Estatística e Probabilidade: com ênfase em exercícios resolvidos e propostos
Exercícios Resolvidos
5.1 O submarino Corsário I dispara quatro torpedos em cadência rápida
contra o navio Pégaso. Cada torpedo tem probabilidade igual a 90 %
de atingir o alvo. Qual a probabilidade de o navio receber pelo menos
um torpedo?
Solução:
Considere a variável aleatória X = número de torpedos que
atingem o alvo, com parâmetros n = 4, p = 0,90 e q = 0,10.
Sabemos que P(X = 0) + P(X ≥ 1) = 1, ou seja,
P(X ≥ 1) = 1 − P(X = 0)
Come
concluímos que P(X ≥ 1) = 1 − 0,0001 = 0,9999 ✓
5.2 Se a probabilidade de ocorrência de uma peça defeituosa é de 30 %,
determinar a média e o desvio padrão da distribuição de peças
defeituosas de um total de 800.
Solução:
Temos n = 800, p = 0,30 e q = 0,70
Assim, podemos escrever:
Média:
μ = np = 800 × 0,30 = 240 peças defeituosas. ✓
Desvio padrão:
≅ 12,96 peças defeituosas. ✓
5.3 Sabe-se que X possui distribuição binomial com média 3 e variância
2,1. Pede-se determinar P(X = 9).
Solução:
Valor esperado:
Variância:
Substituindo (I) em (II) encontramos:
3q = 2,1 ∴ q = 0,7
Portanto, p = 1 – q = 0,3 e n = = 10.
Assim, P(X = 9) = (0,3)9(0,7)1 ≅ 0,0001377 ✓ 5.4 Um quarto da população de certo município não assiste regularmente
a programas de televisão. Colocando-se 500 pesquisadores, cada um
entrevistando quatro pessoas, estimar quantos desses pesquisadores
informarão que até duas pessoas são telespectadoras habituais.
Solução:
Destaque a variável aleatória X = número de telespectadoras
habituais, com parâmetros n = 4, p = 0,75 e q = 0,25.
Como estamos interessados em P(X ≤ 2), façamos os cálculos
das probabilidades seguintes:
P 0 4 ( X = 0) = (0,75) (0,25) ≅ 0,0039
P 1 3 ( X = 0) = (0,75) (0,25) ≅ 0,0468
P 2 2 ( X = 0) = (0,75) (0,25) ≅ 0,2109
Segue-se que P(X ≤ 2) = 0,0039 + 0,0468 + 0,2109 ≅ 0,2616 Logo, o valor esperado será igual a:
0,2616 × 500 ≅ 131 pesquisadores ✓
5.5 Os registros de uma pequena empresa indicam que 30 % das faturas
expedidas são pagas após o vencimento. De 10 faturas emitidas, qual
a probabilidade de exatamente três serem pagas com atraso?
Solução:
Seja X = o número de faturas pagas com atraso com n = 10, p =
0,3 e q = 0,7.
P 3 7 ( X = 3) = (0,3) (0,7) ≅ 0,2668 ✓
5.6 A probabilidade de um sapato apresentar defeito de fabricação é de 3
%. Para que um par de sapatos seja rejeitado pelo controle de
qualidade, basta que apenas um dos pés, direito ou esquerdo,
apresente defeito. Em uma partida de 40.000 pares, qual o valor
esperado e o desvio padrão do número de pares totalmente
defeituosos?
Solução:
Considere X = o número de pares a serem rejeitados. Logo, X é
uma variável aleatória com distribuição binomial de parâmetros seguintes:
n = 40.000 e p = 1 − (0,97)2 = 0,0591
Portanto,
Valor esperado:
μ = np = 40.000 × 0,0591 = 2364 pares defeituosos. ✓
Desvio padrão:
≅ 47 pares defeituosos. ✓
5.7 Na venda de um produto temos duas opções:
• cobrar $ 1000 por peça sem inspeção;
• classificar o lote em produto de 1a e 2a qualidades, mediante a
seguinte inspeção: retiramos cinco peças do lote e se não encontramos mais que uma defeituosa o lote será classificado de 1a qualidade, sendo de 2a qualidade o lote que não satisfizer tal
condição. Sabe-se que o preço de venda é de $ 1200 por peça do lote de 1a e $ 800 por lote de 2a.
