Inspiração
Capítulo 11
Layla
O dia do m eu encontro com o Bruno dem orou m uito a chegar, o
tem po parecia se arrastar lentam ente. Meu chefe estava estranho. Nunca fui de conversar m uito com ele, apenas assuntos profissionais, m as ultim am ente o Dr. André vinha se m ostrando agradável dem ais. Não gostava nada daquilo.
Já estava com tudo preparado para ir em bora — nem tinha tirado
horário de alm oço para poder com pensar e sair m ais cedo —, quando ele m e parou, dizendo que tinha m e visto sexta no Beer, m as não pode se aproxim ar porque estava m uito cheio.
Dei um a desculpa qualquer e nem respondi ao seu com entário,
não queria encoraj ar o que estivesse insinuando. Murm urei um a despedida e saí o m ais rapidam ente possível daquele escritório. Era m elhor com eçar a procurar outro em prego, pois não gostava de assédio de nenhum tipo.
Corri para casa a fim de m e aprontar para a noite. Quando entrei
na sala, percebi que estava tudo em silêncio. Lucas chegava só depois das dezoito horas. Fui até a cozinha preparar um lanche rápido, quando ficava nervosa m e dava um a fom e sem lim ites. Enquanto estava saboreando um sanduíche de presunto e queij o, ficava pensando em com o seria estar com o Bruno fora do bar. Nossos encontros no cam arim e no banheiro tinham sido explosivos. Em território neutro então, só poderia aguardar para um terrem oto de proporções épicas.
Um sorriso despontou dos m eus lábios no m om ento que m e
lem brei da cara dele quando o deixei sozinho. Eu sabia que estava cutucando a onça, m as era exatam ente isso o que queria. Fazer com que m e desej asse da m esm a m aneira louca com a qual eu o queria. Já tinha passado m uito tem po desde que tive um encontro e até m esm o um nam orado. Na verdade, nem m e lem brava se algum dia tive um nam orado. Eles eram m ais um m eio para um fim , sexo casual e pronto.
Contudo, Bruno era diferente. Eu o queria totalm ente, de todas as
m aneiras. Tanto físicas — que, diga-se de passagem , seria de arrepiar —, quanto em ocionais. Apesar de ainda ter m uito m edo de m e apaixonar, estava sendo inevitável. Quando estava ao seu lado m e sentia um a m ulher desej ável, não alguém cheia de responsabilidades e deveres.
Fiz m inhas unhas cuidadosam ente, escolhi um a cor de esm alte
clarinha. Para dar um a realçada, fiz diagonal em preto e branco nas m ãos. Retoquei m inha depilação profissional, que havia feito há algum as sem anas. Estava tudo lisinho, adorava assim , nada para ficar m e incom odando.
Nos cabelos, fiz um a hidratação pesada. Apesar de deixá-los
naturais, precisava de cuidados de vez em quando. Tom ei um banho dem orado e esfoliei toda a m inha pele. Adorava ficar m acia e perfum ada. Enquanto lavava m eus cabelos, tentava lem brar-m e se havia m e esforçado tanto para sair com alguém , m as não vinha nada à m inha m ente. Bruno m exia de um j eito novo com igo e m e deixava totalm ente vulnerável, era assustador.
Desliguei o chuveiro e enrolei a toalha em volta do corpo.
Cam inhando lentam ente para m eu quarto, parecia que estava em transe; aquela Lay la triste, sem nenhum a perspectiva de realização própria, parecia m uito distante da m ulher ansiosa para encontrar um cara lindo e gostoso. Sem falar na expectativa de sexo alucinante.
Meu corpo todo se esquentou com a aproxim ação da noite. Não
que estivesse sendo um a m ulher fácil, nunca fui, tive apenas três hom ens na vida. Mas era com o um im ã que m e puxava na direção dele. Nós nos encaixávam os de um a m aneira ím par, era com o se nos conhecêssem os há m uito tem po. Não parecia errado, sim plesm ente.
Escolhi um a roupa que com certeza o faria babar: dei a m im
m esm a um presente de aniversário — m esm o im aginando nunca poder usar —, um vestido de renda verm elho com m anga com prida, que pegava um pouco acim a do j oelho. Na frente era m uito com portado, apesar de ter um caim ento perfeito no m eu corpo, m as nas costas... tinha um decote que term inava em cim a do bum bum , deixando toda a parte de trás exposta. Era perfeito para abalar as estruturas daquele m oreno lindo, sem m odéstia.
