Carrasco
Capítulo 33
ERA A PRIMEIRA VEZ QUE RINA via o menino demonstrar livremente sua emoção. Pena que fosse ansiedade. Seus olhos se dilataram e sua respiração se acelerou. Seu olhar estava em Nicholas Mark.
— Vocês estavam me ouvindo? — Ele olhou para Rina. — Vocês armaram isso?
— Armaram o quê? — ela perguntou.
— Ninguém armou nada. Eu estava aqui por acaso para que minha mão fosse examinada — disse-lhe Mark. O dr. Birenbaum me convidou para ouvir. —
— Posso fazer melhor que isso. Isso foi muito rúim!
— Ruim corrigiu Rina. —
— Rúim. Ruim. Posso fazer melhor que isso. Juro que posso. Minha mão está prejudicada. Não que eu esteja me desculpando. É só que sei que posso fazer melhor...
— Relaxe. — Mark pôs a mão no ombro do menino.
— Sei que errei. Não estava na minha melhor forma de maneira alguma...
— Desculpe minha ignorância, mas você é pianista? perguntou Rina. —
— Nicholas Mark não só é um pianista renomado, mas está na vanguarda da composição moderna para piano respondeu Birenbaum. —
— Isso é ótimo disse Rina. Estamos procurando um professor de piano... — —
— Hã, não acho que o sr. Mark precise ser incomodado com nossos problemas triviais — disse o menino entre dentes.
— Relaxe. — Mark pôs a mão no ombro de Gabe novamente. — Está tudo bem. Respire fundo.
Gabe assentiu com a cabeça, aspirou profundamente e soltou o ar.
— Melhor?
— Estou bem. De repente o menino sentiu-se ridículo por estar tão nervoso. Estou legal. — —
— Bom. Em primeiro lugar, com quem você estudou?
Depois que Gabe desfiou meia dúzia de nomes, Mark perguntou:
— O que aconteceu? Você estava sempre superando os professores?
— Sim, isso aconteceu. E eu dependia de certo modo dos caprichos dos meus pais para o transporte, porque não morávamos na cidade... em Manhattan. Sou do Leste. Morávamos a cerca trinta minutos de distância, no subúrbio.
Mark olhou para Rina.
— Qual é o parentesco entre vocês?
— Não somos parentes disse Gabe. Sou um enjeitado... — —
— Você não é um enjeitado disse Rina. Os pais dele estão inacessíveis no momento. Ele — — está hospedado com minha família. Quando machucou a mão, pensei em Matt. Frequentamos a mesma sinagoga e ele é o melhor.
— Você me faz corar — disse Birenbaum. — Mas não demais.
— Você é o melhor — disse Mark, com um sorriso. E virando-se para Rina: — Quanto tempo Gabe vai passar com vocês?
— Isso depende dele e dos pais dele. No que depender de mim, ele pode certamente ficar morando com minha família, especialmente se isso significar ter o professor que ele quer.
— Onde estão seus pais?
Gabe ficou vermelho como um pimentão, mas Rina estava muito calma.
— Isso está em questão neste momento. Não sabemos onde os pais dele estão, mas eles sabem que Gabe está hospedado conosco. Profissionalmente, o que você pode fazer por ele?
O menino bateu as mãos sobre o rosto. Mark sorriu.
— Eu disse relaxe, está bem? Não é um pré-requisito da cidadania americana saber quem eu sou. — Virou-se para Rina. — O que posso fazer por ele... é... isto. Quero que ambos saibam... que não estou procurando alunos. Com meu ensino na universidade, minha composição, e minhas idas e vindas todo fim de semana entre Los Angeles e Santa Fé, não tenho muito tempo livre.
— Posso me mudar para Santa Fé — Gabe deixou escapar.
— Você não vai se mudar para lugar nenhum — disse Rina.
Novamente, Mark riu.
— Tenho uma lista de espera de um quilômetro e jogá-lo para o topo não seria justo.
— É claro disse Rina Talvez possa recomendar alguém? — —
— Espere um minuto. Eu disse que seria injusto... se eu decidisse tomá-lo em definitivo. Mas como isso parece ser uma situação temporária, estaria disposto a vê-lo para algumas aulas.
— Seria realmente gentil da sua parte.
