Carrasco
Capítulo 31
MARGE COLOCOU UM LATTE DIANTE DE Oliver.
— Talvez isto ajude. Você parece cansado.
— Estou cansado. Quando nós acabamos de bancar os voyeurs, passava das três.
— E eu lhe disse que não precisava ir. Vamos esquecer isso. E de nada pelo café.
Oliver resmungou um obrigado.
Marge revirou os olhos.
— Mandy Kowalski continua não atendendo seu celular. Liguei também para o hospital e falei com Hilly McKennick, a enfermeira-chefe. Mandy deveria ter voltado hoje, mas não apareceu para as rondas.
— Isso não é bom. Outro gole de café. Como agora é dia claro, ficarei feliz em ir ao — — condomínio de Mandy e ver o que está acontecendo.
— Podemos fazer isso agora.
— O que está acontecendo com Aaron Otis e Greg Reyburn?
— Greg não me ligou de volta, mas falei com Aaron. Ele virá às dez. Ainda são oito horas. Temos bastante tempo para ir e voltar.
Você contou para Aaron sobre Crystal?
— Dei a notícia para ele vinte minutos atrás. Ele se mostrou totalmente perturbado.
— Provavelmente está. Então por que esperar até as dez para trazê-lo aqui?
— Ele está no trabalho e quer resolver algumas coisas. Imaginei que era melhor deixá-lo estabelecer o horário em que viria, usá-lo como um aliado e não como um suspeito, ainda que ele seja um. Tenho policiais uniformizados na cola dele e no apartamento de Greg, acaso um dos dois decida fugir. Está tudo sob controle. Pronto? disse ela, jogando a bolsa no ombro. —
Oliver terminou seu latte num gole.
— Puxa, você trabalhou como uma formiguinha esta manhã. Como funciona com tão pouco sono?
— Não fui dormir. Eu sabia que seria um inferno acordar depois de três horas de sono, por isso decidi fazer algo útil. Descobri onde a mãe de Crystal mora. Você acharia que não seria difícil encontrar uma mulher chamada Pandora Hurst, mas isso me tomou quase uma hora. Liguei para ela às seis da manhã, oito horas no fuso em que ela está. Ela está vindo do Missouri.
— Não é uma boa maneira para você começar a manhã.
— Foi uma maneira muito ruim de começar a manhã, mas isso tinha de ser feito. Além disso, compus uma série de fotos com a foto da carteira de motorista de Chuck Tinsley para Yvette Jackson. Tudo isso tomou mais uma hora.
— Certamente ainda não ligou para Yvette Jackson.
Marge deu uma olhada no relógio.
— Farei isso quando estivermos a caminho do apartamento de Mandy. Vamos.
— Você não está exausta?
— No momento, estou sendo movida a café e energético. Se eu esticasse as canelas neste instante, tenho certeza de que meu coração continuaria batendo por horas depois de meu falecimento, como o de uma rã desmedulada. Mesmo assim, estou disposta a admitir que minha percepção espacial pode estar um pouquinho deficiente. Marge entregou as chaves do carro a —
Oliver. Portanto, você se importaria? —
— Obrigada por tratar de tudo disse ele, pegando as chaves. Fico lhe devendo essa. Que — — tal um jantar hoje à noite?
— Que tal um dia sem você se queixar?
Oliver sacudiu um dedo para ela.
— Não provoque.
* * *
Um nome se destacou: Paresh Singh Rajput. Ele havia sido cirurgião cardiovascular visitante por dois anos, o período indicado por Gabe quando tinha cerca de 12 anos. O nome que —
significa “filho de um rei” — era um nome de guerreiro e a família real a que pertencia havia governado vários principados entre os séculos IX e XI. Havia cerca de cinco milhões de Rajputs na Índia, sobretudo na região central de Uttar Pradesh, mas também nas regiões ao norte.
Pelas informações que Decker conseguira através do Google, era difícil verificar se o pai do dr. Rajput era um marajá, porque a maioria dos artigos se concentrava nos feitos profissionais do médico — que eram muitos. Ele possuía renomadas habilidades como cirurgião, mas havia também dedicado parte significativa de seu tempo ao trabalho em comunidades pobres. Era também atuante no Médicos Sem Fronteiras.
