Os Fundamentos da Liberdade

Friedrich A. Hayek · Capítulo 4 de 49

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Os Fundamentos da Liberdade

Prefácio à Edição Brasileira

É para mim um grande prazer desejar bom êxito ao importante passo que representa a divulgação das idéias contidas em ‘Os Fundamentos da Liberdade’. Ao ser publicado pela primeira vez, em 1960, o livro foi muito bem recebido, tornando-se aos poucos amplamente conhecido, enquanto, nos últimos tempos, o ritmo de sua difusão se acelerou significativamente em outras partes do mundo. Nele pretendia apresentar uma visão moderna daquele liberalismo clássico que, instalando-se lentamente na Grã-Bretanha durante os séculos XVII e XVIII, parecia destinado a conquistar o mundo no século XIX, quando encontrou sua exposição mais perfeita nas obras de Tocqueville, Lord Acton e dos jurisconsultos ingleses, e na ação política dos estadistas William Gladstone e John Bright. Mas, a partir de então, para grave prejuízo mundial, sua influência foi diminuindo sob os ataques violentos das falsas promessas do socialismo.

Neste livro, tentei reformular o liberalismo clássico na linguagem do nosso tempo e em relação aos seus problemas. Ele constitui um esforço no sentido de sistematizar aquilo em que me empenhei a elaborar gradualmente nos trinta anos anteriores à sua publicação. Os tópicos nele discutidos continuam representando meu ponto de vista atual. No entanto, não posso deixar de dizer que, após a publicação deste livro, adquiri uma consciência mais profunda de certas falhas da doutrina clássica e dos problemas surgidos mais recentemente. Assim, daí em diante, tratei de discutir esses novos problemas em outro trabalho de igual porte, dividido porém em três pequenos volumes, “Law, Legislation and Liberty” (1973-79). Espero que aqueles que não se sentirem plenamente satisfeitos com o conteúdo deste trabalho, agora em versão brasileira, busquem a leitura daquele. Mas, ainda assim, faço votos para que a maioria leia em primeiro lugar ‘Os Fundamentos da Liberdade’. Nele se encontram as bases da filosofia que deve merecer nossa aceitação antes de tratarmos de problemas mais difíceis, gerados pela complexidade da sociedade moderna.

Freiburg-im-Breisgau, maio de 1980

F. A. HAYEK