Carrasco
Capítulo 37
ENQUANTO MARGE EXAMINAVA O TELEFONE DE Tinsley, Decker voltou à sala de interrogatório e sentou-se à mesa.
— Sobre o que você e Adrianna conversaram?
Ele deu um suspiro.
— Uma coisa e outra. Tivemos empatia mútua.
— Empatia?
— Isso, empatia. Nem sei o que estou dizendo. Tinsley fez uma pausa. Falamos sobre — — muita coisa.
— Pode ser mais específico?
— Falei sobre meu trabalho... Como eu gostava de trabalhar com minhas mãos e ver que realmente tinha feito alguma coisa no fim do dia.
Decker assentiu com a cabeça.
— Ela disse que realmente gostava do trabalho dela pela mesma razão... que sentia que estava fazendo uma coisa importante. — Ele tentou organizar seus pensamentos. — Ela disse que seu trabalho era realmente estressante... cuidar de bebês doentes. — Mais uma pausa. — Ah... agora me lembro. Disse alguma coisa sobre seu trabalho ser mais estressante porque ela estava pulando fora de um relacionamento estressante. Mas continuava tendo de trabalhar com o cara.
— Ela mencionou o nome do homem?
— Não... só que ele trabalhava no mesmo lugar que ela. Eles não estavam sempre topando um com o outro, mas isso era suficiente para que fosse constrangedor quando eles brigavam.
— Entendi disse Decker. —
— Sim, sim, estou lembrando. Tinsley estava ficando excitado. Ela disse estava prestes a — — se libertar. Precisava apenas de uma desculpa.
— Que resposta você deu para isso?
— Acho que disse alguma coisa boba como... espero ser sua desculpa. Ela riu. — Ele pareceu pensativo. Ela tinha uma risada gostosa. Era uma moça linda. Passei por um momento —
agradável. Ele deixou a testa cair sobre as mãos. Vê-la daquele jeito... pensar naquilo ainda — — me deixa nauseado.
Os sentimentos do homem podiam ser legítimos, mas isso não significava que ele não a matara.
— Chuck, você tem duas opções neste momento.
— Isso não me soa bem.
— Posso fichá-lo por adulteração de evidência material e obstrução da justiça ou não farei nada por enquanto, se você concordar em dar um tempo aqui na delegacia até que possamos verificar seu telefone e obter uma linha do tempo dos lugares onde esteve no dia do assassinato.
— Isso é uma escolha? De qualquer maneira, estou aqui.
— Está aqui, mas não está preso.
Tinsley pensou sobre isso.
— Quanto tempo acha que isso vai levar?
— Pode levar a maior parte da noite. Posso lhe conseguir alguma coisa para jantar, se estiver com fome. A resposta de Tinsley foi um dar de ombros. Onde você achou o cartão de — — visitas que deu a Adrianna?
— No bolso dela.
— E agora está na gaveta de sua mesa de cabeceira?
— Na última vez que olhei, estava.
Decker perguntou a si mesmo por que simplesmente não o jogara fora. Talvez o tivesse guardado como um troféu.
— Você se importaria se entrássemos em seu apartamento para pegar o cartão? Poderia haver evidência forense nele.
— Como o meu DNA ou minhas digitais?
— Você pegou nele, então ambas as coisas são uma possibilidade.
— Sim, vão pegar o cartão. Talvez isso me ajude.
— Enquanto estivermos em seu apartamento, você se incomoda se dermos uma olhada? — perguntou Decker.
— Para quê?
— Saberemos disso quando o virmos.
— Tenho uns cinquenta gramas na gaveta de baixo da minha cômoda. Ele jogou as mãos —
para cima. Não sei por que acabo de lhe contar isto. Devo estar com disposição para me —
confessar, depois de todos esses anos como católico não praticante.
— Se uns cinquenta gramas são o pior que há por lá, você estará bem. Então é sim ou não?
Tinsley enfiou a mão no bolso e lhe deu as chaves.
— Fique à vontade. Talvez possa ser um amigão e lavar os pratos enquanto estiver lá.
— Talvez não. Há um alarme no seu apartamento?
— Não, não tenho lá muita coisa para se roubar. Só uma tevê de tela plana. Mas tenho o pacote de esportes. Os Lakers vão jogar hoje à noite. Quando voltar, não me diga o placar. Vai estar gravado. Vou assistir quando chegar em casa… seja lá quando for.
