Inspiração
Capítulo 4
Bruno
A m inha irm ã estava m e irritando profundam ente, não aguentava
m ais ouvir a voz da Sabrina tagarelando sobre as m aluquices que queria fazer na vida. Um belo dia de folga se transform ou num pesadelo. Essa garota não tinha que dorm ir pra ir à faculdade, não?
— Sabrina, tá na hora de ir dorm ir. Am anhã você tem que acordar
cedo.
Ela fez um a careta engraçada e apertou os olhos.
— Quantos anos você acha que eu tenho, Bruno? Já sou velha o
bastante pra decidir a hora que vou dorm ir.
— Ok, m as com dezenove anos eu ia m e deitar cedo todos os dias
para não ficar dorm indo na aula.
— Porque você é um m ané. Eu consigo m uito bem lidar com tudo,
obrigada. Agora que m e irritou, tô indo para o quarto. — E saiu pisando duro.
Essa m enina é tão m im ada! Mesm o assim , não conseguia negar m uita coisa para a m inha irm ãzinha. Quando m e olhava com aqueles olhinhos azuis suplicantes, eu cedia com o um bobo.
Senti m eu celular vibrando no bolso, descolei as costas do sofá e o
peguei. Na tela, um a cartinha piscava... Lá vinha m erda. A m ensagem era do Alberto.
“E aí, babá? Tá de boa hoj e? Estou indo ao Beer.”
Senti um arrepio passar pelo m eu corpo só de ouvir o nom e do
local onde m eu anj o estaria. Sem dem orar, m andei um a resposta:
“Tô dentro. Mas não leva a Letícia, tenho planos.”
Um m inuto depois:
“Planos, né? Tudo bem , Letícia está fora, m as depois vai ter que
m e contar direito essa história. Te encontro lá.”
Mal podia esperar, j á estava com saudade de ouvir aquela voz de
anj o e sentir aquela boca gostosa...
A pequena Lay la ia ser m inha.
***
Alberto estava sentado a um a m esa próxim a ao palco, parecia ter
adivinhado m eus pensam entos. Mas droga, ele era um idiota, a chata da Letícia veio j unto. Eu iria bater um pouco no m eu am igo.
— Ah, a Senhorita Super Nanny chegou. — Alberto era um babaca
total.
— Eu não estou de babá, seu idiota. Sabrina tem dezenove anos e
só está m orando com igo, j á que diz ter um a divergência de opiniões com a nossa m ãe.
— Aham , eu sei que sua irm ã tá bem grandinha.
Estreitei m eus olhos, senti um a pontada de m alícia em seu
com entário.
— Fica longe dela, seu babaca. Sabrina é um a criança pra você.
— Me sentei, apontando o dedo na cara dele.
Às vezes, Sabrina era um pé no saco, m as ainda era a m inha
m enina. Alberto m e olhou assustado e levantou as m ãos.
— Calm a, cara. Só estava brincando. Você sabe, não é a Sabrina
que m exe com igo. Além do m ais, ela é a m inha caçulinha.
Eu sabia disso tam bém . Alberto e m inha irm ã Ana Luiza tiveram
um nam oro na faculdade, m as algum a coisa aconteceu e se separaram . Nenhum dos dois quiseram falar sobre o ocorrido. Porém , eu podia sentir a tensão entre eles.
— Ok, não se fala m ais nisso — m e inclinei na sua direção,
falando m ais baixo. — E por que você trouxe essa m ala? Eu disse que tinha planos.
Ele sorriu am plam ente.
— Eu sei, só queria ver a sua cara de tacho. E pelo visto consegui, a careta que fez quando entrou foi im pagável. Mas vou te dizer um a coisa, irm ão: um dia vou ver o grande pegador de quatro por um a m ulher, e algum a coisa m e diz que não está m uito longe.
— Ha-ha. Muito engraçado, você sabe que não vai acontecer. Já
tenho bastante m ulher cuidando da m inha vida, não preciso de m ais um a.
Ele franziu a testa com um a expressão estranha em seu rosto.
— Cuidado para não deixar passar coisas im portantes com essa
sua teim osia.
— Tá sentim ental agora, Alberto? O que aconteceu? Alguém te
pegou de j eito?
Conhecíam o-nos há dez anos, fizem os faculdade e residência
j untos. e agora trabalham os no m esm o hospital. Ele era um pegador desde o início, as m eninas caíam em cim a m uito fácil. Alberto Brenner era um cara de ótim o hum or, loiro, com um sorriso que, segundo nossas am igas, fazia-o parecer um m enino. Vai entender cabeça de m ulher!
— Não, só quero que fique esperto para as coisas que
verdadeiram ente im portam .
Resolvi deixar aquele papo de lado, pois m eu anj o acabava de
subir ao palco. Ela estava linda. O vestido preto que usava deixava pouco para im aginação; tinha pernas grossas e bem torneadas. O efeito da falta das alças m e deixou hipnotizado, queria lam ber aquele m onte de pele exposta.
Lay la se acom odou no banquinho e apoiou o violão na perna.
Sorriu para a plateia, e tive a im pressão de que não tinha m e visto ainda.
— Boa noite! Com o todas as sextas, estam os com um público bem eclético. Preparei um a playlist diversificada. Vou com eçar com Cássia Eller, Malandragem.
Vê-la cantando era m aravilhoso, sua voz encantava todos ao redor,
pareciam hipnotizados pela energia que irradiava. Aquela m ulher no palco, que fechava os olhos em êxtase e sentia toda em oção que a letra transm itia, era o m esm o anj o que havia beij ado sem sentido na porta do bar. Ela seria a m inha perdição. Estava m ais que pronto para m e j ogar.