Se cerca de 10 % das peças produzidas são defeituosas e são
vendidos 50 lotes contendo 10 peças cada, analisar qual das duas opções é mais vantajosa para o vendedor.
Solução:
Temos n = 5, p = 0,10, q = 0,90.
Portanto, a probabilidade de o lote ser classificado como de 1a e
de 2a qualidade é, respectivamente, de 91,85 % e 8,15 %.
Como existem 50 lotes de 10 peças cada, na primeira opção o
faturamento será de $ 1000 × 50 × 10 = $ 500.000.
Com a opção de inspeção espera-se faturar:
E(X) = 1200 × 0,9185 + 800 × 0,0815 = $ 1167,40, ou seja, o
preço médio por peça é de $ 1167,40 e o faturamento esperado é de $ 583.700.
Logo, conclui-se que a segunda opção é a mais vantajosa. ✓
5.8 Ontem, 80 % das ações mais negociadas na Bolsa de Valores Alpha
Betha caíram de preço. Suponha que você tenha uma carteira com 20
dessas ações e que as ações que perderam valor possuam distribuição
binomial.
Pede-se calcular:
a. quantas ações de sua carteira você espera que tenham caído de
preço;
b. o valor do desvio padrão das ações na carteira;
a probabilidade de que tenham caído de preço exatamente 15
c.
dessas ações.
Solução:
Considere a variável aleatória X = número de ações da carteira
com parâmetros n = 20, p = 0,80 e q = 0,20.
a. Para estimarmos o número de ações da carteira que devem ter
caído de preço, partimos do conhecimento prévio de que 80 % das ações mais negociadas caíram de preço.
Portanto,
μ = np = 20 × 0,80 = 16 ações. ✓
b. Desvio padrão:
c. P(X = 2) (0,8)15(0,2)5 ≅ 0,1745 ≅ 17,45 %. ✓
5.9 Determine a distribuição de probabilidade de meninos e meninas em
famílias com três filhos, admitindo iguais as probabilidades de
nascimento de menino e menina. Esboce um gráfico de distribuição.
Solução:
Considere a variável aleatória X = número de nascimentos de
meninos com parâmetros n = 3, p = 0,50 e q = 0,50.
A função de probabilidade de X é dada por:
Ou ainda,
Portanto, a distribuição de probabilidades será dada por:
5.10 Se X é uma variável aleatória que possui distribuição binomial de
parâmetros n e p, ou seja, B(n, p), provar que a variável definida por
Y = n − X tem distribuição B(n, q), em que q = 1 − p.
Solução:
Logo, verificamos que Y é B(n, q). ✓
5.11 Fixado um inteiro positivo n, consideremos uma família de variáveis
aleatórias x , em que x possui distribuição binomial de parâmetros n p p
e p, ou seja, B(n, p). Pede-se determinar o conjunto de parâmetros p
de sorte que:
P(xp = 0) > P(xp = 1), em que 0 ≤ p < 1.
Solução:
Se P(x = 0) > P(x = 1), podemos escrever: p p
O resultado obtido em (I) também pode ser escrito como:
(1 − p)n − 1 (1 − p) > np (1 − p)n − 1
que por sua vez é equivalente a:
(1 − p) > np, isto é, p < 1/(1 + n).
Concluímos então que:
0 ≤ p < 1/(1 + n) ✓
5.12 Se X possui distribuição binomial, mostre que:
a. μ = np
b. σ2 = npq
Solução:
a. Valor esperado:
b. Variância:
Fazendo a transformação X 2 = X(X − 1) + X, temos:
Entretanto,
Substituindo (III) em (II), obtemos:
Aplicando (IV) em (I) encontramos a variância procurada:
Var(X) = E(X2) − [E(X)]2 = E(X2) − n2p2
Var(X) = n2p2 − np2 + np − n2p2
Var(X) = np − np2 = np(1 − p) = npq ✓
5.13 A Empresa Dana & Dynho Ltda. produz esferas metálicas que são
embaladas em caixas com 50 unidades cada. O departamento de
qualidade dessa empresa examina cada caixa antes de sua remessa
para o cliente, testando oito esferas. Se nenhuma esfera for
defeituosa, a caixa é aceita. Do contrário, todas as esferas da caixa
são testadas. Se existem quatro esferas defeituosas em uma caixa,
qual a probabilidade de que seja necessário examinar todas as esferas
da caixa?