Como em qualquer coisa coreografada, a precisão era tudo. A comida chegou dez minutos depois que Decker voltou para a sala de interrogatório com Tinsley. Todos fizeram a sua parte para arrumar as coisas e tudo estava pronto para o tenente exatamente quando o interrogatório estava terminando. Quando Decker saiu da sala, foi atacado por um estrondoso “surpresa” por membros da sua família e amigos. Totalmente desorientado, olhou em volta e viu o que todos tinham feito para seu aniversário. Rina avançou e abraçou-o:
— Feliz aniversário, tenente.
Decker percebeu, com um arquejo, que seus filhos estavam presentes.
— O que vocês estão fazendo aqui, caras?
— Vou a qualquer lugar por uma boca livre. Jacob o abraçou com força. Feliz — — aniversário, pai.
Sammy foi o seguinte.
— Feliz aniversário, pai. — Deu-lhe um abraço de urso. — Que você chegue aos 120 anos.
— Bem, nesse caso acho que estou no meio do caminho. — Risos à sua volta. Decker continuava atordoado. Tudo isso é para mim? —
— Não, é para Chuck Tinsley disse Marge. —
— A propósito, ele quer um hambúrguer.
— Vai ter de se contentar com carne em conserva no pão de centeio.
— Carne em conserva lhe dá náuseas. Tente peru.
Mais uma rodada de risos. Marge bateu palmas para conseguir a atenção de todos.
— O tempo está passando e alguns de nós têm trabalho para fazer. A boia está servida, então, ataquem.
Decker passou os vinte minutos seguintes apertando mãos, abraçando os familiares e aceitando os parabéns pelo seu aniversário , enquanto seus colegas de trabalho formavam uma longa fila para o bufê improvisado. Havia travessas de frango assado, carne em conserva, pastrami, peru defumado, mortadela, salada de batata, salada de repolho, fígado picado, azeitonas e picles, cebolas e tomates, e cestas de pão fatiado — centeio e chalá.
Decker virou-se para Rina.
— Como vocês planejaram isso sem que eu soubesse?
— Não planejei. Os meninos e Cindy fizeram tudo. O que não consigo entender é como fizeram isso sem que eu soubesse.
— Você devia ter visto a expressão na cara delas quando nos viu disse Sammy. Eema — — estava engraçada, mas Hannah estava impagável.
— Eu meio que pirei quando os vi. — Hannah apoiou a cabeça no braço de Sammy.
— Como vai a Rachel, Sam?
— Estudando para os exames finais. Ela mandou seus cumprimentos.
— Ilana mandou seus cumprimentos, também disse Jacob. Ela realmente queria vir, mas — — também tem provas finais.
— Da próxima vez disse Decker. Vocês vão ficar durante o fim de semana? Claro que — —
vão.
— Até puxamos a cama de rodinhas, porque parece que fomos suplantados por um modelo mais novo. Quando Gabe ficou vermelho, ele acrescentou: Vá comer um pouco de carne em — — conserva, garoto. Precisa de um pouco de proteína.
— Ainda estou cheio com a pizza.
— Bem, então vá fazer um sanduíche para mim. Estou com fome.
— Com licença? disse Rina Foi assim que ensinei você a falar com convidados? — —
— Ele não é um convidado, é um intruso.
— Tudo bem — Gabe sorriu timidamente. — Que tipo de sanduíche você quer?
— Pastrami e peru defumado no pão de centeio, mostarda, sem maionese, e todos os acompanhamentos.
— Entendi. Gabe virou-se para se preparar para o ataque ao bufê. —
Quando ele se afastou, Jacob disse:
— Garoto simpático. Pelo que entendi, está enfrentando uns problemas.
— Todos nós não estamos? Decker abraçou os filhos. Obrigado, Yonkel. Obrigado, — — Shmueli. Nunca esquecerei este dia.
— Eu amo você, velho disse-lhe Jacob. Agora posso ganhar o carro? — —
Cindy aproximou-se do pai, mastigando uma coxa de frango. Beijou-o no rosto.
— Feliz aniversário, papai. Você merece tudo isto e muito mais.
— Amo você, princesa. — Ele beijou a filha no rosto, dando uma olhada para o seu abdome, que florescera numa bela saliência. — Como está se sentindo?
— Estou sempre faminta por volta desta hora.
