Magníficos Estranhos
Sete CHARLIE CALLOWAY
Sete
CHARLIE CALLOWAY
2017
A viagem entre Knollwood, no New Hampshire, e a casa dos Fairchilds, em
Hillsborough, no Connecticut, demorava quatro horas e meia, mas eu
completei-a em menos uma, acelerando pelas autoestradas de New England
no meu Mercedes. A festa começava às sete da tarde, mas eu planeara fazer
duas paragens antes: uma na estação de comboios, para ir buscar a minha
irmã, Seraphina, que vinha do seu colégio interno, na Pensilvânia, e a outra
no supermercado, para não aparecer na festa de mãos a abanar.
Hillsborough era uma cidade pequena e operária do condado de Fairfield,
no Connecticut. A sua principal indústria era uma antiga serração na qual o
meu avô tinha trabalhado até à reforma. O meu pai construíra aí a casa, na
margem do lago, dois anos depois de casar com a minha mãe. As casas em
Hillsborough eram, na esmagadora maioria, caixas cinzentas, revestidas de
vinil, com entradas de garagem, ou meros alpendres para estacionar o carro,
em gravilha, mas a casa que o meu pai construiu não se assemelhava em
nada àquilo. Ficava na orla da cidade, junto à margem do lago, e o caminho
até à garagem era pavimentado e serpenteava desde a estrada, contornando
os enormes ulmeiros, ora mergulhando ora emergindo da sua sombra. Perto
da casa, havia um muro de pedra, ladeado por sebes com mais do que um
metro e meio de altura. Apesar disso, era possível avistar-se a casa, à
distância, erguendo-se contra o céu, três pisos com janelas enormes,
abobadadas.
Quando era criança, passava os verões naquela casa. A minha mãe,
Seraphina e eu deambulávamos descalças, de vestidos de algodão leve e
chapéus de palha com abas largas. Dormíamos até tarde e fazíamos piqueniques no relvado. À tarde, nadávamos até à jangada e aí nos
secávamos ao Sol, esparramadas. À noite, acampávamos numa tenda,
contávamos histórias de fantasmas ou observávamos o céu, coberto de
estrelas. Ao fim de semana, o meu pai juntava-se a nós, vindo da cidade.
Corríamos para a porta ao ouvir o carro dele subir o caminho e ele pegava-
nos ao colo e fazia-nos rodopiar e rir, estonteadas. Grelhava peixe para nós
no alpendre das traseiras e lia poesia à minha mãe. Era ainda capaz de vê-la,
na minha cabeça, com os pés apoiados numa cadeira, os olhos fechados e a
cabeça inclinada na direção da voz do meu pai; e eu e Seraphina a correr
pelo relvado, fugindo dos respingos dos aspersores, aos guinchos.
Na estação de comboios, enquanto esperava pelo comboio das seis e
meia, procedente de Reading, o meu telefone tocou. Era a minha irmã.
– Não te zangues comigo – começou ela, em jeito de cumprimento.
– Perdeste o comboio? – perguntei.
– Não é bem isso – respondeu ela.
– Onde é que estás?
– Em Reading – confessou ela.
– Ainda nem sequer saíste daí? – escandalizei-me.
– Foi por isso que te pedi que não te zangasses comigo. Não vou.
– Como assim, Seraphina, não vens?
– É que … Mudei de ideias, okay?
– Receias que o pai se passe, caso venha a descobrir? – inquiri.
– A questão não é essa.
– Então, qual é?
– Tens de abrir mão dela, de esquecê-la – disse Seraphina. – Eles
precisam de seguir em frente. O que vocês estão a fazer não é saudável para
ninguém.
A culpa não era dela, disse para mim mesma. Seraphina tinha apenas
cinco anos quando a nossa mãe desaparecera; era nova demais para se
lembrar das partes boas. Recordava unicamente o que toda a gente lhe
dissera para recordar, ou melhor, esquecera o que lhe fora pedido que
esquecesse.
