Comunicação e trabalho infantil doméstico: política, poder, resistências
Power over
afirmação sustenta a ideia trabalhada por algumas autoras
feministas de que a concepção de poder como power over seria
produto da dominação masculina. (ALLEN, 2013)
Em vez de fazer um longo percurso histórico e teórico na tentativa
de dar conta das distintas acepções de poder, focaremos nosso
esforço na discussão do poder como power over e power to. Ao
final, recorremos a uma terceira concepção, que seria a de power
with. Para tanto, utilizaremos como ponto de partida a
sistematização feita por Allen (1998, 2000), que trabalha essas três
concepções de poder a partir das perspectivas feministas. Essas
concepções nos permitirão pensar sobre os conceitos de dominação, resistência, empoderamento e solidariedade.
Consideramos essa escolha pertinente não apenas porque nos
oferece uma possibilidade de organização da literatura a respeito
desse conceito, mas porque a discussão sobre poder a partir das
visadas feministas atribui um lugar destacado à família, o que é
central para nosso estudo acerca do TID. Além disso, essa opção
teórica e metodológica foi motivada, essencialmente, pela nossa
interação com os contextos de fala e de tomada de palavra das meninas e mulheres envolvidas no TID e a percepção de que esse
referencial permitiria um olhar nuançado sobre as relações de poder
no TID e sobre a politização de seu enfrentamento.
Power over
Um das definições mais clássicas de poder é a de Max Weber,
segundo quem “Poder significa toda probabilidade de impor a
própria vontade numa relação social, mesmo contra resistências,
seja qual for o fundamento dessa probabilidade”. (WEBER, 1991a,
p. 33) O poder é considerado, nessa perspectiva, portanto, uma
relação de imposição da vontade. (PERISSINOTO, 2008;
HABERMAS, 1993; ALLEN, 2013)
Habermas (1993) interpreta essa conceituação de Weber como a capacidade de dispor de meios para influenciar a vontade de outro
sujeito. De acordo com Perissinotto (2008), o poder, para que possa ocorrer, precisa de um fundamento ou de recursos que, no entanto,
são apenas “bases prováveis”: “quem controla um dado recurso tem
a probabilidade de exercer poder sobre outras pessoas caso
queira”. (PERISSINOTO, 2008, p. 32, grifo do autor) Desse modo, o poder de um determinado agente não deve ser medido a partir da
quantidade de recursos de que dispõe, mas do modo pelo qual são
utilizados em determinada relação social. (WEBER, 1991a;
PERISSINOTO, 2008; CLEGG, 1989)
Perissinoto (2008), embasado em Russell, afirma que a ideia de
“imposição da própria vontade numa relação social”, refere-se a
efeitos pretendidos de tal modo que seja possível estabelecer uma
relação causal entre o efeito gerado a partir da relação de poder e a intenção do agente em produzi-lo. Portanto, em uma relação de
poder (como power over), a imposição da vontade não necessitaria
do uso da força ou da violência de forma explícita, e sim da
mobilização do medo e do receio de perder algo que é valorizado.
Segundo Perissinoto, “o fato de que o poder tenha uma dimensão
essencialmente coativa não quer dizer que se baseie apenas no uso
da violência. A violência física é apenas uma dentre várias outras
formas de sanção, mas nem de longe a mais corriqueira”. (PERISSINOTO, 2008, p. 33)
De modo geral, podemos entender power over como o exercício
de formas de dominação ou controle de outrem com vistas a obter
um resultado desejado. (HENDRIKS, 2009) De acordo com Lukes
(1980), a partir desse entendimento, o poder seria uma soma de
resultado zero, já que, enquanto um ganha, o outro perde.
