Os Fundamentos da Liberdade

Friedrich A. Hayek · Capítulo 38 de 49

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Os Fundamentos da Liberdade

Capítulo 21

Todas estas pessoas serjam consideradas não livres por H. J. Laski, o qual afirmava (Liberty in theModem State [nova edição; Londres, 1948], página 6) que “o direito... de voto é essencial à liberdade; e um cidadão excluído desta condição não é livre”. Definindo de forma semelhante a liberdade, H. Kelsen (“Foundations of Democracy”, Ethics, LXVI, N? 1, Pt. 2 [1955], 94) chega a concluir, de maneira triunfante, que “as tentativas de mostrar uma relação essencial entre liberdade e propriedade... fracassaram”, embora todos os que afirmaram a existência desta relação falassem em liberdade individual e não em liberdade política.

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E. Mims, Jr., The Majority of the People (Nova Iorque, 1941), página 170.

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Cf. Montesquieu, Spirit of the Laws, XI, 2 (I, 150): “Concluindo, como nas democracias as pessoas parecem agir quase de acordo com a própria vontade, acredita-se que esta forma dê governo seja a que permite maior liberdade, confundindo-se assim o poder dás pessoas com sua liberdade”. Também J. L. De Lolme, The Constitution of England (nova edição; Londres, 1800), página 240: “Contribuir, com o próprio sufrágio, para a elaboração de leis é participar, em algum grau, do poder: viver em um Estado em que as leis são aplicáveis igualmente a todos e serão com certeza aplicadas... é ser livre”. Cf. também os trechos citados nas notas 2 e 5 do Cap. VII.

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A descrição do espírito do jesuíta, citada por William James de uma das cartas de Ignácio de Loyola (Varieties of Religious Experience [Nova Iorque e Londres, 1902], página 314), é a seguinte: "Nas mãos do meu superior, devo ser como dúctil cera, uma coisa da qual ele pode exigir tudo que desejar, seja escrever ou receber cartas, falar ou não a esta ou àquela pessoa, e coisas semelhantes; e devo colocar todo o meu fervor na execução solícita e perfeita das coisas que me foram ordenadas. Devo considerar a mim mesmo um cadáver, desprovido de inteligência ou vontade; ser como uma massa de matéria que sem resistência se deixa colocar onde aprouver a quem quer que seja; como um cajado na mão de um velho, que o usa de acordo com suas necessidades e o põe onde lhe convém. Assim devo eu ser nas mãos da Ordem, para servi-la da maneira que julgar mais útil”.

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A diferença entre este conceito de “liberdade interior” e liberdade no sentido de ausência de coerção foi claramente percebida pelos escolásticos da Idade Média, que estabeleciam uma distinção nitida entre libertas a necessitate e libertas a coactione.

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