Solução:
Considere:
número total de esferas da caixa N = 50; número de esferas defeituosas da caixa D = 4 (portanto 46 esferas não apresentam defeitos);
tamanho da amostra n = 8; X : número de esferas defeituosas da amostra.
Portanto, X segue uma distribuição hipergeométrica cuja função
de probabilidade é dada por:
Assim,
5.14 Em um lote de 50 peças existem três defeituosas. Se desse lote forem
retirados aleatoriamente duas peças sem reposição, pede-se
determinar o valor esperado e a variância para o número de peças
defeituosas do mesmo.
Solução:
Se X representa o número de peças defeituosas da amostra, então
ela segue uma distribuição hipergeométrica de parâmetros:
N = 50; D = 3 e n = 2, p = 3/50 e q = 47/50.
Valor esperado:
Variância:
5.15 De um lote de 200 peças, retiram-se cinco para serem analisadas pelo
controle de qualidade. Admitindo que a porcentagem de peças
defeituosas no lote seja de 1 %, determine a probabilidade de que,
entre as cinco peças retiradas, pelo menos uma seja defeituosa.
Determine, também, o valor esperado e a variância para o número de
peças defeituosas desse lote.
Solução:
Sejam N = 200, D = 2 e n = 2 com p = 0,01 e q = 0,99 e X:
número de peças defeituosas da amostra.
Evidentemente, X segue uma distribuição hipergeométrica cuja
função de probabilidade é dada por:
Valor esperado:
μ = NP = 2 × 0,01 ≅ 0,02 ✓
Variância:
5.16 Se X possui distribuição hipergeométrica, mostre que:
a. μ = np
b. σ2 = npq ×
Solução:
Sabemos que:
em que e , conforme definido no resumo
teórico.
a. Valor esperado
Fazendo v = X − 1 temos:
b. Variância:
Fazendo a transformação X2 = X(X − 1) + X temos:
Fazendo v = X − 2, temos:
Substituindo (III) em (I) encontramos a variância procurada:
5.17 Na revisão tipográfica de um livro encontrou-se, em média, 1,2 erro
por página. Das 600 páginas do livro, estimar o número de páginas
que não precisam ser modificadas por não apresentarem defeitos.
Solução:
Denotemos a variável aleatória X = número de defeitos por
página, com λ = 1,2.
Ora,
Logo, o valor esperado será igual a 600 × 0,3011 ∩ 181, ou seja,
em média é de se esperar que 181 páginas não apresentem defeitos. ✓
5.18 Calcular a probabilidade de passarem exatamente dois carros por
minuto em um posto de pedágio pelo qual passam, em média, quatro
carros por minuto.
Solução:
Seja a variável aleatória X = número de carros por minuto com
média λ = 4.
Temos então:
5.19 Sabendo-se que a probabilidade de um indivíduo acusar reação
negativa à injeção de determinado soro é 0,001, determine a
probabilidade de que, em 3000 indivíduos:
a. exatamente dois acusem reação negativa;
b. mais de dois indivíduos acusem reação negativa.
Solução:
Seja a variável X = número de indivíduos que acusam reação
negativa. X possui distribuição de Bernoulli, mas, supondo que reações negativas sejam eventos raros, podemos considerá-la como distribuição de Poisson com:
λ = 3000 × 0,0001 = 3
Portanto,
a.
b. P(X > 2) = 1 − [P(X = 0) + P(X = 1) + P(X = 2)]
em que:
Portanto, P(X > 2) = 1 − 8,5e−3 ∩ 0,5768 ∩ 57,68 % ✓ 5.20 Em uma linha adutora de água de 60 km de extensão, o número de
vazamentos no período de um mês segue uma lei de Poisson de
parâmetro λ = 4. Qual a probabilidade de ocorrer, durante o mês, pelo
menos um vazamento em certo setor de 3 km de extensão?
Solução:
No caso de um trecho de 3 km de extensão, o número de
vazamentos seguirá a lei de Poisson de parâmetro .
Logo, a probabilidade de pelo menos um vazamento é dado por:
5.21 Se X e Y são variáveis independentes possuindo distribuição de
Poisson com parâmetros λ e μ, nessa ordem, então Z = X + Y tem
distribuição de Poisson com parâmetro λ + μ.
