Carrasco

Faye Kellerman · Capítulo 26 de 50

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Carrasco

Capítulo 26

 

— ELA NÃO ESTÁ ATENDENDO SEU CELULAR, nem a campainha de sua porta disse Marge a Decker, —

ao telefone.

— Onde ela mora?

— Em um apartamento a cerca de três quilômetros do hospital.

— Ela tem o direito de não estar em casa às cinco da tarde. Talvez tenha saído para jantar cedo e desligado o telefone. Decker fez uma pausa. Está quente lá fora. Você está farejando algo — — estranho?

— Só uma sutil sugestão de urina de gato do lado de fora da porta.

— Consegue ver alguma coisa do interior?

— As persianas estão fechadas. Não há marcas de arrombamento na porta da frente ou nas janelas.

— Deixem seu cartão — disse Decker. — Se não tiverem notícia dela dentro de duas horas, podem voltar.

— Oliver e eu estamos voltando ao Garage. Vamos jantar por lá.

— Vão interrogar Crystal Larabee novamente?

— Fazer isso e procurar o homem misterioso com quem Adrianna estava conversando. Talvez alguém se lembre dele.

— Está um pouco cedo para os frequentadores do bar observou Decker. —

— Esse é o objetivo disse Marge. Quanto mais cedo chegarmos, mais provável será de — —

encontrarmos cérebros que ainda não tenham sido destruídos pelo álcool.

 

Quando os dois acabaram de guardar todas as cadeiras e limpar a sala, o Volvo de Hannah era o único carro num estacionamento pouco iluminado que ficava em frente à escola, do outro lado da rua. Ela sacudiu suas chaves.

— Tenho de trancar o portão. — Tentou encontrar a chave certa pelo tato. — Cara, estou cansada.

— Você é a presidente — disse-lhe Gabe. — Não pode arrumar um ajudante para guardar as cadeiras?

— Sim, provavelmente eu devia ter feito isso no início do ano.

Os dois esperaram junto ao semáforo. Quando ficou verde, atravessaram a rua.

— Que horas são? perguntou-lhe Gabe. —

— Sete e meia. Eu deveria ligar para casa. Meus pais vão começar a ficar preocupados. Vou fazer isso do carro. Só quero ir embora daqui.

Ela andou até o portão de ferro batido e lhe deu um empurrão, esforçando-se para fazê-lo deslizar pelo trilho.

— Pode me ajudar a encaixar isto no trilho?

— Não deveríamos fazer isso depois de tirar o carro?

— Quero apenas encaixar o portão no trilho primeiro.

Gabe enfiou sua pasta embaixo do braço e disse:

— Você tira o carro. Eu vou...

E foi nesse instante que ele ouviu o barulho e sentiu alguma coisa nas costelas antes de ver realmente a pequena figura sombreada à sua direita. Uma voz agourenta falava com ele, enquanto tentava agarrar sua pasta.

Mas Gabe realmente não ouviu o que a figura estava lhe dizendo. Tudo que conseguiu perceber foi que sua insignificante vida resumida em documentos oficiais e contas bancárias ——

lhe estava sendo arrancada. Portanto, ele não apenas não tinha pais como também não tinha identidade. Porque substituir tudo que fora roubado exigiria entrar em contato com Chris e explicar ao pai por que permitira que um filho da puta lhe arrebatasse a pasta.

Ele pensou em tudo isso numa fração de segundo, enquanto batia sua pasta no topo da cabeça do assaltante ao mesmo tempo em que o derrubava com o joelho, fazendo o que quer que estivesse cutucando suas costelas deslizar para o chão. Enquanto chutava aquilo com o calcanhar esquerdo, lançando-o nos arbustos atrás de si, Gabe esmurrava socando, socando, socando até —

a figura estar de joelhos, chorando e suplicando.

Mas ele realmente não ouvia os apelos.

O que ouviu foi Hannah gritando: “Pare, pare, pare!”