*
Os Fairchilds vivam na ponta oposta da cidade, perto do hospital, numa
daquelas casas cinzentas, revestidas de vinil, numa rua estreita. Estacionei junto ao passeio, porque o caminho de gravilha estava apinhado. Vi a velha
carrinha do avô Fairchild sob o alpendre, a mesma com que o tio Hank
ensinara a minha mãe a conduzir quando ela tinha doze anos. Havia um
monovolume estacionado atrás dela e, na extremidade do caminho, com a
traseira a ocupar o passeio, a carrinha enferrujada do tio Hank.
Todas as luzes da casa estavam acesas e ouvi o ruído de um jogo de
futebol e os impropérios do meu avô, vindos da sala de estar, mal subi os
degraus do alpendre. Ainda me doía o tornozelo, em resultado da dentada de
Nancy, e coxeei até chegar à porta. A caminho dali, parara no supermercado
para comprar uma embalagem de biscoitos. Segurava-a à minha frente,
como um escudo, quando toquei à campainha.
Demoraram a atender, mas depois a porta abriu-se e ele encostou-se à
moldura, com uma cerveja na mão: Greyson Rhodes. Vestia uma sweatshirt
da Universidade do Connecticut e um par de calças de ganga gastas, usava o
cabelo louro e ondulado, mais comprido do que se usava, e uma barba de
uma semana a cobrir-lhe o queixo anguloso. E aqueles olhos cinzentos. Não
via Greyson desde que éramos miúdos. Tivera uma paixoneta assolapada
por ele quando era criança, porque ele era alto e entroncado e jogava
futebol. A mãe dele, Claire, era a melhor amiga da minha mãe, e Greyson
costumava tomar conta de mim, de Seraphina e do seu irmão mais novo,
Ryder, quando elas saíam juntas.
Semicerrou os olhos e depois reconheceu-me.
– Tocaste à campainha… A sério? – perguntou ele, como se a minha
presença ali não fosse sequer estranha e se tivesse passado uma curta
semana desde a última vez que nos víramos, e não anos.
– E tu és o quê, o comité de boas-vindas? – perguntei, levantando um
pouco a voz para que ele me conseguisse ouvir por cima do barulho do
jogo, das conversas e risadas vindas do interior da casa.
– O oposto, na realidade – respondeu Greyson, e deu um gole na cerveja.
– Achámos que eras um vendedor ou assim. Pior do que isso, os mórmones.
Fui escolhido para te mandar embora diplomaticamente.
– Não estamos interessados! – gritou alguém, dentro de casa.
– Trouxe biscoitos – anunciei, e exibi a embalagem.
– Oh, tão Martha Stewart da tua parte – gracejou ele.
– Greyson, quem é? – perguntou uma voz, que reconheci. Pertencia à
minha avó.
– É a Charlotte – respondeu ele, por cima do ombro.
Seguiu-se uma pausa e, no final, a minha avó apareceu atrás dele, a olhar
para mim, boquiaberta, como se eu fosse um ser extraterrestre acabado de
aterrar ali.
– Charlotte – disse ela, depois de se recompor. – Charlotte, não precisas
de tocar à campainha como se fosses uma estranha. Entra, entra, não te
acanhes.
Colocou o braço à volta dos meus ombros e fez-me entrar. Não parava de
dar-me palmadinhas carinhosas no braço como se receasse que eu fosse um
produto da sua imaginação e precisasse de se certificar de que estava
mesmo ali.
– Que surpresa que nos fizeste – comentou ela. – Uma surpresa muito
agradável. É tão bom ver-te. Olhem todos, a Charlotte está aqui.
Havia pessoas na sala que não reconheci e, por um momento, interroguei-
me se deveria reconhecê-las ou se eram apenas vizinhos ou amigos dos
meus avós. Reconheci a minha tia Caroline, mulher do tio Lonnie, sentada
num cadeirão com um bebé nos joelhos. Seria um primo que ainda não
conhecia. A tia Caroline parou de falar assim que cruzou o olhar com o meu
e, sobressaltada, deu um pequeno soluço. Acenei sem grande empenho para
os presentes.
