Inspiração
Prólogo
Todos que passavam por m im expressavam seus sentim entos e
ficavam m e olhando com cara de pena. Eu não queria que tivessem pena. Estava preocupada. Guiei m eu olhar ao redor, procurando por ele. Não conseguia encontrá-lo. Já estava ficando desesperada.
De repente, vi um pezinho saindo por baixo da m esa. Sorri
internam ente, Lucas sem pre se escondia quando estava assustado. Aproxim ei-m e, desviando daqueles estranhos. Levantei a toalha devagar e agachei, m eu irm ão estava sentado num cantinho, com os braços envoltos nas pernas e com a carinha m ais assustada que eu j á tinha visto.
— Lucas, vem cá. — Estendi m inha m ão, tentando puxá-lo. — Sai
daí debaixo.
Ele sacudiu a cabecinha dourada, desesperado.
— Não, Lala. Eu vou ficar aqui. — Tinha lágrim as em seus olhos
inchados, j á devia ter chorado bastante.
Agachei-m e e engatinhei até chegar ao seu lado.
— Por que você está aqui? — Passei a m ão por seu rostinho
rechonchudo e enxuguei um a lágrim a teim osa.
— Eu tô com m edo!
Franzi a testa, m eu irm ão era tão novinho, um a criança de cinco
anos não devia estar num a situação dessas.
— Com m edo de quê, Luquinha?
— Do papai — sussurrou.
Meu coração afundou nesse m om ento. Tive que fazer um esforço
enorm e pra segurar as m inhas próprias lágrim as. Olhei m eu irm ãozinho: seus cabelos estavam arrum ados e suas roupas engom adas, m olhadas de tanto chorar.
— Tá tudo bem , Lucas. Eu vou cuidar de você. — Tínham os sete
anos de diferença na idade, m e sentia responsável por seu bem -estar.
Abracei seu corpo gordinho e fiz um a prom essa a m im m esm a:
iria cuidar do m eu irm ão para sem pre. No velório do m eu pai, deixei de ser a irm ã m ais velha para virar a m ãe daquele garotinho doce em m eus braços.
Afoguei m inha própria dor e sorri.