Comunicação e trabalho infantil doméstico: política, poder, resistências
Seleção e escolha do corpus
A seguir, apresentaremos mais detalhadamente o modo pelo qual
construímos as ferramentas mais específicas para buscar respostas
ao nosso problema de pesquisa e para examinar os eixos analíticos
propostos. A transposição entre a abordagem metodológica mais ampla de Allen (2000) e as formas concretas para examinar o
material investigado segue como uma proposição nossa, inspirada
por outras investigações que acompanhamos ao longo das
discussões no Grupo EME/UFMG. 4
Seleção e escolha do corpus
Analisaremos dois tipos de material empírico: matérias
jornalísticas sobre TID, publicadas nos dois jornais diários paraenses de maior importância e discursos sobre esse tipo de
trabalho infantil, reunidos por meio de grupos focais realizados com
meninas e mulheres afetadas pelo TID. A investigação desses dois
contextos comunicativos é fundamental para chegarmos a respostas
adequadas ao nosso problema de pesquisa. Os objetivos desta
seção são: detalhar os materiais que compõe o corpus da pesquisa;
apresentar alguns elementos gerais relacionados às matérias
jornalísticas; explicar a escolha pelo grupo focal como técnica para coleta de dados e explicitar como essa metodologia foi utilizada.
Sobre as matérias jornalísticas
Selecionamos as notícias sobre TID publicadas nos jornais O
Liberal 5 e Diário do Pará no período compreendido entre janeiro de
2000, quando se iniciaram as primeiras ações de enfrentamento a
esse tipo de trabalho infantil no estado, e dezembro de 2009,
quando as ações do Petid estavam em franca diminuição, o que
acarretou o encerramento definitivo do Programa em 2010. 6
A forma pela qual essas matérias foram coletadas variou bastante
em razão da não existência de arquivos eletrônicos desses jornais
antes de 2007. Os textos de janeiro de 2000 a dezembro de 2004 já estavam em nossa posse porque haviam sido utilizados em nossa
investigação de mestrado. (CAL, 2007) A coleta de matérias de 2007 a 2009 foi feita de modo digital, a partir de mecanismos de
busca no site dos jornais. As palavras-chave para tanto iam desde
expressões bem precisas como “TID”, “trabalho infantil”, “Petid”,
“Cedeca-Emaús” a outras mais genéricas que nos demandaram um tempo maior de leitura e seleção como “casa”, “doméstica”,
“doméstico”. A lacuna dos anos de 2005 e 2006 foi preenchida a
partir de leitura e seleção no arquivo físico de clippings sobre
infância e adolescência da Agência Unama de Comunicação pela
Infância e Adolescência, projeto de extensão da Universidade da
Amazônia (Unama), que fazia e arquivava essas coletas desde
agosto de 2004. 7 Após digitalização e leitura das matérias
encontradas, selecionamos 193 notícias e reportagens que
abordavam o TID. Foram descartadas notícias que apenas o
citavam como uma forma de trabalho infantil ou que não
problematizavam aspectos envolvidos nessa temática e, ao final, permaneceram 136 matérias a serem analisadas.
O material selecionado foi catalogado e sistematizado através do
preenchimento de uma ficha de análise (ver Apêndice A) que
resultou na construção de um banco de dados. Os itens avaliados
diziam respeito à data de publicação, ao jornal, à editoria, ao gênero
jornalístico, à caracterização das fontes ouvidas, especialmente em
relação a trabalhadoras ou ex-trabalhadoras infantis domésticas, e
ao posicionamento atribuído a esses sujeitos (como vítimas, resistentes, sujeitos políticos ou outro) e temáticas, como
discutiremos mais adiante.
Em relação à distribuição por jornal, houve mais publicações
sobre TID em O Liberal (64,7%) do que no Diário do Pará (35,3%).