– Olá – cumprimentei.
Talvez devesse ter telefonado primeiro, a avisá-los de que planeava ir à
festa.
– Trouxeste biscoitos! Que amável da tua parte, Charlotte – agradeceu a
minha avó calorosamente.
Tirou-me o pacote da mão e conduziu-me à cozinha. Dispôs os biscoitos
num prato e colocou-o na bancada, apinhada de todo o tipo de comida
caseira e deliciosa: um assado enorme, espigas de milho amanteigadas,
salada de batata e pãezinhos de massa lêveda.
Duas das minhas primas mais novas atravessaram a sala a correr e a
minha tia-avó Jane, irmã da minha avó, que segurava uma travessa de
batatas fritas e molhos, admoestou-as a que não corressem dentro de casa.
Na salinha, alguém gritou a pedir mais uma cerveja.
A casa dos meus avós fora sempre assim, desde que me lembrava:
apinhada, um movimento constante, toda a gente a falar ao mesmo tempo.
– São os preferidos do teu avô – revelou a minha avó, e pôs uns quantos num prato pequeno. Sorriu para mim como se eu soubesse desse facto e
tivesse comprado aqueles biscoitos a pensar nele, embora a verdade fosse
que os escolhera por serem os que estavam ao nível dos meus olhos no
supermercado.
Alguém colocou o braço à volta dos meus ombros e me deu um pequeno
apertão.
Quando virei a cara e vi quem era, retesei-me.
– Como é que vai a vida, boneca? – perguntou Claire Rhodes.
Tinham-se passado anos desde a última vez que vira Claire. Em criança,
ela era um dos adultos meus preferidos, porque falava comigo como se eu
fosse um dos adultos ou «uma das raparigas». Passava a vida em nossa casa,
no lago Langely, durante o verão, e ela e a minha mãe eram unha com
carne. Claire continuava a enviar-nos postais no aniversário, a mim e a
Seraphina, mas, não obstante todo o seu charme e boas intenções, sentia que
não podia confiar nela. Claire sabia mais acerca da minha mãe do que dava
a entender. Se havia alguém que soubesse ou desconfiasse que a minha mãe
planeava ir-se embora, ou que estivesse em contacto com ela presentemente,
essa pessoa seria Claire.
Abeirou-se da bancada e serviu-se de uma colherada de salada de batata.
– Vai bem – respondi. Como haveria uma pessoa de resumir os últimos
dez anos de vida de modo cordial e em poucas frases? – Frequento um
colégio interno em New Hampshire. Comecei agora o penúltimo ano de
liceu.
– E como é que estamos em relação a rapazes? – indagou Claire, levando
uma garfada de batata à boca. – E as festas? Conta-me tudo!
– Claire – admoestou a minha avó. – Tenho a certeza de que a Charlotte
leva os estudos muito a sério.
– Sim, mas há também que viver um pouco – alegou Claire. – A vida
passa-nos ao lado se estivermos o tempo todo com o nariz enfiado nos
livros. Ainda me lembro de como a Grace e eu éramos quando tínhamos a
tua idade, Charlotte. As coisas que fazíamos!
– A Grace teve os seus momentos de rebelião, como é normal com
qualquer adolescente – disse a minha avó. – Mas não devemos dar à
Charlotte uma ideia errada. A Grace era uma boa aluna.
– Não estou a dizer que a Grace não era inteligente – defendeu-se Claire.
– A Grace era esperta como um alho, mas estar encafuada numa sala de aulas ou estar sentada, quieta, não lhe enchia as medidas. Charlotte, a tua
mãe queria ser livre, viver a vida. As aventuras que nós tivemos. Uma vez,
já no liceu, roubámos uma autorização para sair da escola e fomos para o
passeio marítimo de Seaside Heights. Passámos o dia todo na praia, com os
pés na areia, a beber cerveja morna que um tipo nos dera no parque de
estacionamento.
