Inspiração

Gisele Souza · Capítulo 17 de 46

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Inspiração

Capítulo 14

 

Bruno

 

Estava deslizando entre o sonho e a realidade, sentia um corpo

quente e m acio ao m eu lado, e um perfum e leve de rosas confundia m eus sentidos. Era surpreendente com o m e sentia bem .

Um a m ãozinha subiu pela m inha barriga, fazendo cócegas. Abri os

olhos prontam ente. A prim eira coisa que pude reparar foram cabelos castanhos esparram ados pelo m eu peito. Sorri ao perceber que não era um sonho.

Passar a noite ao lado da Lay la foi extraordinário. Conversam os

tanto quanto fizem os am or, e ela passou a conhecer m ais da m inha vida do que m eus am igos antigos. Pude perceber que m eu anj o não era só um rosto bonito, m as um a lutadora, a m ulher passou por tanta coisa e ainda assim dizia não se arrepender de nada. Eu particularm ente não conseguia im aginar um a vida sem poder errar, fazer m inhas loucuras da j uventude.

Lay la perdeu toda sua infância e adolescência para cuidar do

irm ão. Podia até ser cruel da m inha parte culpar a sua m ãe, m as apesar de ela ter perdido o m arido e ter que trabalhar tanto, não podia ter colocado um a carga tão grande nas costas de um a m enina. Afinal, ela era a adulta e não o contrário. Porém não havia nada a ser feito, o anj o cresceu e virou um a m ulher incrível.

Meus sentim entos encontravam -se em conflito, não queria adm itir

que estava irrem ediavelm ente caído por alguém que m al conhecia. Mas, do m esm o m odo, não conseguia im aginar ficar m uito tem po sem vê-la ou ouvir sua voz doce. Já tinha viciado, não possuía escapatória.

Lay la se m exeu e resm ungou algum a coisa. Sorri, ela era linda até

dorm indo. Não havia preocupação em seu rosto, estava serena. Moveu um a perna, entrelaçando na m inha, e parecia que fazíam os isso há anos, nos encaixávam os perfeitam ente. Era tão natural tê-la em m eus braços, que fiquei realm ente surpreso por não estar surtando.

Senti sua respiração m udando, lindos olhos verdes com o o m ar m e

observavam , sonolentos.

— Bom dia, Anj o. Dorm iu bem ?

Ela sorriu sonolenta e se espreguiçou com o um a gatinha.

— Mais do que bem . Tive um sonho engraçado.

— Ah, é? E com o foi? — Eu tinha certa desconfiança do que

poderia ser. Lay la tinha um olhar m alicioso direcionado para o m eu peito e barriga.

— Não sei bem , era um a coisa engraçada m esm o. Tinha a ver

com chuveiro... — Batia o dedo no queixo, pensativa.

— Hum , sei. E é algo que podem os realizar? — Balancei as

sobrancelhas.

— Acho que sim ... Talvez. — Fez um a cara de paisagem .

Olhei seu corpo delicioso, sem nenhum pudor, tinha um lençol cobrindo sua bunda perfeita, e seus seios estavam colados em m eu peito, pele com pele. Fiquei duro instantaneam ente com a percepção — antes ignorada —, de que tinha um a m ulher gostosa ao m eu lado pronta para um banho quente, em todos os sentidos.

— Acho que seu sonho está prestes a se tornar realidade, Anj o.

Estreitei m eus olhos, ela sorriu e se afastou, deixando à vista toda

aquela m aravilha.

— Então acho que vou adiantando.

Andou nua sem nenhum pudor em direção ao banheiro. Fiquei

m eio hipnotizado com o balanço dos seus quadris. A m ulher sabia provocar. Na porta, se virou e m e olhou por cim a do om bro.

— Você vem ou vai ficar aí só olhando?

Levantei devagar e sorri. Eu iria m e perder naquele corpo.

 

***

 

Lay la estava frenética, m orrendo de m edo de encontrar Lucas em

casa. Não entendia todo aquele alvoroço.

— Calm a, Anj o. Seu irm ão é adulto, não vai ficar escandalizado

por saber que você passou a noite fora, aliás, ele j á deve ter percebido. — Arqueei um a sobrancelha, divertido.

Ela m e olhou carrancuda, m ordendo o dedo em nervosism o.

Depois do nosso m aravilhoso banho j untos, tom am os café e nos preparam os para o dia. Lay la m orreu de vergonha ao sair com um vestido de noite, nunca havia feito aquilo. Eu acreditava, m eu anj o era m uito responsável para confundir a cabeça do irm ão adolescente com casos de um a noite.

— Ai, Deus. Na próxim a vez você vai dorm ir na m inha casa —

soltou subitam ente.

