Inspiração
Capítulo 9
Layla
Voltei para a m esa com um sorriso culpado no rosto. Ver a cara do
Bruno quando saí do banheiro foi im pagável. Mas ele m ereceu — m esm o eu sendo atingida no m eio da brincadeira, estava latej ando de necessidade —, podia m uito bem ter m e dito que a garota era sua irm ã desde que veio falar com igo quando cheguei. Então eu não teria prestado ao papel de ridícula por ter um cium inho bobo.
Sentei-m e e nem olhei para o Lucas, tinha certeza de que estava
com um sorriso debochado no rosto. Às vezes ter irm ão caçula era um saco, e nesses m om entos ele era um pentelho. Meus lábios estavam form igando por causa do beij o que rolou. Senti m eu rosto esquentar e tentei disfarçar.
— Oi, Sabrina. Desculpe-m e se fui rude.
Ela era linda. Lem brava m uito o irm ão, só que seus olhos eram
bem m ais claros, os cabelos negros longos davam um contraste enorm e em sua pele m uito branca.
— Sem problem a, Lay la. Conheço m uito bem o Bruno, m as
garota... você canta bem , hein? Adorei a sua voz.
— Obrigada. — Desviei a m inha atenção para o corredor que
levava ao banheiro. Bruno estava vindo em nossa direção, com o rosto contorcido num a careta dolorosa. Tinhas as m ãos nos bolsos e andava m eio estranho. Tapei m inha boca com a m ão para esconder um sorriso.
Naquele instante, Elisa passou por detrás dele e se abanou com
um a m ão, enquanto levantou o polegar da outra. Balancei a cabeça arregalando os olhos para ela, que se afastou para atender outra m esa.
Ele se sentou ao lado da Sabrina e estreitou os olhos pra m im .
Estava bem zangado, prendi os lábios e sorri. Observou Lucas e estendeu a m ão:
— Oi, sou o Bruno. Desculpa por ter deixado você sozinho,
cuidando da pentelha aqui.
— Não tem problem a, não foi trabalho nenhum . Sua irm ã é m uito
divertida. — Lucas apertou a m ão do Bruno, olhando Sabrina com interesse evidente.
Hum ... Meu irm ãozinho estava bem interessado. Não era por
m enos, além de ser linda, Sabrina era m uito sim pática. Parecia ser daquele tipo espalhafatoso, que não tem papas na língua. Ele precisava de um a pessoa m ais divertida ao redor, às vezes achava Lucas sério dem ais para o seu próprio bem .
Se Bruno captou o interesse de m eu irm ão, ele não dem onstrou.
Ficam os m ais uns m inutos conversando e depois olhei para o relógio: estava na hora de voltar à apresentação.
— Você vai m e esperar?
Bruno m e olhou intensam ente. Corei percebendo onde seus
pensam entos estavam indo.
— Não tenha dúvida.
Prendi a respiração para não deixar m inha reação à sua voz
transparecer; j á era vergonhosa a m inha aparência quando voltei do nosso encontro explosivo. Levantei-m e e fui ao palco, o DJ j á estava ali com tudo pronto. Com o Lucas iria cantar com igo, precisávam os de um acom panham ento além do m eu violão.
— Bom , pessoal, na segunda parte da m inha apresentação, tenho a
honra de cham ar o m eu irm ãozinho para cantar em dueto com igo. Ele é dem ais, vocês vão adorar! Lucas, vem pra cá! — Ele sorriu e se levantou, cam inhando em m inha direção. Subiu no palco e pegou o m icrofone reserva na bancada do DJ.
— Boa noite, m eu nom e é Lucas Bonatti. Será um a honra cantar
com a m inha irm ã. Não sou tão bom quanto ela — Bufei, e ele sorriu. —, m as acho que vai dar pro gasto. Prom eti um a surpresa, e j á com binei com nosso am igo eletrônico ali. Lala, vam os de I’m your Angel, de Celine Dion?