Eu queria ouvir sua voz rouca em m eu ouvido, gritando m eu nom e
enquanto afundava nela um a e outra vez.
— Quem sabe ainda sou um a garotinha... — O bar irrom peu em
aplausos, e não era por m enos, Lay la tinha talento. — Obrigada, pessoal, a m úsica que vou cantar agora vem m e tirando o sono há alguns dias... Eu te devoro, de Djavan.
“Teus sinais
Me confundem da cabeça aos pés
Mas por dentro eu te devoro...
Teu olhar
Não me diz exato quem tu és
Mesmo assim eu te devoro...
Te devoraria a qualquer preço
Porque te ignoro ou te conheço
Quando chove ou quando faz frio...”
Puta m erda!
Podia até ser que ela não estava cantando para m im , m as seu
olhar varreu as m esas até m e encontrar. Lindos olhos verdes brilharam , m aliciosos, e um pequeno sorriso despontou de seus lábios. Ah, pequena...
“... Mas se quer saber
Se eu quero outra vida...
Não! Não!
Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você...”
Lay la continuou cantando várias m úsicas de sua própria lista e
tam bém alguns pedidos dos clientes. Pediu um a pausa e foi ao cam arim , então vi um a oportunidade de abordá-la. Sem dem ora, pedi licença aos m eus am igos, não antes de receber um aceno conhecedor do Alberto.
Fui atrás do m eu anj o. Desviei de vários hom ens que queriam
chegar perto dela. Não era por m enos, a m ulher era um a delícia, porém não teriam a m enor chance. Tive um vislum bre de seus cabelos castanhos na esquina de um corredor. Só tinha um a porta por ali, e sequer bati: girei a m açaneta e entrei.
Lay la estava de costas para m im , alongando os braços, m as,
quando percebeu que não estava m ais sozinha, virou e m e presenteou com um sorriso irônico.
— Ora, ora. Quem resolveu aparecer? Pensei que tivesse dito que
vinha ontem , senhor “garanhão”. — Fez aspas com as m ãos para frisar sua zom baria, m as o que ela não sabia era que os dois podiam j ogar.
— Hum , quer dizer que sentiu a m inha falta, então? Devo ter dado
um a boa im pressão com aquele beij o — Arqueei um a sobrancelha, sorrindo.
Ela com prim iu os lábios, irritada, e estreitou os olhos.
— Você é um idiota. Aquele foi o pior beij o que j á tive, se quer
saber.
Tive que rir, pois ela não sabia m entir, ficava toda corada. Não
conseguia m e encarar direito, desviava o olhar entregando o quanto eu a perturbava.
— Sei... Então o que foi aquela m úsica lá no palco? Você estava
olhando diretam ente para m im . — Dei um passo em sua direção.
— Não sei do que você tá falando, eu cantei pra todo m undo. Será
que você se acha tão gostoso a ponto de pensar que tudo o que as pessoas fazem é algum a indireta pra te pegar?
Dei m ais um passo, e ela se encostou à penteadeira com as m ãos
para trás.
— Tudo não, querida, m as com certeza você m e quer. Se m eu
beij o foi tão ruim com o diz, tá na hora de um segundo round.
— Você não se atreveria! — ofegou.
— Ah, m e atrevo sim .
Fechei a distância que nos separava, e enlacei sua cintura com um
braço, colando nossos corpos. Ela arregalou os olhos, constrangida.
— Sim , anj o. Já estou duro por você desde que abriu essa boquinha
linda e cantou naquele palco. Sabe que m e deixou louco com aquela m úsica, né? Agora, eu quero te devorar.
Capturei sua boca num beij o feroz, nunca havia sentido tanta fom e
por um a m ulher. Ela ficou rígida e m e em purrou, tentando se afastar, m as não dem orou m uito e cedeu lentam ente, relaxando seu corpo m acio contra o m eu.
Acariciei sua língua com a m inha, seu gosto era sublim e. Lay la
gem eu e enlaçou as m ãos no m eu pescoço. Eu a levantei e a sentei na penteadeira, derrubando um m onte de coisas no chão, nem liguei pra bagunça.
Mordi seus lábios com vontade. Não conseguia m e controlar,
enquanto assolava sua boca, deslizei m inhas m ãos por suas coxas. Sua pele era quente e suave, apertei de leve e subi até a calcinha de renda. Afastei-m e de seus lábios e ela protestou. Sorri, entusiasm ado.
— Você não m e quer, anj o? Então por que está tão m olhada? —
Deslizei um dedo por sua calcinha, e ela j ogou a cabeça para trás, gem endo. — Será que toda essa excitação é de ódio? — Mordi-lhe o queixo e olhei em seus olhos. — Ou será que é porque eu sou tão irresistível para você quanto você é para m im ?
Ela pareceu despertar de um sonho; sacudiu a cabeça e m e fuzilou
com um olhar m alvado. Em purrou-m e com força, e dei um passo para trás, deixando-a levantar.
— Não chegue perto de m im novam ente seu... idiota, pretensioso.
Sorri.
— Ah, m as eu vou sim , anj o. Viciei em seu gosto e seu cheiro m e
levou à loucura. Não tem j eito, você vai ser m inha.
— Ha-ha... É o que vam os ver, palhaço.
Virou as costas e saiu batendo a porta. Balancei a cabeça,
divertido. Ela gostou tanto quanto eu, só era turrona dem ais para adm itir. Mas não tinha problem a. Eu dobraria aquela atitude teim osa assim que colocasse as m ãos nela outra vez.