Inspiração

Gisele Souza · Capítulo 8 de 46

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Inspiração

Capítulo 5

 

Layla

 

Não podia acreditar na audácia daquele cara. Estúpido! Contudo,

eu estava m e sentindo m ais estúpida ainda. Com o m e deixei levar? Se fosse sincera com igo m esm a, não haveria escapatória. Ele tinha um a energia que m e puxava e era im possível m e afastar. Muito difícil resistir. Precisei de todas as m inhas forças para sair daquele cam arim .

Fui castigando o chão com o salto, andando na direção do bar.

— Heitor, m anda um a vodca com lim ão.

Ele franziu a testa e se virou para pegar a m inha bebida.

— Noite difícil, gata?

— Você nem im agina... — Virei, dando um a golada só, que desceu

queim ando.

Fechei os olhos e tive certeza de que fiz um a careta horrível.

Quando os abri, foram direto para um par de olhos azuis, que m e observava fixam ente com um ar divertido em seu rosto.

Babaca!

Deixei o copo em cim a do balcão e fui term inar a m inha

apresentação; não queria m ais expor o que estava sentindo. Adm ito que provocá-lo foi legal e, o que veio depois, para lá de excitante. Mas eu estava com m edo do que ele m e fazia sentir.

Voltei ao palco e atendi aos pedidos dos clientes.

Droga! Só podia ser brincadeira...

Pintura Íntima, do Kid Abelha. Bufei internam ente. Não podia ter

um a m ais explícita?

Em todo o tem po que cantava, não conseguia desviar o olhar de

sua m esa. E ele não parava de m e encarar com aquele sorriso idiota, de quem sabia exatam ente que estava provocando. Tentei m e concentrar, desviar a atenção, m as era im possível. O que estava acontecendo com igo? O que aquele hom em tinha de diferente? Eu estava apavorada, nunca quis relacionam entos. Não queria perder alguém que am o novam ente. Se fosse só fisicam ente, tudo bem . Mas não era. Sentia um aperto no peito e m ilhares de borboletas dançavam em m eu estôm ago. Deus, estava ficando louca.

Finalizei a noite depois de m ais duas m úsicas. Desci do palco em

busca das m inhas coisas, e rapidam ente reuni tudo, não queria nenhum a surpresa no cam arim .

Elisa estava servindo um a m esa quando passei e m e cham ou com

um a inclinação de cabeça. Sabia que esse era um sinal para que nos afastássem os. Aproxim am o-nos do banheiro fem inino e ela se virou pra m im , com seus olhos castanhos arregalados.

— Garota, quem era aquele gato que saiu do seu cam arim todo desgrenhado?

Merda, achei que não tinham percebido.

— Ninguém , Elisa. Só um cara que queria fazer um pedido

especial. — Apesar de serm os quase am igas, não queria que soubessem da m inha escapadinha.

— Aham , sei. E por que ele tinha m ancha de batom na boca? Na

verdade, a m esm a cor que faltava na sua. — Colocou as m ãos na cintura e m e fuzilou com um olhar de: “você não m e engana”. — Ok, não precisa falar nada. Mas não desperdiça aquilo tudo... Gente, fiquei com calor só de ele agradecer a bebida que levei à m esa. Que voz sexy é aquela? — Ela tinha um a expressão engraçada no rosto e se abanava com a m ão.

Arregalei os olhos e sorri sem j eito.

— Tá, m as eu não estava com ninguém . Vou indo, j á está tarde.

Inclinei-m e e dei dois beij os em seu rosto. Elisa assentiu e se

afastou, voltando ao trabalho.

Despedi-m e do pessoal e corri para a saída, nem olhei para a

m esa onde ele estava com os am igos. Por um instante achei que estivesse livre, m as m e enganei. Bruno estava parado em frente à porta, encostado num poste e sorrindo com o um gato que com eu o canário.

— Achou que podia se livrar de m im , anj o?

Estreitei m eus olhos e o fuzilei, que cara irritante!

— O que você quer, Bruno? Eu tenho que ir em bora, estou cansada

e tenho alguém m e esperando.

Seu sem blante se fechou e ele pareceu chateado.

— Quem está te esperando? Seu nam orado?

Hum ... Resolvi brincar um pouco. Ciúm e é um sentim ento cruel,

im pulsivo e fácil de detectar. Mesm o não tendo sentido algum , pois não tínham os nada um com o outro, era o que estava acontecendo, só estava faltando o hom em bufar.

— O que você tem com isso? Não é da sua conta. — Dei de

om bros.

— Não brinca com igo, Lay la.

Ah, que idiota! Quem ele pensava que era para querer saber de

algum a coisa sobre a m inha vida? Eu sou patética, odeio m entir.

— Ok, é o m eu irm ão, ele j á deve estar em casa, então não posso

perder tem po com você.

Ele sorriu, parecendo aliviado.

— Vem , eu te levo.

— Nem pensar, não te conheço pra ir entrando no seu carro.

Sorriu e se aproxim ou, ficando perigosam ente perto dem ais para o

m eu j uízo suportar.

— Mas vai conhecer, anj o. Não há escapatória, eu sei que você

sente o m esm o que eu.

