Inspiração
Capítulo 13
Layla
Sentir o peso do seu corpo, sua respiração em m eu pescoço, a pele
suada j unto a m inha, era um a sensação indescritível. Meu peito subia e descia freneticam ente, foi incrível. Bruno era um am ante habilidoso e nada egoísta. Foi o paraíso estar em seus braços, m as algum a coisa aconteceu com igo. Meu coração estava apertado e senti m eus olhos se enchendo de lágrim as. Não conseguia entender por quê. Tinha sido tudo tão bom , ele foi gentil e atencioso. Não havia m otivos para tristeza ou arrependim entos.
Bruno com eçou a se m over e levantou a cabeça, que estava
encostada em m eu om bro. Ele respirava rapidam ente.
— Oi. — Sorriu ofegante.
— Oi.
Ele se apoiou nos cotovelos e fez um a cara engraçada.
— Devo estar te esm agando, você é tão pequena que fico com
m edo de te quebrar. — Saiu devagar de m im e deitou ao m eu lado. Observou-m e intensam ente, e eu m e perdia naquele céu azul. — Dorm e com igo, Lay la?
Fiquei surpresa com aquele pedido repentino. Bruno virou o rosto e
focou os olhos no teto, com um a expressão cautelosa no rosto, m ordia o lábio inferior nervoso. Tive que rir. Um pegador com o ele, nervoso por pedir para um a garota dorm ir em sua casa?
— Eu não posso, am anhã trabalho cedo. Não dá pra andar por aí
com vestido de noite.
— Eu te levo em casa. — Suspirou. — Só fique com igo esta noite.
Bruno m e olhou fixam ente com expectativa. Eu tinha sentim entos
contraditórios guerreando em m eu peito. Queria tanto deixar rolar, ser totalm ente livre com aquele cara gostoso ao m eu lado. Mas, ao m esm o tem po, ficava tem erosa com o que poderia acontecer se eu m e apaixonasse. Os fantasm as do passado, as perdas e as decepções insistiam em não m e deixar.
Porém , ao olhar aquele corpo delicioso, não havia dúvida do que
eu realm ente queria: pular de cabeça.
— Ok. Mas você vai ter que m e levar ao escritório tam bém .
Ele sorriu am plam ente e levantou a m ão, acariciando o m eu rosto.
— Claro, com m uito prazer. Adorei estar com você, Lay la. Não
consigo m e lem brar de alguém m e fazendo tão bem com o você m e faz.
Aquele hom em ainda iria m e levar à loucura. Lindo, bom de
cam a, educado, gentil e ainda por cim a falava as coisas certas. Só m e deixava num a situação ainda m ais com plicada. Tinha m uita coisa dentro de m im , sentim entos desconhecidos e assustadores.
— Você tam bém não é nada m al. — Balancei as sobrancelhas.
Com os olhos brilhando, Bruno virou e subiu em m eu corpo.
Encaixou o peito sobre m im e circulou m inha cabeça entre seus braços.
— Nada m al, Anj o? Acho que tenho que provar alguns pontos
aqui.
— Oh, feri seus sentim entos m asculinos Neandertais? — Fiz um
biquinho divertido.
Ele respirou fundo e passou os dedos pelos m eus cabelos num a
carícia m aravilhosa.
— Você sabe que eu vou ficar louco, certo? Tudo isso entre a gente
é com o um a avalanche. Vai desabar tudo de um a vez, não estou acostum ado a isso, Lay la. — Seus lindos olhos azuis estavam preocupados.
— Eu tam bém não, Bruno. Tenho m uito m edo de m e envolver e
perder. A vida é m uito frágil, j á perdi dem ais.
— Com o assim ? O que você perdeu, Anj o?
Olhando em seus olhos percebi que acontecesse o que fosse, Bruno
seria um bom am igo. Eu não tinha m uitos, na verdade eu passava m ais tem po na com panhia de m im m esm a do que de outra pessoa qualquer.
— Meu pai m orreu quando eu tinha doze anos, Lucas tinha cinco.
Minha m ãe teve que trabalhar duro para sustentar a gente. — Suspirei, tentando segurar a em oção. — Ele sofreu um acidente de carro e não tinha seguro algum . Acabou que virei guardiã de um a criança.
— Mas você tam bém era criança, não devia carregar esse tipo de
responsabilidade.
— Se não fosse eu, quem seria? Minha m ãe se desdobrou em três
em pregos para pagar a nossa escola, para term os com ida na m esa. Quando m eu pai era vivo, tínham os um padrão de vida alto, então tudo baixou drasticam ente. Mam ãe vendeu nossa casa e com prou aquela onde vivo j unto com o Lucas. Nada m ais j usto do que aj udá-la cuidando do m eu irm ão.
Bruno olhava para m im com adm iração. Levou a m ão até m inha
bochecha e acariciou levem ente.
— E sua m ãe? Você não m e disse nada. Onde ela está?
Engoli em seco e virei o rosto, olhando para o seu guarda-roupa
escuro, m asculino. Era m uito difícil falar da m inha m ãe.
— Ela tam bém faleceu, insuficiência cardíaca. O coração cansou
de tanto trabalhar.
Ele ficou m uito quieto, nem m e arrisquei a olhá-lo nos olhos. Sabia
o que tinha ali: pena. Estava cansada daquilo, não precisava deste sentim ento. Lutei m uito na m inha vida. Mesm o porque m inha m ãe só viveu para que eu tivesse idade o suficiente para cuidar de tudo, então ela foi para j unto do seu am or. Ainda que achasse egoísta da sua parte, não iria ficar m e lam entando. Existem pessoas fracas dem ais e eu não era um a dessas.
