Carrasco

Faye Kellerman · Capítulo 20 de 50

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Carrasco

Capítulo 20

 

 

A MULHER ATRÁS DO BALCÃO DA RECEPÇÃO chamava-se Grace. Tinha quarenta e poucos anos, um rosto claro e suave, cachos cor de mel. Usava um terninho preto e uma camisa de colarinho abotoado turquesa com o nome do hotel brasonado no bolso. Seus olhos castanhos ficaram tristes quando falou sobre o fechamento.

— Comecei a trabalhar aqui quando tinha 23 anos, recém-saída do curso de administração hoteleira. Era tão inexperiente que no primeiro dia minha voz falhou. Parecia que eu estava gargarejando.

— Tenho certeza de que se saiu bem — disse Eliza.

— Eu fui péssima — disse Grace. — Mas a administração teve paciência naquele tempo. — Ela revirou os olhos. Eles sabiam como promover uma carreira. —

— Há quanto tempo você está aqui? perguntou Decker. —

— Vinte e dois anos.

— Tem algum plano para o futuro?

— Tirar umas longas férias. Depois, quem sabe? A indústria de hotéis não está muito aquecida no momento, mas como tudo, isso é cíclico. Talvez na época em que eu começar a procurar, as oportunidades apareçam. — Grace deu um sorriso treinado. — Vocês não estão aqui para ouvir meus problemas. Como posso ajudá-los?

— Estamos procurando uma das suas hóspedes.

— A sra. McLaughlin. Alguém ligou para cá ontem perguntando por ela.

— Devo ter sido eu disse Eliza. —

— Pensei sobre isso. Não a vejo desde talvez o meio da semana passada.

— Isso seria por volta de quarta-feira? — perguntou Eliza.

O telefone tocou. Grace levantou um dedo, atendeu a ligação e transferiu-a para a sala de jantar.

— Quarta-feira... talvez quinta.

— E não a viu durante o fim de semana?

— Não trabalho no fim de semana.

Eliza examinou suas anotações.

— Quem trabalhou foram Harvey Dulapp e Sara Littlejohn. Eles não viram Terry naquele domingo, mas sabemos que ela estava aqui.

— Soube que a sra. McLaughlin era uma pessoa muito amistosa disse Decker. Alguma — — vez ela passou por aqui apenas para dizer um oi?

— Só para bater papo, não disse Grace. Quando passava, era para pegar sua — — correspondência ou receber suas mensagens. Hum, me lembro de que algumas semanas atrás houve um problema de manutenção no banheiro dela. Ela veio nos falar sobre isso pessoalmente. E foi muito amistosa.

— Sabe quem fez a manutenção no banheiro dela?

— Isso é importante? — perguntou Grace, com um sorriso.

— Qualquer pessoa que tenha entrado e saído da suíte dela é importante para nós — disse-lhe Decker.

— Vou ligar para a manutenção e ver se eles têm um registro de quem atendeu ao pedido. Devo dizer a vocês que eles estão reduzidos a uma equipe mínima. Se alguma coisa quebra, recebi ordens para transferir o hóspede para outro quarto e simplesmente fechar o quarto problemático.

— Eles transferiram a sra. McLaughlin para uma suíte de nível mais alto? perguntou Eliza. —

— Não, ela estava numa unidade premium. Tiveram de consertar o banheiro dela. Eu estava só dizendo... o telefone tocou. Com licença. — —

Grace passou vários minutos ao telefone. Quando voltou, lançou um olhar cansado para os detetives. — Em relação à nossa conversa, um dos aparelhos de TV não está funcionando. Tenho que encontrar outro quarto para este hóspede. Desculpem-me, o que vocês queriam mesmo?

— Os nomes de qualquer pessoa que tenha entrado e saído da suíte da sra. McLaughlin.

— Refere-se ao pessoal da manutenção.

— Manutenção, arrumação, serviço de quarto disse Decker. Poderia ser mais fácil se — — você me desse uma lista de empregados. Dessa maneira, a detetive Slaughter e eu podemos falar com todos eles e checar um por um.