Os gritos dela de repente o trouxeram de volta a si, focando sua atenção novamente no presente. De imediato, ele sentiu uma dor latejante na mão esquerda e amaldiçoou a própria estupidez. Soltou a camisa do assaltante, que se afastou de quatro para depois se levantar e sair correndo.

A mão de Gabe estava esfolada e molhada. Ele agitou os dedos. Nada quebrado.

Deus era um ser benevolente desta vez. —

Hannah ainda gritava. Ele tentou projetar sua voz acima da histeria dela.

— Está tudo bem, tudo bem, tudo bem.

— Você está louco! — ela gritou.

Ele se sentiu confuso. Em sua cabeça, acabara de fazer uma boa coisa. Por que ela continuava gritando com ele?

— Ele estava com uma arma nas minhas costelas.

— Ele estava com uma arma? Estava com uma arma? Você podia ter sido morto!

— Mas não fui, está bem? Ele continuava segurando a mão. Nada quebrado, mas cara, —

como doía. Estou bem. —

— Você está bem? — ela gritou. — Está bem? Você não está bem! Está louco!

— Eu devia ter simplesmente deixado o filho da puta me roubar?

— Exatamente. Por que não lhe entregou a maldita pasta?

— Porque não quis!

A desculpa soou esfarrapada até para seus próprios ouvidos. E apenas pelo mais breve instante, pensou em lhe fazer uma confidência. Que tinha se encontrado com o pai na tarde da véspera, que Chris lhe dera toda essa merda suas contas bancárias, seus cheques, seus —

documentos, seu passaporte — e que ele tinha se esquecido de tirá-los da pasta porque era um idiota. E porque tinha sido idiota, teria de falar com Chris e admitir que um vagabundo o assaltara. E ele não seria capaz de olhar seu pai nos olhos novamente. Era melhor morrer que enfrentar desprezo. Quis lhe dizer isso. Mas não podia confessar sem trair o pai.

Teria simplesmente de esperar mais uns dois dias.

Para ele, a porra de uma promessa era a porra de uma promessa.

— Você não quis? — gritou Hannah. — E vale a pena morrer por causa disso?

— Ela é minha. Por que eu deveria dá-la para ele?

— O que tem dentro dela de tão valioso para que você arrisque sua vida por ela?

— Nada de mais. Apenas minha partitura.

— Você é completamente maluco! disse Hannah com repugnância na voz. —

— Você está berrando com a pessoa errada! — A gritaria dela começava a irritá-lo. — Não assaltei ninguém, ele assaltou. E se quero me arriscar e deixar que me matem é problema meu!

— Ah! — Ela bufou. — Você é totalmente louco!

— Pare de me chamar de louco. Você não deveria estar com raiva de mim!

— Ao contrário, você é exatamente a pessoa com quem devo ficar furiosa. Você quase se deixou matar por causa de uma pasta idiota cheia de partituras. E se ele tivesse tentado atirar em mim?

— Foi por isso que o detive...

— E ainda por cima, parece que você arrebentou as mãos. Como isso é estúpido!

— Sabe, já tenho merda suficiente na minha vida para você ficar me dizendo que eu sou estúpido, certo? — Ele lhe deu um tchau. — Foda-se tudo isto! Vou cair fora daqui!

Ele avançou pela rua no escuro sem saber onde estava ou para onde ia. Ouviu-a correndo atrás dele. Ela o agarrou pelo braço.

— Vamos para casa.

— Você vai para casa, Hannah. Ele continuava andando. Veja, você tem uma casa. No — — momento, sou um sem-teto, lembra?

— Gabe, pare, pare! Ela lhe deu um puxão no braço. Pare de andar! Agora ela estava — — — chorando.

Ele parou de andar e gemeu.

Mais uma mulher ridícula, chorando, que não sabia se controlar. Sua mãe, sempre que estava desesperada, caía no choro. Sua tia era uma doida completa, sempre chorando por alguma coisa real ou imaginária. Às vezes era mais fácil lidar com a fúria do seu pai que com a histeria da sua mãe.