Lukes analisa a discussão e a literatura sobre esse tipo de poder
a partir de três dimensões: unidimensional, bidimensional e tridimensional. (LUKES, 1980; HAUGAARD, 2012; HENDRIKS,
2009) A primeira e a segunda dimensão são fortemente
influenciadas pelas proposições weberianas. (LUKES, 1980;
PERISSINOTO, 2008) A visão unidimensional trata o poder como
um conflito observável de tal forma que “A tem poder sobre B na
medida em que pode fazer com B faça algo que de outro modo não
faria”. (DAHL, 1957, p. 202-203, grifo do autor, tradução nossa) De
acordo com Dahl (1957), um dos principais teóricos dessa abordagem, a base do poder (potencialmente) consiste nos recursos que um ator pode explorar de modo a influenciar o comportamento
de outro. Por recursos, este autor compreende oportunidades, atos
e objetos, dentre outros.
A respeito das relações de poder, Dahl (1957) afirma que elas apresentam três condições necessárias: (a) os tempos de ação de A
e B precisam ser diferentes. Portanto, para que seja uma relação de
poder, é preciso que a ação (ou resposta) de B seja posterior à ação
de A; (b) é essencial haver “conexão” entre A e B, nas palavras do
autor: “não existe ‘ação à distância” (DAHL, 1957, p. 204, tradução
nossa) e (c) deve ser possível poder mensurar se a quantidade de
poder de A sobre B gerou algum resultado.
O conflito, nessa perspectiva, refere-se a disputas entre preferências explicitadas em ações e observáveis a partir da análise
do comportamento das pessoas. (LUKES, 1980) Para comprovar
que uma determinada relação é de poder (ou de dominação) seria
necessário, então, examinar as decisões tomadas. Nesse sentido,
“decidir é a capacidade de definir o curso dos eventos de acordo
com os interesses de quem decide e em detrimento dos interesses
de quem se submete”. (PERISSINOTO, 2008, p. 35) A base
metodológica desse modelo baseado “no conflito observável entre preferências antagônicas” traz em si as evidências necessárias para
análise do poder entendido de modo unidirecional. (LUKES, 1980;
PERISSINOTO, 2008)
A visão bidimensional do poder, como mencionamos, é também
tributária da concepção weberiana, porém critica as proposições da
visão unidimensional por considerá-las restritivas e extremamente
comportamentais. (ALLEN, 2013; LUKES, 1980; PERISSINOTO,
2008) Bachrach e Baratz são as principais referências dessa segunda dimensão do power over. Eles buscam salientar que o
poder não pode significar apenas a capacidade de tomar decisões.
“Ao contrário, defendem que a face mais importante do poder se
encontra no processo seletivo por meio do qual determinados temas
são retirados da agenda política”. (PERISSINOTO, 2008, p. 38)
Para Hendriks (2009), trata-se de uma forma indireta de power over,
a partir da qual A manipula as regras do jogo de modo a fazer com
que B haja do modo como A gostaria.
Tal processo ocorreria por meio da “mobilização de
predisposições” (mobilization of bias), que se referem aos valores
dominantes, aos mitos, aos procedimentos políticos estabelecidos e
às regras do jogo. Assim, para analisar as relações de poder, seria necessário investigar quais pessoas (ou grupos) ganhariam com a
tendência predominante ou seriam prejudicados por ela.