Quase bati o carro, era um a declaração im portante. Fiquei m eio

sem graça de perguntar se haveria um a próxim a vez e estava apreensivo, apesar da discussão que tivem os, m ulher é sem pre com plicada. Vai que ela m udou de ideia?

— Por que essa cara, Bruno? Nós conversam os sobre isso ontem , é

tudo ou nada.

Lay la m e intim idava, era decidida, sabia o que queria e, se eu não

fosse de acordo com tudo, que m e danasse. Que escolha eu tinha?

— Nada, Anj o. Só fiquei surpreso que você queira deixar claro pro

seu irm ão o que a gente tem .

Franziu a testa.

— Ele é adulto, lem bra? Você m esm o disse isso.

Bingo... Eu sabia que estava protelando, m as fiquei assustado com

a velocidade de tudo aquilo.

Chegam os em frente à sua casa, e ela se virou para m im .

— Você m e espera aqui, vou m e trocar e volto rápido — ordenou e saiu do carro.

— Sim , senhora. — Observei-a se afastar. — Mais um a para

m andar em m im . Acho que é a m inha sina... E agora tô falando sozinho. — Suspirei resignado.

Depois de vários m inutos — que não foram rápidos —, Lay la

apareceu na porta com um terninho preto e blusa de seda azul.

— Você vai cantar assim no Beer? — Ela olhou para baixo e

arqueou as sobrancelhas, sentando no banco do carro.

— Qual é o problem a?

Medi todo aquele corpo m aravilhoso, que conheci m uito bem .

— Nada, é que há um a fantasia em m eio ao universo m asculino.

— Hum . E qual é?

— A secretária gostosa. E, m eu anj o, você faz esse papel

perfeitam ente — m inha voz j á tinha se aprofundado num tom rouco.

Lay la estreitou os olhos e balançou a cabeça.

— Não tem j eito, os hom ens são uns idiotas. Para sua inform ação,

eu tenho um a roupa diferente para m e apresentar no bar.

— Muito bom , m inha garota não pode provocar ereção alheia.

— Cala a boca, Bruno. Você só fala besteira, vam os em bora que

j á tô atrasada.

Eu não estava brincando. Pensar em caras ficando de pau duro por

causa da m inha garota, m e deixava num estado furioso. Se eu visse um m ané dando em cim a dela, nem sabia o que era capaz de fazer. Eu nunca havia m e sentido possessivo — não era agradável. Tam bém , as m ulheres com quem andei não chegavam aos pés de Lay la.

Ficam os em silêncio durante todo o traj eto até seu trabalho. Em

frente ao escritório, ela pegou o m eu celular e com eçou a discar.

— O que você está fazendo, Anj o?

— Agora você tem o m eu núm ero. E não sej a convencido quanto

a isso, m e liga se for ao Beer.

— Um a pena... Não vou poder, tenho um plantão enorm e. Só vou

estar livre no sábado, m as, em com pensação, no final de sem ana inteiro serei todo seu.

Ela sorriu e se aproxim ou, colando a boca na m inha.

— Vou sentir saudades. Acho que vou ter que m e contentar com as

lem branças do chuveiro e cuidar de m im m esm a.

Fechei os olhos e gem i com a im agem que piscou na m inha

cabeça.

— Mulher, você vai ser m eu fim .

Sorriu safada.

— Espero que sej a um bom fim , então.

Enlacei a m ão em seu pescoço e fechei a distância que nos separava com um beij o arrebatador. Invadi sua boca com a m inha língua, m orrendo de fom e por seu gosto doce. Lay la gem eu e se aproxim ou, estávam os desesperados um pelo outro. A única coisa que nos im pedia ir às vias de fato era por estarm os em público, e ainda por cim a de m anhã. Do contrário tinha certeza que estaríam os rasgando a roupa um do outro.

Afastam o-nos ofegantes, ela tinha os olhos verdes, escuros de

desej o.

— Até m ais... Realm ente vou ter que dem orar no chuveiro à noite

depois desse beij o. Espero que estej a feliz.

— Com certeza. — Sorri satisfeito que ela estava tão perturbada

quanto eu.

Abriu a porta e saiu do carro, foi rebolando até o outro lado, m e

hipnotizando com seu gingado. Em frente ao escritório tinha um senhor de aparentem ente sessenta anos; baixinho, gordinho, vestido de terno. Olhava Lay la de um j eito que não gostei nada.

Ela se aproxim ou e o cum prim entou. Ele ficou observando a sua

bunda e disfarçou quando m e viu dentro do carro. Eu ia ter um a conversa séria com m eu anj o, aquele patrão dela era m uito estranho. Não gostei daquele brilho em seus olhos, parecia um m aníaco possessivo.

Olhei seu núm ero em m eu celular e gravei. Ligaria para Lay la

assim que tivesse um a folga no hospital.

Seria o m ais longo plantão da m inha vida.