Consideramos que o principal fator que estimulou essa diferença
significativa foi a parceria firmada entre Petid e O Liberal, de tal
forma que os eventos relativos ao TID eram cobertos pelo jornal,
além de ter havido a publicação de matérias especiais, sobretudo na página de Responsabilidade Social, que circulava no caderno de
política todas as quintas-feiras. Em relação à divisão por editorias, a
cobertura acerca do TID se concentrou principalmente no caderno
atualidades (54,4%), seguido pelo de polícia (19,1%) e pelo de
política (13,2%).
Houve pouca diferença entre o percentual de notícias e
reportagens (Tabela 1), provavelmente em razão de termos excluído
do nosso corpus matérias que tratavam apenas pontualmente do
TID. Mantivemos somente as notícias que abordavam esse tipo de trabalho infantil ou um de seus aspectos de modo relativamente
significativo, ou seja, quando o tema em si ou parte dele eram
minimamente colocados e discutidos no texto. Excluímos as
matérias que apenas citam esse tipo de trabalho infantil.
Tabela 1 - Distribuição de matérias por gênero
jornalístico
Gênero jornalístico Qtd %
Notícia 69 50,7
Reportagem 63 46,3
Editorial 2 1,5
Entrevista 2 1,5
Total 136 100,0
Fonte: Dados da Pesquisa.
No período estudado, encontramos ainda dois editoriais de O
Liberal acerca do assunto e duas entrevistas de página inteira que
tratavam da temática: uma com a advogada Celina Hamoy,
coordenadora do Cedeca-Emáus e outra com Roberta Sandrelli,
patroa então acusada de assassinar uma menina de 11 anos que trabalhava como babá.
Gráfico 1 - Variação da cobertura sobre o TID ao longo de 10
anos, por quantidade de matérias
Fonte: Dados da Pesquisa.
A trajetória de crescimento da quantidade de matérias
jornalísticas acerca do TID no Pará acompanha o desenvolvimento
do Petid e o início da tematização pública desse tipo de trabalho
infantil, principalmente por meio da divulgação dos resultados de
pesquisas locais e nacionais sobre o assunto. A forte subida em 2002, que foi mantida em 2003, representa os anos de atuação mais
consolidada do Programa e o início do financiamento da OIT ao
projeto paraense. Nesse período, foram realizadas ainda, pela Andi
– Comunicação e Direitos juntamente com o Cedeca-Emaús,
oficinas com jornalistas acerca do TID. Em 2004, a subida se
acentua quando é lançada a segunda fase da campanha de
publicidade do Petid. Em novembro de 2005, ocorreu a morte da
menina Marielma de Jesus Sampaio, de 11 anos, assassinada pelos patrões que a levaram de Vigia, cidade do interior do Pará, com a
finalidade de se tornar babá da filha deles em Belém. O caso e os
respectivos desdobramentos legais ganham bastante repercussão
entre os anos de 2006 e 2007.
Relevante destacar que, para composição de nosso corpus,
consideramos apenas as matérias sobre o caso que
problematizaram algum aspecto do trabalho infantil, e não apenas noticiavam os fatos relativos ao crime ou ao julgamento dos
acusados. De 2008 a 2009, percebemos uma queda na quantidade
de matérias sobre o assunto, porém, nesse período, houve uma
quantidade significativa de reportagens que discutiam diferentes nuances do TID. No próximo capítulo, apresentaremos em detalhes
como ocorreu essa cobertura e a relação dos discursos dos media
com as falas das pessoas afetadas por essa problemática. Antes,
porém, apresentaremos aspectos metodológicos relacionados aos
grupos focais.