Senti um a m ão forte em m eu queixo e pisquei, fazendo lágrim as
grossas escorrerem pelo m eu rosto. Bruno enxugou com o polegar e puxou o m eu rosto para j unto do seu.
— Eu te adm iro m uito, Lay la. Você enfrentou a perda dos seus
pais em um espaço relativam ente pequeno e conseguiu seguir em frente, criar seu irm ão sem pestanej ar. Muitas pessoas, no seu lugar, teriam j ogado tudo pro alto e vivido a própria vida. Quantos anos Lucas tinha quando sua m ãe m orreu?
— Onze.
Ele sorriu triste, passando o polegar por m eu rosto num a carícia
leve e carinhosa.
— Aguentou toda a adolescência de um m enino, sendo que você
ainda era m uito j ovem . Fico até sem graça, sabia?
Arqueei as sobrancelhas, surpresa.
— Por quê?
— Meu pai faleceu quando eu tinha dezesseis anos, e m inha m ãe
lutou sozinha com quatro crianças. Eu não aj udei em nada, na verdade só atrapalhei. Com Sabrina que foi diferente, por ser a m ais nova e m ais pentelha, eu não tive escolha... Ela ficava grudada em m im com o um carrapato. — Sorri com a im agem dela pequena, devia ser um a graça grudada nele o tem po todo. — Mas ele deixou a nossa situação boa financeiram ente. Tinha uns bons investim entos, então m antivem os nosso padrão de vida. Não foi nada com o você. Eu não tive que assum ir responsabilidades por ninguém .
— Mas pelo m enos você aj udou no que podia. Eu fiz o que era
necessário. Minha m ãe era um a casca vazia, Bruno. O pouco tem po em que m am ãe passava em casa só conseguia dorm ir, não tinha nenhum a perspectiva de seguir em frente, se fechou dentro de si e não tinha espaço para o m eu irm ão e eu. Quando m eu pai se foi, ela enterrou com ele toda sua personalidade e vontade de viver. Eu não quero ficar dependente de um a pessoa com o ela era dele.
Bruno acariciou m eu rosto ternam ente, colocou um a m echa de
cabelo atrás da m inha orelha e m e deu um beij o na testa.
— Eu entendo o que você quer dizer. Tam bém não quero apressar nada. O que rolou entre a gente foi bom dem ais para estragar com prom essas e m edos, m as não quero ficar sem te ver.
Sorri e m e m ovi em baixo do seu corpo.
— O que você está sugerindo? Um a am izade colorida?
— Não chega a isso. Não quero ninguém rondando enquanto estou
no território.
Dei um tapa em seu braço.
— Credo, falando assim parece que sou um a propriedade. Você
tem um a m aneira m uito eficaz de m e brochar, sabia? — Ele teve a audácia de rir da m inha cara.
— Não foi isso o que eu quis dizer, é porque se for só am izade há a
possibilidade de algum m alandro querer se aproveitar. Quero você só pra m im , Anj o.
Agora parou a brincadeira. Se ele não queria apressar e tam bém
não queria ser só m eu am igo, o que estava sugerindo?
— Sej a claro, Bruno. — Arqueei um a sobrancelha, m eu
tem peram ento j á estava alterado.
— Que tal um tipo de relacionam ento sem neuras? A gente deixa
rolar, m as com exclusividade.
Esse cara... era m uito esperto. Queria ser exclusivo, m as sem o
com prom isso de um nam oro?!
— E com o isso iria funcionar? Você pega o telefone, m e liga, m arcam os e nos encontram os quando você quiser? Tipo foda delivery?
Ok, eu estava irritada. Ele m e deixava confusa.
— Anj o, calm a. Quem disse ter m edo foi você, só achei que se
sentiria m elhor assim , sem com prom isso e sem m edo de perder. Por m im , eu te prendo na m inha cam a e não deixo sair m ais — Bruno falou num fôlego só. Pareceu alarm ado com a m inha reação.
Eu era com plicada m esm o. Mas não queria ser step de ninguém .
Se ele queria ficar com igo teria que ser de verdade, m eio term o não funcionava. Em purrei seu peito para m e sentar. Ele se afastou, e agarrei a ponta do lençol para cobrir m eu corpo.
— Olha, vou deixar claro e só vou falar um a vez: o que aconteceu
entre nós dois foi um evento novo para m im , não costum o sair com o cara e logo na prim eira noite ir dorm indo com ele. Algum a coisa m e fez fazer essa loucura, eu não sou assim . — Ele estava m e olhando sério. Nem liguei, continuei a falar tudo o que queria: — E outra, se você quiser ficar com igo, vai ter que ser pra valer, ou então pode caçar sua turm a. Meu m edo que se foda! Você não é hom em o suficiente para tirar isso de m im , não?
Ele sorriu am plam ente e se aproxim ou colando nossos corpos
novam ente. O hom em era um a enorm e distração.
— Acabou? Mulher, você é confusa. Vou te m ostrar quão hom em
eu sou para tirar seu m edo. A pergunta é: Está preparada para isso? — Mordeu m eu queixo enquanto falava. — Porque a partir do m om ento em que você falar que é m inha, não vai ter volta.
Engoli em seco. Por essa eu não esperava. Respirei fundo e segui o
m eu coração, m esm o que m eu cérebro gritasse que estava indo rápido dem ais. Não tinha j eito, eu seria dele. Mandei m inha m ente calar a boca e fiz o que queria pela prim eira vez na vida.
Dei de om bros e torci a boca.
— Mostra, então, o quanto você pode espantar m eu m edo.
Bruno se acom odou e m ordeu a m inha orelha.
— Se prepara, eu vou abalar as suas estruturas.
Disso eu não tinha dúvida.