Solução:
Sabemos que
Por isso,
5.22 Um automóvel viaja sempre equipado com dois pneus novos nas
rodas dianteiras e dois pneus recauchutados nas rodas traseiras. Sabe-
se que os pneus novos dessa marca costumam furar em média à razão
de uma vez a cada 6000 km rodados, ao passo que os pneus
recauchutados furam, em média, uma vez a cada 3000 km.
Admitindo-se que os pneus que furam são logo consertados e
recolocados na mesma posição, deseja-se saber a probabilidade de
que, em uma viagem de 2000 km,
a. o pneu traseiro direito fure uma única vez;
b. o pneu dianteiro esquerdo fure uma única vez;
c. haja pelo menos um pneu furado.
Solução:
Considere as variáveis aleatórias independentes X e Y iguais,
respectivamente, ao número de pneus, traseiros e dianteiros, furados em um percurso de 2000 km, em que:
= 0,333 furo por pneu trasciro;
= 0,666 furo por pneu trasciro;
a. P(X = 1) = ≅ 0,2386 ✓
b. P(Y = 1) = ≅ 0,3419 ✓
c. A seguir, mostramos duas possíveis formas de resolver o
problema embora a segunda maneira seja a mais adequada, por ser mais simples e de compreensão mais fácil.
1a forma:
Pelo menos um pneu traseiro furado:
P(X ≥ 1) = 1 – P(X = 0) = 1 – ≅ 0,2834
Pelo menos um pneu dianteiro furado:
P(Y ≥ 1) = 1 – P(Y = 0) = 1 – ≅ 0,2834
Portanto, a probabilidade P de pelo menos um pneu traseiro ou
dianteiro furado é igual a:
P = P(X ≥ 1) + P(Y ≥ 1) – P(X ≥ 1) × P(Y ≥ 1)
P = 0,2834 + 0,4865 – (0,2834 × 0,4865) ≅ 0,632 ✓
2a forma:
Se X e Y são variáveis independentes de Poisson, com
parâmetros λx, λy, então X + Y tem distribuição de Poisson com parâmetro λ + λ , conforme o exercício anterior. x y
Fazendo Z = X + Y, teremos λz = λx + λy = 0,3333 + 0,6666 =
0,9999.
Assim,
P(Z ≥ 1) = 1 – P(Z = 0) = 1 – ≅ 0,632 ✓
5.23 Uma máquina automática enche latas de 10 cm3 de determinado
produto. Cada lata é considerada defeituosa se aparecerem dois ou
mais defeitos. Os defeitos classificados pelo controle de qualidade
são dos tipos X e Y. Em média, aparecem 0,05 defeito X por cm3 e
0,15 defeito Y por cm3. Qual a probabilidade de uma lata ser
considerada defeituosa?
Solução:
Considere as variáveis aleatórias independentes X e Y relativas
aos defeitos tipo X e Y, respectivamente, com:
λ = 0,05 × 10 = 0,5 x
λy = 0,15 × 10 = 1,5
Seja também a variável W = X + Y, com distribuição de Poisson
λ = λ + λ = 0,5 + 1,5 = 2. z x y
P(W ≥ 2) = 1 – P(W = 0) – P(W = 1) = 1 – ≅ 0,5939 ✓ 5.24 A Indústria Controlada S.A. tem dois eventuais compradores de seu
produto que pagam preços em função da qualidade:
• o comprador A paga $ 150,00 por peça, se em uma amostra de
100 peças não encontrar nenhuma defeituosa;
• o comprador B paga $ 200,00 por peça, desde que encontre no
máximo uma peça defeituosa em 120 peças, pagando pelo restante $ 30,00.
Qual dos dois compradores deveria ser escolhido pelo
empresário se ele sabe que, na produção das peças, 3 % são defeituosas?
Solução:
Como a probabilidade de encontrarmos peças defeituosas é
pequena (p = 0,03) para amostras relativamente grandes, podemos utilizar a distribuição de Poisson para analisar as propostas dos dois compradores.
Proposta do comprador A:
Considere X o número de peças defeituosas em uma amostra de
tamanho 100.
