Magníficos Estranhos
Dezanove CHARLIE CALLOWAY
Dezanove
CHARLIE CALLOWAY
2017
Despertei com uma luz ofuscante. Olhei de relance para a porta e vi que
Drew tinha acendido a luz. Entrei em pânico. Ter-me-ia deixado dormir?
Olhei para o relógio na mesa de cabeceira. Seis e meia da manhã. Tapei os
olhos com um dos braços.
– Credo, Drew, apaga a luz, sim? – pedi. A minha voz soou rouca.
Ouvi duas passadas pesadas e senti Drew aterrar na minha cama.
– Estou tão orgulhosa de ti! – exclamou Drew. – És a minha Edward R.
Murrow.
– De que estás para aí a falar? – perguntei, ao mesmo tempo que me
sentava na cama.
– De ti – disse ela. – Do teu artigo.
Drew estava de calções de corrida e t-shirt. Ainda tinha as faces
ruborizadas e o cabelo meio despenteado. Estendeu-me o jornal que
segurava na mão.
– Vi-o esta manhã, quando fui tomar um café – explicou ela. – Está
tãooooo bom, Charlie. A sério. Li-o duas vezes.
Abri o jornal e li.
BONITO LHE PARECE
Por Finn McIntire e Charlie Calloway
Finn decidira incluir-me nos créditos, afinal de contas. Mas porquê?
– Vou tomar um duche rápido – decidiu Drew – e depois vamos tomar o
pequeno-almoço, okay?
– Okay – concordei. Esfreguei os olhos, ainda ensonada.
Drew tirou a toalha do cabide atrás da porta e pegou na frasqueira.
Cantarolava quando se dirigiu à casa de banho.
Esperei que ela saísse para ler o artigo.
*
– Queres ser tu a seguir, Charlie? – sugeriu Harper, depois de ter pousado a
esferográfica sobre o bloco de notas.
A equipa dos artigos de fundo estava novamente reunida em redor da
mesa do café da redação do Chronicle. O sofá remendado era, mais uma
vez, o meu poleiro, e Finn encontrava-se do outro lado da mesa, sentado
numa cadeira giratória que roubara a uma das mesas. Tinha passado a
reunião toda sem olhar para mim. Sabia-o porque, desde que me sentara,
não desviara o olhar dele, tentando chamar-lhe a atenção.
– Pode ser – respondi. – Queria escrever um artigo acerca das lendas
urbanas de Knollwood. Analisar os mitos que circulam pelo campus. Qual a
sua origem? Que revelam acerca de nós? Porque é que determinadas
histórias ainda persistem?
– Interessante – comentou Harper. – Tens algum exemplo?
– Toda a gente conhece o fantasma de Knollwood – referi –, mas
ninguém sabe se, de facto, morreu algum aluno no campus ou quando é que
estas histórias começaram a circular.
Desde que vira a página no anuário do meu pai que homenageava Jake
Griffin, não conseguira parar de pensar nele. Que lhe acontecera, ao certo?
Poderia o fantasma de Knollwood, o espectro que assombrava o campus, ser
ele?
– Estou a gostar – disse Harper. – Parece-me que conseguiste o teu
primeiro artigo a solo, Charlie.
– Na verdade, uma vez que o artigo vai envolver bastante pesquisa, estava
a pensar trabalhar de novo com o Finn.
Olhei para ele. Ele olhou para mim e desviou os olhos de imediato, mal
nos entreolhámos. Corou.
– Da última vez, formámos uma boa equipa – argumentei.
– Claro – respondeu Harper. – Parece-me bem.
Assim que a reunião acabou, enfiei o caderno na mala e dirigi-me a Finn,
que estava ainda a arrumar as suas coisas.
– O artigo… – comecei, em voz baixa para que mais ninguém me ouvisse.
– Não tinhas de fazer aquilo.
Finn encolheu os ombros.
– A tua ideia da livre associação era boa. Usei-a e não me pareceu correto
não te dar quaisquer créditos por isso.