A informação biográfica revelou a Decker que ele tinha cinquenta e poucos anos e dois filhos adultos, ambos médicos também. Informações adicionais revelaram que a mulher de Rajput, Deepal, morrera três anos antes por volta do momento em que ele assumiu um cargo como —
médico visitante nos Estados Unidos. Atualmente estava solteiro.
Decker conseguiu várias fotos de Rajput. Elas mostravam um homem bem constituído de pele cor de chocolate, nariz fino, lábios cheios, sobrancelhas espessas, olhos pretos e uma cabeça cheia de cabelo grisalho. Usava ternos ocidentais muito bem cortados, bem como o traje indiano tradicional. Nessas fotos, seus dedos brilhavam com joias grandes o suficiente para Decker notá-las. Parecia que um homem que se vestia tão bem e dedicava tanto tempo aos menos privilegiados não precisava se preocupar com dinheiro.
A informação levava a algumas possibilidades interessantes, caso Terry estivesse viva. Não era difícil imaginá-la, após ficar presa durante anos num relacionamento com um homem psicopata e agressivo, encontrando um salvador num rico viúvo mais velho que costumava usar seu dinheiro, conhecimento e poder para ajudar os oprimidos.
E não era difícil imaginar o dr. Paresh Singh Rajput vindo em seu socorro: um viúvo solitário rico e mais velho libertando uma brilhante e deslumbrante donzela em apuros. Terry era mais que apenas estonteante. Tinha essa beleza ferida que derretia qualquer coração masculino de imediato, sua perfeição tornada ainda mais embriagante porque nunca ostentava seu bem mais vendável.
Juntos voltariam para a Índia e Terry poderia começar uma nova vida.
Se esse fosse o caso, seria o fim da pista para Decker. Talvez Donatti continuasse a segui-la, mas Decker não estava prestes a enfrentar um país de um bilhão de habitantes para procurar uma mulher que queria sumir.
Nas duas hipóteses, com Terry morta ou viva, Gabe continuava sem mãe. Pobre garoto. Não tinha nem 15 anos e estava só. Seus pais lhe deram o cérebro, a aparência e o talento, mas, em virtude de seus próprios defeitos, não foram capazes de transmitir ao adolescente qualquer senso de segurança. Ambos o abandonaram aos cuidados de estranhos.
Isso era o bastante para lhe dar vontade de torcer o pescoço de alguém.
— Ela não está atendendo o celular e seu carro não está aqui disse Marge a Decker por —
telefone. Forçamos a fechadura ou não? —
— Você tem certeza de que ela deveria ter comparecido ao trabalho hoje? perguntou —
Decker.
— Segundo a enfermeira-chefe, sim. Ela está preocupada.
— Tentou ligar para os pais dela?
— Deixei uma mensagem para a mãe. Ela não me ligou de volta.
— Qual foi a última vez que você ligou para a mãe?
— Dez minutos atrás.
— E quanto a um pai?
— Não sei se ele existe. Não tenho o número dele.
— Amigos?
— Além de Adrianna, estou no escuro. Hilly não pôde me dar nenhuma ajuda com relação a isso.
Decker pensou um momento.
— Não sei o que ela tem a ver com Crystal Larabee, mas ela foi uma das últimas pessoas a ver Adrianna viva. Force a fechadura.
— O que você quer que façamos quando estivermos lá dentro?
— Dê uma olhada. Veja se as paredes falam.
— Isso vai tomar algum tempo. Aaron Otis deve chegar à delegacia dentro de meia hora. Você quer entrevistá-lo?
— Claro. O que aconteceu da última vez que você falou com ele?
Marge fez para ele o melhor resumo da conversa que sua memória lhe permitiu.
— Sabemos que ele teve um caso com Adrianna. Conhece Crystal, mas não sei quão bem. Não sei se Greg Reyburn é amigo de Crystal. Telefonei para ele e deixei uma mensagem, mas ele não retornou minha ligação.
— Se você tiver o número dele, vou ligar de novo.
Marge leu os dígitos.
— Pela última notícia que recebi de Tim Brothers, o policial do destacamento de vigilância, o carro de Reyburn continua no estacionamento de seu prédio. Eu poderia pedir ao policial para bater à porta da frente de Reyburn.
— Isso poderia ser uma boa ideia. Como você vai lidar com isso a partir daí é com você.