– Charlotte – interrompeu-a a minha avó, e entregou-me o prato no qual
tinha posto alguns biscoitos –, levas isto ao teu avô? Está na salinha a ver o
jogo.
– Claro – respondi.
Atrás das costas da minha avó, Claire sorriu para mim e disse, movendo
apenas os lábios: «Já falamos».
A pequena sala estava quase às escuras. No seu cadeirão reclinável, o
meu avô segurava uma lata de cerveja numa das mãos e um pacote de
batatas fritas no colo. Endireitou-se de repente e apontou iradamente a
cerveja à televisão. Algumas das batatas fritas saltaram do pacote para as
calças dele.
– Chamas a isso uma falta? – gritou. – É melhor ires ao médico dos olhos!
O meu tio Lonnie, o mais novo dos meus tios, estava sentado no sofá, ao
lado de Greyson e do seu irmão mais novo, Ryder, que já era um
adolescente. Supus que teria mais ou menos a idade de Seraphina. O meu
primo Patrick, alguns anos mais novo do que eu, estava estendido no chão,
em frente ao televisor, e o tio Hank acomodara-se numa cadeira, junto à
mesa de jogo. Empalideceu ao ver-me ali e eu tratei de desviar o olhar.
Sabia que o mais certo era que ele não lhes tivesse falado da visita que me
fizera a Knollwood, nem das fotografias que encontrara em resultado da sua
entrada forçada na casa do lago. Provavelmente nunca esperara que eu
aceitasse o convite e aparecesse ali.
– Olá, avô – disse.
O avô descolou os olhos do televisor por um segundo e olhou para mim,
e, ligeiramente sobressaltado, desviou de imediato o olhar. Percebi do que
se tratava. Percebi que, por um instante, ele achara que eu era ela, a minha
mãe. Sempre fora muito parecida com ela, mas ultimamente essa
semelhança revelara-se inquietante.
– Charlotte – disse ele, ao fim de um momento. – Que fazes aqui?
Sorriu para mim, mas havia uma certa tristeza nesse sorriso, e recordei-me do motivo por que era tão duro voltar ali, estar perto deles. Levantou-se
do cadeirão e abraçou-me. Os Calloways não eram grandes fãs de exibições
físicas de afeto, mas não quis parecer mal-educada, por isso, esforcei-me
por abraçá-lo de volta, ao mesmo tempo que equilibrava o prato com os
biscoitos.
– Trouxe-lhe os seus biscoitos preferidos – anunciei, quando ele me
largou.
Mostrei o prato, em jeito de prova.
– Não digas à tua avó – pediu ele, aceitando o prato e piscando-me o olho.
– Ela acha que o açúcar me está a fazer engordar.
Deu uma palmadinha na barriga.
– Não é o açúcar que o está a engordar, é esse cadeirão onde passa o dia
todo sentado – gracejou o meu tio Lonnie. Levantou-se para me abraçar e eu
contornei a mesinha do café para que ele o fizesse. – É bom ver-te, miúda –
disse o tio Lonnie. – Hank, olha quem aqui está.
Desde a mesa de jogo, atrás do sofá, o tio Hank cumprimentou-me com
um aceno de cabeça.
– Olá, Charlotte.
– Olá, tio Hank – respondi.
– Tens aí um lugar ao lado do Ryder – apontou o tio Lonnie, acenando
com o queixo para a extremidade do sofá. – Senta-te e vê o jogo connosco.
Acomodei-me no sofá, perto da parede.
– Olá, Ryder – cumprimentei. – Há tanto tempo. Cresceste.
A última vez que vira Ryder ele era pequeno e magricelas, tinha cinco
anos e uma cabeleira de caracóis louros. Era uma criança cheia de energia,
sempre a dizer graçolas e a fazer asneiras. Agora era alto e esgalgado;
recostado no sofá, as suas pernas compridas desapareciam sob a mesinha do
café. Tinha um ar cansado.