(BACHRACH; BARATZ, 1962, p. 952) O passo seguinte consistiria
da observação da dinâmica da não tomada de decisão, o que para
Bachrach e Baratz significa “examinar a medida que e a maneira
pela qual o status quo, orientado por pessoas e grupos, influencia os
valores da comunidade e as instituições políticas que tendem a
limitar o escopo da tomada de decisões para assuntos ‘seguros”. (BACHRACH; BARATZ, 1962, p. 952, tradução nossa, grifo nosso)
Seguros, seriam assuntos cuja discussão não ameaçasse os
interesses dos grupos dominantes. (PERISSINOTO, 2008)
Apesar da crítica às proposições de Dahl, Lukes (1980) analisa
que Bachrach e Baratz se aproximam bastante do primeiro ao
enfatizarem o conflito real, observável, aberto ou encoberto, como
única forma metodologicamente analisável. Para Perissinoto (2008),
os últimos autores têm o mérito de incluírem na discussão política a ideia de que as formas pelas quais consensos são construídos
trazem implicações ao conceito de poder. No entanto, teriam falhado
ao trabalhar essa temática do ponto de vista apenas da formulação
de políticas públicas. De acordo com Perissinoto,
[…] uma das formas de salvaguardar a proposição de que pode haver poder
em relações de consenso é aceitar que as evidências a serem apresentadas
em seu favor são de outra natureza e o seu campo de atuação bem mais
amplo do que a produção de políticas públicas. (PERISSINOTO, 2008, p. 41)
É justamente nesse terreno, em relação ao poder que permeia a
construção de consensos, que Lukes situa a visão tridimensional de
poder. Segundo esse autor, ordens sociais existentes sustentam seu
poder por meio de práticas institucionalizadas e “verdades”
culturalmente aceitas. Lukes (1980) entende “poder” como a
capacidade de afetar significativamente o outro, mesmo de forma
subjacente e não explícita para o sujeito concernido. Por essa razão, nem precisaria haver um conflito real entre as partes para que as relações de poder fossem percebidas, mas sim um conflito
latente (constituído por uma contradição entre os interesses dos que
detêm o poder e os “verdadeiros interesses” daqueles por eles
afetados). Portanto, as relações de exploração seriam normalmente subjacentes às práticas e aos posicionamentos dos atores sociais.
De modo complementar, Hendriks (2009) afirma que a terceira
dimensão de poder pode ocorrer de duas formas: (1) quando A usa
símbolos para influenciar o modo pela qual B percebe as
desigualdades em torno de si e também seus desejos e demandase
ainda (2) quando A contribui para moldar o modo pelo qual B
visualiza possibilidades de mudança, fazendo com que B considere
inapropriado e contraproducente questionar o poder de A. Todavia, Lukes (2005) ressalta que poder é um conceito disposicional e que,
portanto, diz respeito a uma capacidade que pode ou não ser
exercida. Nas palavras de Lukes:
Minha visão foi e é a de que nós precisamos pensar sobre poder de forma mais ampla ao invés de estreita – em três dimensões ao invés de uma ou duas – e que precisamos atentar para aqueles aspectos do poder que são menos acessíveis à observação: que, de fato, o poder é mais efetivo quando menos observável. (LUKES, 2005, p. 1, tradução nossa)
Além de sérios desafios metodológicos que esse modelo
pressupõe (como examinar essas formas menos visíveis de
poder?),1 a teoria de Lukes a respeito do conceito recebeu inúmeras
críticas. Trinta anos depois do seu influente livro Poder: uma visão
radical, o autor lançou uma segunda edição na qual reproduz a
primeira e acrescenta dois capítulos com objetivo de responder a
objeções recebidas e, ao final, reafirmar seu posicionamento.
Um dos pontos discutidos é a ideia do conflito latente. Alguns
críticos identificaram similaridade com um problema antigo, de
origem marxista: a falsa consciência. Entretanto, Lukes (2005)
procura esclarecer que se trata de um conceito distinto. Isso porque
ilusões internalizadas podem ser, de acordo com o autor,
compatíveis com posicionamentos racionais que justificariam a vida
daquela forma. Assim,
A terceira dimensão do poder é sempre focada em determinados domínios
da experiência e nunca é, exceto em distopias ficcionais, mais do que
parcialmente eficaz. Seria simplista supor que a complacência ‘disposta’ e
‘relutante’ à dominação são mutuamente excludentes: uma pessoa pode
consentir ao poder e se ressentir do modo do seu exercício. (LUKES, 2005,
p. 150, tradução nossa).
Em relação à ideia de processos latentes de poder e dominação, Perissinoto (2008) afirma que, apesar de diferenças teóricas e
metodológicas, Lukes e Bourdieu compartilham a percepção de que
as relações de poder são calcadas em certa adesão dos dominados
aos valores dominantes, de modo que a dominação seja percebida
como um acordo tácito. Perspectiva essa que alimenta as
formulações sobre a naturalização da desigualdade de Souza
(2009).