— Sinto muito, tenente, não posso dar isso a vocês. Vocês teriam que conversar com alguém na administração central. Além disso, muitos de nossos empregados já foram embora.

Decker pareceu pensar por um momento, mas sabia o que ia pedir.

— Bem, você poderia pelo menos ligar para a manutenção e a arrumação e descobrir quem estava trabalhando na tarde de domingo, quando ela desapareceu?

Um grande suspiro.

— Provavelmente posso conseguir isso para vocês, mas pode levar um tempinho.

— Há alguém com quem possamos falar na manutenção e na arrumação para facilitar seu serviço?

— É gentil da sua parte. Vou ligar para a arrumação e a manutenção para você.

— Muito obrigado disse Decker. Mais uma coisa. O atendente do estacionamento sem — —

manobrista me disse que entrega os tíquetes de estacionamento do dia na contabilidade quando termina. Onde podemos encontrar esse departamento?

— Não é mais um departamento, é uma pessoa. Debra está aqui atrás. Gostariam que eu a chamasse?

— Talvez fosse mais fácil se nos deixasse entrar disse Eliza. —

— Vou perguntar se ela está ocupada disse Grace. —

— Obrigado. É importante que encontremos essa mulher. Ela tem um filho.

— Sim, o menino... Gabe. Que pena. Grace sacudiu a cabeça. Isso é terrível. Nunca — — aconteceu nada parecido aqui antes. Isso realmente dá ao hotel uma má reputação. Fez uma —

pausa. — Por outro lado, o lugar todo está sendo fechado por pelo menos dois anos. É uma sorte para os novos proprietários que as pessoas nesta cidade tenham a memória tão curta.

 

A sala da segurança no hospital era no subsolo do St. Timothy — uma área futurística, sem janelas, cheia de monitores preto e branco, alarmes, sensores, aparelhos de videocassete e DVD e um painel de botões que tomava uma parede inteira. As câmeras estavam instaladas nas entradas e saídas da instituição, nos elevadores, nas escadas, nos corredores internos, e em todos os armários de medicamentos controlados. O espaço parecia uma caverna: compacto e escurecido para que se vissem os monitores. Marge detestava lugares escuros e pequenos, aversão que adquirira graças a uma horrenda batida policial anos antes, quando fora obrigada a rastejar por um túnel para evacuar crianças de um culto e livrá-las de um maníaco homicida. Uma das coisas esplêndidas que resultaram dessa confusão fora sua filha adotiva, Vega. Oliver sabia desse ponto fraco e lhe deu uma batida tranquilizadora no ombro.

O chefe da segurança era um russo chamado Ivan Povich. Naquele momento, ele compartilhava a toca com um guarda uniformizado chamado Peter, que fitava continuamente os monitores e ainda não emitira nenhum som. Povich falava com um leve sotaque.

— Temos também uma sala de segurança menor em cada andar.

Marge estudava as imagens nas telas pessoas entrando e saindo. Isso a acalmava. —

— Mas é aqui que vocês monitoram todas as entradas e saídas do hospital.

— Sim disse Povich. E temos sempre alguém olhando para eles o tempo todo. Levamos — —

o trabalho a sério. Em geral, é o Peter.

Peter acenou.

— E quanto ao almoço e interrupções para ir ao banheiro? — perguntou Oliver.

— Quem está de serviço liga pedindo que alguém o renda antes de sair. Dessa maneira, temos sempre um par de olhos. Se tivesse havido um problema, alguém teria visto.

— Quem estava de serviço ontem de manhã? — perguntou Marge.

Peter acenou de novo.

— Há quanto tempo você trabalha aqui? perguntou-lhe Marge. —

— Desde sempre Povich respondeu. Ele é o meu melhor funcionário. Não tenho — — nenhum problema com qualquer dos meus homens e mulheres. Se tenho um problema, eles estão fora. Entregou uma caixa a Marge. Aqui estão as fitas cassete de ontem. Em geral, — — simplesmente as reutilizamos, mas já pus fitas novas nas câmeras, então vocês podem examiná-las com calma. Se precisarem de alguma coisa, peçam a Peter e ele fará a ligação para vocês. Antes que comecem, querem café ou água?

