Magníficos Estranhos

Elizabeth Klehfoth · Capítulo 1 de 44

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Magníficos Estranhos

Prólogo

 

O meu pai construiu a casa no lago Langely para a minha mãe, na pequena

cidade onde ela cresceu. Ficava a mais de uma centena de quilómetros dos

arranha-céus envidraçados que ele erigiu na cidade e a um mundo de

distância do apelido Calloway e do dinheiro e da penthouse no Upper East

Side.

A casa do lago não se assemelhava a nenhuma das que havia na pequena

cidade, com os seus revestimentos exteriores de vinil cinzento e alpendres

para guardar os carros. Não, a casa no lago Langely não era sequer uma

casa. Era uma fortaleza com três pisos, de pedra, com uma cerca larga e

sebes impenetráveis a toda a volta.

Quando era miúda, passávamos os verões nessa fortaleza. Recordo-me de

festas de pijama numa tenda montada no relvado das traseiras e de tardes

passadas a apanhar sol na jangada, a pouca distância da praia. Recordo-me

de copos altos de limonada a transpirar no pátio e dos vestidos de algodão

que a minha mãe usava, e dos seus chapéus de aba larga.

Em tempos, cheguei a pensar que o meu pai construíra aquela casa para

manter fora os restantes, mas depois o tio Hank encontrou as fotografias.

Estavam numa caixa de sapatos, escondida sob uma tábua solta do soalho,

no quarto dos meus pais. Tinham sido tiradas naquele verão de 2007,

algumas semanas antes do desaparecimento da minha mãe. Vi as fotografias

e percebi que estivera errada em relação a tudo.

É que o meu pai não havia construído a casa no lago Langely para manter

fora os demais. Construíra-a para nos manter dentro do seu perímetro.