– Obrigada – disse.
Finn olhou para mim.
– Não tens de partilhar este artigo comigo.
– Eu quero fazê-lo – afirmei. – Chama-se recompensa. Reparar um erro
que cometemos. A menos… A menos que não gostes da história e prefiras
escrever acerca de outra coisa?
– Não, eu gostei – respondeu Finn. – Acho que pode ficar muito bom.
Além do mais, quem é que não gosta de uma história de fantasmas?
*
Na tarde seguinte, no final de Introdução à Fotografia, deixei-me ficar para
trás depois de toda a gente ter saído. O professor Andrews era sempre o
último a abandonar a sala, porque tinha de desligar o PowerPoint e arrumar
todo o equipamento. Guardando sem pressa o portátil na mochila, consultei
o relógio por cima da porta. Eram 16h15. Leo prometera que, às 16h25,
estaria lá fora, no pátio, pronto para captar com o seu iPhone, a partir da
janela da sala de aula, o abraço tórrido entre mim e o professor Andrews.
– Importava-se de dar uma vista de olhos a algumas das fotografias que
tirei na semana passada? – pedi. Estava de pé, junto a uma das mesas altas,
com as fotos espalhadas em cima dela. Certifiquei-me de que ficava de
costas para a janela, pois não queria que o meu rosto fosse discernível em
qualquer umas das fotografias de Leo.
– Com certeza – respondeu o professor Andrews, e colocou-se ao meu
lado. Inclinou-se para observar melhor as fotografias. O braço dele roçou no
meu e eu não me desviei. Mantive-me onde estava, pressionando ao de leve
o meu braço de encontro ao dele.
Naquele momento, senti-me poderosa. Seria daquela maneira que os
rapazes se sentiam quando andavam atrás de uma rapariga? Como se
fossem o caçador e a rapariga a presa?
– Tentei incluir no enquadramento a regra dos terços de que nos falou –
expliquei. Dei um passo na direção dele e, quando ele se endireitou, ficou encurralado entre mim e a mesa, de frente para a janela.
– Estou a ver que sim – disse ele. – Fizeste um bom trabalho.
– Obrigada – respondi, e pestanejei. – Aprendi com o melhor.
Ergui-me nos bicos dos pés e beijei-o ao mesmo tempo que lhe rodeava o
pescoço com os braços. Ele não se mexeu.
– Charlie… – disse o professor Andrews, quando o beijo terminou;
afastou-me os braços do seu pescoço. – Acho que ficaste com a ideia errada.
Sou teu professor.
– Eu sei – repliquei. Inclinei-me para ele, acariciei o botão do cimo da sua
camisa e esbocei um daqueles sorrisos dengosos e sedutores que vira Drew
dirigir a Crosby um cento de vezes. – E acho que tem muito para me
ensinar.
Quando o olhei nos olhos, fiquei à espera de ver a mesma expressão que
Cedric Roth fazia quando me beijava no sofá da biblioteca, pressionando-se
contra mim: os olhos semicerrados, a boca entreaberta, o olhar de desejo.
Mas não foi nada disso que vi. Em vez disso, o professor Andrews tinha um
ar dececionado.
– Não faças isso, Charlie – pediu o professor Andrews. – Não te deprecies
desta maneira. Vales muito mais do que… do que isto.
Lentamente, afastou-se de mim. Ao virar-me para olhar de relance para a
janela, onde a câmara do iPhone de Leo estava, já não me sentia poderosa.
Em lugar disso, apercebi-me de uma coisa que há muito tempo não sentia.
Vergonha.
*
Nessa noite, no refeitório, sentada a uma mesa na companhia das minhas
amigas, empurrava a comida de um lado para o outro do prato. Depois dos
acontecimentos daquela tarde, perdera o apetite. Não conseguia entender
como é que um namorico inofensivo se havia transformado numa coisa que
me fazia sentir como lixo. De repente, dei-me conta de que tanto Stevie
como Yael me olhavam fixa e expectantemente.