Estava escuro e ele estava faminto. Se fosse partir para ficar sozinho, imaginou que seria melhor fazer isso de estômago cheio.

— Tudo bem, Hannah. Vamos voltar para sua casa e ver seus pais e comer seu jantar que foi preparado pela sua mãe!

— Pare de fazer com que eu me sinta culpada! gritou ela. —

— Pare de gritar!

Num acesso de raiva, Hannah rumou para o carro, mas Gabe hesitou.

— Quero procurar a arma. É uma má ideia deixá-la para alguma criança ou outro filho da puta encontrar.

Hannah parou.

— Boa ideia. Vou ajudar você.

— Não, eu vou fazer isso. Você liga o carro e acende os faróis dianteiros direcionados para os arbustos para eu poder enxergar, certo?

Ela atendeu aos pedidos do menino. Quando percebeu que ele estava demorando, saiu do carro e ajudou-o a procurar. Ficaram ambos de joelhos no chão, movendo-se no mato que fedia a lixo, comida podre e excremento de cachorro. Parecia certamente asqueroso tocar em alguma coisa.

— Talvez não fosse uma arma, Gabe. Talvez ele tenha apontado para você com aqueles hashis nojentos ali.

— Não eram hashis, era uma arma.

— E você sabe qual é a sensação que uma arma provoca?

— Seria melhor você acreditar.

Ela não disse nada. Às vezes era melhor não levar a conversa adiante. Alguns minutos depois, Hannah viu alguma coisa cintilar.

— Que é aquilo?

— Onde?

— Debaixo daquele arbusto, à direita do pacote do McDonald’s.

Gabe deitou de bruços e se arrastou sob um arbusto.

— Bom olho. Entre no carro. Vou pegar.

— Vou esperar com você.

— Hannah, caso ela dispare, você não deveria estar por perto. Apenas vá para o carro, está bem?

— Vou ficar de longe, mas não vou deixar você aqui sozinho. — Já era ruim o suficiente receber ordens do seu pai; ela não estava disposta a suportar a insolência de um garoto três anos mais novo.

— Tudo bem, apenas saia do caminho. — Gabe estendeu cuidadosamente a mão esquerda sob o arbusto. Evidentemente, ele tinha espinhos. Seus dedos eram normalmente muito longos, mas o inchaço os transformara em salsichas. Finalmente, eles envolveram a coronha da arma e a puxaram de baixo do arbusto. Ele se levantou e retirou cuidadosamente o pente.

— Semiautomática de nove milímetros. Isso não é nenhum hashi, querida. Guardou a arma —

na pasta, depois tentou fechar o portão e recuou.

— Eu faço isso disse Hannah. —

— É pesado.

— Se estiver no trilho, consigo deslizá-lo. Apenas tome cuidado com sua mão. Ela fechou o —

portão, trancou-o, instalou-se no assento do motorista e ligou o motor. Sinto muito ter —

gritado com você. Tinha lágrimas nos olhos. Fiquei apavorada. — —

— Esqueça isso. Desculpe-me se deixei você apavorada.

— Você foi mais assustador que o assaltante. — Ela pegou a pista. — Meu Deus, pensei que você ia matar o cara.

— Antes ele do que eu.

— Sem dúvida. Onde está a arma?

— Na minha pasta.

— Vamos entregá-la ao meu pai. Talvez ele consiga descobrir a quem pertence. Deixe que eu conto para ele o que aconteceu. Não quero que ele tenha um ataque. Posso lidar com a situação com mais calma.

— Você pode lidar com a situação com mais calma? — perguntou Gabe.

— Estou mais calma agora.

Os minutos seguintes transcorreram em silêncio.

— Seu pai não teria deixado que o assaltassem. — afirmou Gabe.

— Meu pai é policial há cerca de quarenta anos.

— Isso não importa. Ou você é esse tipo de pessoa ou não é.

— Ótimo. Você é um super-herói.

— Jesus Cristo, não estou dizendo isso...

— Apenas me deixe contar para meu pai, está bem?