— Este é o trato, Gabe — disse Mark. — Não exijo de uma pessoa cem por cento de perfeição. Mas exijo... cem por cento de dedicação. Se eu arranjar um tempo para você, é melhor estar preparado. — Ele puxou seu Blackberry. — Posso vê-lo uma vez... Não, vamos combinar duas vezes por semana... às dez da manhã na USC. Não tenho nenhuma outra hora. Não sei se isso afeta sua vida escolar.
— Podemos dar um jeito nisso. Quais dias?
— Que tal... terça-feira e... se eu mudar isto e transferir este compromisso ali... Ele —
dedilhou o aparelho. Vamos tentar às segundas e terças às dez horas... em ponto. —
— Eu leciono disse Rina. Tenho de estar na escola às nove... — —
— Posso ir de ônibus — disse Gabe.
Rina ignorou-o.
— Meu marido ou eu vamos deixá-lo cedo. Tenho certeza de que ele poderá arranjar alguma coisa para fazer.
— É uma universidade com um grande departamento de música disse Mark. Há salas de — — prática. Ele olhou para Gabe. Você não dirige ou não tem um carro? — —
— Ele é muito novo — disse-lhe Rina. — Vai fazer 15 anos em junho.
— Mais jovem do que pensei. Melhor ainda. Que tipo de piano você tem?
— Não temos um piano disse Rina. Tem uma recomendação? — —
— Um bom piano custa dezenas de milhares de dólares.
— Isso seria muito caro disse Rina. —
— Vou ver se posso emprestar a vocês alguma coisa da universidade respondeu-lhe Mark. —
— Mas nada de tocar até que sua mão fique completamente curada e até que o dr. Birenbaum libere você.
— Deve levar cerca de uma semana até que todas as contusões desapareçam — disse-lhe o médico.
— Então vamos marcar nossa primeira aula para daqui a uma semana, se você ainda estiver por aqui. Ele colocou alguns dados no Blackberry. Que estudos você conhece? — —
— Todos os dez Estudos de Chopin, alguns dos 25 e alguns dos Transcendentais de Lizt. Tenho as partituras para estes e aqueles que não sei de cor.
— Leve-as com você. Vamos começar com isso. Ele lhe ofereceu um cartão de visitas. — —
Você fez um bom trabalho com “La Campanella”, mas certamente quero que deixe isso de lado até que façamos alguns dos estudos. Ligue na noite anterior, se não puder ir.
Gabe pegou o cartão. Estava radiante.
— Muito obrigado, sr. Mark, por essa oportunidade.
— De todos os seus professores... o único que conheço é Ivan Lettech. Vou dar uma ligada para ele. Alguma coisa que queira me dizer antes que eu fale com ele?
— Ele me deu aula por quase um ano. Acho que correu bem. Ele me disse que eu precisava me inscrever em mais concursos importantes para me tornar conhecido.
— Fez isso?
— Hã, a situação da família nessa época tornou isso um pouco difícil. Mas estou mais velho e as coisas estão melhores. Ou talvez não melhores. Talvez mais estáveis. Bem, não sei se “estável” é a palavra certa. Estou divagando?
— Um pouco disse Rina. Qualquer orientação de que ele precise será bem-vinda. — —
— Sem problema.
Gabe baixou os olhos.
— Acho que o sr. Lettech ficou zangado quando fui embora para a Califórnia. — Seus olhos foram para o rosto de Mark. — Se falar com ele, por favor, diga novamente que a mudança não foi ideia minha.
O homem mascarado com o açoite não era Aaron Otis. As tatuagens, por menores que fossem, não batiam. Aaron continuou estudando as fotos.
— Não é o Greg, disso eu tenho certeza. Poderia ser o Garth. Realmente não consigo distinguir as tatuagens. Você poderia ampliar as fotos?
Decker deu as fotografias para Marge.
— Peça alguém para escanear isto para o computador e ver se podemos conseguir uma imagem maior. Depois que ela saiu da sala, Decker perguntou: Reconhece a moça? — —
— Não se parece com a Adrianna.
— Acha que poderia reconhecê-la se ampliássemos seu rosto?
Aaron sacudiu a cabeça.
— Sinceramente, tenente, ela não parece conhecida. O rapaz levantou uma sobrancelha. — —
É uma pena. Parece que ela poderia ser divertida.
Decker não viu a graça em dois cadáveres e uma mulher desaparecida. Continuou com uma expressão inalterada e Aaron ficou vermelho.
— Desculpe.
— E não teve notícia nenhuma de Garth?
— Nada. Eu lhe diria se tivesse. Gosto do Garth, mas, se ele estiver envolvido em algo ruim, não quero fazer parte disso.
