As 999 Primeiras Mulheres de Auschwitz

Heather Dune Macadam · Capítulo 8 de 49

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As 999 Primeiras Mulheres de Auschwitz

Três

 

 

Por que Heródoto começa sua grande descrição do mundo com o que é,

de acordo com os sábios persas, um assunto trivial de sequestros de garotas

jovens pagos na mesma moeda?

— RYSZARD K APUŚCIŃSKI

 

SEXTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 1942

O AUSTERO PRÉDIO CINZA E COM COLUNAS do Departamento de Finanças ficava na esquina oposta a um dos mais belos edifícios de Bratislava. Construído em 1890, esse edifício art nouveau , projetado pelo arquiteto austríaco Josef Rittner, abrigou o Ministério do Interior durante a presidência de Jozef Tiso, na década de 1940. Originalmente concebido para servir ao exército do Império Austro-Húngaro, era ali que as engrenagens do governo do Partido Nacional Eslovaco funcionavam. Com vista para o Danúbio, decorado com elmos romanos nos quatro cantos de suas muitas cúpulas e arcos, era um tributo ao passado rico e opulento do império. Já o Departamento de Finanças estava alojado em um prédio mais minimalista, que remetia à estética dos anos 1920. Entre essas duas estruturas incongruentes, a ponte Franz Joseph se estendia sobre o Danúbio.

Hoje, ainda é possível ver os pescadores sentados ao longo das margens, ao lado de pequenas fogueiras que crepitam lentamente sob o nevoeiro do rio, enquanto os bondinhos passam balançando nas ruas acima. Algumas coisas mudaram. O Departamento de Finanças é agora o Ministério do Interior. Há um shopping na mesma rua e uma avenida de quatro faixas. Mas a mesma escadaria leva até portas de madeira de dez metros de altura, com maçanetas de bronze que se encaixariam nas mãos de um gigante. Lá dentro, à direita do saguão de mármore, um elevador paternoster move-se com sua correia transportadora contínua, cuja eficiência burocrática permanece desde que foi instalado na década de 1940. Esse elevador sem porta nunca interrompe seu ciclo incessante de cabines em movimento. Como na oração do “Pai Nosso”, da qual empresta seu nome, ele se move tão perfeitamente quanto o rosário na mão dos devotos. Não que orar antes de embarcar ajude. Vidas já foram perdidas nessas cabines movediças, membros já foram decepados, mas era o que havia na época. E esse paternoster é um dos poucos remanescentes na Europa.

O ministro dos transportes e chefe do Departamento Judaico, 19 Dr. Gejza Konka, já teria dominado a técnica de entrar na cabine que vinha subindo por estar acostumado ao som de madeira rangendo e a distribuir seu peso conforme o elevador o carregava para cima, onde o ministro das Finanças estava ocupado calculando os custos de realocar judeus.

Como chefe do Departamento Judaico, que ele ajudou a criar com o ministro fascista do Interior Alexander Mach, no verão de 1941, Konka foi responsável não apenas pela elaboração do plano que deportaria as garotas, mas também pela organização do seu transporte ferroviário. Como o financiamento e o cálculo dos custos não eram seu departamento, e como havia custos a se considerar (alimentação, alojamento, guardas, combustível), ele teria feito visitas frequentes ao ministro das Finanças. O governo eslovaco estava pagando aos nazistas 500 Reichsmark (o equivalente a 200 dólares americanos hoje) para “realocar” seus judeus na

Polônia. 20 O eufemismo para “realocar”, definido na Conferência de Wannsee, era “evacuar”. O significado dos dois termos era o mesmo. De fato, em um pedido de Zyklon B (o gás usado para executar judeus e outros “indesejáveis”), a terminologia real usada para a solicitação de cinco

toneladas do gás era “materiais para restabelecimento judaico”. 21

Em 1941, depois que os eslovacos concordaram com a exigência alemã de enviar 20 mil trabalhadores eslovacos, Izidor Koso, chefe das chancelarias do presidente Tiso e do ministro do Interior Mach, sugeriu que

os alemães aceitassem judeus no lugar. 22 O esquema para convocar 20 mil “indivíduos” saudáveis entre 18 e 36 anos para construir habitações para judeus que seriam “permanentemente reinstalados” na Polônia começou originalmente em 1941. No entanto, sabendo que não poderia providenciar para os alemães a quantidade exigida, Koso reduziu a idade para dezesseis.