– Que foi? – perguntei.
– Eu bem te disse que ela não estava a ouvir – disse Stevie.
– Lá porque os rapazes não estão aqui connosco, isso não quer dizer que
vocês as duas possam abandonar a conversa – fez notar Yael.
Olhei para Drew, sentada à minha frente. Também ela parecia estar a dar uma nova disposição à comida que tinha no prato, e não a levá-la à boca.
– Desculpem. Estou cansada – aleguei.
– Sem problema, estávamos apenas a meter-nos com vocês – explicou
Yael. – Quem é que quer iogurte gelado?
– Eu! – exclamou Stevie, e até pôs a mão no ar.
– Eu não quero, obrigada – respondeu Drew.
– Eu também não – acrescentei.
Esperei que Stevie e Yael se afastassem para chamar a atenção de Drew
com um pequeno pontapé por baixo da mesa.
– Olha, o Dalton precisa das nossas listas – informei-a, em voz baixa.
– Quais listas?
– Para as matrículas do próximo semestre – fiz lembrar. – Enviei-te a
minha lista na semana passada, mas até hoje ainda não recebi a tua.
– Ah, pois. Desculpa, ainda nem olhei para ela – disse Drew.
– Hum… Okay – respondi. Não compreendi por que motivo ela estava a
comportar-se daquela maneira. Era a nossa oportunidade de conseguir as
disciplinas que queríamos no semestre seguinte e de garantir horários
compatíveis e ela parecia estar a desperdiçá-la.
– Entrega a tua lista ao Dalton para não falhares o prazo – sugeriu Drew.
– Uma vez que já me enviaste a tua lista, eu construo o meu horário com
base nela.
– Está tudo bem? – indaguei.
– Hã? – respondeu Drew, a milhas dali. – Ah, sim. Estou só com uma
enxaqueca.
A resposta dela pareceu-me claramente evasiva. A desculpa de que estava
com uma enxaqueca era tão esfarrapada como a minha, de que estava
cansada.
– Ei, já sabes como vais surripiar o exame de Trigonometria ao professor
Franklin?
– Sim, julgo que sim – disse Drew.
– Precisas de ajuda?
– Não, tenho tudo controlado – afirmou ela. – Mas, de qualquer maneira,
obrigada.
– Então e não me vais sequer contar os pormenores? – inquiri.
– Não vão acreditar! – exclamou Stevie, sentando-se à mesa com um
tabuleiro onde equilibrava três tigelas de iogurte gelado. – O sabor a moca está de volta.
Empurrou uma das tigelas para mim e acotovelou a outra na direção de
Drew.
– Eu trouxe colheres! – anunciou Yael, e despejou um punhado delas em
cima da mesa.
– Chlép – disse Drew, mas percebi que o seu sorriso era fingido.
Alcançou uma colher e já não olhou mais para mim. Fiquei com a estranha
sensação de que, se Stevie e Yael não tivessem regressado à mesa naquele
instante, ela teria encontrado uma maneira de evitar responder à minha
pergunta.
*
Mais tarde, ainda naquela noite, estava no quarto de Dalton a fazer
pesquisa para um trabalho que o professor Andrews nos atribuíra aos dois.
Tínhamos de escrever acerca de um fotógrafo moderno que estivesse a fazer
qualquer coisa de inovador na área.
Era permitida a permanência de raparigas nos dormitórios dos rapazes
durante o período de estudo, que ia desde o jantar ao recolher obrigatório,
logo, entre as sete e as nove da noite, nos dias de semana. No entanto,
tínhamos de deixar a porta entreaberta e ter sempre três pés no chão. Estava
sentada na cama de Dalton, ao lado dele, com as costas apoiadas na parede e
um pé por baixo do corpo. Tentava concentrar-me no trabalho, mas não
parava de pensar no professor Andrews. Tinha vontade de perguntar a
Dalton o objetivo da fotografia comprometedora (que queria o clube fazer
com ela?), mas não sabia como abordar o assunto. Dalton não teria
autorização para me revelar o propósito da fotografia comprometedora e, se
o fizesse, estaria a trair a confiança do clube, e eu não queria colocá-lo
nessa posição.