— Faça o que bem entender. É seu pai. Sou apenas um estranho abandonado.

— Pare de fazer com que eu me sinta mal.

— Não estou fazendo. Mas realmente estava. Ele expirou. Acho que vou ligar para — — minha tia e ficar com ela este fim de semana. Eu deveria visitá-la, de qualquer maneira.

Hannah não discutiu.

— Como estão as suas mãos?

— A esquerda está me matando. Ele levantou os olhos. Derrubei o cara de primeira. — — Não precisava tê-lo esmurrado tanto. Foi estupidez.

— Você é canhoto?

— Destro, mas simplesmente pareceu mais fácil acertá-lo com a mão esquerda. Na verdade, provavelmente isso foi uma boa coisa.

— Vamos passar numa loja de conveniência. Vou comprar um saco de gelo para você.

— Eu compro. Você fica no carro.

Ela parou no estacionamento. Ele saiu e cinco minutos depois estava de volta carregando um saco de gelo de dois quilos e meio. Depois de se sentar, ele o rasgou e enfiou a mão esquerda na água gelada, mantendo-a lá até que ficasse quase entorpecida. Em seguida, retirou-a e repetiu a operação.

— Não quebrei nada. Está apenas um pouco dolorida.

— Isso é bom.

Mais silêncio até chegarem em casa. Ambos saíram do carro. Ela abriu a porta e Gabe entrou primeiro. Decker estava sentado no sofá lendo o jornal.

— Você está chegando tarde em casa. Olhou para a mão de Gabe e o saco de gelo. Que — — aconteceu com você?

O menino não respondeu, indo direto para seu quarto temporário.

— Não surte, está bem? Disse Hannah. —

Rina entrou na sala de estar. O que está acontecendo? —

— Estamos bem... Eu estou bem — disse Hannah. — Tentaram nos assaltar.

— Ai, meu Deus! — Rina correu e abraçou a filha.

— Você está machucada?

— Não, estou bem.

Decker levantou-se.

— Você ligou para 911?

— Não.

— Por que não?

— O cara fugiu...

— Mesmo assim você devia ter ligado para 911. Devia ter ligado para mim.

— Abba, estava tudo bem, então...

— Não está tudo bem. Ele não está bem censurou Decker. Está obviamente machucado. — — Você deveria ter me ligado imediatamente. O que estava pensando?

— Você poderia, por favor, não gritar comigo? Hannah caiu em pranto. —

— Está tudo bem, Chanelah — falou Rina suavemente. — Você está bem. Está em segurança.

Decker desabou no sofá e estendeu as mãos para a filha.

— Você está certa. Agora não é hora. Venha se sentar, querida. Por favor. — Hannah sentou-se entre os pais. — Pode me contar o que aconteceu?

— Eu nem sei o que aconteceu. Hannah enxugou as lágrimas na blusa. Gabe e eu — — estávamos fechando o portão do estacionamento...

— Por que vocês estavam fechando o portão? quis saber Decker. —

— Porque fomos os últimos a sair da escola.

— Não é sua responsabilidade trancar disse Decker. Vou ligar para a escola... — —

— Abba, não!

— O que você quer dizer com não?

— Peter, você poderia simplesmente deixá-la terminar? perguntou Rina. —

Decker apertou e desapertou as mãos.

— Desculpe-me. Continue. Vocês estavam fechando o portão.

— Estávamos fechando o portão. Quando vi, Gabe estava em cima desse cara, esmurrando-o sem parar. Não sei exatamente o que aconteceu depois.

— O que aconteceu depois?

— Gabe disse que o cara tentou roubar sua pasta. Ele reagiu. É um garoto brigão.

Rina e Peter se entreolharam.

— Foi assim que ele machucou a mão? — perguntou Decker.

Hannah assentiu.

— Então o sujeito não estava armado? perguntou Decker. —

— Hã, ele estava armado. Ele colocou a arma nas costelas de Gabe.

— Ele estava armado e Gabe o atacou?

