Carrasco

Faye Kellerman · Capítulo 35 de 50

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Carrasco

Capítulo 35

 

ERA UMA HORA DA TARDE, MAS Yvette Jackson ainda estava de penhoar um empoeirado robe de —

cetim cor-de-rosa. Seu apartamento era uma quitinete bem decorada em estilo Old Hollywood. O sofá-cama estava coberto com um edredom de cetim cor-de-rosa e almofadas em forma de coração. Ela tinha também um sofá branco com encosto curvo com almofadas de seda e uma mesa de centro de vidro e cromo enfeitada com um vaso de lírios. Sua cozinha era minúscula. Sobre a bancada, via-se uma cafeteira elétrica solitária. Com seus olhos azuis, seu busto grande e seu cabelo louro-platinado, Yvette poderia ter sido a heroína de uma comédia maluca dos anos 1940. A não ser por seus olhos estarem avermelhados e sua expressão estar sombria.

— Obrigado por falar conosco — disse Oliver.

— Concordei antes de ficar sabendo. — Ela se deixou cair no sofá branco e puxou uma manta sobre o peito. — Telefonei e disse que estava doente. Não vou voltar àquele lugar até saber o que está acontecendo. Estou apavorada.

— Quem lhe contou sobre o assassinato de Crystal? Marge sacou seu bloco de anotações. —

— Um dos barmen… Joe Melon, que ficou sabendo por Jack Henry, um dos donos do Garage. — Ela enfiou a manta sob o queixo. Nesta altura, não sei o quanto seria prudente me envolver. —

— Não sabemos com quem estamos lidando disse Marge. Se isso tiver alguma coisa a ver — — com o Garage, quanto mais cedo obtivermos uma identificação, melhor será para todos nós.

— Acha realmente que é alguém do bar?

Marge evadiu-se à pergunta.

— Sabe se Crystal estava tendo algum problema com alguém do Garage?

— Um cliente ou alguém que trabalhasse lá?

— Qualquer dos dois, ambos disse Oliver. —

— Não que eu saiba. Yvette estava calma. Crystal não tinha muitos limites. Ela — — simpatizava com um cara e lhe servia drinques sem cobrar. Talvez alguém tenha levado isso a mal. Uma pausa. Não sei o que isso teria a ver com Adrianna. Ela não trabalhava lá. — —

Portanto, é possível que a morte delas não tenha tido nada a ver com o Garage.

— Com certeza — disse Oliver. — Crystal e Adrianna tinham vidas sociais muito ativas, que nada tinham a ver com o Garage.

— Tenho certeza de que elas tinham muitos amigos em comum — disse Yvette.

— E esse é o principal foco da investigação disse Marge. É por isso que, se pudermos — — tomar alguns minutos do seu tempo, eu gostaria de lhe mostrar uma série de fotos de alguns homens e lhe perguntar se algum deles parece familiar.

Ela se levantou do sofá.

— Eu poderia fazer um café antes?

— É claro.

— Gostariam de uma xícara? Fazer para três é tão fácil quanto para um.

— Eu não acharia ruim — disse Oliver.

— Muito bem. — Ela se arrastou para a cozinha. — É a única coisa que sei fazer. — Como se para confirmar a afirmação, abriu a geladeira, e a única coisa que se via lá dentro eram diferentes tipos de café e várias garrafas de água com gás. Ah, eu também tenho água. Querem um —

pouco?

Ela estava enrolando antes de dar uma olhada nas fotos. Mais alguns minutos não fariam diferença.

— Café está ótimo disse Marge. —

— Quão bem você conhecia Crystal? perguntou Oliver quando ela pegava o café e o filtro. —

— Éramos colegas de trabalho, não amigas. Ela encheu a máquina com água. Isto vai — — soar esnobe, mas o emprego para mim é só um emprego, uma maneira de ganhar dinheiro até que minha carreira de cantora decole. Ser uma recepcionista para Crystal... — Pegou três canecas e as pousou na bancada vazia da cozinha. — Para ela, era uma profissão. A melhor que podia ter. — Virou-se para os policiais. — Creme ou açúcar?