Por um lado, o professor Andrews parecia-me uma pessoa decente e
chantageá-lo ou arruinar a sua reputação com aquelas imagens enganadoras
era cruel. Por outro lado, contudo, não tinha escolha. Se não cumprisse as
ordens do A, o mais certo era que divulgassem as fotografias que tinham de
mim e de Leo, tiradas naquela noite, no carro. À parte da humilhação
pública de que eu seria alvo, Leo iria sofrer também, e o meu primo não
tinha feito nada de mal. Não lhe podia fazer uma coisa dessas.
– Terra chama Charlie.
Levantei os olhos e deparei com Dalton a olhar-me fixamente.
– Hã?
– Pareces um pouco ausente – referiu Dalton. – Está tudo bem?
– Sim – menti. – Tudo ótimo.
– Que achas deste tipo? – inquiriu ele, e inclinei-me para ele, para ver
melhor a imagem que tinha no ecrã do portátil. O meu ombro chocou contra
o dele e senti-o retesar-se.
– Hum, então, este fotógrafo só fotografa com luz natural – explicou
Dalton. – A sua mais recente exposição vai estar na West Village na
próxima quarta-feira. A seguir, até vai fazer uma sessão de perguntas e
respostas. Podíamos ir, que dizes? Se calhar, termos uma citação do próprio
artista no trabalho até nos granjeava uma melhor nota.
– Parece-me boa ideia – concordei. – E sempre posso perguntar-lhe como
é que ele vê a fronteira entre o público e o privado na sua arte – aventei,
sarcasticamente.
– Levanta um ponto muito interessante, menina Calloway – respondeu
Dalton, fazendo troça da minha conversa com o professor Andrews no
primeiro dia de Introdução à Fotografia. – A ética versus a arte é sempre
uma discussão elucidativa.
Virei-me para rir e apanhei Dalton a sorrir para mim. Nem cinco
centímetros nos separavam. Sem me dar tempo de recuar, Dalton inclinou-
se para a frente e beijou-me.
– Há muito tempo que queria fazer isto – confessou ele.
– Há quanto tempo? – perguntei.
– Desde que eras caloira e chamaste puta à Libby Winkler, mesmo na
cara dela, porque a tipa estava armada em boa.
– Ela era do mais pretensioso que pode haver – argumentei. – Toda a
gente a detestava.
– Ainda assim, foi uma jogada bastante corajosa da parte de um caloiro,
tendo em conta que ela era pré-finalista.
Dalton desviou o portátil do colo e fez deslizar as pontas dos dedos ao
longo da linha do meu maxilar, até chegarem à nuca; puxou-me então para
ele e beijou-me com muito menos gentileza. Foi doloroso e excitante em
igual medida, e quando ele afastou a cara foi como se me tivesse sugado o
oxigénio dos pulmões. Nunca tinha sido beijada daquela maneira.
– E queria fazer isto desde a primeira aula de Introdução à Fotografia – acrescentou Dalton.
– Ah sim? – repliquei, e arqueei uma sobrancelha. Estava um pouco
ofegante, mas esforçava-me por escondê-lo. Não queria que ele soubesse o
efeito que tinha em mim. Queria manter o controlo e levar a melhor.
Estiquei a mão e, num gesto brincalhão, desabotoei-lhe o colarinho da
camisa. Dalton tinha os lábios entreabertos e o seu olhar transparecia
desejo.
– E que me quiseste fazer depois de te ter vencido ao póquer? – indaguei.
– Só me venceste porque fizeste batota – alegou Dalton, quase a sussurrar
e sorrindo.
– Não foi muito cavalheiresco da minha parte – admiti. – Mas, se também
tu fosses menos cavalheiresco, talvez tivesses ganhado.
– Nem sempre sou um cavalheiro – afirmou Dalton.