Oliver entrou.
— Posso falar com você por um instante, tenente?
Decker pediu licença. Os dois homens conversaram do lado de fora da sala de interrogatório.
— Marge ainda está escaneando as fotografias — disse Oliver. — Greg Reyburn entrou na delegacia há uns cinco minutos. Eu o pus na sala número três. Quer falar com ele ou devo fazer isso?
— Você pode fazer isso.
Oliver pegou seu bloco de anotações e leu de uma lista: descobrir onde ele esteve nas últimas 24 horas, checar o álibi, perguntar-lhe de novo sobre Garth e a excursão deles para acampar, mostrar-lhe as fotografias encontradas no apartamento de Mandy, pedir-lhe para identificar as tatuagens e finalmente perguntar sobre Mandy Kowalski.
— Mais alguma coisa?
— Isso mais ou menos abrange tudo. Aaron afirma que não reconhece Mandy na foto como alguém que conheça ou tenha visto por aí.
— Acha que está mentindo?
— Ele tem cooperado. Claramente não é o homem mascarado, mas poderia ter feito as fotos. Ele até fez uma piada sobre isso. Disse que era uma pena que não a conhecesse. Ela parece muito divertida.
— Golpe de aro — disse Oliver, imitando um baterista batendo num címbalo.
— De fato, foi uma piada inoportuna e de mau gosto. Aaron precisa renovar suas piadas.
Greg Reyburn olhou para as fotos ampliadas com olhos cansados, orlados de vermelho.
— Essa cobra subindo pelo braço dele com as asas... parece o símbolo médico.
— O caduceu disse Oliver. —
— Isso, o Garth tem uma igualzinha. Reyburn passou os dedos por seus cachos pretos e fez —
uma careta. Não sou nenhum puritano. Gosto de me divertir como todo mundo. Posso me ver —
fazendo algo parecido com isso talvez uma ou duas vezes... tipo, se eu estivesse caindo de bêbado, mas não acho que tiraria fotos de mim mesmo agindo como um imbecil, por mais bêbado que estivesse.
Oliver assentiu com a cabeça.
— Sabe se Garth já brincou de se fantasiar antes?
— Se esse for o Garth. Muita gente poderia ter esse cadu... como foi que você chamou isso?
— Caduceu.
— Tenho certeza de que é uma tatuagem comum entre os médicos.
Oliver não tinha conhecido muitos médicos tatuados na vida, mas quem sabe em meio ao grupo mais jovem. Havia um mundo novo lá fora.
— Você reconhece alguma das outras tatuagens?
— Bem... Reyburn passou os olhos nas fotos de novo. Esta. Apontou para uma viúva-— — — negra em sua teia. Ele tem esta também. —
— Então vamos supor que seja Garth — disse Oliver. — E quanto à moça?
— Não consigo reconhecer — disse Reyburn, dando de ombros.
— Nunca a encontrou numa das festas de Garth e Adrianna?
— Talvez. Ele devolveu as fotografias para Oliver. Eles com certeza faziam muitas — — festas, recebiam umas pessoas estranhas. Não me lembro de nenhuma menina usando uma coleira com tachas pontudas e um bustiê, mas não dei uma olhada em todo mundo.
Oliver deu as fotos para Greg.
— Olhe para elas mais uma vez.
Reyburn cooperou. Uma pose o homem mascarado montado nas costas da mulher atraiu — —
sua atenção.
— Talvez sim, talvez não. Isto é o máximo que posso dizer neste momento.
— Alguma ideia de quem tirou as fotos?
— Não eu.
— Que tal Adrianna ou Crystal?
— Eu estaria adivinhando. Ele sacudiu a cabeça. Posso ir agora? Estou bem fodido neste — — momento. Crystal e eu éramos amigos, você sabe.
— O quanto eram próximos?
— Se fizemos sexo? Sim, fizemos. Seus olhos ficaram úmidos e ele tentou disfarçar —
esfregando-os. — Crystal era um espírito livre.
— A liberdade dela inclui Garth?
— Provavelmente.
— Provavelmente ou sem dúvida?
— Sem dúvida. Lembro-me uma vez... quando Garth estava completamente bêbado... Acho que ele sugeriu uma farrinha a três com ela.
— E?
— Essa não era a minha. Ele parou. Pelo menos não com ele. Talvez se fosse Adrianna e — — Crystal, mas não Garth e Crystal.
— Vamos voltar a Adrianna. Você transou com ela alguma vez?