Meus olhos se encheram de lágrim as com a m enção dessa
m úsica. Eu sem pre cantava para ele dorm ir quando era pequeno. E o danadinho queria m e pegar nessa. Balancei a cabeça concordando, a prim eira parte era cantada por m im :
“Nenhuma montanha é alta demais para você escalar
Tudo que você tem que fazer é ter um pouco de fé na subida
Nenhum rio é largo demais para você atravessar
Tudo que tem que fazer é acreditar quando orar”
Lucas abriu a boca e soltou sua linda voz, ele era perfeito.
Cantam os j untos num a linda m elodia. Eu am ava m eu irm ão com
toda m inha alm a, derram ei tudo que sentia nessa canção:
“Eu serei sua nuvem acima do céu
Eu serei seu ombro quando você chorar
Eu ouvirei sua voz quando me chamar
Eu sou seu anjo
E quando todas as suas esperanças tiverem ido embora, estarei aqui
Não importa o quanto você esteja longe, estarei próximo...”
Lucas estendeu sua m ão e pegou a m inha, levando-a até seu rosto,
acariciei levem ente e sorri. Seus olhos estavam m arej ados. Enxuguei suas lágrim as com o polegar, com o quando era um m enino.
“... Então todos os seus medos
Simplesmente lance-os sobre mim...”
Cantam os de m ãos dadas, um olhando para o outro. Fui guardiã do
m eu irm ão por tanto tem po, ele era a m inha vida inteira. Lucas cantava com seu coração e transm itia em sua voz tudo o que sentia por m im . Term inam os a m úsica com lágrim as rolando livrem ente. No últim o refrão, ele sorriu e cantou:
“Eu sou seu anjo.”
— Obrigado por tudo, Lala. Eu te am o.
Joguei-m e em seus braços, soluçando intensam ente. Saber que era
ciente de tudo o que passam os, e m eu am or por ele correspondido, foi m uito im portante. Afastei-m e e sorri.
— Agora vai sentar, seu danado, tenho que term inar aqui.
Ele acariciou m eu rosto e desceu do palco, sendo aplaudido por
todos ao redor. Meu olhar encontrou com o do Bruno e ele estava sorrindo, parecia orgulhoso. Corei e continuei com a m inha apresentação, m as m eu coração estava apertado de tanta em oção.
Term inei m inha noite com Na Estrada, Marisa Monte.
Voltei para a m esa eufórica, não costum ava ficar depois que
term inava um a apresentação, m as era diferente, tinha pessoas agradáveis com quem m e divertir. Estava na hora de m e soltar m ais, certo?
Sentei-m e, e Bruno logo se inclinou para falar no m eu ouvido:
— Acho que estou apaixonado, você roubou o m eu coração
naquele palco.
Minha respiração parou. Olhei para ele a fim de ver se estava
brincando, m as era m eio im possível saber. Bruno estava sério e m e olhava com um a expressão estranha, parecia tão confuso quanto eu. Ao m esm o tem po tinha um olhar ardente, devia ser sem pre assim , o hom em era testosterona am bulante.
— Você tem certeza disso? Não sou de com partilhar — brinquei
para desanuviar o clim a.
Bruno sorriu e levou a m ão até m eu queixo.
— Nem ousaria pensar em outra m ulher quando tenho um anj o
quente ao m eu lado. — Me beij ou de leve, era com o um sopro de frescor em m eu peito. Nunca tinha percebido que era tão insegura quanto naquele instante, por m ais que fosse cedo e repentino, havia sentim entos por ele em m im .
Então, constatei algo que desde o prim eiro m om ento que o vi devia
ter sacado: ele era a recom pensa. Minha pele se arrepiou com a previsão da senhorinha no ônibus. Ainda havia um a escolha a ser feita, m as naquele m om ento eu j á tinha tom ado a m inha decisão.
Puxei seu pescoço, intensificando o beij o. Ele arregalou os olhos e
sorriu, com a boca colada na m inha. Meu Deus, eu precisava devorar aquele hom em . Sua boca era puro pecado, carnuda e firm e. Deslizei em luxúria total.
Um a tosse seguida de risada cham ou a nossa atenção. Viram os
j untos, com as bocas ainda coladas, e olham os para nossos irm ãos. Lucas tinha as sobrancelhas arqueadas e os lábios presos, tentando segurar o riso. Sabrina era m enos discreta, sorria abertam ente e previ sarcasm o vindo em nossa direção.