— Sim, bem idiota, não é? Ele devia simplesmente ter entregado a pasta ao cara. Tudo aconteceu tão depressa. Foi realmente apavorante. Mas não grite com ele. Já gritei o bastante por nós dois. Ele está se sentindo muito idiota neste momento.

— Deveria mesmo se sentir idiota — exclamou Decker.

Hannah não disse nada.

Rina olhou para o marido.

— O que devemos fazer?

— O que você quer dizer? perguntou Hannah. —

— Ela quer dizer que a reação estúpida dele poderia ter provocado a morte de vocês dois.

— Ele apenas... reagiu de maneira exagerada. Vocês sabem como é quando adrenalina entra em ação. Para dizer a verdade, Abba, posso ver você fazendo a mesma coisa.

— Sou um policial treinado, Hannah.

— Aposto que você faria isso mesmo se não fosse.

Decker não respondeu a essa afirmação.

— Você é a advogada de defesa dele, de repente?

Mais uma vez, Hannah sentiu que sua melhor opção era não dizer nada.

— O que devemos fazer? perguntou Decker, voltando-se para a mulher. —

— Por que não conversamos com ele e perguntamos o que aconteceu?

— Não estou nem um pouco a fim de uma sessão de terapia. Nós o deixamos ficar ou o mandamos para a tia e lavamos nossas mãos de toda esta confusão?

— Está com medo de que ele seja violento? — perguntou Rina.

— Isso passou pela minha cabeça. Não sabemos coisa alguma sobre ele, a não ser que tem a genética ruim do pai.

— Ele não é violento — disse Hannah.

— Você acabou de dizer que ele espancou o cara.

— Ele espancou o assaltante, não me espancou. Pelo amor de Deus, talvez ele tenha salvado a minha vida. Ele não é impulsivo. Na verdade, está bastante magoado. E qualquer um estaria, se considerar as circunstâncias pelas quais passou. Não posso dizer a vocês o que fazer, mas vocês sabem que ele está basicamente sem teto.

— Ele tem parentes, Hannah, mas isso não vem ao caso disse Rina. Devemos punir um — — garoto por agir de maneira altruísta...?

— De maneira estúpida disse Decker. —

— Talvez, mas talvez não. Não sabemos o que aconteceu. E talvez no círculo dele as pessoas devam lutar para não levarem um chute na bunda dos amigos ou do pai.

— Não quando há uma arma envolvida — disse Decker.

— Sabem... Hannah se interrompeu. —

— O quê? perguntou Decker. —

— Nada.

— Diga-me, Hannah. Preciso saber tudo para poder tomar uma decisão sensata.

— Fomos procurar a arma depois. Gabe não quis deixá-la por lá para o caso de o assaltante retornar.

— Tecnicamente, era um ladrão.

— Tanto faz, Abba. Gabe não quis deixar a arma por lá para evitar que uma criança pequena que estivesse brincando nos arbustos a encontrasse.

— Bem, isso foi inteligente disse Rina. —

— Não estou impressionado disse Decker. —

— Seja como for, estávamos procurando a arma no chão e achei um par de hashis. Eu disse então, de brincadeira, que talvez o assaltante tivesse apontado hashis contra ele. Gabe respondeu que não eram hashis, que a sensação tinha sido a de uma arma. Então perguntei se ele sabia qual era a sensação provocada por uma arma. E ele disse: “Seria melhor você acreditar.”

Ninguém falou por um momento.

— Como se ele tivesse experiência com armas disse Hannah. Então talvez tenha sido por — — isso que reagiu. Talvez armas não deixem Gabe com tanto medo.

— Esse é o problema, Hannah. Armas deveriam deixá-lo com medo. — Decker bufou. — Mas conhecendo o pai dele, há verdade no que você disse. Tem certeza de que você está bem?

— Estou ótima.

— Onde está arma? — perguntou Decker.

— Gabe ficou com ela.

— Bem, primeiro, o mais importante. Decker levantou-se. Vou tirar a arma das mãos — — dele.