— Farei isso. — Ela fez uma pausa. — A coisa toda é estranha, Pete. Adrianna continuava emprestando dinheiro a Garth para ele tirar miniférias sem ela. Depois ficava aborrecida e transava com outros caras, inclusive Aaron Otis. Talvez Greg Reyburn também.
— Alguém perguntou a Reyburn se ele teve um relacionamento com Adrianna?
— O tenente quer saber se Gray Reyburn admitiu ter transado com Adrianna disse Marge —
a Oliver, passando-lhe o celular.
Scott pegou o telefone.
— Reyburn afirma que nunca transou com Adrianna.
— E quanto a Crystal Larabee? perguntou Decker. —
— Faziam sexo casual. Eram, sobretudo, amigos.
— Deixe-me ver se estou entendendo. Garth e Aaron transavam com Adrianna. Greg transava com Crystal, mas não com Adrianna. Garth transou com Crystal alguma vez?
— Não sei.
— Aaron transou com Crystal alguma vez?
— Não sei.
— E como Mandy Kowalski se encaixa em tudo isso?
— Mandy trabalhava com Garth — disse Oliver. — Queixou-se de que ele deu em cima dela.
— Estou anotando tudo isso — disse Decker. — Tentando obter uma espécie de fluxograma. — Ele esperou um segundo. — Além disso, Kathy Blanc contou-me que pensava que fora Mandy quem aproximara Adrianna de Garth. Portanto, há mais uma conexão. Temos mais setas do que eu pensava. Tudo bem. Vou interrogar Aaron, ver o que ele tem a dizer.
— Seria muito conveniente para ele admitir que transava com Crystal.
— Sim, realmente. Não que seja contra a lei ter feito sexo com duas moças que acabaram mortas, mas depois de examinar este fluxograma, posso lhe dizer que, a princípio, a imagem dele não é muito boa.
Talvez o mundo fosse a tela de um pintor, mas Aaron Otis usava seu próprio corpo como uma. O cara estava pintado do pescoço para baixo, restando seu rosto como uma máscara monótona. Pele bronzeada, cabelo queimado, olhos castanho-claros e muitas rugas indicando uma vida ao ar livre. O cabelo era rebelde e cacheado. Ele parecia um leão multicolorido.
— Isso é totalmente estranho. Ele segurava um copo de café com mãos trêmulas. Parece — — uma coincidência maluca.
— Uma coincidência? repetiu Decker. —
— Ou talvez não.
— Ambas as moças eram suas amigas?
— Conhecidas, certamente.
Decker tinha muitas conhecidas. Só fazia sexo com sua mulher.
— Estou tentando encontrar Greg Reyburn. Ele não está atendendo sua porta e seu celular cai direto no correio de voz. Você saberia onde ele está?
Aaron esfregou o rosto.
— Estávamos na balada ontem à noite. Saí do bar à uma hora.
— Onde? Decker pegou seu bloco de anotações. —
— Wild Card... fica na Cahuenga, logo depois de Ventura.
— Certo. Você saiu do lugar à uma. E quanto a Greg?
— Não sei. Ele estava conversando com uma menina. Talvez tenha ficado com ela.
— Mas o carro está na vaga do apartamento dele.
— Eu estava de carro ontem à noite. Quando saí, perguntei a Greg se queria uma carona para casa; ele me disse que estava tudo bem. Portanto, poderia estar passando a noite na casa de outra pessoa. Não está tão tarde.
Passava das dez. Decker estava de pé havia horas.
— Vamos recuar um pouco. Por que não começa do início da viagem de vocês?
— Está falando da minha viagem com Greg e Garth?
— Sim, é exatamente disso que estou falando.
— Isso foi há tanto tempo.
— Foi há menos de uma semana.
Aaron estava hesitante, mas por fim contou sua história, basicamente uma recapitulação do que dissera a Marge. Quando estavam se preparando para sair para acampar, Adrianna lhe ligou. Ele transmitiu a mensagem a Garth que ela estava rompendo com ele. Garth entrou em pânico —
e voltou para Los Angeles para conversar com ela. Garth partiu para o aeroporto de Reno num táxi enquanto Aaron e Greg foram para sua excursão. Mas estava frio demais nas montanhas para ficarem.