— Ora, ora. Os pom binhos j á acabaram ? Estou ficando
incom odada aqui.
Bruno se afastou e... Estava corando? Oh, Deus. Ele estava
verm elho com o um pim então. Murm urou uns xingam entos para a irm ã e se sentou ereto, com o braço em volta da m inha cadeira.
— Por que você tem que ser tão pentelha, Sabrina?
— Ué, essa é a função da irm ã m ais nova. Mas eu aprovo isso aí.
— Ela apontou para nós dois, e quem corou dessa vez fui eu.
— Você tem razão, Lucas. Sua irm ã é um anj o. — Bruno
direcionou o olhar pro m eu irm ão, que só balançou a cabeça e sorriu para m im .
Conversam os e nos conhecem os m ais, apesar de ser arrogante
Bruno era incrível, dedicado ao trabalho e a fam ília. Quem o conhecia não im aginava essa faceta dele, você logo ligaria a um conquistador sem noção. Porém estava longe da verdade, eu estava disposta a conhecê-lo de todas as m aneiras, m esm o que isso estivesse m e assustando. Depois de conversarm os m ais um pouco, Bruno disse que tinha que ir em bora porque teria plantão cedo no outro dia. Ofereceu-nos um a carona até em casa; sentei na frente com ele e Lucas atrás com Sabrina.
Conseguia ver de esguelha, eles estavam com as cabeças m uito
próxim as e cochichando. Meu irm ão parecia com igo m ais do que im aginava, se encantou pelo gene m oreno m uito fácil. Senti um a m ão na m inha coxa e olhei para o Bruno.
Ele tinha um olhar estranho em seu rosto. Parecia tem eroso de
algum a coisa. Não entendia o que poderia ser, aproveitar aquela noite ao seu lado foi ótim o. Principalm ente se contar com nosso encontro nada inocente no banheiro. E o que eu tinha dito a ele m artelava em m inha cabeça, só de im aginar tudo o que ele podia fazer com igo ficava sem fôlego. Senti o desej o percorrendo as m inhas veias.
Bruno percebeu o m eu desconforto. Olhou pelo espelho do
retrovisor e subiu um pouco m ais a m ão nas m inhas coxas, m as não m uito. Inclinou-se um pouco e sussurrou:
— Em breve, vou te provar todinha, anj o.
Arregalei os olhos e m ordi os lábios. Ele sorriu e voltou sua
atenção para a estrada, afastando sua m ão sem -vergonha. Muito cedo estacionou em frente à m inha casa, descem os e Lucas se despediu, dizendo que tinha que dorm ir para ir à faculdade cedo.
Bruno m e acom panhou até a porta e m e abraçou, apoiando o
queixo na m inha cabeça.
— Eu não sei o que fazer com você, vou acabar ficando louco.
Afastei-m e para olhar em seus olhos.
— Com o assim ?
— Eu nunca senti isso por ninguém , Lay la. Nenhum a m ulher
m exeu assim com igo. — Balançou a cabeça m ordendo os lábios, seu olhar azul estava brilhante e percebi que era por m inha causa.
Peguei sua m ão e levei até m eus lábios, dando-lhe um beij o suave.
— Não se preocupe, tam bém sinto isso que você tá falando. Eu
tenho m edo de estar indo rápido dem ais. — Respirei fundo observando seus olhos azuis. — Não vam os ficar preocupados com o futuro, só curtir o que tá rolando.
Ele assentiu e suspirou.
— Vam os sair na terça? Eu estou de folga à noite e você não tem
apresentação. O que acha?
— Pra m im tá ótim o. Me pega às 20h?
Ele assentiu, sorrindo m alicioso.
— Não vej o a hora de te ter só pra m im .
Deu um selinho na m inha boca e foi para o carro. Sabrina j á
estava no banco da frente e m e deu um aceno rápido. Antes de entrar, ele parou e olhou pra m im , sorriu e sentou, dando partida.
Meu coração afundou e senti um frio na barriga.
Droga! Estava m e apaixonando sem nenhum a escapatória.