Grupos focais
A decisão pela realização de grupos focais como método de
investigação e coleta de dados ocorreu por os considerarmos
espaços propícios para discussão acerca do TID. Esse método é
considerado bastante adequado para examinar experiências,
opiniões e preocupações dos sujeitos. (KITZINGER; BARBOUR,
2001) Ainda mais porque possibilita a interconexão entre diferentes
vivências e opiniões, o que pode oportunizar a construção de novos vieses e pontos de vista acerca de problemas comuns. Segundo
Kitzinger e Barbour, “Participantes dos grupos focais têm a
oportunidade de juntar as experiências fragmentadas dos membros
do grupo e poder passar a ver os eventos em suas próprias vidas
sob uma nova luz no curso de tal discussão”. (KITZINGER;
BARBOUR, 2001, p. 19, tradução nossa)
Devemos ressaltar que a finalidade dos grupos focais não poderia
ser a de reproduzir ambientes de conversação cotidianas dessas meninas e mulheres. Não se trata de defender o método ou a
validade da realização desses grupos por meio de justificativas para
tentar aproximá-lo de condições realmente compartilhadas no dia a
dia pelas entrevistadas. Partimos da premissa de que os grupos
focais são ambientes previamente organizados, mas que podem se
tornar ricos espaços de interação entre aquelas meninas e mulheres
e que são capazes de estimular construções de sentido em
conjunto. Além disso, nosso objetivo é investigar as relações de poder a partir dos discursos sobre o TID, o que também poderia, sem dúvida, ser percebido por meio de entrevistas individuais e do
aprofundamento em histórias de vida. 8
Todavia, nossa questão de pesquisa é mais ampla e abrange as
possibilidades de configuração política do TID a partir das próprias
envolvidas. Além disso, como vimos no capítulo três, a politização
de determinados temas envolve necessariamente discussão.
Portanto, o processo de interação nos grupos nos pareceu mais rico e relevante do que apenas entrevistas individuais. Como afirma
Marques (2007):
[…] as pessoas, ao conversarem e trocarem pontos de vista umas com as
outras, podem melhorar formas de pensar e de interpretar questões políticas
que afetam diariamente suas vidas, e, ainda, aperfeiçoar os modos de
formular verbalmente questões tidas como relevantes (MARQUES, 2007, p.
155)
A diferença crucial entre entrevistas individuais e grupos focais é
que os últimos permitem a coleta de dados no contexto de interação
mais amplo, em que há o estímulo para que os entrevistados
respondam uns aos outros. (Kitzinger; Barbour, 2001) Essa
característica também os distingue de outras formas de entrevistas em grupo. De acordo com Kitzinger e Barbour (2001), nos grupos
focais, as interações são consideradas para geração de dados de
análise, e não apenas as falas isoladas dos participantes:
Ao invés de perguntar questões a uma pessoa de cada vez, os
pesquisadores de grupo focal encorajam os participantes a conversar entre
eles: fazendo perguntas, trocando anedotas e comentando acerca das
experiências e dos pontos de vista dos outros. No mínimo, os participantes
da pesquisa criam um público para o outro (KITZINGER; BARBOUR, 2001,
p. 4, tradução nossa)
Desse modo, compreendemos os grupos focais como contextos
de interaçãonos quais há produção discursiva, e não como espaço
de checagem de resultados de sondagens de opinião, como eles
são normalmente vistos pela pesquisa mercadológica. (KITZINGER;
BARBOUR, 2001; MORGAN, 1997) Afinal, os “grupos focais são
eles mesmos um contexto social” (WILKINSON, 2001, p. 66,
tradução nossa) que propicia ao investigador observar como os sentidos são construídos de modo conjunto por meio da interação
entre os participantes.
Barbour chama atenção para o caráter situado e contextual das
interações nos grupos focais. De modo complementar, Callaghan, citada por Barbour (2009), afirma que, dependendo do modo como
os grupos focais são organizados, eles podem acessar
conhecimentos e perspectivas que compõem o habitus de
determinados grupos, fazendo clara referência à teoria de Bourdieu
sobre o assunto.
Como observa Morgan, “grupos focais são úteis quando se trata
de investigar o que os participantes pensam, mas eles são
excelentes em desvendar porque os participantes pensam como pensam”. (MORGAN apud BARBOUR, 2009, p. 56) Assim, por
conta dos possíveis ganhos analíticos, decidimos investir nessa
forma de pesquisa de campo bastante exigente do ponto de vista da
logística, da criação de condições de realização, dos desafios da
moderação, da dificuldade de registrar aqueles momentos mais
complexos do que o gravador poderia alcançar e das formas de se
analisar esse material.
