Carrasco

Faye Kellerman · Capítulo 21 de 50

Páginas do PDF

Carrasco

Capítulo 21

 

 

PASSAVA DAS SETE QUANDO DECKER VOLTOU à delegacia. A sala da patrulha estava silenciosa com alguns retardatários, inclusive Wanda Bontemps, que havia sido recentemente transferida para o departamento de homicídios de Devonshire. Ela e Decker tinham trabalhado juntos no caso Cheryl Diggs quando Chris Donatti não era muito mais velho que Gabe. A perseguição a um criminoso levara Decker para o distrito de Wanda. Houvera tensão entre eles, a princípio, mas quando o caso foi resolvido, Decker já tinha sido conquistado pelo profissionalismo dela. Ele a apoiara quando ela quisera se transferir para a divisão de detetives, e desde então ela lhe fora leal.

Com quarenta e tantos anos, Wanda tinha 1,70m e alguns pneuzinhos na cintura. Recentemente, tomara gosto por flexões e isso se revelava em seus braços musculosos. Tinha uma pele cor de café, olhos escuros e um cabelo grisalho cortado muito curto, com apenas um toque de louro.

— Tem um segundo, tenente?

— Claro. — Decker puxou suas chaves e abriu a porta de seu escritório. — Entre. — Ele se sentou à sua mesa e Wanda sentou-se em frente com papéis nas mãos. — Qual a novidade?

Wanda checou suas anotações.

— Estive examinando mortes por enforcamento. Quase todas foram suicídios ou acidentais... asfixia autoerótica. É realmente raro como um método de suicídio para mulheres. Consegui encontrar dois homicídios por enforcamento, mas ambos casos muito, muito antigos, em South Central.

Decker pegara um bloco de anotações.

— Casos em aberto?

— Sim. A suposição na época foi de que se tratava de um serial killer, porque ambas as mulheres tinham sido prostitutas.

— De quanto tempo atrás estamos falando?

— Vinte e cinco anos.

— Isso não parece corresponder ao caso de Adrianna.

— Essa foi minha impressão.

— E quanto a enforcamentos fora de Los Angeles?

— Esse foi meu passo seguinte. Assassinar alguém dessa maneira é realmente estranho, portanto, talvez seja um serial killer que acabou de se mudar para esta área.

— Ótimo disse Decker. Mas válido. — —

— Além disso, embora ninguém da companhia telefônica estivesse na área na segunda-feira, descobri por meio do mestre de obras que uma empresa privada estava instalando a fiação na casa para telas planas e computadores. O nome dele é Rowan Livy. Deixei uma mensagem para ele.

— Bom. E quem lhe falou sobre ele?

— O mestre de obras.

— Chuck Tinsley ou Keith Wald?

— Tinsley.

— O que encontrou o corpo disse Decker. Deveríamos conversar com ele novamente. — — Talvez se lembre de alguma coisa quando não estiver tão exausto. E o primeiro na cena do crime é sempre suspeito.

— Concordo. Tive também uma conversa com Bea Blanc, a irmã da vítima. Ela e Adrianna estão afastadas há anos. Bea é corretora da bolsa, casada, mãe, e as duas levam vidas muito diferentes. Ela não sabia muito sobre a vida da irmã.

— Detectou alguma animosidade entre elas?

— Não quando falei com ela. Parecia bastante arrasada.

— Portanto, como fonte de informação, ela é um fracasso, e como suspeita, está lá no fim da lista.

— Exatamente.

— Certo. Bom trabalho. Mais alguma coisa?

— Não no momento. Pensei em me juntar aos outros na sala de inspeção e olhar as fitas das entradas e saídas do St. Timothy. Até agora parece que Adrianna não voltou ao seu carro. Marge e Oliver querem saber se ela de fato saiu do hospital.

— Pensei que o hospital não ia liberar as fitas para nós.

— Ao que parece, mudaram de ideia. Quer vir dar uma olhada?

— Talvez daqui a pouco. Ainda tenho umas duas ligações para fazer. Diga a eles que estou aqui, caso alguém queira falar comigo.

— Direi.

Depois que Wanda saiu, Decker começou a ligar para os funcionários da manutenção do hotel. Sua primeira ligação foi para Eddie Booker. Um garoto cuja voz dava a impressão de que ele passava pelo penoso período da adolescência atendeu o telefone.

— Minha mãe e meu pai acabaram de sair de férias.