λ = 0,03 × 100 = 3 defeituosas
Portanto, o preço médio unitário esperado que se obtém com o
comprador A será:
= P(X = 0) × 150 + P(X > 0) × 50 ✓
= 0,0497 × 150 + [1 – 0,0497] × 50 ✓
∴ = $ 54,97 ✓
Proposta do comprador B:
Seja Y o número de peças defeituosas em uma amostra de
tamanho 120.
Portanto:
λ = 0,03 × 120 = 3,6 defeituosas
P(Y < 2) = P(Y = 0) + P(Y = 1)
Por conseguinte, o preço médio unitário esperado para o
comprador B será:
= P(Y < 2) × 200 + P(Y > 2) × 30 ✓
= 0,1256 × 200 + [1 – 0,1256] × 30 ✓
∴ = $ 51,35 ✓
Conclui-se desse modo que a melhor proposta é a do Comprador
B. ✓
Nota: Faz-se necessário lembrar que tal procedimento será repetido
várias vezes e que a qualidade do produto, isto é, a porcentagem de
peças defeituosas, mantém-se constante.
5.25 Em testes de qualidade ao longo de terreno acidentado, o pneu Botas
de Sete Léguas fura uma vez, em média, a cada 3000 km percorridos.
Os testes são efetuados sempre com o mesmo modelo de caminhão,
calçado com seis pneus e submetido à carga máxima. Em um teste em
que 750 km deverão ser percorridos, qual a probabilidade de nenhum
pneu furar, supondo que o desempenho segue a lei de Poisson?
Solução:
Seja Y = número de vezes que determinado pneu fura no teste de
750 km. Logo,E(Y) = 0,25 (número de vezes, em média, que o pneu fura em um percurso de 750 km). Como Y, por hipótese, segue a lei de Poisson, essa terá parâmetro igual a λ = E(Y) = 0,25.
Assim, P(Y = 0) = e−0,25 ≅ 0,778
Supondo a independência entre os desempenhos dos seis pneus, a
probabilidade pedida será igual a:
(0,778)6 ✓
5.26 Suponha que a variável aleatória X possui distribuição de Poisson
com média λ > 0. Sabendo-se que P(X = 1) = P(X = 2), pede-se
calcular P(X = 0).
Solução:
Sabemos que:
Como P(X = 1) = P(X = 2), temos:
Substituindo (II) em (I) encontramos:
P(X = 0) = e–2 ≅ 13,53 % ✓
5.27 Supondo que o número de carros que chegam a uma fila de guichê de
um pedágio possua distribuição de Poisson a uma taxa de três carros
por minuto, determine a probabilidade de chegarem quatro carros nos
próximos dois minutos.
Solução:
Considere X = número de carros por minuto com média λ = 6
carros/2 minutos.
Temos então:
5.28 A tabela seguinte demonstra o número de acidentes graves ocorridos
na Indústria Lambda S.A. durante determinado exercício fiscal:
Número de acidentes Número de dias
0 21
1 18
2 7
3 3
4 1
Pede-se ajustar uma distribuição de Poisson a esses dados
fazendo comparação entre o número de acidentes esperados e observados. Esboce um gráfico de distribuição.
Solução:
Inicialmente deveremos calcular o número médio de acidentes λ,
isto é:
acidente/dia.
Portanto, de acordo com a distribuição de Poisson, podemos
escrever:
Com base na distribuição encontrada em (I), podemos montar
uma tabela relacionando as probabilidades para cada número de dias, teórico e observado, em que ocorrem acidentes. Note que para obtermos os valores teóricos, multiplicamos o número total de dias em que ocorrem acidentes (no caso, 50) pelas probabilidades respectivas.
Número de Número de dias Probabilidade de
acidentes acidentes Esperado Observado
0 0,4066 20 21
1 0,3659 18 18
2 0,1647 8 7
3 0,0494 2 3
4 0,0111 1 1
Pelo que ficou exposto na tabela anterior, constata-se que os dados se
ajustam sobremaneira a uma distribuição de Poisson. ✓
5.29 Se a variável aleatória Y possui distribuição de Poisson com média λ
> 0, mostre que:
Solução:
Visto que Y possui distribuição de Poisson, podemos então
escrever:
Assim, substituindo (I) em (II) encontraremos o resultado final
desejado:
5.30 Os clientes chegam a uma loja a uma razão de cinco por hora.
Admitindo que esse processo possa ser aproximado por um modelo
de Poisson, determine a probabilidade de que durante qualquer hora:
a. não chegue nenhum cliente;
b. chegue mais de um cliente.
