garotas com desdém.
— Agora! — Dreschler gritou na cara dela.
— Você! 1970! Você é Stubendienst ! — Gizzy ordenou.
Edith hesitou. Elsa não se mexeu.
— Você também! — Ela apontou para Elsa.
— Entrem!
Edith e Elsa saíram da chamada e voltaram para o bloco antes que Dreschler pudesse mudar de ideia. Exceto por seu curto período com as lenços brancos, Edith havia trabalhado ao ar livre por quase um ano e meio. Poucas pessoas poderiam sobreviver trabalhando lá fora por tanto tempo, especialmente as do primeiro transporte. Edith não podia acreditar na sorte que tinham dado. De repente, suas vidas mudaram para melhor. Elas não estavam mais trabalhando sob o escrutínio constante da SS com seus cães, não estavam mais tão vulneráveis aos caprichos das guardas. É claro que, algumas semanas depois, Dreschler daria um tapa em Edith com tanta força que ela voou pelos ares e aterrissou a centímetros da cerca elétrica. Elas não estavam tão seguras assim.
Conseguir trabalho na limpeza dos blocos “parecia uma nova era”. Como Stubendienste , Edith e Elsa agora se levantavam mais cedo para pegar os caldeirões de chá quando chegavam no caminhão. Elas serviam as meninas que saíam para trabalhar antes da chamada e depois limpavam os blocos e beliches, esvaziavam as cinzas do fogão a lenha, varriam o chão e serviam o pão quando as meninas voltavam do trabalho à noite.
Na primeira noite em seu novo cargo, Edith e Elsa foram chamadas por uma das outras camareiras para o quarto da supervisora do bloco e receberam alguns pedaços extras de pão. Edith observou as responsáveis pelo bloco mostrarem a ela e Elsa o truque para cortar o pão em quartos, o que deixava o meio intocado, assim elas obtinham porções extras. Edith havia trabalhado duro por tanto tempo que sua lealdade inclinava-se àquelas que ainda sofriam lá fora. Por que as meninas que trabalham em tarefas menos árduas deveriam obter mais comida?
“Eu não quero”, ela deixou escapar. “É pão roubado. Talvez por causa desse pedaço de pão uma garota vá morrer de fome. E esse pão não é meu.” Ela olhou para a garota que tinha perdido menos peso do que qualquer outra pessoa no bloco inteiro. “E você também não precisa.”
“O quê? Você acha que, se não comer esse pedacinho de pão, vai interromper o que acontece aqui?”, a menina respondeu indignada. “Você não pode interromper!”.
“Isso está em sua consciência”, Edith criticou. “Você faz o que quiser e nós faremos o que quisermos.”
Elsa assentiu em solidariedade a Edith.
“Não queremos este pão.”
Elas ficaram com suas fatias de direito e recusaram-se a ceder à ganância das mais afortunadas. Recusar porções extras não era fácil, mas para Edith e Elsa foi um ato de resistência espiritual. Mais um exemplo de que as jovens fizeram o possível para preservar seus valores espirituais e agir humanamente diante de tanta desumanidade.
Quando os caldeirões de sopa foram entregues pelos homens naquele domingo, Edith e Elsa ajudaram a servir as porções da hora do almoço nas tigelas vermelhas das meninas. Era a primeira vez que estavam em posição de ajudar as pessoas, e não demorou muito tempo para as meninas perceberem que Edith e Elsa estavam mexendo a sopa para que os legumes e pedaços de carne chegassem ao topo e fossem colocados nas tigelas. Sussurros começaram a circular pela fila: “Elsa e Edith estão misturando a sopa. Entre na fila de Elsa e Edith”. As meninas mudaram de fila e agradeceram a Elsa e Edith por servirem todas elas igualmente. A fome torna as pessoas mesquinhas. Também faz você se lembrar de cada coisinha. As sobreviventes imediatamente se lembram de quem roubou comida delas, de quem lhes deu cada pedacinho extra de comida.