— Quando é o grande dia? perguntou Jake. —
— Natal ou Ano Novo... alguma coisa por aí respondeu Cindy. —
— Você não sabe a data prevista? — disse Jake, rindo.
— Não prestei muita atenção depois que o teste deu positivo. — Cindy desarrumou o cabelo do meio-irmão, depois deu outra mordida no frango. — Hum, isto está bom. Koby, pode me conseguir outra coxa?
Koby terminou seu peru no pão de centeio e limpou as mãos num guardanapo.
— Sem problema. Estou pronto para uma segunda rodada, de qualquer maneira. Alguém mais quer alguma coisa?
— Vou querer mais um sanduíche disse Sammy. —
— Hannah? perguntou Koby. —
— Peru defumado no pão de centeio.
— Rina?
— O mesmo que Hannah.
— Tenente?
— Estou bem.
— Mas você não comeu nada disse Rina. —
— Ainda estou tentando entender como tudo isto aconteceu.
— Você tenta entender — disse Koby. — Eu pego a comida.
— Vai sobrar muita coisa — anunciou Rina. — Vocês têm de tirar toda essa comida das minhas mãos.
— Por que não comemos isso no Shabbos? Assim você não precisa cozinhar disse Sammy. —
— Esta é praticamente a primeira vez em anos que toda a minha família vai estar reunida — disse Rina. Você acha sinceramente que vou lhes servir frios no Sabá? —
— Que tal se deixarmos os rapazes e as moças que trabalham aqui levarem a comida para suas famílias? — perguntou Decker.
— Acho que seria uma excelente ideia — disse Rina.
— Portanto, se os frios estão vetados para o jantar, podemos fazer uma votação para costelas de carneiro? disse Jacob. Ao ponto com vagem e purê de alho? — —
— Alguma coisa mais, Yonkel? disse Rina, revirando os olhos. —
— Uma bela torta de maçã nunca faz mal a ninguém.
Koby trouxe uma coxa de frango para Cindy, que ela devorou toda em quatro mordidas.
— Amo todos vocês, mas não podemos ficar. Ambos temos de voltar ao trabalho.
— Espere — disse Sammy. — Vocês têm de ficar aqui para o bolo.
— Um bolo? — perguntou Decker. — Vocês não vão realmente cantar “Parabéns” para mim, não é? Virou-se para Rina em busca de ajuda. Não os deixe fazer isso. — —
— A decisão não é minha.
Decker estava ficando desesperado.
— Preciso voltar ao trabalho. Tenho um possível suspeito de assassinato sentado na sala de interrogatório perguntando a si mesmo o que está acontecendo.
— Na verdade, acabei de dar uma olhada nele — disse Oliver. — Está muito feliz com seu peru defumado no pão de centeio.
— Vá pegar o bolo, Yonkel.
— Você pega o bolo.
— Eu vou pegar o bolo disse Marge. E, virando-se para Oliver: Vamos, detetive, vamos — — deixar o tenente constrangido.
Foi trazido o bolo, que mais parecia um maçarico do que um doce. Havia sessenta velas enfiadas no glacê de chocolate. Decker armou-se de coragem para a provação, enquanto toda a sala da patrulha irrompia numa desafinada execução de “Parabéns a você”. O que o salvou, em sua opinião, foi ter sido capaz de soprar todas as velas de uma só vez. Quando Rina estava cortando o bolo, Decker puxou Marge para um canto.
— Como andam as coisas com o telefone de Tinsley?
— Bem, Chuck fez de fato algumas chamadas naquela segunda-feira durante o tempo em que supostamente estava almoçando no Ranger’s. Tenho alguém checando nas torres para ver de onde partiram as ligações e depois vamos fazer o inverso.
— A torre de celular para o Ranger’s é a mesma que para a obra dos Grossman?
— Estou checando isso também.
— Tinsley nos deu permissão para pegar o cartão de visitas que ele tirou do corpo de Adrianna e também para revistar a casa.
— Bom trabalho, Rabino. Agora sei por que você é o chefão.
— Sabe, realmente preciso dar andamento a isso. Não vou poder continuar detendo o rapaz para sempre.
— Não, Pete, você precisa ficar aqui com os convidados da festa. Oliver e eu vamos ao apartamento de Tinsley. Marge estendeu a mão. As chaves, por favor? — —
— Você não está tentando me poupar, está?