— Água seria ótimo — disse Marge.

— E você?

— Café, o mais forte que tiver.

— Sem problema. Sabem usar este equipamento?

— Tenho certeza de que podemos descobrir disse Oliver. —

— Se precisarem de ajuda, podem pedir a Peter.

— Ele fala? — perguntou Marge.

— Só quando tem alguma coisa a dizer.

Dez minutos mais tarde, os dois detetives olhavam para uma fita preto e branco. Tinham rebobinado a primeira fita para cerca de dez e meia da noite do domingo anterior, depois fizeram a fita avançar rapidamente. Porém, não tão depressa a ponto de deixarem de perceber as pessoas nela. Às 10h50, um Honda parou no estacionamento.

— O carro é esse disse Marge. —

Oliver reduziu a velocidade da fita para normal enquanto os dois observavam Adrianna sair do assento do motorista, seus olhos focalizados direto à sua frente até que sua imagem desapareceu de vista.

Rebobinaram a fita várias vezes para se assegurar de que não estavam deixando passar nada. Quando se convenceram de que tinham notado tudo que podia ser notado, deixaram a fita avançar, a imagem do Honda de Adrianna estacionado no meio do monitor.

À medida que a fita foi rolando, continuaram olhando... olhando... olhando.

 

* * *

 

Debra, da contabilidade, foi cooperativa, entregando os tíquetes de estacionamento assim que Decker explicou que a única coisa que desejavam era combinar cada número de placa no tíquete com um nome. Ele lhe assegurou que não estava interessado em nenhum dos hóspedes, exceto um — Chris Donatti, marido de Terry McLaughlin.

— Mesmo assim disse ela , eu ficaria agradecida se vocês não dissessem a ninguém onde — —

conseguiram a informação. Quando vão me devolver os tíquetes?

— Vou examiná-los o mais depressa que puder. Se você precisar de alguma coisa, trabalho na delegacia de West L.A. Posso voltar aqui rapidamente a qualquer momento.

— Obrigada, fico muito agradecida.

— Como eu poderia chegar às salas da manutenção e da arrumação? perguntou Decker. —

— Eu poderia dizer a vocês, mas será mais fácil se pedirem um mapa a Grace.

— Obrigado por sua ajuda.

— De nada. Eu diria que sempre vou poder ajudar, mas deixarei o trabalho daqui a algumas semanas disse Debra. Mas não se preocupem comigo. Meus filhos estão animados, meu — —

marido está animado, e minha mãe idosa está realmente animada. Ela sorriu. Minha antiga — — empregada e meu ex-personal trainer, que eram pagos com meu salário... nem tanto.

Enquanto eles caminhavam por caminhos arborizados, Eliza examinava o lote de tíquetes de estacionamento.

— Em alguns, não há números de placas.

— Provavelmente durante um momento de muito movimento e ele ficou um pouco descuidado. Decker deu de ombros. Não há nada que possamos fazer a esse respeito. — —

— Ei, tenente — Eliza estava entusiasmada. — Temos dois carimbos de hora por tíquete. Um da chegada e outro da saída. É uma grande sorte. Se encontrarmos o Lexus de Donatti, saberemos quando ele chegou e quando saiu.

— Se o atendente tiver sido esperto o bastante para marcá-lo como um Lexus com placas de papel.

— Se Donatti fosse fazer algo de errado, teria parado seu carro no estacionamento? Teria muito mais probabilidade de ser notado.

— A menos que tenha sido algo não planejado, embora Donatti não costume ser precipitado — disse Decker. Mas ele espancou sua mulher... usando apenas a mão aberta... fez questão de —

me dizer isso. Como se isso devesse me impressionar.

— Que canalha.

— Canalha e psicopata — disse Decker.

— Como está o garoto?

— Quieto... reservado. É difícil saber o que está pensando. Minha filha parece se dar muito bem com ele.

— Hum...

— Sim, pensei sobre isso disse Decker. Ele é um garoto bonito, mas ela tem 17 anos, tem — — um namorado e vai sair de casa dentro de alguns meses. Ele tem só 14 anos. Uma pausa. Se — — fosse uns dois anos mais velho, eu não o teria deixado ficar conosco.