Sequei o cabelo e o deixei volum oso e brilhante. Fiz um a
m aquiagem leve, nada m uito forte: delineador e rím el nos olhos e gloss nos lábios. Calcei m inha sandália verm elha salto agulha e ganhei uns dez centím etros a m ais. Mesm o assim , Bruno ficaria um tanto acim a, adorava hom ens altos.
Faltavam quinze m inutos para as vinte horas e eu j á estava pronta
e ansiosa. O que iria fazer todo esse tem po esperando? Oh, Deus, eu estava m uito nervosa. Andei pela casa inteira, procurando um a coisa aqui ou ali para arrum ar. As oito em ponto, a cam painha tocou e eu tropecei. Droga, não podia estragar a m inha noite.
Cam inhei devagar na direção da porta da frente, respirei fundo e
abri. Quase caí para trás. Bruno estava totalm ente com estível: vestia um a calça branca e um a cam isa azul, enrolada até o cotovelo. Uau! Im aginei logo de cara ele vestido de m édico, ou m elhor, só com o j aleco e m ais nada. Devia ser um a bela visão a se apreciar.
Bruno m e olhou de cim a a baixo e lam beu os lábios. Resolvi deixar
a surpresa das costas para quando cam inhasse à sua frente.
— Pronta? — disse sem nem olhar nos m eus olhos, pois encarava
as m inhas pernas expostas sem nenhum pudor.
Sorri e m urm urei um sim . Fechei a porta sem m e virar, e ele deu
um passo para o lado a fim de m e deixar passar. Prendi a respiração e cam inhei à sua frente. Escutei um gem ido bastante alto e olhei por cim a do om bro.
— O que foi? Algum a coisa errada?
Ele tinha os olhos escuros e fam intos.
— Não, nada errado. Só um anj o que está querendo m e m atar.
Franzi a testa, fingindo não entender.
— Querendo te m atar? Essa não era a m inha intenção.
Ele sorriu e sussurrou no m eu ouvido, encostando o peito nas
m inhas costas nuas:
— Eu sei bem qual foi a sua intenção, anj o. — Mordiscou o lóbulo
da m inha orelha. — E, só para que fique sabendo, conseguiu. O foda vai ser esperar esse tem po todo para poder tocar em você.
Para provar o que disse, roçou sua ereção na m inha bunda. Droga,
o feitiço virou contra o feiticeiro! Quem estava incom odada e com calor era eu, calcinha m olhada era eufem ism o para o que havia acontecido com igo. Estava excitada a nível m áxim o.
Ele riu gostoso e se afastou para abrir a porta do carro. Propiciou-
m e um olhar m alicioso, que m e deixou um pouco envergonhada. Contornou o carro, entrou e deu partida. Estava curiosa para saber aonde iríam os.
— Aonde vam os? — conversar não era m inha vontade no
m om ento, m as tinha que quebrar o gelo.
— Pensei num restaurante italiano que abriu há alguns m eses.
Tudo bem para você?
— Claro, adoro m assa.
E era verdade, m inha m ãe era descendente de italiano, então
sem pre tínham os m uito m acarrão, lasanha e todo tipo de gostosura que ela m esm a fazia. Afastei logo aquelas lem branças, não era hora de sentir saudades, queria m e divertir.
O cam inho até o restaurante foi tranquilo, não nos provocam os,
m as não pude deixar de notar os olhares que ele lançava para as m inhas pernas. Minha intenção havia sido alcançada afinal, Bruno parecia fam into.
Chegam os ao Delizie d'Italia, um lugar acolhedor. A frente era em
estilo colonial e um a porta de m adeira ocupava toda a entrada. O maître, vestido form alm ente e com aquele j eito afetado de garçom internacional, se aproxim ou e nos cum prim entou em italiano. Entendi m uito pouco, m as Bruno parecia falar fluentem ente. Só para que conste, era m uito sexy ouvi-lo falar naquele idiom a.
Acom panhou-nos até um a m esa aconchegante num canto ao lado
de um a j anela enorm e. Você poderia achar que era um lugar esnobe olhando por fora, m as não. Era totalm ente fam iliar. Toalhas xadrez verde cobriam as m esas num padrão adorável. Estava bem cheio para um a terça-feira e o cheiro que vinha da cozinha era de dar água na boca.
Sentam o-nos e o garçom trouxe os cardápios. Tinha um a
infinidade de delícias para escolher.
— Então, anj o, o que vai ser?