Greg sacudiu a cabeça.
— Não... não que eu teria negado se a situação surgisse, mas nunca pintou uma oportunidade.
— Aaron transou com ela.
— Bom para ele — disse Reyburn, dando de ombros. — Eu não.
— Como Garth se sentia com relação a Aaron estar transando com Adrianna?
— Nunca conversei com ele sobre isso. Coçou o rosto, que estava com a barba por fazer. —
Estava com espinhas na testa e no queixo. Garth sabia que Adrianna dava para todo mundo. E —
Adrianna sabia que Garth comia todo mundo. E ambos tinham um pouco de ciúme um do outro. Por que continuavam juntos é um grande ponto de interrogação.
— Soube que Adrianna dava a Garth dinheiro para jogar e que era por isso que ele continuava com ela.
— Sim, ela dava uns duzentos dólares para ele aqui e ali.
— O que ele fazia com isso?
— Levava para Las Vegas — respondeu Reyburn, encolhendo os ombros.
— Ouvi dizer que ele gastava muito mais com mulheres do que com jogo.
— É possível. Garth gostava de uma xoxota.
— Então talvez seja por isso que ele continuava com Adrianna. Ela lhe dava dinheiro. — Quando os olhos de Greg moveram-se de um lado para outro, Oliver perguntou: — O que é?
Reyburn levantou as mãos para cima.
— Vai pensar que estive escondendo isto de você... mas acabei de pensar em uma coisa. É possível que Adrianna não fosse a única que estava dando uma grana para Garth.
— Continue.
— Eu digo que é possível porque nunca acreditei realmente em Garth. Reyburn suspirou. —
— Então o lance é o seguinte. Uma vez, quando estava bêbado, Garth contou para mim e para o Aaron que ele tinha umas duas coroas em Las Vegas que lhe davam dinheiro. Muito mais dinheiro que Adrianna. Era por isso que ele ia para lá com tanta frequência.
— Certo disse Oliver. Essas mulheres têm nomes? — —
— Ele nunca me disse os nomes. Só mencionou isso uma vez, e quando estava mamado, e isso foi mais de um ano atrás. Aaron e eu concluímos que era papo furado. Não sei por que pensei nisso agora... talvez porque você disse que Adrianna lhe dava dinheiro.
— Ele lhe contou alguma coisa sobre as mulheres?
Reyburn correu as mãos pelo cabelo novamente.
— Disse-nos que as mulheres eram casadas com mafiosos, e quando os maridos estão fora, ele transava com elas por dinheiro. A gente tentou arrancar detalhes dele, mas ele disse que não podia nos dizer mais nada. Que isso tudo era muito secreto e que, se os maridos delas descobrissem, ele seria morto. Foi aí que concluímos que a história toda era mentira. A gente podia imaginar Garth fodendo mulheres... podia imaginar Garth fodendo mulheres que lhe davam dinheiro. Mas toda aquela história de máfia... Ah, pera lá! Você é uma porra de um técnico de radiologia, Garth. Ponha-se no seu lugar.
— Então vocês não acreditaram nele.
— Não na história da máfia. Garth dizia uma porção de bobagens quando ficava bêbado. Ele... enfeitava as coisas. Mas quem não diz besteira quando está alto?
— Onde vocês se hospedavam quando iam a Las Vegas?
— Garth ia muito mais do que nós. Quando íamos juntos, ficávamos no Luxor ou no MGM. Eles eram um pouco mais baratos, mas eram na Strip, a seção do Las Vegas Boulevard onde ficam os cassinos.
— E você não tem nenhuma ideia de quem são essas mulheres?
— Não sei nem se elas são reais.
— Você me dá licença um momento?
— Posso ir embora agora?
— Greg, acho que seria melhor se você ficasse um pouquinho mais. Até que eu fale com a moça com quem você estava ontem à noite. Ela é seu álibi.
— Depois posso ir?
— Uma coisa de cada vez. Quer mais café ou um refrigerante ou alguma coisa para comer?
— Quero ir para casa e ir dormir.
“Você e todos nós”, pensou Oliver.
— Volto em um minuto. Espere um pouco, está bem?
A resposta de Reyburn foi um pesaroso balançar de cabeça. Oliver saiu da sala de interrogatório e foi à procura de Marge. Não a encontrando, rumou para a sala do tenente. Decker estava ao telefone, mas fez um sinal para Oliver entrar. Um minuto depois, desligou.
