Os Fundamentos da Liberdade

Friedrich A. Hayek · Capítulo 33 de 49

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Os Fundamentos da Liberdade

Capítulo 1

A epígrafe foi extraída da Oração Fúnebre de Péricles, segundo a versão de Tucídides, The Peloponnesian War, II, 37-39, tradução de R. Crawley (Ed. “Modern Library”, página 104).

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Há frases que entram no domínio popular porque expressam um conteúdo que, em tempos passados, correspondia a uma importante verdade; continuam a ser utilizadas mesmo quando esta verdade já é conhecida de todos e ainda quando, em função do uso inconsciente, já deixaram de ter um significado distinto. Finalmente, caem em desuso por não evocar nenhum significado. Em certo momento são redescobertas e podem então ser utilizadas com uma nova força para expressar um conceito semelhante ao original, entrando novamente no mesmo ciclo.

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A última tentativa de reafirmar de maneira abrangente os princípios de uma sociedade livre, cujo conteúdo já estava sensivelmente diluido e sob a forma comedida que se espera de um texto acadêmico, é a obra The Elements of Politics, de H. Sidgwick (Londres, 1891). Embora seja um trabalho admirável em muitos aspectos, é poucó representativo dà tradição liberal britânica e consideravelmente influenciado pelos elementos daquele utilitarismo racionalista que levou ao socialismo.

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Na Inglaterra, onde a tradição da liberdade persistiu mais longamente que em outros paises europeus, já em 1885, um autor cuja obra era amplamente difundida entre os liberais afirmava que, para estes, “a tarefa mais premente é a reconstrução da sociedade, e não a libertação do indivíduo” (F. C. Montague, The Limits of Individual Liberty [Londres, 1885], página 16).

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Frederick Watkins, The Political Tradition of the West (Cambridge: Harvard University Press, 1948), página 10.

5.b

Espero também não me tornar alvo do lembrete de S. T. Coleridge a Edmund Burke, que assume especial importância hoje: que “não é sábio representar um sistema político como um sistema que só agrada a ladrões e assassinos, cuja origem natural só se encontra nos cérebros de tolos ou loucos, quando a experiência prova que o grande perigo do sistema está naquela fascinação peculiar que se imagina deva exercer sobre os espíritos nobres e criativos; sobre todos aqueles que, sob os efeitos da agradável intoxicação da benevolência do espirito jovem, tendem a confundir suas próprias virtudes e raros poderes com as qualidades e atributos comuns do homem”. (The Political nought of Samuel Coleridge,editado por R. J. White [Londres, 1938], página 235).