O Falso Príncipe
Capítulo 45
Paramos em um lugar conhecido simplesmente como Hospedaria do Viajante. Não era longe do castelo. Nobres que não eram convidados a ficar no castelo frequentemente dormiam ali. Comentei com Conner que era um lugar sofisticado demais, onde se recebiam apenas hóspedes de fortuna e influência. A ironia me divertiu, mas ele não entendeu.
– Eu sou uma pessoa de fortuna e influência – disse Conner, irritado. – Meu rosto é conhecido, ninguém me fará perguntas indiscretas querendo saber por que ficarei hospedado aqui. E ninguém vai notá-lo se você mantiver a cabeça baixa.
Mott ficou com Roden, Tobias, Imogen e eu, enquanto Conner entrou para reservar três quartos para nós. Eu me perguntava, enquanto olhava para Imogen, se ela fugiria caso tivesse seu próprio quarto, mas logo parei de pensar nisso. Ela não tinha dinheiro para se sustentar em uma cidade estranha e, além disso, provavelmente considerava desonroso fugir.
– Para que nos trazer junto? – perguntou-me Roden depois que Conner havia saído. – Você vai gostar de nos ver humilhados enquanto é declarado príncipe?
– Ele salvou nossa vida – disse Tobias. – Nos trouxe com ele para assegurar que Conner não mandasse nos matar lá em Farthenwood.
– Tobias está certo – disse Mott. – Cregan me contou que suas ordens eram para matar os dois garotos que ficassem para trás.
Roden cruzou os braços e ergueu a cabeça.
– Cregan não teria me matado. Ele queria que eu fosse o príncipe.
– Não cabia a Cregan decidir isso, Roden – disse Tobias.
– Além do mais – acrescentou Mott –, você vai entender, com o tempo, que a decisão de Conner foi a mais acertada.
Fuzilei Mott com o olhar. Aquilo estava indo longe demais. Ele baixou
os olhos e não disse mais nada.
– E ela, está aqui para quê? – perguntou Tobias, apontando para
Imogen, e então sorriu. – Ah, você vai usá-la para convencer a princesa. Amarinda jamais suspeitaria que ela pudesse mentir.
Imogen enrubesceu e me encarou com ódio no olhar. Era praticamente
a mesma acusação que ela já me havia feito.
– Depois que eu for declarado rei, todos vocês vão estar livres para
partir – afirmei. – Só lhes peço que, se houver qualquer segredo entre nós, o mantenham.
– Não acredito em você – disse Roden, amargurado. – Somos perigosos
demais, porque sabemos demais. Então você vai me desculpar, mas prefiro esperar para ver se vai mesmo nos libertar antes de comemorar sua generosidade.
– Está desculpado – respondi, relaxando novamente e fechando os
olhos.
Meu sossego, contudo, não durou muito. Conner voltou poucos
segundos mais tarde.
– Não há quartos disponíveis em toda Drylliad – disse ele. – Custou mais
do que seriam os três quartos juntos ficar com a reserva de um homem que já deveria ter chegado. Subornar o proprietário para dizer que o mensageiro nunca veio fazer a reserva foi extremamente caro.
– Tem só um quarto? – perguntei. – E quanto a Imogen? – Ela dormirá aqui, na carruagem – disse Conner. – Não, nós dormiremos na carruagem – protestei. – Uma dama não
pode ser tratada assim.
– Ela não é nenhuma dama – disse Conner. – É minha empregada, uma
serviçal que você está a ponto de roubar!
– Ela não será minha propriedade, assim como não deveria ser sua
agora! Imogen fica com o quarto.
Um brilho maligno cintilou nos olhos de Conner. Ele sorriu e ofereceu a
mão a ela.
– Muito bem, minha cara. Venha comigo.
Dei um tapa na mão dele, mas Mott se adiantou, dizendo:
– Eu fico na carruagem com Roden e Tobias, para garantir que haja espaço suficiente no quarto. Você pode dar a Imogen a segunda cama e pendurar um lençol para dar-lhe privacidade. Conner e Sage, os senhores podem dividir o restante do quarto.
Era um meio-termo aceitável. Imogen não pareceu muito feliz com aquilo, mas era a melhor opção. Ela recusou tanto a minha mão quanto a de Conner para ajudá-la a sair da carruagem e nos seguiu até a hospedaria.
Enquanto caminhávamos, perguntei a Conner por que a hospedaria estava tão cheia.
– Mantenha a cabeça baixa – sibilou ele. – O boato da morte da família real se espalhou por Carthya. Todo mundo veio para ver quem será declarado o novo rei amanhã à noite.
– Você ainda confia no seu plano?
– Já confiei mais – Conner sussurrou. – Eu não esperava tanta competição. Você terá de fazer um trabalho muito bom amanhã para convencê-los.
Um sorriso se espalhou pelo meu rosto.
– Não se preocupe. Vou fazer.