— Aceito um pouco de creme e Splenda, se você tiver disse Marge. Você conheceu — — muitos amigos de Crystal?

— Conheci Adrianna. E a amiga dela que era advogada. Uma mulher simpática. Não sei o que ela fazia andando com aquelas palhaças.

— E os amigos homens dela?

— Sim, conheci alguns... o único de que me lembro é Garth. — Yvette revirou os olhos. — Nada feio, mas um cara complicado.

— Como assim?

— Ele se acha o máximo. Quando ficou claro que eu não estava interessada em entrar para seu fã clube, ficou hostil... bem, talvez “hostil” seja uma palavra forte demais. Ficou irritado. Começou a se comportar como um cretino, gritando ordens como: “Ei, você pode trazer mais algumas castanhas aqui?” Ela deu de ombros. Mas ele era um cliente, e fui levando... como — — se não desse a mínima para o que ele pensa.

— Por acaso você viu Garth na noite em que Adrianna esteve no bar?

— Não que eu me lembre. Ela serviu o café, entregou uma caneca a cada um dos detetives e —

voltou a se sentar no sofá.

Marge tomou um gole de café e olhou à sua volta, procurando um descanso.

— Ponha na mesa disse Yvette. Não tenho descansos porque raramente sirvo alguém. — —

Não cozinho e há um café aqui perto. É minha segunda casa.

— Parece conveniente — disse-lhe Oliver. — Está pronta para ver as fotos?

— Acho que sim.

Marge lhe ofereceu a série que tinha composto naquela manhã. Havia seis homens com traços faciais semelhantes três em cima e três embaixo. Tinsley estava embaixo, do lado direito. —

Com relutância, Yvette pegou o cartão, seus olhos examinando as imagens. De repente, eles se arregalaram.

— Ai, meu Deus, é este. Seu dedo estava embaixo, à direita. Este é o cara com quem — — Adrianna estava conversando.

Marge e Oliver trocaram olhares.

— Tem certeza?

— Absoluta. Se você sabia, por que está perguntando a mim?

— Não sabíamos até que você nos dissesse — disse Oliver.

— Mas vocês o puseram aqui disse Yvette. Tinham de saber. — —

Marge encolheu os ombros, mas Yvette não estava engolindo aquilo. Suas mãos começaram a tremer.

— Ele me viu, sargento! Ele me viu e eu o servi. Agora eu o identifico. Tenho que ficar nervosa?

Fingindo displicência, Oliver sacudiu a cabeça.

— Não, vamos pegá-lo e conversar com ele. Sabemos onde encontrá-lo.

— Como sabem? Quem é esse sujeito?

— Isso é o que queremos descobrir.

 

Depois da visita ao médico, Rina levou Gabe para fazer compras. Ele insistiu em pagar e ela não fez objeção. Isso o deixou feliz. Rina tinha um dom de deixá-lo sentindo-se calmo, mas não asfixiado. Ela não tentava bancar a mãe dele. Deixava-o fazer suas próprias escolhas, mas quando ele tinha dúvidas, oferecia conselho. Tinha também um excelente senso de humor. Era meio parecida com aquela professora favorita, aquela de que todo mundo gosta. Quando terminaram, Gabe tinha duas sacolas de roupas e dois pares de tênis novos. Ela lhe disse que tinha coisas a fazer na escola, por isso deixou-o em casa, dando-lhe chaves que seriam dele próprio.

Ele foi para o quarto e começou a arrumar o armário de novo, esvaziando algumas prateleiras para suas poucas coisas. Não era como se estivesse se mudando para lá, mas estava tentando se sentir um pouco mais confortável. Depois, leu até sentir os olhos cansados. Tentou dormir, mas foi inútil. Entediado e solitário, pegou a guitarra, sabendo que não deveria estar dedilhando o braço de uma guitarra com a mão machucada.

