Os Fundamentos da Liberdade
Unnamed
Cf. T. H. Green, Lectures on the Principies of Political Obligation (nova edição; Londres, 1911), página 3: “Quanto ao sentido de ‘liberdade’, devemos evidentemente admitir que todo uso do termo para expressar outra coisa que não uma relação social e política de um homem com outros envolve uma metáfora. Mesmo no seu emprego original, seu sentido não é absolutamente consagrado. Sempre implica, de fato, certo grau de isenção de compulsão por outrem, embora o grau e as condições desta isenção, que o ‘cidadão livre’ desfruta em diferentes estados da sociedade, variem bastante. Na medida em que o termo ‘liberdade’ passa a ser empregado em todos os outros sentidos além daquele em qüe significa uma relação fixa aceita entre um indivíduo e outros indivíduos, seu significado se torna muito mais vago”. Também L. vòn Mises, Socialism (nova edição; New Haven: Yale University Press, 1951), página 191: “Liberdade é um conceito sociológico. Não faz sentido aplicá-lo a certas condições externas ao contexto social”; e página 194: “Esta, pois, é a liberdade do homem no que concerne à sua vida exterior - o fato de ser independente do poder arbitrário de seus semelhantes”.
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Cf. F. H. Knight, “Discussion: The Meaning of Freedom”, Ethics, LII (1941-42), página 93: “Se Crusoe caísse em um buraco ou ficasse preso no emaranhado da floresta, seria certamente correto dizer que, livrando-se dessa situação, teria reconquistado a liberdade- e isto se aplicaria também a um animal”. É possível que se trate de um emprego da palavra agora consagrado, mas refere-se a uma concepção de liberdade que não é a de ausência de coerção que o professor Knight defende.
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A causa lingüistica da aplicação da palavra free (livre) e dos correspondentes substantivos a várias acepções parece ter sidó a inexistência, na lingua inglesa (e aparentemente em todas as línguas germânicas e no romance), de um adjetivo que pudesse ser utilizado em geral para indicar que algo.está ausente. Devoid (destituído de) ou lacking (ausente) são geralmente adjetivos empregados apenas para expressar a ausência de algo que é desejável ou está normalmente presente. Não existe um adjetivo correspondente (além de “freeof”j para indicar a ausência de algo indesejável ou estranho a um objeto. Em geral, dizemos que algo está isento dê {free oj) vermes, de impurezas ou do vício e, portanto, liberdade (freedom) passou a significar a ausência de.tudo o que é indesejável. Do mesmo modo, sempre que queremos dizer que um organismo age por si mesmo, sem determinação ou influência de fatores externos, dizemos que está livre de influências que não se acham normalmente relacionadas a ele. Na ciência, falamos mesmo em “graus de liberdade” quando existem diversas possibilidades que não são influenciadas por fatores determinantes conhecidos ou pressupostos (cf. Cranston, op. cit., página 5).
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