— Sabe quando vão voltar? perguntou Decker. —

— Não sei. Posso falar com minha avó. Ela volta daqui a uma hora.

— Posso deixar meu número com você para que ela me ligue assim que puder?

— Ah, não tenho um lápis. Devo ir pegar um?

— Por favor. — Decker deu-lhe o número, agradeceu ao garoto e desligou, sabendo que havia uma boa chance de que a avó não recebesse a mensagem. Sua ligação seguinte foi para Reffi Zabrib. Gregory Zatch, o chefe da manutenção, dissera que Zabrib fora para a Europa. Portanto Decker não ficou surpreso ao ver que a linha estava desativada. Como se demitira quando Terry ainda não tinha desaparecido, Zabrib não estava no alto da lista.

Ele deveria ligar para mais seis pessoas da manutenção, bem como para 15 da arrumação. Decker estava prestes a fazer outro telefonema quando ouviu uma batida no batente. Marge entrou, esfregando os olhos.

— Vamos fazer uma pausa. Quer ver os vídeos?

Decker deu uma olhada no seu relógio.

— Acho que vou dar uma passada em casa e ver se minha mulher ainda se lembra de mim. Qual é a situação? Wanda me disse que Adrianna não chegou a ir até o carro.

— Nós a vimos parar, estacionar, andar até a porta do elevador.

— E foi a última vez que a viram?

— Até agora não a vimos andando por nenhum dos estacionamentos do hospital. Ela terminou no canteiro de obras. Em algum momento, teve de sair do hospital. O problema é que os vídeos não são lá muito claros. Há muita gente entrando e saindo que não podemos identificar.

— Ou alguém a transportou para fora sem que tenhamos notado. Adrianna parece ter sofrido uma morte incruenta. Isso é estrangulamento ou veneno. Há muitas maneiras de conseguir substâncias químicas potentes dentro de um hospital.

— Povich disse que há câmeras sobre os armários de narcóticos. Vou dar uma olhada nelas. Ver quem está dando uma olhada nesses medicamentos. Quando os relatórios toxicológicos devem chegar?

— Só daqui a duas semanas disse Decker. O que está acontecendo com Aaron Otis e — — Greg Reyburn? Já não deveriam estar na cidade?

— O carro deles quebrou cerca de oitenta quilômetros ao norte de Santa Barbara. Vão levar até amanhã para consertá-lo. Seria quase mais fácil Oliver e eu dirigirmos até lá a esperar que cheguem, mas supus que seria mais profissional entrevistá-los aqui.

— Isso pode esperar até de manhã. Tiveram alguma sorte na localização de Garth Hammerling?

Marge sacudiu cabeça.

— Que acha disto, Pete? E se depois que Adrianna ligou para Aaron, Garth tiver ligado para ela de volta e lhe dito que tinha interrompido suas férias só para conversar com ela? Talvez ela não tenha querido se encontrar com ele em casa, por isso combinaram de se encontrar no hospital.

— Continue.

— Eles se encontram, conversam e depois brigam. Algo de ruim acontece e Adrianna morre. Garth entra em pânico e se livra dela de alguma maneira. Aposto que saberia como tirá-la de lá sem ser notado.

— Mas não há registro de uma ligação de Garth no telefone de Adrianna.

— Então talvez ele tenha ligado para o hospital porque sabia que ela não atenderia suas ligações no seu celular.

— Ele levou pelo menos três, quatro horas para chegar a Los Angeles. Se ela passou tanto tempo esperando por ele no hospital, alguém deveria tê-la visto nesse período.

— Não seria possível que estivesse exausta e tivesse ido dormir num quarto do plantão enquanto esperava?

— Volte ao St. Timothy e tente descobrir se alguém viu Adrianna depois que o turno dela acabou.

— Precisamos fazer isso de qualquer maneira. Marge fez uma pausa. Se isso de fato — — aconteceu, um dos vídeos da segurança deveria mostrar Garth entrando no hospital. Portanto, eu deveria estar procurando por ele também.

— Sim.

— O problema é que não faço a menor ideia da aparência de Garth, a não ser por uma foto de má qualidade da carteira de motorista.

Decker abriu a gaveta da sua escrivaninha e tirou algumas fotos.

— Peguei estas emprestadas no apartamento de Adrianna. Veja se ele está no Facebook. Provavelmente poderemos imprimir algumas fotos mais recentes. Além disso... e não sei por que não pensei nisso antes... veja se o cara postou alguma coisa recentemente.

