Inspiração
Capítulo 41
Lucas
A garota tinha sum ido!
Procurei por Sabrina em cada canto e não encontrei. Eu estava
com o um cachorro babão atrás dela desde que a vi a prim eira vez no Beer. Toda aquela pinta de sou a boazona era só disfarce, no fundo tinha certeza que era um a m enina m eiga e doce. Só não havia achado esse lado ainda. Mas teríam os tem po.
Estava ficando nervoso, até que a avistei sentada num banco,
escondida atrás da árvore. Aproxim ei-m e devagar e notei sua expressão sofrida e seus olhos m arej ados. Eu não a entendia. Deixei bem claro desde o início o m eu interesse. Ela se m ostrava esquiva, tentava disfarçar. Mas quando algum a garota se aproxim ava ou alguém insinuava que eu teria algum encontro, ou algo parecido, entrava em desespero.
A única vez em que deixou seus sentim entos sobressair à teim osia
em não m e querer foi no nosso prim eiro beij o, que ficou gravado em m im com o brasa. Nunca havia m e sentido daquele j eito. Quando ela havia j ogado a vizinha na piscina, fui atrás dela e saím os de carro. Param os num a praça e sentam os para conversar, ali nossa am izade se firm ou e acabei roubando-lhe um beij o, que abalou m inhas estruturas. Senti que ela tam bém ficou m exida, só não rolou m ais porque percebi que ela estava receosa. Porém foi a m elhor boca que provei na m inha vida.
Aquela m aneira atrevida de ser, m e encantava e, ao m esm o
tem po, m e irritava. Tinha um a im pressão que teríam os um a relação sej a de am izade ou não, de altos e baixos.
— Sabrina, o que você tá fazendo aqui? — m inha voz saiu m ais
grossa do que eu pretendia.
Ela se assustou e deu um pulo quase caindo do banco.
— Droga, Lucas, quase tive um ataque cardíaco!
Sorri e m e aproxim ei, sentando ao seu lado. Seu perfum e
inebriava m eus sentidos, quase não resisti ao im pulso de respirar em seu pescoço aquele arom a m aravilhoso.
— O que aconteceu lá dentro? Por que ficou tão chateada com o
que o Bruno disse?
— Eu não fiquei. — Desviou o olhar cravando em algum ponto
entre as árvores que cercavam a residência.
Peguei sua m ão e fiz círculos com o polegar, m eio que
hipnotizado. Sabrina era um contraste total. Sua pele era branca e m acia, seus olhos azuis eram m uito claros e os cabelos negros com o a noite. Tudo nela m e cham ava a atenção.
— Não m inta pra m im . O que está acontecendo com a gente? O
que você quer de m im ?
Ela olhou em m eus olhos, e se não estivesse sentado cairia pra trás com a força daquele olhar. Havia m uita dor dentro dela, não sabia o que poderia ter acontecido para ficar daquela m aneira. Mas se eu descobrisse o responsável por isso, não pensaria duas vezes. Acabaria com a raça do desgraçado.
— O que você quer dizer?
Droga! Respirei fundo e tom ei coragem para abrir m eu coração.
Coisa que não estava acostum ado a fazer, eu era um cara m uito reservado. As m ulheres que tive foram poucas e discretas, nunca fiz alarde nenhum , não precisava provar nada para ninguém .
— Ok, eu gosto de você de verdade, Sabrina. Nunca senti isso por
m ulher nenhum a, eu quero você na m inha vida em todos os sentidos. Totalm ente m inha.
Ela abaixou os olhos para nossas m ãos unidas, e pude ver um a
lágrim a solitária descendo por seu rosto. Já ia levar a m ão para enxugá-las quando as palavras dela m e interrom peram .
— Eu não posso, Lucas. Eu só tenho você com o m eu am igo. Não
sinto outras coisas.
Quando você estuda m edicina, aprende que o coração não dói.
Mas cara, ele parecia estar sendo arrancado do m eu peito. Podia sentir todas as cavidades secando, m eu sangue não pulsava em m inhas veias, quente. Estava frio e vazio
— Por favor, não fica chateado com igo. Gosto m uito da sua
am izade.
Seria m asoquism o se eu continuasse am igo dela. E ainda m ais
depois que eu fizesse o convite que havia decidido. Mas não podia evitar.
— Não, tudo bem . Deve ser um lapso m eu. Vai passar logo. —
Desviei o olhar, não queria dem onstrar fraqueza. — Lay la disse que você está procurando um a casa? Por que não vem m orar com igo? Só precisam os dividir as despesas básicas.
— Acho que talvez não sej a um a boa ideia.
— Por que não? Som os amigos! — frisei bem a parte do “am igos”,
j á que era o que ela queria.
Sabrina engoliu em seco e recolheu a m ão que eu ainda estava
segurando.
— É, então pode ser. Se tiver tudo bem pra você, quero ir hoj e
m esm o. Algum a coisa m e diz que não vai ser um bom am biente naquela casa. — Tentou fazer piada com a situação dos nossos irm ãos.
Assenti e sorri am arelo, não estava no clim a para brincadeiras no
m om ento. Previ que em m uito tem po perm aneceria sem m uita anim ação.
— Ok, te espero lá, então. Lay la j á recolheu todas as coisas
m esm o... — Dei de om bros. — O quarto tá liberado. Eu vou voltar para a festa. Você vem ?
Ela sacudiu a cabeça, sorrindo tristem ente.
— Não, vou ficar por aqui m ais um pouco.
Prendi os lábios e concordei, cam inhei de volta à área da piscina.
Algum a coisa m udou em m im naquele m om ento. A recusa e indiferença que dem onstrou pelo que eu sabia que sentia, abriu um a brecha no m eu peito. Nunca entendi o que as pessoas diziam sobre desilusões am orosas... Que elas te m odificavam , m udavam seu j eito de pensar e agir.
Depois daquela conversa, tom ei um a decisão.
Não precisava m ais ser o m enino bom para dar orgulho pra m inha
irm ã. Eu era independente e ninguém tinha nada a ver com o que fazia. E a m inha prim eira presa estava em m inha linha de visão. A tal garota que Sabrina em purrou na piscina outro dia. Aproxim ei-m e decidido, e a enlacei pela cintura.
— Vem pra casa com igo? — sussurrei em seu ouvido.
A garota ficou surpresa, m as logo am oleceu em m eus braços e
assentiu. Saím os da festa sem nem ao m enos nos despedir de ninguém , m as tam bém só havia um a pessoa no m undo que eu não m agoaria. E ela não estava ali pra ver seu irm ão cam inhar para outro estilo de vida.
Dei as costas para a m ulher que am ava e abri os braços para a
diversão que m e esperava sem olhar para trás.