– Iá – respondeu Ryder, sem tirar os olhos da televisão. – Foi um pico de
crescimento.
– Fixe – comentei. – Eu cá continuo à espera do meu.
Ryder limitou-se a fazer que sim com a cabeça.
– Os adolescentes pré-púberes são um público difícil – comentou
Greyson, inclinando-se um pouco para a frente e encolhendo os ombros.
– Não sou pré-púbere, ó estúpido! – reclamou Ryder.
– Olha a linguagem – ripostou Greyson.
Houve mais uma falta controversa na partida e toda a gente se exasperou
e reclamou, depois o tio Lonnie questionou Greyson acerca da equipa de
futebol da Universidade do Connecticut e eu fiquei sentada em silêncio,
esquecida. Sentia-me constrangida, uma estranha, o extraterrestre que
aterrara ali. Não sabia o que fazer com as mãos, por isso, enfiei-as nas
dobras dos braços. Pela centésima vez desde que chegara, arrependi-me de
ter ido.
Contemplei a parede forrada de madeira da pequena sala, as fotografias
emolduradas que o brilho da televisão iluminava esporadicamente. Eram na
sua maioria fotografias de Hank, de Will, de Lonnie e da minha mãe,
quando eram jovens. Hank na piscina municipal, onde foi nadador salvador;
Will com a sua farda dos Fuzileiros, em Parris Island; Lonnie no seu skate;
a minha mãe num pódio junto a uma piscina, com uma fita a dizer «Campeã
Estadual» a tiracolo, o cabelo molhado e a sorrir orgulhosamente para a
máquina fotográfica. Havia outras fotografias da minha mãe: numa delas,
tinha a cara toda suja de gelado e ria às gargalhadas, com a boca muito
aberta; numa outra, estava toda aperaltada, de vestido escarlate e cabelo
preso atrás, para um baile de liceu. Um rapaz moreno de fato e gravata tinha
o braço em redor da cintura dela e puxava-a para si.
A minha mãe era a única rapariga da família, tendo crescido no meio de
um bando de rapazes. Ocorreu-me que isto a tornara em mais dura. Ao olhar
para as fotografias, percebi que, antes da adolescência, fora uma espécie de
maria-rapaz, sempre a correr atrás dos irmãos, a tentar acompanhá-los,
esfolando os joelhos e as mãos. Depois, tornara-se em mais feminina e
apreciava maquilhagem e tops e um ou outro vestido, mas a verdade é que
nunca houvera nada de suave ou brando em relação à minha mãe. Naquele
último verão que passámos juntas, lembrava-me dela de queixo erguido e
ombros direitos, como se estivesse sempre à procura de uma briga.
Por volta das dez horas, reunimo-nos todos na cozinha, à volta da mesa.
Éramos demasiados para caber na pequena divisão e alguns tiveram de ficar
encostados à moldura da porta ou no corredor, em bicos dos pés. A minha
avó empurrou-me para junto da mesa e colocou o braço à volta dos meus
ombros, para me manter ali. Fizera um bolo de aniversário para a minha
mãe, e ela mesma o cobrira e decorara. «Feliz Aniversário, Grace», dizia em
glacé roxo por baixo de duas velas com um «4» e um «3». Toda a gente cantou desafinadamente os parabéns e, no final, olharam para mim. A
minha avó sussurrou-me ao ouvido, ainda com o braço à minha volta:
– Sopra as velas, Charlotte.
Sabia que, ao olharem para mim, não poderiam deixar de a ver a ela.
Inclinei-me para a frente, inspirei para apagar as velas e imaginei a minha
mãe numa praia de areia branca, algures muito longe dali, a fazer
exatamente a mesma coisa. Juntas, enchemos os pulmões, e juntas,
apagámos as velas.