— Há um tempo para cada estação. — Ela bateu a mão no ombro de Decker. — Este é seu tempo, tenente.
Uma busca na casa de Tinsley revelou o cartão de visitas na mesa de cabeceira, uma pequena quantidade de erva barata, e, mais importante aos olhos dos detetives, um saco de joias femininas. Tinsley jurou que as bugigangas eram de sua falecida mãe, mas Decker sabia que assassinos muitas vezes guardavam troféus. Ele precisava se certificar de que nenhuma das joias pertencia a Adrianna Blanc e isso significava chamar Kathy Blanc e lhe perguntar se podia identificar alguma peça. A manhã do dia seguinte seria infernal.
Tinsley foi checado no sistema local — nunca fora procurado, nenhum mandado fora expedido , depois suas digitais foram submetidas ao sistema de identificação de digitais. Nada —
apareceu. Decker colheu amostra da saliva com cotonete para exame de DNA. Agora ele enfrentava um dilema. Podia prender Tinsley com base em acusações pouco importantes, garantindo assim que não teria mais nenhuma cooperação de sua parte. Ou podia deixá-lo ir embora da delegacia, mantendo com isso as linhas de comunicação abertas. Decker optou por soltá-lo, mantendo Tinsley na sua mira e designando um carro de polícia para manter o homem sob vigilância.
Tanto o Ranger’s (a delicatessen onde Tinsley comeu) quanto a obra dos Grossman (o lugar onde ele trabalhava) usavam a mesma torre para celulares, portanto, não conseguiram checar as informações. A segunda melhor opção e longe de ser ótima era ir à delicatessen e ver se — — alguém conseguia afirmar que Tinsley esteve lá na segunda-feira ao meio-dia e meia para almoçar.
Passava de uma da manhã quando Decker terminou a papelada e foi para casa. Ele ainda estava alvoroçado com sua festa, mas isso era neutralizado pelo dia cheio que, ele sabia, teria no dia seguinte. Esperava ter um pouco de solidão antes de cair no sono. A casa estava silenciosa quando abriu a porta, iluminada por uma única lâmpada na sala de estar. Esperava encontrar Rina lendo, mas era Gabe enrolado em cobertores.
— O que está fazendo de pé tão tarde?
O menino tirou os óculos e pôs o livro de lado.
— Estava realmente apertado com nós três no quarto, por isso me ofereci para dormir no sofá.
— Gentil da sua parte, mas você não está dormindo.
— Não, não tenho feito muito isso ultimamente.
— Como vai a sua mão?
— Vai ficar boa. Ele esfregou os braços. Foi um golpe de sorte... machucar a mão. Eu — — nunca teria conseguido uma audição com Nicholas Mark. Ele tem uma lista de espera para alunos que vai até a lua.
— Você deve tê-lo impressionado.
— Não sei como. Cometi erros. Provavelmente menos do que se soubesse que ele estaria ouvindo. — Puxou os joelhos até o queixo. — Posso falar com você um minuto?
— Claro. Decker sentou-se. O que há? — —
— Você sabe que realmente falei com o Chris na terça-feira. Eu estava relutante em contar tudo a você porque prometi a ele que só lhe contaria sobre a conversa depois de três dias. Ele queria tempo para sair de Los Angeles.
Decker fez uma pausa.
— E foi isso que ele disse? Que precisava de tempo para sair de Los Angeles?
— Mais ou menos. Você provavelmente acha que ele foi se esconder. Acho que estava tentando se desvencilhar de você para poder encontrar minha mãe sem você o chateando.
Decker ficou em silêncio.
— Seja como for. Você pode olhar minhas coisas. Todos os registros bancários e telefônicos. Não me importo. Cumpri a promessa que fiz a ele e minha consciência está limpa. Talvez agora eu consiga adormecer.
— Por falar nesse assunto... conversei com um funcionário da manutenção do hotel hoje. Ele tinha muita coisa a dizer sobre sua mãe e seu pai.
— Você está se referindo à briga?
— Então você sabe dela.
— O Chris me contou. Ele disse que foi feia. Disse que você iria descobrir sobre a briga. Jurou para mim que minha mãe estava viva quando saiu.
— E você acredita nele?
— Sim, acredito. O Chris me contou também que ofereceu algum dinheiro ao cara, e ele aceitou. Então quão confiável ele era, se aceitou suborno?