Apesar de reconhecermos as potencialidades do método de grupos focais, procuramos manter uma postura constantemente
crítica em relação ao papel deles na pesquisa e às formas pelas
quais os estávamos conduzindo. Desse modo, como
apresentaremos mais adiante, tivemos o cuidado de realizar grupos
exploratórios para verificar a validade do método em fornecer
respostas ao nosso problema de pesquisa. Roteiros, questões,
perfis das entrevistadas foram pensados à luz da experiência de
realização de grupos iniciais.
Duas questões merecem ser destacadas em relação aos grupos
focais com sujeitos considerados “vulneráveis” ou “oprimidos”: (a)
como lidar com temas sensíveis?; (b) como acessar o que seria a
“verdade” nas falas dos entrevistados? Com o propósito de
esclarecer nossa posição acerca dessas indagações, iremos discuti-
las a seguir.
Como lidar com temas sensíveis?
Um dos desafios enfrentados desde o início era como realizar os
grupos focais acerca das relações de poder no TID de modo a não
causar constrangimentos para meninas e mulheres que foram
trabalhadoras na infância e na adolescência. Para Klocker (2012), ao trazer à tona casos de exploração e de violência, há o risco de
afetar negativamente as entrevistadas por meio da recordação de
situações tristes que poderiam estar esquecidas. Nesse sentido, a
autora argumenta que o TID é um tema sensível que demanda
especial atenção do investigador na realização e na condução de
entrevistas9.
Segundo Barbour (2009), a “delicadeza” de um assunto não é
algo inerente a ele, mas o produto de um processo cultural e social.
A pesquisadora argumenta que grupos focais podem ser utilizados
para coleta de dados em grupos de distintos indivíduos tidos como
“vulneráveis” acerca de temas “difíceis”, como, por exemplo, pesquisas empreendidas com garotas suecas acerca de
sexualidade e aborto, com pacientes terminais acerca dos cuidados
no fim da vida, ou ainda com doentes mentais. Na nossa pesquisa,
a dificuldade é não afetá-las negativamente com as discussões nos
grupos focais e, ao mesmo tempo, buscar um meio termo para que
a abordagem não fique superficial ou amena demais a ponto de
desfavorecer a pesquisa.
Tal perspectiva está de acordo com a de Farquhar (2001), que defende a necessidade de o pesquisador refletir acerca do que é
julgado como tema sensível e por quem. Nessa perspectiva, é
essencial que se avalie o quanto que um desenho de pesquisa pode
ser sensível “em razão do com quem queremos conversar, quem
nós somos ou sobre o que queremos conversar. Somente então é
possível avaliar com propriedade a adoção de um método particular
como os grupos focais”. (FARQUHAR, 2001, p. 49, tradução nossa)
Após essa etapa, de acordo com a autora, é essencial também refletir sobre as implicações que a realização de grupos focais pode
trazer para o estudo em curso e para os sujeitos envolvidos na
pesquisa, tanto entrevistados quanto pesquisadores. (FARQUHAR,
2001)
Sobre a realização de grupos focais acerca de temas sensíveis,
Farquhar (2001) afirma que a configuração grupal favorece o compartilhamento de experiências e processos de autorrevelação
mais do que entrevistas isoladas. Em razão disso e do perfil
homogêneo das participantes, que estão ou estiveram envolvidas
com o TID, os grupos focais podem estimular a emergência de situações que não haviam sido expostas e discutidas (como, por
exemplo, casos de abuso sexual de patrões). No entanto, como lidar
com as consequências da exposição dessas situações durante o
grupo e na vida de meninas e mulheres?