“Que se dane... só uns momentinhos não vão fazer mal. Só não exagere”, disse a si mesmo. Comedimento... algo que nunca lhe faltou. Na verdade, precisava infundir em sua música tanto sentimento quanto proeza técnica. Isso era o que Lettech costumava lhe dizer.

Um trecho de música não lhe saía da cabeça, uma música que eles tinham ouvido no rádio. “Crossfire” — um blues imortalizado por Stevie Ray Vaughan. Ele gostava de Stevie Ray. Não só era um excelente guitarrista tecnicamente, tinha incrível bom gosto e podia extrair uma nota como ninguém. Gostava da maneira como Vaughan usava sua guitarra como uma resposta para seu canto, como se estivesse tendo uma conversa com o instrumento.

Ele tinha aumentado o volume do amplificador. O instrumento era uma porcaria, mas o amplificador era de uma qualidade decente e de certo modo compensava a eletrônica metálica da guitarra. Enquanto a música se repetia em sua cabeça, ele começou a copiar Stevie Ray nota por nota até que tinha os acompanhamentos para os vocais na perfeição. Agora só restava a questão do solo. Estava tão absorvido em sua música que não ouviu a porta se abrir. Quando levantou os olhos, dois rapazes na casa dos vinte estavam olhando para ele. Ele não sabia quem era aquele de cabelo louro-escuro, mas o cara de cabelo preto e olhos azuis era a imagem de Rina.

— Eu o conheço? perguntou o Cara. —

Cabelo Louro lançou um olhar para o Cara.

— Sou Sam, ele é Jake...

— Sim, moramos aqui disse Jake. —

— E você é... — disse Sam.

— Gabe Whitman. — Ele sabia que estava ruborizando. Levantou-se, desligou o amplificador e pôs o instrumento na cama.

— Desculpem-me por mexer com suas coisas.

— Está brincando? disse Jake. Minha guitarra nunca soou tão bem. Certamente não — —

quando eu a tocava. Você manda bem, garoto.

— Especialmente se comparado a nós acrescentou Sam. Esta família não tem uma gota — — de música no sangue.

Jake jogou sua mochila em sua cama e abriu o armário.

— Limpo e organizado. Olhou para as roupas de Gabe e levantou uma calça cargo. Com — — certeza não é o meu tamanho.

O menino continuava vermelho. — Vou tirar minhas coisas.

— Não, não precisa fazer isso — disse Jake. — A pergunta é: o que suas coisas estão fazendo aqui, para início de conversa?

— É uma longa história. A versão abreviada é que seus pais tiveram a bondade de me deixar ficar aqui.

— Há quanto tempo está aqui? perguntou Jake. —

— Uns cinco dias.

— E quanto tempo vai ficar?

— Isso ainda vai ser definido.

— Estamos apenas chegando para o fim de semana e saindo. Mantenha suas coisas onde estão e vamos nos virar.

— Hum, da última vez que contei, havia apenas duas camas — disse Jake.

— Posso dormir no sofá disse-lhe Gabe. —

— Yonkel, você sabe que há uma cama com rodinhas disse Sam. Podemos nos apertar — — por uns dois dias.

— Não vou dormir numa caminha disse Jake. —

— Eu durmo nela ofereceu-se Gabe. Ou posso lhes dar alguma privacidade e dormir no — — sofá. Ou posso dormir no chão.

— Bobagem — disse Sam. — Jake e eu vamos disputar a cama no cara ou coroa.

— Quê?

— Você sabe que Eema não vai deixá-lo dormir no sofá. Pare de adiar o inevitável. Pedra, papel e tesoura. Se não quiser jogar, é desclassificado e automaticamente dorme na cama de rodinhas.

— Desde quando você cria todas as regras?

— Yadda, yadda, yadda. Blá blá blá. Você está dentro ou fora?