Solução:
Considere X = número de clientes por hora com média λ = 5. Assim:
a.
b. P(X > 1) = 1 − P(X < 2) = 1 − [P(X =0) + P(X = 1)]
5.31 Mostre que em que λ = np
Solução:
Escrevendo a distribuição binomial sob a forma:
substituindo p por , obtemos:
Se n → ∞, p → 0 quando λ permanece constante, os fatores:
Entretanto, .
Portanto,
5.32 Considere a variável aleatória X normalmente distribuída com média
μ e desvio padrão σ. Determine os valores de α e β de sorte que E(αX
+ β) = 0 e Var(αX + β) = 1.
Solução:
Resolvendo o sistema para α e β, obtemos:
5.33 No processo de fabricação de uma peça, verificou-se que a tolerância
de especificação enquadra-se entre a média mais ou menos duas
vezes o desvio padrão desse processo. Que porcentagem de peças
será rejeitada?
Solução:
Da curva normal sabe-se que, entre a média e mais ou menos
dois desvios padrões, situam-se 95,45 % das observações. Logo, o percentual de peças rejeitadas é de 4,55 %. ✓
5.34 Impostos pagos por uma comunidade distribuem-se de tal forma que
o coeficiente de variação vale 25 %. Sabendo-se que para um
contribuinte que paga $ 1200 corresponde um escore reduzido Z =
−1, determine o escore reduzido para um contribuinte que paga $
2100.
Solução:
Temos:
Contudo, o coeficiente de variação é igual a:
Substituindo (II) em (I) temos:
Portanto,
Desse modo, $ 2100 em unidades padronizadas será:
5.35 Na empresa Mandacaru, têm-se as seguintes informações sobre os
salários de dois empregados:
Salário mensal
Nome do empregado
Em $ Padronizado (Z)
Tita 700 2
Niki 450 –0,5
Baseado nos dados acima, determine a média e o desvio padrão
para os salários da empresa.
Solução:
Temos:
Resolvendo o sistema formado pelas equações (I) e (II) obtemos:
= $ 500 e σ = $ 100 ✓
5.36 Pela experiência de anos anteriores, verificou-se que o tempo médio
gasto por um candidato a supervisor de vendas, em determinado teste,
é aproximadamente normal com média de 60 minutos e desvio
padrão de 20 minutos.
a. Que porcentagem de candidatos levará menos de 60 minutos
para concluir o teste?
b. Que porcentagem não terminará o teste se o tempo máximo
concedido é de 90 minutos?
c. Se 50 candidatos fazem o teste, quantos podemos esperar que o
terminem nos primeiros 40 minutos?
Solução:
Seja a variável aleatória X = tempo gasto pelo candidato para
resolver o teste, com μ = 60 minutos e σ = 20 minutos.
a. Para
P(X < 60) = P(Z < 0) = 0,50 = 50 % ✓
b. Para
P(X > 90) = P(Z > 1,5)
P(X > 90) = P(Z > 0) – P(0 < Z < 1,5) = 0,5000 − 0,4332 = 0,0668 ✓
c. Para
P(X < 40) = P(Z < −1) = P(Z < 0) – P(−1 < Z < 0) = 0,5000 – 0,3413 =
0,1587
Logo, em 50 candidatos esperamos que aproximadamente 8
(0,1587 × 50) candidatos terminem o teste nos 40 minutos iniciais. ✓
5.37 A vida útil de lavadoras de pratos automáticas é de 1,5 ano, com
desvio padrão de 0,3 ano. Se os defeitos se distribuírem normalmente,
que porcentagem das lavadoras vendidas necessitará de conserto
antes de o período de garantia de um ano expirar?
Solução:
Seja a variável aleatória X = tempo de uso em anos com μ = 1,5
ano e σ = 0,5 ano.