— Havia neve no chão. Levamos jaquetas com forro de lã e essas coisas, mas fazia um frio muito maior do que estávamos preparados para enfrentar. Por isso, demos meia-volta no dia seguinte e voltamos.
— Que distância percorreram de carro?
— Deve ter sido uns, não sei... trezentos quilômetros. Levamos o dia inteiro para chegar lá. As estradas são realmente sinuosas.
— Há postos de gasolina pelo caminho?
— Sim, mas não muitos. A gente tem de prestar atenção ao tanque de gasolina.
— Vocês pararam para reabastecer?
— Claro.
— Onde?
— Em vários lugares. Eu contei à detetive que fiz todos os pagamentos com o meu cartão de crédito. Aaron fez uma pausa. Eu estava muito longe quando Adrianna morreu. Meus — —
cartões de crédito provam isso.
— Isso certamente prova que seus cartões de crédito estavam muito longe. Alguém o viu em suas paradas para reabastecer?
— Sim, com certeza. Entramos numa loja de conveniência. Compramos alguns lanches. Eu me lembro da moça do caixa. Tinha cabelo louro, olhos castanhos e usava um piercing no nariz. Era uma graça. Acho que se chamava Ellie ou algo parecido.
Decker sabia que a maioria das lojas de conveniência são monitoradas por vídeo. Se pudesse obter os registros do cartão de crédito de Otis, poderia entrar em contato com a loja e provavelmente fazer a verificação do vídeo, caso a funcionária do caixa não tivesse apagado a fita.
— Paramos lá na volta também disse Aaron. A mesma moça no caixa, aliás. — —
— Posso requisitar os recibos do seu cartão de crédito para conseguir o nome da loja de conveniência?
— É claro. Qualquer coisa de que precise para provar que eu estava bem longe de Los Angeles.
— Está bem. Se tudo bater, você provavelmente não está envolvido no assassinato de Adrianna de forma direta. Vamos então passar para Crystal.
— Não sou amigo de Crystal... Quero dizer, não é que eu não goste dela, mas ela é muito mais amiga de Greg do que minha.
Decker levantou os olhos de seu bloco de anotações e olhou nos olhos do rapaz.
— Vou lhe fazer uma pergunta e quero uma resposta sincera. Se eu descobrir que você andou mentindo para mim, serei muito menos complacente com suas declarações. Está compreendendo?
Aaron pousou o copo de café.
— Não estou mentindo para você.
— Ainda não lhe fiz a pergunta. Os olhos de Decker fixaram-se nos do rapaz. Alguma — — vez você fez sexo com Crystal Larabee?
Os olhos de Aaron se desviaram.
— Sim, tipo muito tempo atrás... uns dois meses.
Decker teve de reprimir um sorriso.
— Para mim, não é tanto tempo. Quanto tempo durou esse caso?
— Não foi um caso. Ela foi à casa do Greg e eu estava lá. O Greg teve de sair para trabalhar e... uma coisa levou à outra.
— Quanto tempo durou o seu caso? — repetiu Decker.
— Fizemos isso tipo umas seis vezes, talvez. Era realmente casual. Crystal transava com muita gente.
— E a última vez que você teve intimidade com ela foi cerca de dois meses atrás?
— Talvez até três.
— Por que parou de fazer sexo com ela?
— Não paramos oficialmente... a oportunidade apenas não pintou. Não é que eu ligasse para ela propondo encontros. De vez em quando calhava de ficarmos juntos e acontecia. — Ele esfregou o rosto. Sinceramente, não vejo Crystal há pelo menos umas duas semanas. —
— Certo disse Decker. Conte-me o que fez ontem. Relate o seu dia. — —
— Levantei-me por volta das sete... fui para o trabalho. Uma sacudida de ombros. —
— Que horas foi para o trabalho?
— Por volta das oito.
— Continue.
— Passei o dia todo no trabalho. Cheguei em casa lá pelas cinco. Pedi uma pizza de legumes do Muncher’s. Saí para ir ao Wild Crad por volta das oito e meia. Uma pausa. Foi isso. — —
— Telefonou para alguém enquanto estava em casa?
— Liguei para o Greg. Liguei para o Garth novamente, mas não consegui falar com ele. Minha mãe ligou. Tipo as coisas de sempre.
— Para seu telefone celular ou para a linha fixa?
— Só tenho celular.
— Posso ver esses registros?
— Claro. Certamente.