Os dois rapazes sentaram-se na cama e jogaram pela primeira vez. O papel de Jake perdeu para a tesoura de Sam.

— Duas em três — disse-lhe Jake.

— Está brincando.

— Vamos lá.

Da vez seguinte, a pedra de Jake perdeu para o papel de Sam.

— Merda. Três em cinco.

— Vou dormir na cama de rodinhas insistiu Gabe. Na verdade, vocês não precisam se — — incomodar. Vou passar o fim de semana na casa da minha tia. Isso não é problema.

— Quem é a sua tia?

— Quem é a minha tia?

— Que espécie de pergunta é essa? — disse Sam a Jake.

— É uma pergunta razoável. Pode ser que ela seja uma bandida, e é por isso que ele não está na casa dela.

— O nome dela é Melissa e ela não é uma bandida.

— Então por que você não está na casa dela? perguntou Jake. —

— Yonkel, você está tentando torturar o garoto ou é só intrometido?

— Ambos.

Gabe continuava vermelho.

— Ela vai passar o fim de semana em Palm Springs com um grupo de amigas. Convidou-me para ir, mas dei uma desculpa para não ir.

— Por quê?

— Por quê? Ela e as amigas gostam de uma farra. Tenho 14 anos.

— E o problema é...

— Por mais tentador que pareça, não é para mim.

— Quantos anos tem a sua tia?

— Tem 21.

— É bonitinha?

— É muito bonitinha.

— Tive uma grande ideia disse Jake. Por que você não fica aqui e eu vou com Melissa? — —

Sammy bateu no irmão.

— Ajude-me a afastar a luminária e a mesa de cabeceira.

— Farei isso. — Gabe tirou a luminária da tomada e levantou a mesa com o objeto ainda sobre ela. — Onde devo colocar isso?

— Ponha-a no canto disse Sammy. Vamos puxar esse treco. — —

Os dois irmãos se curvaram e deram um puxão na cama de rodinhas enfiada debaixo de uma das camas. Quando liberaram o equipamento, a estrutura e o colchão saltaram para fora com violência.

— Relativamente limpa disse Jake, passando a mão por cima. —

— Pegue os lençóis disse Sammy. —

— Você pega os lençóis disse-lhe Jake. —

— Eu aluguei o carro, você pega os lençóis.

Gabe não conseguiu se conter. Simplesmente caiu na risada — era a primeira vez em mais de dois meses que se sentia bem.

— Olhem, sei fazer uma cama. Onde estão os lençóis?

— Vou pegá-los resmungou Jake, e saiu irritado. —

— Eu sei disse Sammy. Somos ridículos. Vou casar e me formar na escola de medicina — —

daqui a dois meses e ele é formado em neurociência. Voltamos para casa e temos dez e doze anos de novo. Adivinhe quem é o mais velho.

— Não há dúvida sobre isso disse Gabe. Onde você estuda medicina? — —

— Na Einstein. É em Nova York.

— Eu sei. Sou de Nova York. Minha mãe é médica.

— Qual é a especialidade dela?

— Medicina de emergência. O que você vai fazer?

— Radiologia. Você tem interesse por medicina?

— Não, obrigado. Não quero nada que tenha a ver com pessoas.

Sam riu.

— Isso elimina muitos trabalhos.

— Não música.

— Verdade, Jake não estava mentindo. Você parecia realmente profissional com aquela coisa.

— Na verdade, sou pianista. Hã... isso soa pretensioso. Meu principal instrumento é o piano.

— Não temos piano.

— Eu sei. Acho que sua mãe talvez esteja conseguindo um emprestado para mim.

— Então você vai ficar aqui por algum tempo?

— Realmente não sei — disse Gabe, sentindo seu rosto ficar quente. — Seus pais são pessoas muito bacanas.

— Na verdade, são joias.

Jake entrou e jogou os lençóis no peito de Gabe. Ele os apanhou e pôs-se a arrumar a cama.

