Inspiração
Capítulo 18
Bruno
Não podia acreditar que m eu plantão havia chegado ao fim e tinha
todo o fim de sem ana para ficar com o m eu anj o. Com o ainda era m anhã de sábado, resolvi ir para casa descansar e só encontrá-la à noite, m esm o que m e m atasse de esperar tanto.
A j ornada de trabalho no hospital não foi nada fácil, ainda m ais se
contasse com às vezes em que m e distraí, pensando em com o ela poderia estar, o que estava fazendo... Enfim , foram os dias m ais com pridos da m inha vida.
Exigi que Sabrina fosse vê-la no bar, na verdade, não tive que
fazer m uito esforço para persuadi-la. Foi só falar que podia convidar o Lucas para ir j unto, e sem dem ora ela aceitou. Depois veio a recom pensa: ouvir a m inha irm ã falar sem parar de com o Lay la era legal, sim pática e inteligente. Isso eu j á sabia, não havia m ulher igual ao m eu anj o. Fiquei encantado com o m odo com o tratou a pentelha da Sabrina bem , eram poucas as pessoas que gostavam dela logo de cara.
Estacionei o carro na garagem e m e arrastei para casa, estava
m orto em pé. Encontrava-se tudo em silêncio. Graças a Deus, não m e achava no hum or de ouvir as loucuras da m inha irm ã.
Subi direto para o banheiro, precisava de um a chuveirada urgente.
Sem pre fazia esse ritual depois de um plantão, m al podia esperar para tirar todo o cheiro de hospital do corpo. Estava tão cansado que não iria aguentar ficar de pé m uito tem po. Sentei na bancada ao lado da pia e fui arrancando a roupa devagar. Entrei na ducha e esvaziei a m inha m ente, m as ela não se desligava de um a pessoa em particular.
Parecia fazer um a eternidade que não a via, Lay la tinha entrado
em m inha vida tão subitam ente que eu não tive escapatória. Na verdade, nunca m e senti tão bem , nem quando term inei a m inha faculdade de m edicina.
Um sorriso despontou em m eu rosto quando m e lem brei do seu
gosto doce. A m ulher tinha j eito de anj o, m as era um fogo na cam a. Insaciável, perfeita. Não via a hora de ter seu corpo quente j unto ao m eu outra vez.
O engraçado era que eu sem pre enj oava das m ulheres. Depois da
prim eira vez, não sentia aquela vontade de repetir. Com ela era diferente, nunca seria suficiente.
Estava extrem am ente excitado. Recusava-m e a buscar alívio com
as m ãos, era um substituto m uito fraco para o corpo delicioso do m eu anj o.
Em consequência, perm aneceria de pau duro e dolorido. Term inei
o banho e corri para o quarto, sequei o m eu corpo e caí na cam a de qualquer j eito. Mesm o tendo a Sabrina em casa, m e sentia à vontade para dorm ir nu, pois sem pre respeitam os a privacidade do outro.
Fechei os olhos para ter o m eu descanso m erecido.
***
Tive um sono nada tranquilo. Eles estavam povoados por olhos
verdes que m e tiravam do sério. Já tinha anoitecido quando m e levantei. Arrum ei-m e rapidam ente e corri ao seu encontro.
Percorri o cam inho até o bar num a velocidade que nem m e atrevi
a conferir, pois estava enlouquecendo com a saudade. Estacionei de qualquer j eito e corri para a entrada, um a atitude nada típica, antes tinha m aior cautela em deixar m eu carro em lugar estratégico e seguro. Agora, nada m ais era im portante do que m eu anj o.
Ao lado de fora, percebi que estava cheio, j á era previsto, pois o
Beer era bastante m ovim entado. Da porta, ouvi sua voz doce e m eu coração com eçou a pular no peito, frenético. Com ecei a suar frio e um arrepio passou pelo m eu corpo ao vê-la tão linda.
Lay la estava deslum brante. Seus olhos estavam fechados e ela
balançava o corpo ao ritm o da m úsica. Não usava o violão, tinha acom panham ento do DJ. Dem orei um pouco a perceber, m as a m úsica que cantava m exeu com igo com pletam ente: Spanish Guitar, de Toni Braxton.
Quase tive um infarto. Um a lem brança de seu corpo arqueado
em baixo do m eu piscou em m inha m ente, m e deixando excitado no m eio daquela gente. Porra, Lay la era incrível. Sentindo m inha presença, ela abriu os olhos e m e prendeu com sua voz rouca e toda aquela energia que em anava.
Fui andando sem olhar para os lados, estava focado. Encantado!
Ela parecia com o o flautista de Ham elin, eu iria m e afogar em pura luxúria. Tinha que ter aquela m ulher em m eus braços logo, sentir sua boca, seu corpo m aravilhoso. Não poderia esperar dem ais ou iria explodir.
Ela sorria, m aliciosa, e cantava pra m im aquela m úsica cheia de significados, que eu entendia m uito bem :
“Eu queria estar nos seus braços
Como aquele violão espanhol
E você me tocaria a noite toda
Até o amanhecer
Eu queria que você me tivesse em seus braços
Como aquele violão espanhol
Toda a noite, toda a noite
Eu seria sua música, eu seria sua música”
Eu não tinha ideia de com o todas as suas canções pareciam ser
diretam ente para m im . Mas era o que sentia desde o m om ento em que a vi pela prim eira vez. Acom odei-m e em um a m esa vazia e fiquei observando m eu anj o. Ela não parava de sorrir, nem m esm o quando a m úsica trocou. Lay la estava na m inha tanto quanto eu estava na dela.