— É uma boa ideia disse Marge. As pessoas estão sempre se expondo metaforicamente. — —

Hoje em dia, a privacidade está tão antiquada quanto um filme em preto e branco.

 

Ele parou o carro às 20h50, notando que o carro de Hannah não estava na entrada da garagem. Quando Rina o cumprimentou à porta, perguntou:

— Só nós dois em casa?

— Somos três. Hannah saiu, mas temos um hóspede.

— Onde está ela? perguntou Decker, franzindo as sobrancelhas. —

— Na casa da Aviva.

— Então por que não levou Gabe com ela?

— Não sei, Peter. Talvez precisasse de algum tempo sozinha. Por que você não entra e fecha a porta e podemos conversar dentro de casa? Pode fazer isso, porque você mora aqui.

Os dois foram de mãos dadas até a cozinha. Decker sentou-se onde seu jantar o esperava. Estava quente e delicioso: um sanduíche em que não faltavam queijo de soja sem leite, salada de repolho e um grande e suculento pepino em conserva. Muito rapidamente, ele foi devorado.

— Nossa, isso estava bom.

— Quer outro?

— Não, um foi mais que suficiente. Decker ouviu uma melodia ritmada flutuando pelo ar. —

Nunca ouvira guitarra elétrica tocada de maneira tão bonita.

— O que o garoto está fazendo?

— Eu dei comida a ele. Ele disse obrigado.

— Não conversaram um pouco?

— Não, apenas falamos amenidades. Perguntei se ele estava se sentindo bem na escola. Caso não estivesse, eu procuraria alguma outra coisa, mas ele disse que estava tudo bem, em especial porque tudo era temporário. Ela riu. Disse que ela não era assim tão diferente da escola — — católica.

Decker riu.

— Como assim?

— Apenas que os rabinos o faziam se lembrar dos padres. Disse que todos eram bastante simpáticos. Depois me agradeceu pelo sanduíche e começou a comer. Eu lhe disse que tinha alguns telefonemas para dar. Ele pediu que eu não me prendesse por sua causa. Imaginei que devia ser um esforço para ele desenvolver uma conversa trivial, por isso, deixei-o sozinho. Quando voltei, ele me agradeceu e disse que o sanduíche estava ótimo. Depois pediu licença e passou as duas últimas horas tocando guitarra. O garoto tem resistência.

Ela serviu café para os dois e sentou-se.

— Fez algum progresso na procura por Terry?

— Eu teria dito a você se tivesse feito. Decker tomou um gole de café. Entrevistei vários — — funcionários no hotel onde ela e Gabe estavam hospedados. Todos me disseram que o menino toca piano como um profissional. Está sendo difícil tê-lo aqui?

— Na verdade, não.

— Rina, você tem que me dizer. Se tiver algum tipo de sentimento ruim em relação a ele, podemos mandá-lo para o apartamento da tia. Porque de fato não sabemos nada sobre ele, exceto que tem talento musical.

— Parece tudo certo com ele. Talvez devêssemos alugar um piano.

— Um piano?

— Por que não?

— Não acha que isso seria nos envolvermos um pouco demais?

— Você o trouxe para nossa casa. — Quando Decker não disse nada, ela sugeriu: — Por que você não conversa com ele e descobre quão comprometido ele está com a música? Eu detestaria ser a pessoa que está impedindo seu progresso, especialmente se ele for uma dessas crianças prodígio.

— O desenvolvimento dele não é responsabilidade nossa.

— Será, se ele ficar aqui.

— E teremos de nos preocupar com um piano? E quanto a um professor? E se ele precisar de um professor especial que custa uma fortuna?

— Por que não começamos com um piano? perguntou Rina. —

— Quanto custa alugar um?

— Não sei. Vou descobrir.

— E o que faremos com um piano se a mãe dele aparecer de repente, ou se o pai aparecer, ou se ele decidir fazer as malas e ir embora?

— Tive aulas quando era menina. O tempo está passando. Creio que está na hora de voltar a me familiarizar com meu lado criativo.

 

Quando Decker bateu, a música parou. Um instante depois, Gabe abriu a porta.

— Olá.

— Tem um minuto? Decker entrou e sentou-se numa das camas gêmeas dos filhos. — —

Como você está?

— Estou bem. Gabe pousou a guitarra e apertou as mãos uma na outra. Alguma coisa — — errada?