— O cara se sentiu culpado por isso. Ele me devolveu o dinheiro. Acho que o relato dele é bastante confiável. Decker escolheu as palavras com cuidado. Mas me disse algumas coisas — — sobre sua mãe que me levam a me perguntar se Chris está dizendo a verdade ou não. O funcionário da manutenção disse que sua mãe parecia mais furiosa que amedrontada quando ele os interrompeu.
— Furiosa ou perturbada?
— Furiosa, como se estivesse com raiva, que foi a palavra que ele usou. Sua mãe ficou com raiva do cara por ele ter se intrometido na discussão deles. E parece ter sido uma briga feia. Ele ouviu seu pai chamar sua mãe de putinha mentirosa e ouviu sua mãe chamar seu pai de maluco e paranoico. O que estou tentando dizer é que ele não achou que sua mãe parecia amedrontada.
— Isso é estranho... — Gabe lambeu os lábios. — O Chris estava com a impressão de que a tinha deixado apavorada.
— Ele disse isso a você?
Gabe assentiu com a cabeça.
— Interessante — disse Decker. — Porque... estou exatamente me perguntando se... talvez de todos esses anos... sua mãe aprendeu como enganar as pessoas. Em minha opinião, seria muito mais provável que Chris a deixasse em paz se ela parecesse apavorada, em vez de enfurecida.
Gabe ficou em silêncio.
— Eu realmente gostaria de conversar com seu pai. Estou dividido quanto à sua culpa ou inocência e me ajudaria ouvir o ponto de vista dele. Se você pudesse ligar para ele e pedir para vir apenas para conversar... talvez se submeter ao teste do polígrafo, em que provavelmente conseguiria passar, mesmo que tivesse assassinado sua mãe. Decker pensou por um momento. —
— Se Chris não tiver feito nada com ela, quero me concentrar em outras pistas. E se ela tiver desaparecido por vontade própria... Como indo para a Índia com um médico rico. Bem, — — seria bom não desperdiçar recursos do departamento na procura por pessoas que não querem ser encontradas.
— Tenente, não posso ligar para o Chris e pedir favores. Ele vai agir como se eu o estivesse traindo ou algo assim. — Gabe esfregou os olhos. — Espere que ele ligue para mim.
— O que o faz pensar que ele vai ligar?
— Conheço o meu pai. Ele vai querer saber o que você sabe e a melhor maneira de descobrir é através de mim. Então eu posso lhe dizer: “Decker quer que você venha aqui e faça o teste do polígrafo.” Ele provavelmente vai dizer “não”, ou algo igualmente sucinto, mas pelo menos posso interceder por você sem parecer um traidor.
Uma solução justa.
— Tudo bem. Vou esperar até que ele lhe ligue. Quando ele o fizer, deixe que ele fale, que conduza a conversa.
— Ele sabe disso. Chris usa silêncios com tanta eficiência quanto a sua arma. Mas sei lidar com ele. — Gabe esfregou os olhos. — Vou ter de dar alguma coisa para ele... para o meu pai.
— Fale sobre Atik Jains. Provavelmente ele tem conhecimento disso. Não diga nada sobre sua mãe conhecer um médico indiano.
— Você conseguiu checar os nomes que lhe dei?
— Sim, e talvez tenha alguma informação. Fez uma pausa. Quanto você quer saber, — — Gabe? Porque se você ficar sabendo de coisas, talvez tenha de mentir para o seu pai depois.
— Tem razão. É melhor que eu não saiba. Ele cruzou os braços sobre o peito. Além — — disso, se ela foi embora de propósito, por que eu deveria me preocupar? Raiva nos seus olhos. —
— Ela que comece uma nova vida sem mim. É um direito dela.
— Tenho certeza de que se ela fez isso, sentiu que você ficaria em melhor situação sem ela.
— Sim, não é isso que dizem todas as mães quando entregam seus bebês para adoção?
— Você não é um bebê. É um cara independente. Ela sabia que você poderia enfrentar isso.
— E aqui estou eu... enfrentando.
— Ela aguentou a barra por quase quinze anos. Depois da surra, provavelmente não se sentiu mais segura.
— Eu sei. Um suspiro. Você tem razão. Provavelmente ela sentiu que essa era sua última — —
chance de liberdade. Tinha todas as razões certas para fazer o que fez, mas isso não ajuda a aliviar a dor.