E, naquele m om ento, percebi. Não podia conceber a ideia de estar
longe daquela m ulher que havia m exido tanto com a m inha cabeça, com o m eu coração. Não estava na hora de adm itir certas coisas. Apesar de ter sido um m ulherengo filho da puta, tinha m edo de m e m achucar, estava m uito assustado com tudo.
Sentia um aperto no peito só com a possibilidade de não poder vê-
la ou tocá-la. Era m uito difícil só de pensar.
Percebi um a m ão forte no m eu om bro e olhei para trás. O barm an
tatuado estava em pé, olhando pra m im com cara de poucos am igos.
— Posso sentar?
Arqueei um a sobrancelha, surpreso, m as concordei com a cabeça.
Ele se sentou e olhou Lay la por um m inuto antes de voltar a sua atenção para m im .
— O que você está fazendo com ela?
— Com o assim ? E o que você tem a ver com isso?
— Muita coisa. A m enina é m uito boa, não quero vê-la sendo feita
de boba por um m auricinho m etido a garanhão. Já vi m uitos caras aqui babando por seu j eito m eigo e sua voz doce, m as é a prim eira vez que ela retribui o interesse.
Não pude evitar do m eu peito se encher de orgulho. Se eu era o
prim eiro a tirar essa reação da m inha pequena, isso queria dizer algo bom , certo? Mas não ignorei o brutam ontes que estava na m inha frente pronto para atacar, dependendo da m inha reposta.
— Olha, cara... Não sei o que você quer com isso. Eu não preciso
m e explicar, não estou fazendo nada de errado. Porém , vou falar assim m esm o. — Suspirei e olhei para o palco. Lay la tinha o cenho franzido, preocupada. — Eu nunca m e senti assim . Adm ito que só quisesse levá-la para a cam a no início, m as agora é diferente. Não existe um a única m ulher igual a este anj o.
— Então, você está apaixonado?
— Sim — estava tão distraído com m eus pensam entos e
sentim entos que nem prestei atenção ao que estava dizendo. Quando percebi, j á era tarde.
O barm an sorria e balançava a cabeça.
— Resposta correta, doutor. Se fosse outra eu teria que te bater.
Não fique se m artirizando, fazendo essa cara de quem com eu algo azedo. É m uito fácil se apaixonar por um a m ulher com o ela. A propósito, m eu nom e é Heitor Teles, sou barm an e, recentem ente, sócio do bar — ele se inclinou e sussurrou. — Só não conta pra ninguém , estou tentando m anter segredo. Deixa eu voltar ao trabalho. Afinal, sou um m ero funcionário.
Piscou e se levantou, dando tapinhas no m eu om bro. Eu estava um
pouco em basbacado com tudo.
Prim eiram ente, eu adm iti algo que nem a m im m esm o tinha
colocado em perspectiva. Foi tão rápido o raciocínio que o que saiu foi nada m ais do que a pura verdade. E o cara era chefe escondido e um bom rapaz. Apesar da aparência de bad boy, notei sua boa intenção em protegê-la. Era bom saber que o m eu anj o não estava desprotegido em seu local de trabalho. Porque, se eu soubesse que algum engraçadinho a m achucou ou insinuou algum a coisa indecente, ficaria louco. Nessas horas, nem sabia o que faria.
Olhei em volta, e a clientela ia desde j ovens im aturos a executivos
de terno. O bar era bem frequentado, m as nunca se sabe onde pode achar um louco apaixonado.
Meu telefone tocou naquele m om ento. Levantei e fui para o lado
de fora atender. Era a Ana Luiza.
— Fala, sua chata.
— Dá para você ser um pouco educado? Estou ligando a pedido da
m am ãe, ela quer saber se você vai vir am anhã e trazer o seu rouxinol — bufou.
Eu tinha que ter um a conversa com a m inha irm ã, ficar colocando
apelido na Lay la não era legal. Ela era o m eu anj o e ponto.
— Eu vou falar com ela assim que term inar a apresentação. Mas
diz para m am ãe não se preocupar, eu tenho um a carta na m anga.
— Rá... Convencido. Mas nem quero saber que porcaria de carta é
essa. Te espero am anhã. E nem pense em convidar aquele m ala do seu am igo.
— Se você quer dizer o Alberto, pode ficar tranquila, não pretendo
constrangê-lo com sua m á educação, irm ãzinha.
Ela ficou em silêncio por pouco tem po.
— Ok. — Desligou
Que m erda! Por que eu esquecia que eles tiveram um rolo?
Sem pre fazia o favor de espezinhar um ou outro, m as com o poderia agir? Gostava de irritar a am bos, eles que resolvessem seus problem as.
Eu tinha um anj o lindo m e esperando, por quem eu tinha caído em
segredo, não diria a ela ainda. Era m uito poder para colocar nas m ãos de um a pessoa. Estava um pouco inseguro com relação a tudo o que estava acontecendo.
Senti um frio na barriga quando voltei ao bar. Ela estava parada no
m eio do palco e m e olhava intensam ente.
Oh, Deus. Era certo: eu estava apaixonado!