23 Que os primeiros 5 mil desses indivíduos saudáveis fossem mulheres jovens nunca foi estipulado em nenhuma documentação. Foi na

Conferência de Wannsee, 24 realizada em 20 de janeiro de 1942, que “uma tarefa organizacional ímpar na história” foi claramente delineada pelo Protektor e representante em exercício do Reich, o integrante da SS Reinhard Heydrich, e seu então assistente, Adolf Eichmann. Em uma dramatização das conversas ocorridas, e parcialmente transcritas, durante a Conferência de Wannsee, homens e políticos da Schutzstaffel (SS) sentam-se ao redor de uma grande mesa de carvalho e discutem a destruição dos judeus europeus, descrevendo a Solução Final com uma desconcertante frieza. Entre os eufemismos mencionados estava a “oportunidade” que os judeus teriam de “trabalhar” — ou seja, serem enganados — até a morte. Era para essa “oportunidade” que Edith e suas amigas estavam prestes a se registrar.

As reuniões que levaram à fatídica decisão de deportar meninas judias solteiras provavelmente foram realizadas a portas fechadas, sem a presença de estenógrafos. Quem teve a ideia? Adolf Hitler e Hermann Göring? Ou Heinrich Himmler? Apenas podemos ter certeza de que entre os responsáveis por levar o plano adiante na Eslováquia estariam o capitão da SS, Dieter Wisliceny; Alexander Mach, ex-comandante da Guarda Hlinka e

agora ministro do Interior; 25 o primeiro-ministro Vojtech Tuka; Izidor Koso e outros. Não encontramos o Dr. Gejza Konka no meio desse eminente grupo de fascistas. Konka, um homem careca, de feições frias como o aço e olhos severos, não parece estar em nenhuma das fotografias tiradas durante esse período, nem mesmo é alguém sobre quem se escreve regularmente. Mas seu nome entra e sai de registros históricos e aparece em número suficiente de documentos para torná-lo um ponto de interrogação importante.

Todos os participantes dessas reuniões realizadas a portas fechadas concordariam que a arianização da Eslováquia era de suma importância, mas havia alguns obstáculos no caminho do Partido Nacional Eslovaco: a lei e o Vaticano.

Em primeiro lugar, era ilegal deportar cidadãos judeus, porque eles ainda eram considerados cidadãos. A assembleia eslovaca precisava elaborar leis que tornassem esse ato lícito, mas nenhuma proposta nesse sentido havia sido posta em debate por ora. A convocação exigia que as meninas se apresentassem para o dever. Elas não estavam sendo deportadas; elas estavam apenas tendo a “oportunidade” de trabalhar para o governo. Evidentemente, nenhum dos homens que inventou esse plano secreto estava muito preocupado com o Estado de Direito. Para Alexander Mach, o voto era uma mera formalidade. Quando a medida foi finalmente aprovada, mais de 5 mil meninas e alguns milhares de jovens já estavam em Auschwitz. Havia uma razão para o governo eslovaco ser chamado de “Estado fantoche” do Terceiro Reich alemão.

Embora mudar a lei fosse um obstáculo, 26 a objeção do Vaticano à deportação de judeus era muito mais problemática. Para grande consternação dos governos eslovaco e alemão, o plano de enviar judeus para os campos de trabalho havia sido vazado em novembro de 1941. Em resposta, o papa Pio XII imediatamente enviou um emissário, Luigi Maglione, para se reunir com ministros eslovacos e entregar a mensagem da Santa Sé de que os cidadãos judeus da Eslováquia não deveriam ser forçados a trabalhar nos campos de trabalho, porque isso “não é cristão”.

Contrariar a Santa Sé era algo realmente sério. Muitos dos ministros eram católicos devotos. No entanto, o Vaticano não havia se manifestado fervorosamente contra o código judaico, portanto, os cérebros por trás da realocação de judeus não estavam muito preocupados. Além disso, o presidente da Eslováquia era padre, mas também fascista. Quão preocupado estaria de fato o Vaticano se nem o presidente Tiso havia sido repreendido publicamente?

O primeiro-ministro Tuka manteve uma expressão de preocupação por trás dos óculos de armação redonda, que lhe davam uma aparência de perpetuamente surpreso (ou de alguém que sofresse de gases intestinais), enquanto o diabolicamente charmoso Alexander Mach fervilhava de raiva. Como o Vaticano ousava desafiá-los! A ética cristã não interessava ao Partido Popular da Eslováquia. O seu presidente era um mediador entre os homens e Deus, não entre os judeus e Deus. O presidente-sacerdote do país não gostava de judeus. Protocolos dificultavam a eficiência.

Mas o Vaticano bateu o pé e insistiu que se incluíssem exceções aos judeus que se convertessem e fossem batizados. Aqueles que prestassem algum trabalho importante ao Estado da Eslováquia, como proprietários de fábricas, agricultores e mecânicos, também deveriam poupados do “restabelecimento”. A tão conhecida caridade cristã não incluía os judeus pobres.