Trabalhar como Stubendienste pode ter sido um alívio no início, mas os pesadelos eram constantes no campo. Certa tarde, Edith voltou de uma tarefa, entrou no Bloco 13 e encontrou Elsa chorando histericamente. Uma das mulheres que haviam passado pelo processo de registro estava grávida. Isso aconteceu algumas vezes. A barriga não estava tão protuberante quando ela chegou a ponto de alguém notar, as roupas da prisão escondiam a saliência e não houve seleções para denunciá-la. Quando ela entrou em trabalho de parto, Elsa correu para buscar a dra. Manci Schwalbova. Era perigoso dar à luz no campo. O choro do bebê poderia atrair a SS ou um de seus muitos espiões. Todas as envolvidas poderiam ser mandadas para o gás apenas por terem ajudado a mãe. Tal era o horror da vida em um campo de extermínio — no qual não poderia haver vida. Certamente, nenhuma nova vida. Só havia uma maneira de salvar a vida da mãe: livrar-se do bebê.
Era antes das duas da tarde, então os caminhões ainda não haviam chegado para remover os corpos empilhados do lado de fora dos blocos. Elsa foi quem teve que esconder o bebê debaixo dos cadáveres para que a SS não o encontrasse e inspecionasse as mulheres presas. Ele estava chorando quando ela o abandonou.
Hiperventilando. Histérica. Com os olhos vermelhos da torrente de lágrimas, Elsa disse a Edith o que havia feito. Elas se abraçaram e choraram. A mãe estava deitada no beliche do meio, incapaz de se mover, perdida sem o filho. Leite escorreria de seus seios, intacto.
Os olhos de Edith ficam vermelhos e se enchem de lágrimas quando ela se lembra do incidente. Angustiada e soluçando, ela deixa escapar: “Como eu sobrevivi a essa coisa?”.
Como alguém sobrevivia?
FIEL À SUA PALAVRA, Frida Zimmerspitz (nº 1548) estava trabalhando em um plano para fugir de Auschwitz desde o dia em que ela e suas irmãs chegaram. A irmã mais nova, Margit, veio em outro transporte posterior com mais quatro primas. “Éramos uma grande família no campo e não queríamos que faltasse nada a ninguém; portanto, algumas [a Kapo judia Frances Mangel-Tack, por exemplo] assumiram papéis para proteger as demais”, Eta Zimmerspitz (nº 1756) diz. “É difícil explicar…”. Não é tão difícil entender. As famílias sempre se ajudavam e Frances Mangel-Tack garantiu que aquelas que não conseguiram emprego como funcionárias chegassem ao Canadá.
Eta, sua irmã Fanny (nº 1755) e sua outra prima Martha (nº 1741),
moravam no mesmo bloco das primas restantes, as irmãs Zimmerspitz. 236 Isso deveria ter funcionado a seu favor, mas as quatro irmãs formaram uma unidade tão fechada que não permitiam que ninguém mais entrasse — nem mesmo suas primas. Frida gerenciava o bloco inteiro como se fosse um feudo pessoal das Zimmerspitz. Elas se dedicavam a algumas atividades paralelas também. “As irmãs ficaram populares demais”, diz a prima delas Frances Mangel-Tack. Talvez populares entre a SS, mas não entre as demais prisioneiras. Diziam que Frida era uma espiã da SS.
“Elas não eram cordiais”, diz Ruzena Gräber Knieža (nº 1649). Uma das irmãs chegou a ralhar com Ruzena: “Você ainda não morreu? Você ainda está aqui? Pensei que você já tivesse morrido há muito tempo.”
Segundo Eta Zimmerspitz, as irmãs não dividiam nem o pão extra que roubavam. Elas eram consideradas funcionárias do pior tipo: passavam por cima das menos afortunadas que estavam sob sua supervisão e mantinham um mercado clandestino com itens desviados dos destacamentos de organização, trocando pão por ouro, diamantes e joias.