Para
P(X < 1) = P(Z < −1,67) = P(Z < 0) − P(0 < Z < −1,67)
P(X < 1) = P(Z < −1,67) = 0,5000 − 0,4525 = 0,0475 = 4,75 % ✓
5.38 A Empresa Mandacaru S.A. produz televisores e garante a restituição
da quantia paga se qualquer televisor apresentar algum defeito grave
no prazo de seis meses. Ela produz televisores do tipo A (comum) e
do tipo B (luxo), com um lucro respectivo de $ 100 e $ 200 caso não
haja restituição, e com um prejuízo de $ 300 e $ 800 caso haja
restituição. Suponha que o tempo para a ocorrência de algum defeito
grave seja, em ambos os casos, uma variável aleatória com
distribuição normal, respectivamente, com médias de nove e doze
meses, e desvios padrões de dois e três meses. Se tivesse de planejar
uma estratégia de marketing para a empresa, você incentivaria as
vendas dos aparelhos do tipo A ou do tipo B?
Solução:
Aparelho do tipo A:
μ = 9 meses e σ = 2 meses.
Para
P(X < 6) = P(Z < −1,50) = 0,5000 − 0,4332 = 0,0668 ✓
que é a probabilidade de um aparelho apresentar defeito no prazo de
seis meses.
Consequentemente, a probabilidade de um aparelho não
apresentar defeito é de 0,9332.
Portanto, o lucro esperado para o tipo A será:
E(X) = 100 × 0,9332 − 300 × 0,0668 = $ 73,28 ✓
De modo análogo, temos:
Aparelho do tipo B:
μ = 12 meses e σ = 3 meses.
Para
P(X < 6) = P(Z < −2) = 0,5000 − 0,4772 = 0,0228 e, do contrário, 0,9772.
Desse modo, o lucro esperado para o tipo B será:
E(X) = 200 × 0,9772 − 800 × 0,00228 ≅ $ 193,61 ✓
Com base nos lucros esperados de vendas, pode-se sugerir um
plano de marketing para os aparelhos do tipo B. ✓
5.39 Determinado produto possui peso médio igual a 800 g e desvio
padrão 10 g. É embalada uma caixa com 24 unidades de tal produto,
que pesa, em média, 1850 g e desvio padrão de 12 g. Determine,
nessas condições, a probabilidade de que uma caixa cheia pese mais
que 21.200 g.
Solução:
Seja a variável aleatória X = peso de uma caixa cheia expresso
em gramas.
Temos então:
Média da caixa cheia:
μ = 800 × 24 + 1850 = 21.050 g
Variância da caixa cheia:
Var(X) = 24 × 102 + 122 = 2544 g2
Segue-se:
P(X > 21.200) = P(Z > 0) − P(0 < Z < 2,97)
P(Z > 21.200) = 0,5000 − 0,4985 = 0,0015 ✓
5.40 O peso médio das esferas metálicas produzidas pela Indústria Zepelin
Ltda. é de 39 kg, com desvio padrão de 11 kg. Supondo-se que os
pesos seguem uma distribuição aproximadamente normal, estimar a
proporção de esferas com peso:
a. entre 33 e 45 kg;
b. superior a 50 kg.
Solução:
Seja a variável aleatória X = peso das esferas metálicas de média
e desvio padrão iguais a μ = 39 kg e σ = 11 kg, respectivamente.
Portanto,
a. Para
Para
Logo, P(33 < X < 45) = P(−0,545 < Z < + 0,0545)
P(33 < X < 45) = 2 P(0 < Z < + 0,545) = 2 × 0,212 = 0,424 ✓
b. Para
Então, P(X > 50) = P(Z > 1)
P(X > 50) = 1 − P(0 < Z < 1)
P(X > 50) = 1 − 0,3413 = 0,1587 ✓
5.41 O Prof. Pi Rado aplica uma prova de Estatística Geral com 10
questões, atribuindo notas que variam de 0 a 10, de acordo com o
número de questões respondidas corretamente pelo aluno. Sabe-se
que a nota média foi de 6,7 e o desvio padrão de 1,2. Admitindo
distribuição normal das notas, determine:
a. a porcentagem de estudantes com seis pontos;
b. a maior nota entre os 10 % mais baixos da classe;
c. a menor nota entre os 10 % mais altos da classe.
Solução:
a. Para aplicar a distribuição normal a dados discretos, é necessário
tratá-los como se fossem contínuos. Portanto, um escore de seis pontos é considerado como 5,5 a 6,5.