— Como posso dizer isto? disse Decker. Parece que você faz sexo casual... com — — Adrianna e agora com Crystal Larabee.
— Por que não? — O semblante do rapaz estava completamente inocente.
— Você não se incomodava por estar transando com a namorada de Garth?
— Era uma coisa casual... tipo quando Garth não estava por perto... o que acontecia muito. Ele passava muito tempo em Las Vegas.
— Sem Adrianna.
— Sim, sem ela, sim. Era esquisito.
— De que maneira?
— Que ela financiasse as viagens a Las Vegas que ele fazia sem ela. Isto é, não é que ela gostasse disso. Queixava-se muito. Eu perguntei por que ela continuava fazendo isso.
— O que ela disse?
— Disse que você não pode manter os caras presos. Eles ficam ressentidos, o que é verdade... Então ela fazia isso e depois ela ficava ressentida. Quando fazíamos sexo, ela dizia coisas como: “Eu não faria isso se Garth não passasse tanto tempo fora.” Ela transava muito por aí. Sei que não fui o único.
— Com quem mais ela transava?
Aaron compreendeu que acabara de enfiar os pés pelas mãos.
— Quero dizer, ela me disse que transava muito por aí.
— Você não respondeu à minha pergunta. Com quem mais ela transava? E por favor não minta para mim.
Aaron jogou as mãos para cima.
— Sim, ela transava com o Greg. Ela gostava de transar com os amigos de Garth. Acho que pensava que isso era uma espécie de vingança.
— Garth tinha conhecimento disso?
— Ele sabia de alguma coisa. Não parecia se importar.
— Mas segundo você, importou-se o bastante para cancelar sua excursão e tomar um avião para vê-la.
— É verdade. Ele surtou quando ela disse que ia deixá-lo. Isso me surpreendeu.
— Por quê?
— Porque ele não parecia se importar tanto com ela.
— Talvez tenha se importado porque estava preste a perder seu banco que não cobrava juros.
Aaron ficou em silêncio por um momento.
— É possível. Ele de fato ia muito para Las Vegas.
— Garth vai para Las Vegas, Garth vai para Reno. Garth tem um problema com jogo?
— Garth? Aaron riu. Ele joga em mesas de dois dólares e em caça-níqueis de 25 — —
centavos. Às vezes joga nas máquinas de pôquer. Zombo dele por causa disso o tempo todo. Uma vez lhe disse que ele era o único cara que eu conhecia que conseguia fazer cinquenta dólares durarem um fim de semana inteiro.
— Então por que vai tanto para Las Vegas, se realmente não joga?
— Você está brincando, certo?
Decker não respondeu.
— Você conhece o ditado — respondeu Aaron. — O que acontece em Las Vegas fica em Las Vegas.
— O que acontece em Las Vegas?
— Nada de muito espetacular. Mas Aaron parecia muito constrangido. Quer dizer, — — acontece apenas que Garth gosta de mulheres. Elas são seus troféus, você sabe do que estou falando.
— Que tipos de mulheres?
— Veja, essa é a questão. Ele não tem um tipo certo. Gosta de todos eles: jovens, velhas, negras, brancas, asiáticas, hispânicas, gordas, magras, louras, morenas, ruivas, carecas, o que você quiser. Ele me disse que seu objetivo na vida é transar com todo tipo de mulher do mundo. Eu lhe disse que isso era impossível, porque cada uma era diferente. Então ele respondeu que essa era a ideia; nunca conseguiria transar com todos os tipos, por isso tinha de continuar tentando.
— O que você respondeu?
— Não sei. Apenas ri ou algo assim. Vamos, tenente. Somos homens. É isso que fazemos quando somos jovens e solteiros, e isso é certamente o que fazemos em Las Vegas.
— Você sabe se Garth gostava de sexo não convencional?
— Segundo Garth, ele estava sempre pronto para qualquer novidade. Aaron comprimiu os —
lábios. Pode me chamar de antiquado, mas fico excitado quando faço uma menina gozar. —
Garth não se preocupava com isso. Ele me disse várias vezes que gosta de fazer pela porta dos fundos. Ele me disse que, assim, o cara fica no controle e não precisa olhar nos olhos da menina. Talvez ele tenha razão ao dizer isso sobre a porta dos fundos, o cara está sempre no controle.