A SS “gostava que [Frida] estivesse espionando para eles”, Frances Mangel-Tack tenta explicar em seu testemunho de oito horas com o entrevistador da USC Shoah. Mas “ela estava espionando contra eles”. A história que Frances conta é complicada e confusa. Ela fala como se conhecêssemos todas as personagens mencionadas, e é difícil seguir seus pensamentos. Porém, comparando seu testemunho com os de suas primas e outras sobreviventes, podemos ter uma imagem mais clara do que Frida e suas irmãs estavam fazendo. Tudo tinha a ver com ganância. A SS desejava contrabandear determinados itens para fora do Canadá, os quais enviariam, então, para suas próprias casas. Então, as irmãs recolhiam os objetos de valor levados a elas pelas meninas da organização, trocando-os por comida. Por sua vez, elas trocavam essas mercadorias roubadas pelas prisioneiras por favores especiais da SS.
As meninas no Canadá arriscavam sua vida para contrabandear objetos de valor em seus bolsos e sapatos, e depois iam para o bloco das irmãs Zimmerspitz, onde os trocavam por comida ou remédios. “Era nojento o que elas estavam fazendo”, diz Ruzena Gräber Knieža. “Vendiam pão para meninas famintas.” Como o ouro não é comestível, em Auschwitz ele valia menos do que um pão.
A certa altura, a cúpula da SS descobriu que uma das irmãs estava trabalhando com a resistência. “Havia uma mulher alemã de Ravensbrück, que era cafetina de um bordel, e Margit… disse algo para ela”, diz Frances Mangel-Tack. Evidentemente, a cafetina, então, informou a SS. “Era alguma coisa muito grande o que estava acontecendo.”
Era ainda maior do que a cafetina ou a SS supunham. As irmãs não estavam apenas ajudando a resistência, mas também planejando sua própria fuga. Antes de ir trabalhar no turno da noite, organizando roupas no Canadá, Frida — a mais “bocuda” — acenou para as primas mais novas, Martha, Eta e Fanny, indicando que entrassem no quarto das irmãs. As quatro irmãs pediram para as primas mais novas que se sentassem e disseram a elas que deveriam se cuidar e ficar de olho umas nas outras. Foi um momento estranho, quase uma confissão de sentimentos. Eta e Fanny ficaram contentes por finalmente se sentirem acolhidas por suas primas mais velhas, que normalmente eram desdenhosas e muitas vezes rudes. Eta, sua irmã e sua prima Marta foram trabalhar naquela noite sentindo-se mais otimistas em relação à sua capacidade de sobreviver às adversidades do campo.
De manhã, Frida, Ruzena, Malvina e Margit haviam desaparecido. As meninas do bloco acordaram e olharam em volta, confusas. Onde estavam as irmãs? Elas saíram e pegaram seu chá. Alinharam-se para a chamada, mas nada estava como deveria ser. Os homens da SS estavam andando de um lado para o outro e gritando com todas. Então, um dos SS apontou para Eta e sua irmã e gritou seus números.
— Prisioneiras 1755 e 1756! Saiam da fila!
Elas foram obrigadas a se reportar imediatamente a Auschwitz I.
“Achávamos que alguém da nossa família tinha vindo nos libertar”, lembra Eta.
Com uma Kapo as acompanhando, as meninas estavam prestes a sair do campo feminino quando sua prima, Kapo Frances Mangel-Tack, correu até elas.
“Não admitam que vocês sejam parentes de nossas primas”, ela as advertiu em eslovaco. “Estão procurando alguém com o nome Zimmerspitz.”
“Por quê? O que aconteceu?”, Fanny perguntou.
“Apenas fiquem quietas”. Frances avisou. “Não digam uma palavra!”. E se foi.
A ordem permaneceu na cabeça de Eta. Marchando pela estrada de Birkenau a Auschwitz, as irmãs tiveram tempo de ficar aflitas e preocupadas. O que Frances quis dizer com não admitir que são parentes? Em silêncio, Eta e Fanny caminharam até Auschwitz I, onde foram levadas à sede da Gestapo no Bloco 11, o Bloco da Morte, para interrogatório. Geralmente reservado para presos políticos e prisioneiros de guerra russos, o Bloco 11 agora abrigava também quatro jovens mulheres. Tudo o que havia entre a parede de execução e Eta e sua irmã era o aviso de Frances. Gritos atormentados vinham de dentro das entranhas da prisão. Pareciam de uma mulher.