— Ele é pianista disse Sammy. —

— Verdade? perguntou Jake. E você é mesmo bom? — —

— Não sou ruim disse Gabe, dando de ombros. —

Jake se esparramou na cama.

— Falando sério, garoto, o que está fazendo aqui?

Gabe parou.

— Minha mãe está desaparecida e seu pai está cuidando do caso. — Ninguém falou. — Seu pai acha que meu pai pode tê-la matado. Não acho que ele fez isso. Seu pai quer falar com o meu, e meu pai não está se mostrando acessível.

— Nossa disse Jake. Perdão por ter perguntado. — —

— É confuso, mas estou acostumado com isso.

— Então como você veio parar aqui... com meus pais? perguntou Sammy. —

— Minha mãe conhecia seu pai desde que era adolescente. Então quando nós dois viemos para a Califórnia, ela me deu o número do celular dele para o caso de uma emergência. Quando minha mãe não voltou para casa domingo passado, liguei para ele. Era tarde da noite, e eu não tinha nenhum lugar para onde ir, por isso ele me trouxe para sua casa. Eles estão me deixando ficar aqui até que um dos meus pais apareça, ou ambos. Meu pai sabe com certeza que estou aqui. Suspeito que minha mãe esteja viva e saiba que estou aqui também.

— E morar com sua tia?

— Gosto da Melissa, mas ela não tem os mesmos padrões de limpeza que eu. Tenho realmente muita dificuldade em viver num ambiente bagunçado.

— Outro compulsivo. Jake fez um high-five com Gabe. Quem sabe você pode dar uma — — ajuda à nossa irmã? Não consigo entrar no quarto dela.

— Nem eu disse Gabe. Ele me deixa ansioso. — —

— Vamos sair para comer uma pizza. Quer vir?

Gabe estava com fome, mas declinou.

— Estou bem. Vou desfazer a bagagem de vocês, se quiserem.

— Ninguém toca nas minhas coisas — disse Jake.

— Desculpe — disse Gabe. — Não vou mais tocar sua guitarra.

— Estou zoando você. Jake pulou da cama. Pode ficar com a guitarra. Verdade. Não a — — toco mais. Nunca a toquei muito, para início de conversa. Venha conosco, garoto. Ele golpeou —

Gabe suavemente em seu estômago vazio. Acho que algumas calorias extras não vão lhe fazer —

mal.

Gabe sentiu sua pele se aquecendo.

— Obrigado. Posso perguntar por que você está aqui?

— Além do fato de que moro aqui?

— Viemos para fazer uma surpresa para nosso pai — disse Sammy.

— Tecnicamente, ele é nosso padrasto. Mas depois de suportar toda a trabalheira que lhe dei, ganhou o título de pai.

— O tenente vai fazer sessenta anos no domingo disse Sammy. Estamos fazendo uma — — surpresa para ele, nossa mãe e irmã. Temos um enorme jantar planejado hoje na delegacia, às sete horas. Só quem sabe disso é nossa meia-irmã e o marido dela.

— Cindy e Koby, certo?

— Você certamente está se sentindo em casa nesse pouco tempo disse Jake. Já que está — — aqui, pode nos ajudar a pegar a comida.

— Encomendamos o suficiente para alimentar a delegacia inteira. Vamos pegar tudo às cinco horas. Que horas são?

— Duas e meia — disse Gabe, checando seu relógio.

— Alguma ideia de onde está a nossa mãe? perguntou Jake. —

— Acho que está na escola. Ela disse que estaria em casa por volta das quatro.

— Perfeito disse Jake. Deveremos estar em casa na hora certa. Você vem conosco para a — —

pizza ou não?

— Claro. Obrigado. Gabe pegou a carteira e enfiou-a na calça. Isso é legal. Eu não sabia — — que o tenente estava tão perto dos sessenta.

Por outro lado, por que cargas d’água ele deveria saber?

Estava sempre se esquecendo de que era um estranho.