Bourdieu defende a ideia de que as classes dominantes seriam detentoras de um capital simbólico espraiado em práticas e
instituições sociais, o que permite exercer o poder. (BOURDIEU,
1989; CAPPELLE; MELO; BRITO, 2005; VASCONCELLOS, 2002)
Esse tipo de capital é resultante do poder simbólico, definido pelo
autor como:
[…] poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é
obtido pela força (física e econômica) […] Isto significa que o poder simbólico
não reside nos ‘sistemas simbólicos’ em forma de uma ‘illocutionary force’
mas se define numa relação determinada – e por meio desta – entre os que
exercem o poder e os que lhe estão sujeitos. (BOURDIEU, 1989, p. 14)
Desse modo, “trata-se de um poder que não produz ameaças,
mas sim o convencimento e a submissão simbólica ao estado atual das coisas”. (PERISSINOTO, 2008, p. 15) O conceito de habitus
desenvolvido por Bourdieu articula-se com essa perspectiva sobre
poder na medida em que se trata de um sistema de disposições
construídas socialmente e traduzidas em estilos de vida,
julgamentos políticos e morais. (BOURDIEU, 1998;
VASCONCELLOS, 2002; LUKES, 2005) Segundo Bourdieu, habitus
refere-se a “estruturas estruturadas e estruturantes [que] constituem
o princípio gerador e unificador do conjunto de práticas e das ideologias características de um grupo de agentes”. (BOURDIEU,
1998, p. 191)
Para Lamarão (2008), a perspectiva de Bourdieu é importante
para sustentar o entendimento acerca de como a subalternidade e o estigma podem se constituir como produto de uma história
incorporada ao habitus. E, desse modo, para alimentar um tipo de
violência quase invisível que o autor nomeia como violência
simbólica. (LUKES, 2005)
Boa parte das perspectivas que orientam, de acordo com Lukes
(1980; 2005), essa terceira dimensão do poder usam como ponto de
partida a ideia de que haveria um consenso que alimenta relações
de poder. No entanto, Foucault (1995) alerta que o poder não é da ordem do consentimento. O autor reconhece que a relação de poder
pode ser resultado de um consenso (anterior ou permanente),
porém a sua natureza não é a manifestação desse consenso. Isso
porque poder, para ele, refere-se à ação. Não sobre quem se exerce
poder, porém sobre sua própria ação2. Nesse sentido, segundo
Foucault (1995), poder é distinto de violência na medida em que
uma relação de poder pressupõe uma abertura, um terreno para a
resistência:
Uma relação de poder, ao contrário [de uma relação de violência], se articula sobre dois elementos que lhe são indispensáveis por ser exatamente uma relação de poder: que o ‘o outro’ (aquele sobre o qual ela se exerce) seja inteiramente reconhecido e mantido até o fim como sujeito da ação; e que se abra, diante da relação de poder, todo um campo de respostas, reações, efeitos, invenções possíveis. (FOUCAULT, 1995, p. 244)
Portanto, a analítica do poder3 de Foucault enfatiza o aspecto produtor e produtivo do poder. (MAIA, A., 1995; HAUGAARD, 2012)
Com base nesse autor, Haugaard (2012) questiona a ideia de que
relações de poder têm sempre um resultado de soma zero 4. Haugaard (2012) chega à constatação de que, se as relações de
poder são sustentadas pela internalização de constrangimentos,
elas não podem ter como resultado sempre soma zero: “Se todos os
exercícios de power over, de A sobre B, forem de soma zero, em
que B nunca realizou os seus interesses, a complacência disposta seria improvável – você pode enganar as pessoas por algum tempo,
mas não todo o tempo”. (HAUGGARD, 2012, p. 25, tradução nossa)
Na versão original em inglês do texto O sujeito e o poder,
Foucault faz uma breve referência ao poder como indo além de uma relação de soma zero. Na versão em português, essa referência foi
suprimida e, por isso, optamos pela tradução livre desse trecho feita
por Maia (1995):
Só podemos falar de estruturas ou de mecanismo de poder na medida em
que supomos que certas pessoas exercem poder sobre outras. O termo
‘poder’ designa relacionamentos entre parceiros (e com isto não menciono
um jogo de soma zero, mas simplesmente, e por ora me referindo em termos
mais gerais, a um conjunto de ações que induzem a outras ações, seguindo-
se uma às outras). (FOUCAULT, 1982 apud MAIA, A., 1995, p. 89)
Há, portanto, elementos racionais que justificariam e estariam na
base de sustentação de relações de poder, entendidas como power
over, de tal forma que “o poder como dominação seria parasitário
em relação ao poder como emancipação”. (HAUGAARD, 2012, p.