Vestido com seu uniforme preto com botões de metal polido, o interrogador da SS avaliou as jovens à sua frente. Ele perguntou se elas conheciam as irmãs Zimmerspitz.
Eta abriu a boca para responder à pergunta, mas nada saiu. Ela havia perdido a capacidade de falar.
— Estávamos no Bloco 18 com elas — respondeu Fanny.
— E?
— E nada. Elas eram as supervisoras do bloco e dos quartos. Elas eram horríveis com todas.
— Vocês não são parentes?
— Não.
“Como ela pode dizer que não são parentes?”, ele retrucou, apontando para Eta. “Ela é muito parecia com a Rosa.”
Tudo dependia de Fanny. Eta perdera a capacidade de falar.
“É verdade que temos o mesmo nome, mas não há parentesco!”, Fanny disse. “É um nome frequente em Auschwitz-Birkenau!”. Bastava todas as Friedman do campo.
— Elas nunca nos deram pão ou privilégios extras. Pergunte a qualquer uma. Elas eram más conosco — Fanny argumentou.
Eta assentiu. Tudo era verdade. Nem mesmo uma porção extra de pão.
A reputação das irmãs provavelmente era conhecida, e a verdade que Fanny contara combinava com isso. Ficou claro que ela e Eta não sabiam de nada. As duas irmãs foram autorizadas a retornar a Birkenau. Nunca o inferno na Terra lhes parecera tão bem-vindo.
ENTÃO, COMO AS irmãs Zimmerspitz foram pegas?
Ruzena Gräber Knieža diz que uma prisioneira polonesa descobriu seus planos e vendeu a história para a SS em troca de uma sentença mais leve. Frances diz que a cafetina do bordel as denunciou. Eta diz que conheceu um homem polonês em Israel, anos depois da guerra, que disse ter sido o contato delas do lado de fora, alguém que tentaria ajudá-las a escapar. Essa teria sido uma estratégia mais perspicaz, porque a SS era notória por receber pagamentos e depois trair os prisioneiros. É uma velha história: para comprar sua liberdade, você tinha que pagar a SS ou alguém do lado de fora para ajudá-lo. Mas a recompensa por frustrar uma tentativa de fuga ou por capturar um prisioneiro que tentasse escapar era, geralmente, uma semana de férias, às vezes uma promoção.
O que quer que tenha acontecido, nenhuma das outras meninas percebera até então que a crueldade das irmãs tinha sido um ardil para proteger as demais, caso elas fossem pegas. Qualquer pessoa para a qual elas demonstrassem bondade estaria em perigo após a fuga e seria alvo de interrogatórios. Assim, as irmãs protegeram suas primas e todas as demais habitantes do bloco comportando-se de modo rude e desagradável. A riqueza que as irmãs Zimmerspitz acumularam foi para a resistência. Sua ambição pessoal era a liberdade.
Não sabemos por que não há menção à sua tentativa de fuga, captura ou execução no registro histórico. Tudo o que temos são os testemunhos de familiares e prisioneiros. Será que a SS decidiu que era vergonhoso demais fazer o registro? Afinal, ela havia sido enganada por quatro jovens judias. Pouquíssimas pessoas conseguiram escapar de Auschwitz-Birkenau. Quase nenhuma judia nem sequer tentou.
As tentativas de fuga dos homens, com seus respectivos números e nomes, são consistentemente registradas na Crônica de Auschwitz , mas não há menção à tentativa de fuga das irmãs Zimmerspitz. Não há registros delas no Yad Vashem, exceto em uma lista de transferências de Birkenau para Nova Berlim. Nada consta nos “Livros da Morte” de Auschwitz. As irmãs Zimmerspitz parecem ter sido eliminadas do registro histórico.
Para fazer com que as outras três cedessem, as irmãs foram mantidas dentro do campo de audição umas das outras e “muito torturadas. Elas as cortaram em pedaços. Foi terrível”, diz Frances. O SS Taube evidentemente espancou Frida e a arrastou para a frente da chamada para usá-la como exemplo. Mas as irmãs Zimmerspitz eram fortes. A SS não conseguiu nada com elas. Até Frida, a mais falastrona, manteve o silêncio. Ela foi a última das irmãs a ser executada.
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