Assim:
Para
Para
Logo, P(33 < X < 45) = P(−1,0 < Z < −0,17) = 0,2738 = 27,38 % ✓
b. Seja X1 a nota máxima procurada e Z1 seu equivalente em
unidades padronizadas. Assim, a área à esquerda de Z1 é 10 % = 0,10; logo a área entre Z 1 e 0 é 40 % e Z1 aproximadamente igual a −1,28.
c. Considere X2 a nota máxima procurada e Z2 seu equivalente em
unidades padronizadas. Do item (b), por simetria, temos Z 2 = 1,28. Portanto:
5.42 Sabe-se que os hotéis e companhias aéreas sempre garantem reservas
além de sua capacidade para assegurar lotação. Suponha que as
estatísticas feitas por um hotel mostrem que, em média, 10 % não
respondem às reservas feitas. Se esse hotel aceitar 250 reservas e
tiver somente 230 leitos, qual será a probabilidade de todos os
hóspedes que tiverem feito reservas conseguirem quarto quando
chegarem ao hotel?
Solução:
Seja a variável aleatória X = número de hóspedes que respondem
às reservas. Temos então:
Valor esperado:
μ = np = 0,9 × 250 = 225 hóspedes.
Desvio padrão:
Para
P(X < 230) = P(Z < 0) + P(1,05 < Z < 0) = 0,5 + 0,3531 = 0,8531 ✓
Latas de conservas são fabricadas por uma indústria com média de 5.43 990 g e desvio padrão de 10 g. Uma lata é rejeitada pelo controle de
qualidade dessa indústria se possuir peso menor que 975 g. Se for
observada uma sequência casual destas latas, qual a probabilidade de
que em 12 dessas latas, duas sejam rejeitadas?
Solução:
Primeiramente deveremos encontrar a probabilidade de uma lata
de conserva ser rejeitada pelo controle de qualidade.
Seja a variável aleatória X: peso das latas de conserva
normalmente distribuídas com média μ = 990 e desvio padrão σ = 10.
Para
P(X < 975) = P(Z < −1,50) = 0,5000 − 0,4332 = 0,0668
que é a probabilidade de uma lata ser rejeitada pelo controle de
qualidade.
Consideremos a variável aleatória Y : número de latas rejeitadas
pelo controle de qualidade com parâmetros n = 12 e p = 0,0668.
Assim,
5.44 A variável aleatória j é normalmente distribuída apresentando
amplitude total igual a 48. Pede-se estimar o desvio padrão.
Solução:
Como seis desvios padrões cobrem quase totalmente a distância
que vai desde o menor valor até o maior, ou seja, de −3σ a +3σ,
podemos estimar (mas não calcular) o desvio padrão σ* dividindo a amplitude total At por 6:
Essa regra é de fundamental importância aos olhos do aluno que
deseja testar se o cálculo do desvio padrão σ está correto. Por exemplo, se a amplitude total for 42, é de se esperar que o desvio padrão σ deva estar próximo do desvio padrão estimado σ* = 7.
Convém salientar ainda que:
• a regra de um sexto só deve ser aplicada para distribuições
normais composta por um grande número de observações;
• o desvio padrão é sempre menor que a amplitude total.
5.45 Os alunos de Física Geral II do Prof. Alan Din distribuem-se de
acordo com uma distribuição normal com média 6,0 e desvio padrão
0,5. O Prof. Alan Din atribui graus A, B e C da forma seguinte:
Nota maior ou A
igual a 7
Nota entre 5 e 7 B
Nota menor ou C
igual a 5
Determine o número esperado de alunos com grau A, B e C em
uma classe com 90 alunos.
Solução:
Inicialmente deveremos calcular as probabilidades P(X ≤ 5), P(5
< X < 7) e P(X ≥ 7), em que X representa as notas obtidas pelos
alunos do Prof. Alan Din.
Temos que:
Para
Para
P(X ≤ 5) = P(Z ≤ −2) = 0,07275
P(X ≥ 7) = P(Z ≥ 2) = 0,07275
P(5 < X < 7) = P(−2 < Z < 2) = 0,8545
Os valores esperados de alunos serão:
Grau A: 0,07275 × 90 = 7 ✓ Grau B: 0,8545 × 90 = 76 ✓ Grau C: 0,07275 × 90 = 7 ✓