26, tradução nossa) É, a partir dessa perspectiva, por exemplo, que
podemos entender o modo pelo qual o TID é apresentado por
trabalhadoras como um meio para obter relativa autonomia em
relação à situação de suas próprias famílias e ter acesso a bens culturais diferenciados, como viagens.
De acordo com Allen (1998), “power over” e “dominação” não
podem ser entendidos como sinônimos, apesar desse último
consistir num tipo importante de aplicação do primeiro. Allen define
power over como “a habilidade de um ator ou grupo de atores em
constranger as escolhas disponíveis para outro ator ou grupos de
atores de forma não trivial”. (ALLEN, 1998, p. 33, tradução nossa) A
autora ressalta que, para as feministas, é importante retirar as palavras “estratégia” ou “intenção” da concepção de poder porque
boa parte do poder que interessa para a teoria feminista (e também
para a nossa pesquisa) “é mantida ou exercida ‘rotineiramente ou de
formas não consideradas [poder]’ por pessoas que não
necessariamente têm intenção deliberada de fazê-lo”. (ALLEN,
1998, p. 33, tradução nossa)
Dominação, então, para essa autora, consiste num tipo de power
over que restringe as opções de escolha do ator (ou de um grupo de
atores) de modo não trivial e de uma forma que seja desvantajosa
para ele (ou eles). Para esclarecer o conceito, ela utiliza como exemplo o caso de uma técnica de basquete que exerce um tipo de
power over sobre as jogadoras, mas que é distinto de dominação na
medida em que ele não é (pelo menos idealmente) aplicado de
forma desvantajosa a elas. Acreditamos que essa definição de
dominação, apesar de operacional, deixa em aberto como definir o
que seria vantajoso ou não.
Ainda sem resposta suficiente para essa questão, consideramos
que um retorno aos tipos puros de dominação weberianos pode contribuir para aprimorar os contornos desse conceito. De acordo
com Weber (1991b), dominação referese à probabilidade de
encontrar obediência. Para o autor, os tipos puros seriam três: (1)
dominação legal, que se apoia internamente em bases jurídicas; (2)
dominação tradicional, baseada na crença e nos costumes, cujo
exemplo mais importante é a dominação patriarcal; (3) dominação
carismática, baseada na devoção afetiva.
A dominação encontrada no TID estaria, como já apresentado no primeiro capítulo, relacionada principalmente à tradicional, por ser
sustentada por aspectos culturais e sociais, sobre, por exemplo, o
lugar que as meninas domésticas devem ocupar nas famílias para
as quais trabalham e por ter o lar como espaço de atuação.
No entanto, essa seria apenas uma parte da história sobre poder.
A respeito da teoria feminista acerca do assunto, Allen (1998, 2013)
considera que tanto as “teóricas da dominação” – tendem a enfatizar
demais a vitimização das mulheres e a não considerarem formas de poder que elas mobilizam –, quanto as “teóricas do
empoderamento” – advogam pela consideração do poder das
mulheres a partir valorização de atividades e capacidades que
seriam peculiares a esse grupo social (como cuidado, maternidade)
– desenvolvem abordagens incompletas por não considerarem “as
complexas formas pelas quais mulheres podem ser tanto dominadas
quanto empoderadas ao mesmo tempo e no contexto de uma
mesma prática, instituição ou norma”. (ALLEN, 1998, p. 22, tradução nossa) Nesse sentido, buscamos analisar, no contexto do TID, essa complexa articulação entre dominação e empoderamento de