— Hum ... Acho que vou querer espaguete à carbonara.
— Boa escolha, eu quero um a lasanha bolonhesa... E pode trazer o
m elhor vinho que você tiver.
Bruno entregou os cardápios ao garçom , que se afastou com
nossos pedidos anotados, e olhou para m im , ansioso.
— Não tive a oportunidade de dizer o quanto você está linda,
Lay la. Meio que engoli a m inha língua quando te vi.
Dei um a risada e corei um pouco.
— Sei, você tam bém m e im pressionou, tive até um a pequena
fantasia.
Ele levantou um a sobrancelha, curioso.
— Fantasia? Será que é algo que eu possa realizar?
Abri um sorriso grande e m alicioso.
— Com certeza. — Mordi o lábio inferior, observando sua reação.
Seus olhos azuis estavam arregalados e com um brilho sedutor. — Alias, adorei ouvir você falando essa língua, apesar de eu ser descendente entendo m uito pouco. Seu sobrenom e é italiano, certo?
— Sim , m inha avó paterna nasceu em Rom a, então ela nunca
deixou a sua língua natal m orrer, sem pre nos ensinou um pouco da cultura e de com o falar corretam ente. Engraçado, nós dois som os descendentes de Italianos. Esse povo tem sangue quente, por isso notei logo de cara que teria trabalho com você.
Arqueei um a sobrancelha e sorri, concordando.
— Idem , querido. Acho que som os explosivos.
Bruno iria retrucar algum a coisa, m as o garçom voltou com o
nosso j antar, e saboream os um a verdadeira com ida italiana, com direito a m uito parm esão. Todo o tem po ao seu lado foi bem proveitoso, e conversam os m uito. Ele era um a das únicas pessoas que m e faziam sorrir com vontade, não que eu fosse am arga, m as diversão não era m uito m inha praia. Bruno m e contou do seu dia a dia e pude perceber o am or dele pela profissão e o adm irei ainda m ais.
Ele questionou se o m eu trabalho no escritório era satisfatório e
não consegui disfarçar, parecia que não podia esconder nada. Bruno ficou tenso quando contei com o m eu chefe estava estranho. Disse-m e para tom ar cuidado e procurar outro em prego logo. Que não era bom facilitar com situações sem elhantes.
Mudei de assunto rapidam ente, pois não queria m e preocupar com
isso no nosso encontro. Conversam os sobre a sua fam ília, ele m e contou com o as irm ãs o atorm entaram durante toda a sua vida. Único hom em no m eio de m uita m ulher devia ser difícil de lidar, elas tom avam conta. Mas pude perceber o quanto Bruno as am ava, principalm ente os sobrinhos, filhos da Larissa. Prom eteu m e apresentar a todas brevem ente.
Arregalei os olhos com essa afirm ação.
— O que foi, anj o? Você achou que eu te queria por um a noite
apenas?
— E não é assim com você?
— Era! — Deu de om bros. — Mas fique certa de um a coisa: um a
noite não vai ser o suficiente. Para nenhum dos dois.
Senti um enorm e frio na barriga. Eu j á tinha cogitado essa
possibilidade, m as a confirm ação de que ele m e queria por m ais do que alguns encontros m e deixou tem erosa.
Ele sorriu e pegou na m inha m ão por cim a da m esa, dando um
beij o em m eus dedos.
— Não fique assustada, Lay la. Para m im é novo tam bém . Que tal
se com binarm os dar um passo de cada vez?
Assenti, concordando. Não podia forçar m inha m ente, ou então
surtaria legal. Ele pediu a conta e cam inham os para a saída. Minha pele se arrepiou com o toque de seus dedos nas m inhas costas nuas.
Se eu ficava assim apenas com um contato tão leve, nem podia
im aginar quando estivéssem os pele a pele.
Já próxim os ao carro, ele se inclinou e enlaçou a m inha cintura,
ficando perto dem ais.
— Vam os pra m inha casa, anj o?
Oh, Deus. Era agora. Será que eu teria coragem de dar esse passo,
tão cedo? Mesm o tendo insinuado todo o tem po, falar era diferente que agir.
Olhei em seus olhos e vi desej o e paixão. Eram o espelho exato do
que refletiam os m eus.
— Mostre-m e o cam inho.
Ele sorriu e deu um beij o no m eu rosto.
Estava na hora de seguir com a m inha vida sem m edo do que poderia acontecer. E eu iria aproveitar cada segundo.