— Nada de errado, mas não fizemos muito progresso. Conversei com várias pessoas no hotel hoje. Sua mãe era uma moça simpática, especialmente com os funcionários, o que poderia tornar nosso trabalho mais fácil.

— Como assim?

— Eles se lembram dela. — Decker fez uma pausa. — Talvez, se eu falar com um número suficiente deles, alguém vá se lembrar de alguma coisa que você não sabia.

— Como o quê?

— Como sua mãe levando um hóspede para o quarto no hotel.

Como Gabe não respondeu, Decker disse:

— Você se lembra de vê-la fazendo contato com alguém fora da família... talvez ligando para um velho amigo?

O menino negou com a cabeça.

— Mas eu não estava sempre por perto. Ela alugou uma sala para eu praticar na UCLA, por isso eu ficava fora provavelmente seis horas por dia.

— Então é concebível que sua mãe tivesse uma vida da qual você não tivesse conhecimento.

— O que você está querendo dizer? Que ela fugiu com alguém?

Ele estava claramente perturbado.

— Estou dizendo apenas que, como você não estava por perto o tempo todo, ela poderia estar escondendo coisas de você — disse Decker.

Ele assentiu com a cabeça.

— Minha mãe podia ser reservada, mas ela não iria simplesmente fugir. Para começar, se Chris descobrisse, ele a mataria... ficaria realmente furioso. Provavelmente ele iria encontrar e trazer minha mãe de volta de qualquer maneira, então do que adiantaria? Segundo, ela não iria embora sem me contar.

— Provavelmente isso é verdade. Todos me falaram do quanto ela era dedicada a você.

Gabe ficou silencioso e taciturno. Claramente, Decker tocara numa ferida.

— Vou manter você informado. Lamento não ter mais informação. O menino continuou —

amuado. — Nossa, seis horas por dia. É muito tempo praticando.

— Isso é mais ou menos a média. — Gabe sacudiu os ombros.

— Você praticava tanto assim em casa?

— Eu só ficava na escola até a uma. Fez uma pausa. Estava bom para mim, porque quase — — tudo no ensino médio é uma total perda de tempo.

— Acho que Hannah concordaria com você quanto a isso. A maioria das crianças como você estuda em casa?

— Sim, mas eu não queria isso. Meu pai é uma coruja e muitas vezes dorme até o meio da manhã. Ele é muito sensível a barulho. Quando ele dorme, precisa de silêncio. Então era bom, para mim, estar fora de casa.

— Então em que medida você leva sua música a sério? perguntou Decker. —

O menino tirou os óculos, limpou-os na camisa e os pôs de volta.

— Não sei o que responder.

— Você quer ser um músico profissional? Você é um músico profissional?

— Acho que está me perguntando se quero ser um pianista concertista. É uma pergunta interessante. Você deveria provavelmente perguntar a meus professores se tenho talento.

— Quem eram seus professores?

— Eu ia à Juilliard, no centro, três dias por semana. Sabe, com relação a toda a questão de onde eu deveria morar, eu poderia me candidatar à Juilliard no outono. Meu último professor leciona lá e me disse que eu poderia ir a qualquer momento. Isso resolveria meu problema de moradia, se esta coisa não se resolver.

— É isso que você quer?

— Eu preferiria isso a morar com minha tia, sem dúvida. Ele tamborilou. Eu estava com — — alguma esperança de poder ir para uma faculdade regular... como Harvard ou Princeton. Está muito tarde para me candidatar para o próximo ano, mas sei que eles admitem garotos com talentos especiais. Eu teria de fazer o exame de seleção, suponho.

— Já fez o exame preliminar?

Ele assentiu com a cabeça.

— Como se saiu?

— Obtive 210, o que é bom, mas irrelevante no meu caso. Eu poderia ir para alguma das universidades da Ivy League com uma bolsa de estudos para música. Ganhei um número suficiente de pequenos concursos para parecer impressionante e sei como fazer uma audição dar a impressão de que toco melhor do que toco. Sou muito bom em exibições rápidas.

— Como se sentiria morando sozinho aos 16 anos? — perguntou Decker.

