Inspiração
Capítulo 6
Bruno
O gosto da Lay la não saía da m inha boca. Depois de tê-la deixado
em casa, andei sem rum o pela cidade. Não conseguia entender o que estava acontecendo, tive várias m ulheres na m inha vida, m as nenhum a conseguiu m exer assim com igo. Ela era diferente. Apesar de quase ser um a com pleta estranha, sentia um a energia que nos ligava, era com o se a conhecesse há anos.
Não estava gostando nada daquilo, m as com o resistir a um a
atração tão forte? Não conseguiria, eu era um ser hum ano fraco. Estava tentado a dar m eia volta e não lhe dar opção de negar o que estava evidente entre nós, não ser acostum ado a esperar era um a m erda. Contudo, nada relacionado àquele anj o era norm al, ao m esm o tem po que queria tom ar seu corpo, o im pulso de protegê-la estava fortíssim o em m im .
Depois de gastar bastante gasolina, resolvi ir para casa. Não estava
nada entusiasm ado, o que m e esperava era um a pentelha que não parava de fazer perguntas. Ainda era cedo para Sabrina estar dorm indo, aquela garota parecia um m orcego.
Em frente à m inha garagem estava estacionado o carro da
Larissa, m inha irm ã m ais velha. Só podia vir m ais m erda daquilo, quando essas m ulheres estavam j untas sem pre sobrava para m im .
Desci e fui encontrar as m inhas lindas irm ãs sufocadoras. Eu as
am o, m as que são sufocantes não tenha dúvida! Nem estava na porta quando foi aberta de supetão por Larissa. Dizer que ela era a irm ã m ais velha era brincadeira, tinha trinta e oito anos e era a única loira de olhos verdes da fam ília. Mãe de dois pentelhinhos gêm eos e esposa de um cara casca grossa, se m antinha linda e j ovem , poderia até ganhar um troféu de superação.
— Oi, Larissa. A que devo o prazer de sua visita? — Era linda sim ,
m as a m ais introm etida de todas.
— Onde estava, irm ão? — Esse açúcar todo não m e enganava.
— No bar, com Alberto.
Ela fez um a careta engraçada e colocou as m ãos na cintura. Já
podia im aginar o que viria: o discurso de com o arrum ar um a boa m oça.
— E você acha que vai encontrar um a garota decente para casar
num bar? — Era incansável nesse quesito. Se ela soubesse... Não ia largar do m eu pé.
— Em prim eiro lugar, eu não estou procurando ninguém para
casar; e em segundo, você não sabe de nada. Está fora do m ercado há anos, j á vai fazer bodas de diam ante.
Larissa m e deu um soco no estôm ago.
— Idiota, eu não estou fora do m ercado, m e apaixonei e casei, só
isso. E ainda falta m uito pra fazer bodas de diam ante. — Estreitou os olhos e fez um a careta engraçada.
Sorri e a abracei, Larissa sem pre se sentiu com o a m inha m ãe;
nove anos de diferença na nossa idade fizeram isso. Era apaixonada por tudo o que fazia, seu m arido havia sido seu prim eiro nam orado.
— Vai, Lari, diz o que a trouxe aqui. Não foi só pra m e dar
serm ão, né?
Ela respirou fundo e encostou a cabeça no m eu peito.
— Você sabe o que aconteceu com a Sabrina, o m otivo pelo qual
saiu de casa?
— Ela m e disse que m am ãe não a estava deixando sair.
Larissa se afastou, m e olhando confusa.
— E você acreditou, Bruno? Quando a m am ãe vai proibir alguém
de fazer algum a coisa? — Balançou a cabeça, chateada. — Não foi isso. Sabrina estava nam orando... O cara insistiu para que dorm issem j untos e ela se arrependeu. Deu um a confusão dos infernos, parece que era algum tipo de aposta entre os am igos que ele conseguiria levá-la para a cam a. Ela chorou depois e bateu nele, foi o m aior escândalo, todos os vizinhos ouviram .
— O quê?! — gritei assustado. — Com o é que eu não fico sabendo
disso? E por que ela não m e disse nada? Eu vou m atar esse cara!
— Calm a, j á foi tudo resolvido. Parece-m e que ela queria no
início e quando não quis m ais j á era tarde. Você tá entendendo? E quando ele disse que era só m ais um a na listinha negra, Sabrina enlouqueceu.
— Não interessa, deviam ter m e contado! Quando um a m ulher
não quer realm ente, a gente percebe e tem que respeitar. Só um m oleque para aprontar um a dessas. E aí, o que aconteceu? Foi punido de algum m odo?
Ela negou e suspirou.
— Não, foi consensual, não havia m uito que fazer. Ele não a
m achucou, m as Sabrina quis m udar lá de casa, disse que não aguenta ficar onde todos sabem da sua vergonha.
— Merda!
Tive que m e afastar da Larissa, não conseguia im aginar o que a
m inha pequena estava passando. E eu, com o um idiota, brigando por ela ter vindo m orar com igo. Encostei m inha testa na m oldura da porta e respirei fundo. O que um irm ão faz nessas horas? O que m eu pai faria se estivesse vivo? Droga.
— Larissa, pode ir. Vou conversar com ela. Fica tranquila, não vou
recrim iná-la nem nada. Só preciso de um tem po sozinho pra m e acalm ar. — Estava m e sentindo péssim o, precisava m e afastar.