— Era Sela Graydon. Ela e Kathy Blanc virão à delegacia amanhã. Isso vai ser realmente um horror.
— Por que elas virão?
— Para uma atualização sobre os acontecimentos recentes, para chorar no meu ombro, para gritar comigo, para amaldiçoar o mundo: escolha qualquer uma ou todas as opções acima. — Ele bufou. — Que houve?
— Aaron ainda está aqui?
— Não, nós o soltamos uns vinte minutos atrás.
— Droga.
— O que está acontecendo? Devemos chamá-lo de volta?
— Eu gostaria de falar com ele. — Oliver lhe contou a história de Reyburn sobre Garth e suas coroas. — Parece-me fantasioso, mas me deu a ideia de que talvez Garth esteja escondido em Las Vegas. Talvez ele e Mandy estejam criando vidas novas para si como sr. e sra. Dominador/Dominadora, qualquer coisa assim.
— Fale com o Departamento de Polícia Metropolitana de Las Vegas.
— Ou Marge e eu podemos fazer uma viagenzinha para o leste.
— Mesmo que façam isso, ainda precisam entrar em contato com a polícia local.
— O que acha da história? perguntou Oliver. —
— Aprendi com o passar dos anos a guardar meu julgamento disse Decker, sacudindo os —
ombros.
Wanda Bontemps deu uma batida no batente.
— Estou com Eddie Booker na linha dois.
— Quem? perguntou Decker. —
— Ele só disse isso. É Eddie Booker e está retornando sua ligação.
— Minha ligação? — Ele pegou o telefone. — Tenente Decker falando.
— Olá, tenente. Eddie Booker. Minha sogra disse que você me ligou uns dois dias atrás e queria falar comigo.
Decker estava tentando se lembrar. Por sorte, Booker o ajudou.
— Eu teria ligado mais cedo, mas não havia nenhum meio de comunicação no navio.
Navio... cruzeiro... o funcionário da manutenção no hotel onde Terry estava hospedada.
— Sim, sr. Booker, muito obrigado por ligar de volta. Aguarde um minuto. Ele se virou —
para Oliver. Encontre Aaron Otis e veja se ele confirma a conversa. Depois ligue para a —
Metropolitana de Las Vegas e veremos sobre mandar você e Marge até lá. Tenho que atender este telefonema.
Oliver assentiu com a cabeça e saiu.
Decker disse a Booker por que ligara.
— Em prol de um serviço completo, estamos entrevistando todas as pessoas que estavam trabalhando no hotel na noite em que a sra. McLaughlin desapareceu. Pelo que sabemos, você estava de serviço aquela noite e saiu... na verdade se demitiu no dia seguinte.
Silêncio na linha.
— Sabemos que o hotel ofereceu incentivos a todos que fossem embora mais cedo.
— Sim, eles ofereceram.
— E foi por isso que você decidiu deixar seu emprego?
Mais uma vez, houve silêncio.
— Gostaríamos de conversar com você… verificar se você viu a sra. McLaughlin ou quem sabe ouviu algo de incomum.
Houve uma terceira pausa.
— Talvez seja melhor que você venha até a delegacia. Como você mora no Valley, acho que estou mais perto de você que a West L.A. Poderia chegar aqui em uma hora?
A voz de Booker estava trêmula quando ele se decidiu a falar.
— Não sabia que a sra. McLaughlin tinha desaparecido na segunda-feira.
— Desde domingo à noite, na verdade.
— Ninguém me contou.
— Então agora você sabe. Estamos pedindo a ajuda de todos.
— Eu sabia que devia ter dito alguma coisa.
— Sobre o quê?
O homem não respondeu. Decker estava ali sentado, cheio de ansiedade e frustração.
— Que tal se eu fosse à sua casa e conversássemos aí?
— Não, vou até aí.
— Ótimo. Quando?
— Onde está? Devonshire?
— Sim, senhor.
— Eu poderia chegar em meia hora.
— Estarei aqui. Obrigado por sua ajuda.
— Ela parecia bem. disse Booker. Juro que ela estava bem quando a deixei. — —
— Tenho certeza de que estava bem. Talvez ainda esteja disse Decker, em tom —
tranquilizador. Estamos apenas juntando algumas peças. É por isso que estamos pedindo a sua —
ajuda...
— E quanto ao menino? perguntou Booker. Ela tem um filho. — —
Decker riu consigo mesmo.
— A única coisa que posso lhe dizer com certeza é que o menino está bem.