— Genética, não é? Pecados do pai.

— Especialmente quando se trata da minha filha. Hannah é inteligente, mas ingênua. Não sei muito sobre Gabe, mas suspeito que seja muito mais esperto que ela.

Eles caminharam mais alguns momentos em silêncio até chegarem ao escritório da manutenção. A porta estava aberta e eles entraram. O espaço lá dentro era quente e confinado. Um homem moreno, à mesa, suava profusamente.

— Sim?

— Estamos procurando Gregory Zatch.

— Sou eu.

Decker apresentou seu distintivo e identificou os dois como detetives de homicídios.

— Homicídio? perguntou Zatch. Alguém foi morto? — —

— Alguém desapareceu explicou Eliza. Às vezes esses casos são atribuídos a nós. — — Estamos aqui porque, algumas semanas atrás, a manutenção foi chamada por causa de um problema no encanamento da suíte 229. Vazamento no banheiro. — Ela se abanou com um punhado de tíquetes de estacionamento. — Gostaríamos de saber quem atendeu à unidade.

— A pessoa desaparecida estava na 229? perguntou Zatch. —

— Sim.

— Há quanto tempo a pessoa está desaparecida?

— Desde domingo à noite disse Eliza. —

— Teresa McLaughlin disse Decker. Você chegou a conhecê-la? Soubemos que era uma — — moça amistosa.

Zatch pensou.

— Não me lembro.

— Ela tem um filho de 14 anos — disse Decker. — Não achamos que ela teria deixado o filho sozinho voluntariamente.

— Ah, o menino. Eu me lembro dele. Toca piano como um mestre. Sacudiu a cabeça. — —

Isso não parece promissor... ela estar desaparecida. E vocês acham que um de meus homens tem alguma coisa a ver com isso?

— Isto é rotina, sr. Zatch disse Decker. Estamos apenas checando quem entrou e saiu da — — suíte enquanto ela estava hospedada lá.

Zatch estava com uma expressão ressentida.

— Estão notando como está quente aqui dentro?

— Difícil não notar respondeu Eliza, continuando a se abanar. —

— A administração cortou o ar condicionado no escritório.

— Isso é péssimo.

— Eu me queixei. Dizem que se eu não estiver gostando das condições de trabalho, deveria ir embora. E sabem do que mais? A maioria foi embora. Estamos reduzidos a quatro... não, não quatro. Três homens. Um deles foi embora ontem de manhã. Isso significa que os sobreviventes solitários estão fazendo jornadas duplas. Nenhum de nós feriu essa senhora. Estamos ocupados demais atendendo a chamados.

— O sujeito que fez a manutenção do banheiro na suíte 229 foi embora?

— Tenho que verificar... qual foi a data do chamado?

— Não sei a data exata. O chamado foi há umas duas semanas.

— Qual é o número da unidade? — perguntou Zatch, com um suspiro. — Dois vinte e nove?

— Sim.

Ele consultou seus livros. Levou cerca de dez minutos para encontrar o chamado no livro de serviços.

— Foi Reffi Zabrib. Ele foi embora umas duas semanas atrás. A maioria das pessoas saiu naquela ocasião porque a nova administração ofereceu duas semanas adicionais de salário para quem saísse um mês antes do fechamento. A maioria dos meus homens pegou o dinheiro e começou a procurar novos empregos. Preciso do dinheiro e preciso de horas extras. Do contrário, teria ido embora também.

— Nesse caso, quem ficaria responsável pela manutenção?

— Ninguém, porque não há nada para manter. A única coisa que faço é atender ligações. Se alguma coisa quebra, fica quebrada, a menos que seja um cano importante. Nesse caso, chamo um bombeiro hidráulico. É estúpido... ficar aqui sentado recebendo ligações, vendo os problemas e não fazendo nada.

— Então seus homens estão ocupados, mas vocês não estão fazendo nada?

— Estamos ocupados atendendo telefonemas. Se for um problema simples, como conectar uma tevê, nós o consertamos. Se não, enrolamos e depois a recepção transfere os hóspedes para outro quarto. Apesar disso, temos que atender cada ligação que nos fazem. E como faz mais de três meses que nada é consertado, recebemos muitas ligações.