Enviar os judeus para os campos de trabalho supostamente faria com que o governo eslovaco economizasse dinheiro, uma teoria baseada na faca de dois gumes da propaganda, já que o governo alegava que sua pobreza fazia dos judeus um fardo para o Estado — ainda que se insistisse na ideia de que os judeus estavam ficando ricos às custas dos pobres não judeus. O paradoxo foi ignorado. Economistas não ligados ao governo, que já haviam refutado essa teoria da economia de custos, também foram desconsiderados. Alexander Mach tinha seu próprio economista, Augustín Morávek, presidente do Escritório Central de Economia, para manipular os números, convenientemente ignorando uma análise de custos completa, que deveria incluir não apenas a coleta e o transporte dos judeus para os campos de trabalho, mas também os cuidados com os trabalhadores. E se os trabalhadores adoecessem? E eles também teriam de ser alimentados, não? Pelo menos as meninas não comem muito.

OBVIAMENTE, A TRAIÇÃO ECONÔMICA FINAL foi Mach e seus asseclas terem consultado o RSHA (Gabinete Central de Segurança do

Reich) sobre a tomada de judeus eslovacos, em junho de 1941. 27 Então, em março de 1942, o primeiro-ministro Tuka disse à Assembleia Eslovaca que “representantes do governo alemão declararam estar dispostos a levar todos

os judeus”. 28 O custo do “restabelecimento” seria de 500 Reichsmark por judeu. Os alemães não pagariam pelo trabalho escravo, mas os eslovacos, sim, pagariam os alemães para que levassem a mão de obra escrava formada por judeus. Alguém se perguntou se o valor pago por judeu foi um item incluído no orçamento total?

O Departamento de Transportes, liderado pelo Dr. Gejza Konka, deve ter se preocupado com todos os detalhes, até mesmo com o tipo de vagão que poderia transportar mil “indivíduos” pelos terrenos difíceis e de curvas fechadas nas montanhas. Os vagões de gado seriam os mais econômicos; os alemães já os haviam medido e estimavam que poderiam transportar duas vezes mais pessoas do que cavalos ou vacas. Para mover mil pessoas, seriam necessários pelo menos vinte vagões interligados. Ou seja, não seria apenas um trem — seria, de fato , um comboio.

Era uma tarefa hercúlea. Não só as ferrovias teriam que comportar os vagões de gado como seria necessário providenciar ônibus para transportar os “indivíduos” de vilas longínquas para centros de detenção, que deveriam ser grandes o suficiente para abrigar os trabalhadores até que uma quantidade suficiente fosse acumulada. Só assim o transporte para os campos de trabalho seria rentável. Uma estação de trem na qual pudessem ser estacionados pelo menos vinte vagões de carga fora da linha ativa também teria de ser providenciada. No leste da Eslováquia, essa estação era a de Poprad, uma pequena cidade onde as linhas de trem vindas do sudeste e do nordeste poderiam ser alternadas sem que fosse necessário suspender os serviços ferroviários regulares. Konka também precisava de um lugar para manter as pessoas. Poprad tinha um quartel militar de dois andares cercado com segurança. Problema resolvido.

HOJE, HÁ TRILHOS FERROVIÁRIOS VELHOS, abandonados e cobertos de grama que despontam em meio à vegetação logo ao lado dos trilhos ativos de Poprad. A menos de meio metro do quartel onde as meninas foram mantidas, essa linha desativada leva a uma área de armazenamento, onde carros enferrujados são mantidos fora da linha principal. Ao longe, os picos brancos das montanhas Tatra irrompem no céu.

Certificar-se de que os primeiros transportes viessem de uma área rural provavelmente foi algo planejado. Primeiro porque atrairia menos atenção caso houvesse erros. Segundo porque, se ocorressem protestos ou tumultos, a Guarda Hlinka poderia lidar com a resistência de maneira discreta. O governo não queria alarmar ninguém. Como a assembleia eslovaca ainda não havia aprovado uma lei que permitisse a deportação de judeus, tudo tinha que parecer o mais normal possível. Claro, oficialmente eles não estavam deportando ninguém. Documentos do governo se referiam às

meninas como trabalhadoras “contratadas”. 29

ENTÃO, QUANDO FOI QUE MULHERES JOVENS E SOLTEIRAS se tornaram a população-alvo? Quem sugeriu isso? Aparentemente, não há um homem para culpar, mas certamente foram homens que tomaram a decisão. Será que eles riram quando inventaram o motivo oficial do primeiro transporte: providenciar força de trabalho para a “construção de moradias” para mais trabalhadores judeus? Quem leva 999 meninas para trabalhar em um canteiro de obras? Em algum momento, vazou-se a notícia de que as meninas estavam indo trabalhar em uma “fábrica de calçados”. Naquela época, a Eslováquia era um dos maiores fabricantes de calçados do mundo e

a fábrica de sapatos T. & A. Bat’a, 30 um grande empregador no país. De fato, haveria uma fábrica de calçados associada a Auschwitz-Birkenau, que embora nenhuma das 999 tenha trabalhado lá (que eu saiba), evidentemente era de propriedade de Jan Antonín Bat’a. A ideia de que suas filhas iriam trabalhar em uma fábrica de calçados tranquilizou muitos dos grupos preocupados. Mas foi um estratagema ardiloso, e o governo estava jogando com precisão.