Juro que tentei negar, m as se tem um a coisa que prom eti há m uito tem po, foi ser honesta com igo m esm a. E sendo assim , era verdade, não havia escapatória, porém isso não queria dizer que ele não podia rastej ar um pouco, era m uito convencido para o m eu gosto.

— Tudo bem , você pode m e levar em casa, m as nada de ideias

idiotas.

— Com o quiser. Eu só vou te beij ar hoj e se você m e pedir.

Apertei m eus olhos e o observei, esse cara sabia j ogar. Nós

cam inham os em silêncio até o estacionam ento. Ele tirou do bolso a chave e destravou o alarm e, chegam os ao lado de um Honda Civic preto, m aravilhoso.

— Uau, lindo carro. Parabéns.

— Obrigado, trabalhei bastante pra ter um desse. — Bateu de leve

no capô.

— Hum , e o que você faz?

Ele sorriu abrindo a porta para m im . Sério, ele fez isso.

— Sou m édico. Cirurgião, para ser exato.

Foi autom ático olhar suas m ãos. Eram grandes e fortes, um

cirurgião era com o um artista, as m ãos eram seu instrum ento de trabalho m ais valioso. Um a im agem piscou em m inha m ente: aquelas m ãos m aravilhosas percorrendo todo o m eu corpo. Ofeguei sem querer.

Ele olhou para m im com um brilho m alicioso, com o se soubesse

exatam ente o que eu estava pensando. Inclinou-se, ficando olho no olho.

— Eu sei o que você está pensando, sua im pertinente. E respondendo à sua pergunta silenciosa: sim , elas fazem m ágica.

Corei com o nunca tinha feito antes. Bruno beliscou a ponta do m eu

nariz e sorriu. Sentei-m e, carrancuda. Ele contornou o carro e entrou, deu partida e o m otor roncou levem ente, e deslizam os cidade afora. Direcionei-o ao m eu bairro e olhei através da j anela, vendo a cidade passar.

— Então, Lay la... Você só canta no bar ou faz outra coisa?

— Eu trabalho num escritório de advocacia durante o dia, sou

secretária.

Percebi que estava m e observando e m e virei encarando-o, tinha a

testa franzida e torcia a boca com o se estivesse pensando em algum a coisa séria.

— Não é cansativo? Trabalhar em dois lugares?

— Já m e acostum ei.

Não ia entrar em detalhes da m inha vida pessoal. Olhei com

calm a para seu perfil. Bruno era um cara lindo, m axilar forte, nariz fino, boca desenhada e convidativa, m as eram os seus olhos que m e encantavam , o contraste dos cílios escuros com o azul. Era de arrepiar.

Sem falar no corpo, era um hom em forte e m usculoso. A cam isa

que vestia grudava em seus bíceps, m e im aginei lam bendo e m ordendo aquela carne dourada. Perdida em m eu devaneio, nem notei que ele estava m e observando com um sorrisinho no rosto.

— Babaca! — Odiava ser pega em flagrante.

Ele soltou um a gargalhada que fez m eu coração pular.

— Entra naquela rua ali, é a terceira casa à direita.

Bruno estacionou o carro e se virou para m im .

— E agora, anj o? Não vai m e pedir um beij o de despedida?

— Aham , só em seus sonhos.

Ele sorriu, m alicioso.

— Nos m eus sonhos têm m uito m ais do que beij os. — Levantou a

m ão, passando pelo m eu rosto. Não pude resistir: inclinei em direção ao seu toque. — Me dá um a chance, Lay la? Por enquanto, só quero te conhecer.

— Com o assim ? Você está m e convidando para sair?

— Eu não faço m uito isso, não m e recrim ine, é a verdade. Mas

você é diferente, quero te conhecer m elhor. Me dá um a chance?

Sair para m e divertir não faria nenhum m al. E depois, a carinha de

cachorrinho perdido que ele estava fazendo era de m atar.

— Tudo bem , m as tem que ser depois da apresentação. Eu

trabalho de quarta a dom ingo, no bar.

— Hum , ok. Am anhã eu tenho plantão vinte e quatro horas, m as no

dom ingo à noite tô de boa. Posso passar no bar pra gente se ver?

Eu tinha que sair com o Lucas, m as seria antes. E não faria m al se

ele visse m eu irm ão, pelo m enos ia saber que eu não era sozinha.

— Tudo bem , te vej o lá.

Já estava saindo quando ele puxou m eu braço e se aproxim ou

perigosam ente, sua respiração fazendo cócegas em m eu pescoço.

— E o beij o, Lay la? Não vai m e pedir?

Aproxim ei-m e e encostei nossos lábios. Minha vontade era de

travar a m ão em seu pescoço e beij á-lo com o se não houvesse am anhã, m as seria bom um a brincadeirinha para colocá-lo no lugar.

— Para que um beij o real, se você tem seus sonhos? — falei com

a boca colada na dele.

Bruno abriu os olhos e se afastou, confuso.

— Você vai ser a m inha m orte, m ulher. Mas eu tam bém sei

brincar.

Sorri e m e despedi com um aceno. Andei tensa, sabendo que ainda

estava parado no m esm o lugar. Virei-m e, e ele estava m e olhando intensam ente.

Bruno tam bém seria m inha m orte.