— Poderia nos dar o número de telefone dele, de todo modo?

— O número de telefone de quem? Do Reffi?

— Sim.

— Provavelmente ele voltou para a Europa, mas vou dar qualquer número que eu tenha.

— Muito obrigado. Você disse também que alguém foi embora ontem mesmo, de manhã?

— Sim. Eddie Booker. Saiu na última hora para ganhar suas semanas extras. Eu achava que ele precisava do dinheiro, mas ele disse que queria cair fora daqui. Não o culpo.

— Você poderia me dar o número dele também?

— Claro. Procurou numa lista, anotou os números e deu-os a Decker. —

— Obrigado. Pode me dizer quem estava trabalhando aqui no domingo?

— Não era eu. — Ele verificou os livros. — Era Booker. Ah, isso faz sentido. Ele completou seu turno, trabalhou a noite toda, e bateu o ponto na segunda-feira de manhã. Em seguida se demitiu. — Zatch olhou para Decker. — Eddie é um bom homem. Está casado há vinte anos e tem filhos. Frequenta a igreja.

Isso não significava nada. Mais de um serial killer tinha sido diácono. O que chamou a atenção de Decker foi o timing de Booker. Não só ele trabalhara na noite em que Terry havia desaparecido, como se demitira na manhã seguinte.

— Obrigado por sua ajuda disse Decker. —

— Não há de quê, detetive. Pelo menos faço alguma coisa útil além de suar.

 

O Honda de Adrianna permaneceu estacionado em seu lugar, sem ser perturbado, até que a hora indicada na fita chegou às 14h14 de segunda-feira o momento em que a jovem foi —

encontrada morta. Nesse ponto, Marge desligou o aparelho.

— Ela nunca chegou a ir até o carro.

Oliver levantou-se e espichou-se, piscando para umedecer os olhos secos.

— Ela poderia ter saído do hospital por uma porta diferente?

— Só há uma maneira de descobrir. — Marge mostrou as fitas.

— Que horas são?

— Quase cinco da tarde.

— Não deveríamos nos encontrar com Aaron Otis e Greg Reyburn?

— Tenho de checar minhas mensagens. Eles ficaram de me ligar quando chegassem à cidade. Meu celular está sem sinal aqui.

— Então eles poderiam ter ligado e você não teria ficado sabendo?

— Exatamente. Vamos fazer uma pausa. Vou checar meu telefone.

Assim que Marge se levantou, Povich voltou.

— Tiveram sorte?

— Examinamos toda a fita mais importante uma vez disse Oliver. Vimos Adrianna — — estacionar seu carro e entrar no hospital por volta de 10h45. Não a vimos voltar para seu carro nesta fita.

— Isto não significa que ela não tenha saído disse Marge. Mas agora precisamos checar — — todas as outras entradas e saídas do hospital. Isso vai tomar muito tempo. Seria útil se pudéssemos ver as fitas em nossa delegacia. Assim eu poderia encarregar muitas pessoas de examiná-las e avançar com isto num ritmo mais rápido.

— No fim das contas, o hospital terá que dar as fitas para nós disse Oliver. São — — evidências.

— Evidências de quê? — perguntou Povich. — Não houve nenhum crime aqui.

— Isso nós não sabemos — disse Marge. — Se verificarmos todas as outras fitas e a virmos talvez saindo por outra porta... isso não seria apenas útil para nossa investigação, como poderia inocentar o hospital de qualquer delito. Porém, como não a vimos sair, precisamos ver todas as fitas.

Povich tamborilou na mesa.

— Façam um intervalo disse. Vou ligar para a administração e ver se podem levar as — —

fitas. Mas há uma coisa. Se vocês forem vê-las na delegacia, quero estar lá. Nesse caso, acho que posso convencê-los a permitir.

— Sem problema. Marge apertou-lhe a mão. Você é bem-vindo. — —

— Sentiremos falta de Peter disse Oliver , mas teremos que prosseguir sem ele de alguma — — maneira.

Com os olhos colados no monitor, Peter fez um aceno.