— Vivi sozinho a maior parte de minha vida, portanto, não há nenhum grande problema aí. — Gabe fez uma pausa. Isto não é totalmente verdade. Minha mãe sempre esteve presente em —

minha vida. Seus olhos ficaram marejados. Sinto falta dela. De todo modo, em resposta à — — sua pergunta original, sou bom o suficiente para ser um músico clássico profissional. Eu poderia tocar música de câmara e em pequenos grupos. Mas isso é muito diferente de ser um pianista concertista de qualidade. Meu professor em Nova York queria que eu entrasse no concurso Chopin, em Varsóvia, quando tiver idade suficiente, daqui a cinco anos. Gosto muito de Chopin e por acaso o interpreto muito bem. Mas realmente ajudaria muito se eu tivesse um professor. — Ele riu. — Ajudaria se eu tivesse um piano.

— Rina e eu estivemos conversando. Ela me perguntou se você acha que deveríamos alugar um piano para você.

— Nossa, eu adoraria isso! — O rosto do menino se iluminou. — Vocês não teriam nem de pagar por ele. Tenho todo aquele dinheiro que minha mãe deixou. Eu pagarei, se vocês estiverem dispostos a pôr um na casa.

Decker olhou para ele.

— Gabe, não lhe pedi naquela hora porque pareceria muito invasivo. Mas vou lhe pedir agora. Eu gostaria de ver o que sua mãe deixou para trás no cofre.

— Foi só algum dinheiro e documentos.

— Eu gostaria de ver os documentos.

O menino ficou nervoso.

— Certo, mas não é muita coisa. Só minha certidão de nascimento e meu passaporte e talvez algumas contas bancárias.

Resistência.

— E quanto à certidão de nascimento dela e ao passaporte dela?

— Não sei, tenente. Só separei o dinheiro do resto das coisas e guardei por segurança.

— Gostaria de ver que documentos você tem. Extratos bancários me revelariam muita coisa.

— Ah, claro. — Gabe levantou-se. — Preciso de uns minutos para encontrar os documentos e mostrar a você...

Em outras palavras, saia do quarto enquanto faço isso.

Decker levantou-se.

— Não estou tentando me intrometer nas suas finanças, mas quanto dinheiro ela deixou no cofre?

— Cerca de cinco mil dólares.

— Isso é muito dinheiro vivo, considerando-se que ela pagava a maior parte das contas dela com cartões de crédito.

Gabe deu de ombros.

— Você tem um cartão de crédito?

Ele assentiu com a cabeça.

Arrancando informação dele.

— Você é o titular do cartão?

— O que você quer dizer?

— Quem paga a conta do cartão de crédito? Sua mãe ou seu pai?

— Chris paga tudo.

— Certo. Sua mãe trabalhava, certo?

— Sim.

— Então ela tinha o próprio dinheiro dela.

— Provavelmente.

— Ela dava seu dinheiro para Chris? — Um menear de ombros. O garoto estava sendo evasivo. Você se importa se eu der uma olhada nos recibos do seu cartão de crédito? —

— Não usei para nada a não ser umas duas xícaras de café e alguns livros.

— Quero apenas ver a trajetória. Ainda estou tentando localizar seu pai, e se ele paga tudo, talvez o banco possa ter alguma informação sobre ele.

Gabe baixou os olhos.

— Tenente, talvez seja melhor deixar meu pai fora disso. Se ele não tiver nada a ver com isso, por que chateá-lo e deixá-lo furioso? E se tiver feito isso, eu não gostaria de saber.

— Então isso seria um “não” sobre uma olhada nos recibos do seu cartão de crédito?

Gabe se encolheu.

— Posso pensar sobre isso? Não gosto do Chris, mas não gostaria de mandar meu pai para a cadeia ou alguma coisa assim.

— Mesmo se ele tivesse assassinado a sua mãe? O menino ficou em silêncio. Veja — — — disse Decker , você parece um pouco hesitante em relação aos documentos. Não sei, mas acho —

que seu pai entrou em contato com você e deu instruções sobre o que fazer e o que não fazer. — Fez uma pausa e olhou para o garoto, vendo as bochechas dele ficarem coradas. Estava pondo o menino numa situação difícil. — Gabe, sou um policial. Vou fazer perguntas, mas você não tem de fazer nada que vá deixá-lo infeliz. Apenas pense sobre isso. Quero fazer o que é melhor para sua mãe. Faça isso também.

— Vou pensar sobre isso. Obrigado por ser compreensivo.

— Quem disse que sou compreensivo? Decker descabelou o garoto. Seu pai está na — — minha lista de tarefas e nada vai me dissuadir de encontrá-lo. Mas você não é policial e não tem de abandoná-lo. Compreendo lealdades divididas.

— É a história da minha vida respondeu Gabe, com um sorriso irritado. —