Ela se aproxim ou e beij ou m inhas costas.
— Tá bom , Bruno. Mas não se m artirize tanto. Ela está bem , só um
pouco chateada. Não é culpa de ninguém , a não ser daquele idiota do Ricardo.
Balancei a cabeça, pois não podia dizer m ais nada. Ouvi passos da
m inha irm ã se afastando, entrando no carro e dando partida. Só assim deixei as lágrim as descerem . Minha bebezinha teve sua prim eira experiência de um j eito totalm ente errado. Se eu pegasse aquele cara nem sei o que faria, era m elhor m antê-lo bem longe.
Senti um a m ão quente em m eu rosto. Abri os olhos, e Sabrina
estava ali com aquela carinha de que m e lem brava bem ; seus olhinhos azuis estavam transbordando de lágrim as. Parecia um a m enina quando baixava a guarda, acabei percebendo que ela era m uito frágil, apenas aparentava ser forte.
— Desculpe, Bruno — falou entre soluços.
Eu a puxei em m eus braços e a abracei com o fazia quando era
um a garotinha.
— Não tem por que se desculpar, Sá. Você quer falar sobre isso?
Ela negou com a cabeça e continuam os ali, nos abraçando. Tentei
ao m áxim o dar m eu aconchego e segurança de irm ão. Depois de algum tem po, ela se afastou, enxugou seus olhos e sorriu.
— Onde você estava? Rondando algum a vadia? — E voltou a ser a
m inha irm ã de sem pre.
— Não, sua pentelha, saí com o Alberto. Fui ao Beer.
— Já ouvi falar desse bar. Tem m úsica ao vivo, né? Me disseram
que a cantora é ótim a. — Podia perceber que forçava para m udar de assunto, m as não ia deixar por isso m esm o.
— É sim , vou voltar no dom ingo. Se você quiser ir com igo... —
Apesar de querer ver Lay la sozinho sem Alberto para m e atrapalhar, Sabrina precisava se distrair.
— Eu quero sim , vai ser bom espairecer. Mas nada de levar vadias
a tiracolo, hein? Não gosto dessas m ulheres com quem você anda.
— Tudo bem , sua danadinha.
Entram os e nos esparram am os no sofá. Apesar de querer
transparecer tranquilidade, eu podia sentir que Sabrina estava chateada. Resolvi pressionar um pouco...
— Sabrina, você não quer falar sobre o que aconteceu? Juro que
não vou dizer nada, só ouvir.
Ela m ordeu os lábios, nervosa. Tinha toda a m arra de durona, m as
sem pre foi a m ais chorona das irm ãs.
— Com o eu vou falar sobre isso com você, Bruno? Sem pre foi
m inha figura de pai.
Ela tinha razão. Cuidei dela e de nossas irm ãs, m as tam bém não
era assim , nosso pai m orreu quando ela tinha seis anos, vítim a de ataque cardíaco fulm inante. Porém nunca ultrapassei a barreira de irm ão.
— Sá, sou seu irm ão. Não sou idiota, um a m enina linda com o
você, na sua idade, j á poderia ter rolado, não que goste de ouvir, m as eu entendo. Juro que não vou te constranger, só não sej a detalhista.
Sabrina m e deu um em purrão de brincadeira e fez um a careta.
— Eu nam orei esse cara por quatro m eses, ele tentou de todo j eito
ir pra cam a com igo. Porém eu resisti, apesar de parecer doidona, queria que fosse com alguém que eu am asse. Até que, depois de m uita insistência, acabei cedendo, achei que com o tem po m udaria e com esse adicional ao relacionam ento o sentim ento fosse florescer. Na hora H m esm o eu fiquei em dúvida, m as j á era tarde e m e desesperei. E quando ele desdenhou que só estava com igo por causa da m aldita aposta, eu m e descontrolei, berrei e chorei. — Balançou a cabeça, parecendo esgotada. — Foi a m aior vergonha da m inha vida quando os vizinhos com eçaram a bater na porta, preocupados. Por isso não consegui ficar m ais na casa da m am ãe, m uita gente ficou sabendo.
— Entendi, m as... Sabrina, você tem que saber que eu sou seu
irm ão, só quero o seu bem . Nunca iria te j ulgar. E além do m ais você ainda é j ovem , vai achar alguém legal.
Ela deu um pulo do sofá, assustada.
— Não, eu vou ser livre agora, nada de relacionam entos. Tô fora,
vou m e tornar a sua versão fem inina.
Sorriu e se virou, indo ao andar de cim a. Droga, isso não era um a
boa ideia, versão fem inina m inha queria dizer vadia com V m aiúsculo. Eu sabia m uito bem o que eu era, m as não queria dizer que as pessoas tinham que seguir m eu exem plo. Essa vida é solitária.
Por m ais que gostasse dos anos de diversão que tive, no fundo tinha
vontade de poder contar com alguém todo o tem po. Não que eu fosse adm itir isso. Seria um a passagem só de ida para torm entos sem fim da m inha fam ília.
Algum a coisa m e dizia que essa m inha la vida loca estava por um
triz. Nem queria pensar m uito no assunto para não surtar. Mas quando um anj o de olhos verdes vinha à m inha m ente, duas coisas aconteciam : m eu coração acelerava com o um trem sem freio e m eu pau ficava duro.
Puta m erda!
Estava perdido da silva.