A implementação foi a próxima fase do inevitável. Os alemães já haviam percebido que, para deportar centenas de pessoas de uma vez, o melhor a fazer era acomodá-las em vagões originalmente destinados ao transporte de animais. Konka e seus colegas concordavam. Será que algum deles considerou o frio pelo qual passariam aquelas mulheres jovens, usando vestidos e saias nos vagões de transporte de gado, especialmente quando atravessassem as montanhas Tatra e os Cárpatos, em pleno mês de março? Quem teve a ideia de registrar as meninas no Sabá? Ou de destinar apenas dois baldes a cada vagão, um com água potável e o outro vazio, para ser usado como latrina? Será que algum desses homens considerou que diversas dessas meninas poderiam estar menstruadas? Claro que não! Era uma guerra psicológica, que logo se transformaria em genocídio. A logística envolvida no transporte era enorme, mas quando se tratava de sua real implementação e aprovação, algum dos homens pensava em suas próprias filhas? Irmãs? Primas? Algum deles parou e refletiu: Isto não está saindo como eu pensava. Isso é mais feio. Mais bagunçado. “Isto” são meninas.

NÃO HAVIA PATERNOSTERS no Ministério do Interior; o prédio era velho demais para ter elevadores, então o Dr. Gejza Konka tinha que subir as escadas para chegar ao escritório. Em uma sala com painéis de carvalho, ele teria chamado a secretária para trazer os documentos mais recentes que exigiam sua assinatura. Recém-datilografados em finíssimas folhas de papel de seda, entre camadas de folhas de papel-carbono para as cópias em três vias, os pedidos chegaram à sua mesa para a aprovação final.

Ignorando o fato de que os “indivíduos” a serem deportados eram na verdade mulheres jovens e solteiras, ele verificou os documentos, buscando

erros tipográficos: 31

Bratislava-Patrónka, estação ferroviária de Lemec, com capacidade

para 1.000 indivíduos

Sered’: campo de trabalho de Sered’ para judeus, estação ferroviária

de Sered’ no rio Váh, com capacidade para 3.000 indivíduos

Nováky: campo de judeus, estação ferroviária de Nováky, com

capacidade para 4.000 indivíduos

Poprad: estação ferroviária de Poprad, para 1.500 indivíduos Žilina: estação ferroviária de Žilina, para 2.500 indivíduos

Originalmente, os eslovacos planejavam remover 5 mil garotas judias em apenas cinco dias — uma tarefa monumental que nem mesmo os nazistas já haviam realizado. O documento que Konka estava prestes a assinar era ainda mais ousado, confirmando a deportação ilegal de 12 mil “indivíduos”. Enquanto se preparava para assinar, será que ele se preocupou com a opinião do Vaticano? Ele já teria se inteirado da questão judaica alguns meses antes, mas, agora que era o nome dele no documento, será que algum questionamento moral surgiu em sua consciência? Se ele não se importava com a visão do papa sobre o assunto, ele se importava com a de Deus?

O Departamento 14 — o Departamento Judaico — tinha apenas duas semanas para concluir os detalhes finais e começar a maior deportação de seres humanos da história. Mas, até aí, o Todo-Poderoso havia criado os céus e a Terra em sete dias. Sendo assim, nada era impossível.

Do lado de fora da janela do escritório, uma névoa pairava sobre o Danúbio congelado. Ao erguer a caneta sobre o papel que estava prestes a assinar, Konka provavelmente acreditava que sua carreira estava indo no rumo certo. Pressionando a ponta da caneta-tinteiro no papel, ele escreveu: Em nome do ministro Dr. Konka — e selou o destino de milhares de jovens.

Embora apenas essa assinatura garantisse seu lugar nos anais da infâmia, em poucas semanas Konka praticamente desapareceria dos registros históricos, tendo sido substituído como chefe do Departamento Judaico por

seu segundo imediato, o notório Anton Vašek. 32 Um burocrata arrogante, gordo e corrupto que viria a ser conhecido como “rei dos judeus”, Vašek se comprazia em aceitar subornos, vendendo exceções para os maiores compradores e negando-as aos judeus eslovacos que não lhe dessem dinheiro suficiente. Enquanto isso, exceto por sua assinatura, Konka praticamente desapareceria algumas semanas após o primeiro transporte entrar para a História, assim como milhares das adolescentes que ele deportou.

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