Farquhar apresenta algumas orientações em relação sobre como
iniciar grupos focais sobre temas sensíveis. Atividades de
aquecimento, explicações claras sobre o que está acontecendo e o
que irá ocorrer em seguida, definição de regras, discussão sobre a possibilidade de gravação. Entretanto, é preciso ter bom senso em
relação à escolha das atividades de aquecimento, sobretudo,
quando o grupo a ser entrevistado é composto por adultos, porque
eles podem não querer se engajar nesse tipo de atividade. Começar
de um assunto menos pessoal para um mais pessoal também pode
ajudar a desenvolver e estimular a discussão no grupo.
(FARQUHAR, 2001) Morgan (1997) sugere, ainda, a adoção da
estratégia do funil,na qual a discussão começa por assuntos sobre os quais os participantes possam facilmente falar e discutir para,
paulatinamente, ir aprofundando em direção às temáticas principais.
Apesar dos desafios para lidar com temas sensíveis ou sujeitos
vulneráveis em grupos focais, Farquhar (2001) ressalta que esse
método de coleta de dados pode contribuir para dar voz a
expressões e indivíduos por vezes pouco considerados na arena
pública. “Podem criar um espaço relativamente seguro para a
divulgação das experiências ou comportamentos que em outros contextos seriam vistos como tabu” (FARQUHAR, 2001, p. 62,
tradução nossa) ou, no nosso caso, expressões de sujeitos
inferiorizados, segundo hierarquias de valor sociais amplamente
compartilhadas em nossa sociedade. (SOUZA, 2009)
Compreendemos, portanto, que o TID pode ser considerado um
tema sensível em razão do perfil das pessoas entrevistadas
(meninas e mulheres que foram ou são trabalhadoras infantis
domésticas), uma vez que os conteúdos da discussão poderiam evocar a recordação e o testemunho de situações de violência. Ao mesmo tempo, acreditamos que o contexto interativo do grupo focal,
quando construído entre sujeitos que compartilharam experiências
semelhantes, pode atuar como espaço de tematização de
elementos antes não discutidos. Assim, os grupos focais podem se configurar como espaços em que essas meninas e mulheres
afetadas pelo TID podem fazer uso da palavra. Oferecer condições
para que discutam sobre o assunto significa prestar atenção ao que
elas têm a dizer (e como dizem) sobre as próprias vidas e sobre
assuntos que lhes dizem respeito.
Como acessar o que seria a “verdade” nas falas dos
entrevistados?
Uma crítica comum a pesquisas que envolvem a investigação de
sujeitos considerados subjugados por relações de poder refere-se à
“incapacidade” dos entrevistados de fornecerem informações
verdadeiras acerca de sua própria condição, na medida em que tudo
que disserem será visto como resultado de processos ideológicos.
Conforme apresentamos no início deste capítulo, na pesquisa sobre a ralé brasileira, Souza (2009) e colaboradores empreenderam um
grande esforço e realizaram repetidas entrevistas com os mesmos
sujeitos durante dois anos, visando a “reconstruir” a verdade acerca
dos depoimentos de suas fontes, de tal forma que interesses e
conflitos latentes pudessem ser apreendidos e interpretados.
A posição do autor é a de que, num primeiro momento de
entrevista, as pessoas tendem a revelar e comentar sobretudo
aspectos positivos da sua própria história, “maquiando”, de certa forma, a realidade vivida. Com o desenrolar de outros momentos de
questionamento, tenderiam a surgir mais paradoxos e ambiguidades
do primeiro cenário construído pelo entrevistado.
A partir da literatura acerca de grupos focais e da experiência
como moderadora, consideramos plausível afirmar que a dinâmica
interativa desse método de coleta de dados possibilita a emergência
dessas tensões e ambiguidades em relação aos depoimentos e
relatos apresentados pelos sujeitos nos grupos. Isso porque, durante os processos de discussão nos grupos focais, pretensões
de validade são testadas, questionadas e postas à prova constantemente pelos próprios participantes. Ainda assim,