– Eu sou como São Tomé… Ver para crer – realcei.
Ele empurrou-me para trás, contra a colcha, e prendeu-me os pulsos
acima da cabeça com uma das mãos. Em cima de mim, beijou-me mais uma
vez, e com a mão livre acariciou-me o pescoço, a clavícula, o peito, o
umbigo. Depois, esgueirou a mão para baixo da minha camisa: pele quente
contra pele quente.
A porta do quarto fechou-se com estrondo e Dalton saiu de cima de mim
num ápice, quase com um pulo.
– Merda! – exclamou ele.
Dirigiu-se à porta, abriu-a e espreitou para um lado e para o outro do
corredor. Sentei-me e compus o cabelo.
– Que estranho – comentou Dalton, ao voltar para o quarto. – Se calhar,
foi só uma corrente de ar ou assim.
– É melhor eu ir andando – disse. – Já temos o nosso trabalho alinhavado.
Alcancei o meu portátil e comecei a arrumar as minhas coisas.
– Sim, eu acompanho-te à residência – disponibilizou-se Dalton.
*
Drew ainda não tinha regressado, embora faltassem alguns minutos para o
recolher obrigatório, por isso, sentei-me na cama com o portátil e aproveitei
para tirar algumas notas acerca do fotógrafo que Dalton e eu tínhamos
escolhido para o nosso projeto. A drive USB com as entrevistas relativas ao desaparecimento da minha mãe estava na minha mesa de cabeceira e não
parava de chamar-me a atenção.
Talvez o meu erro não tivesse sido ouvir as entrevistas, mas ouvir as
entrevistas erradas. Voltei a colocar a drive na porta USB e abri o ficheiro
de áudio relativo à entrevista da avó Fairchild. Mais uma vez, pus os
auriculares. As perguntas da primeira parte da entrevista foram mais ou
menos semelhantes à da entrevista da minha tia Grier, ou seja, abarcaram a
personalidade e o carácter da minha mãe, mas é claro que a avó Fairchild
pintou uma imagem muito diferente e muito mais benigna da minha mãe.
Então, o Sr. Lynch questionou-a acerca do relacionamento dos meus pais.
– A Grace gosta muito do Alistair – disse a avó Fairchild. – Foi uma
relação relâmpago, quase, o que não era nada habitual para a Grace. Depois
do Jake, ela fechou-se muito.
– Jake?
– Sim, Jake Griffin, o namorado do liceu. Vivia na mesma rua que nós,
algumas casas mais abaixo. O Jake e a Grace conheciam-se desde miúdos.
Jake Griffin. O nome soava-me conhecido. Onde é que eu já o tinha
ouvido?
– Era um bom rapaz, um rapaz inteligente – continuou a minha avó. –
Frequentou um colégio interno em New Hampshire, se não estou em erro.
Tinha uma bolsa de estudos. Mas morreu muito novo. A Grace ainda estava
no liceu. Creio que teria uns dezasseis anos quando ele morreu. Era jovem.
Ficou devastada e demorou muito tempo a ultrapassar o sucedido.
Um colégio interno em New Hampshire? Um rapaz que morreu? Um
calafrio percorreu-me a coluna. Jake Griffin. Não tinha ouvido aquele
nome, lera-o, na primeira página do anuário do meu pai. Jake Griffin, o
rapaz que falecera, o que estava na fotografia com o meu pai, com o braço
por cima um do outro, os dois sorrindo para a máquina. «Jake Griffin e
Alistair Calloway», dizia a legenda da fotografia.
Tentei juntar todas aquelas peças na minha cabeça, a ver se encaixavam.
O que significaria o facto de:
1. A minha mãe ter namorado aquele rapaz
2. Ao mesmo tempo, o meu pai ser amigo dele
3. Nesse mesmo ano, o rapaz ter morrido e
4. Dezassete anos mais tarde, a minha mãe ter desaparecido sem deixar
rasto?
*
Pareciam-me demasiadas coincidências para não quererem dizer alguma
coisa.