Inspiração
Capítulo 21
Layla
Aquele aconchego era o m elhor calm ante que poderia existir.
Fazia três dias que eu não dorm ia direito. Bruno estando ao m eu lado, m e em balando, protegendo, era m ais do que m e atrevia a sonhar. Consegui dorm ir sem pesadelos, ou acordar assustada procurando por alguém que pudesse estar espreitando o m eu quarto. Poderia até parecer neurose da m inha cabeça, na verdade não foi tão sério com o acontecia com m uitas pessoas. Mas poderia ter sido. A loucura que vi nos olhos daquele hom em foi além do assustador.
Abri os olhos a contragosto, a luz do sol banhava o m eu quarto,
ilum inando todo o am biente. Lancei m eu olhar para o hom em deitado ao m eu lado. Bruno tinha um braço esticado para cim a e o outro cobria seus olhos. Ele roncava suavem ente com a boca entreaberta, seus lábios carnudos pediam beij os e m ordidas. Poderia até parecer idiotice m inha, m as era um a linda visão a contem plar.
Aproxim ei-m e devagar e espalhei beij os m olhados por sua
barriga. Ele se m oveu, tentando se afastar. Devia sentir cócegas. Sorri m aliciosam ente, eram m uitas as opções do que poderia fazer com aquilo... Torturá-lo seria bom dem ais. Mas por enquanto eu só queria m e aproveitar do hom em m aravilhoso que tinha na m inha frente.
Arrastei-m e pelo seu corpo, esfregando a m inha pele nua contra
ele, estava sensível e m e arrepiei toda. Apesar de não term os transado na noite anterior, preferim os dorm ir sem roupa, era m ais confortável. Bruno era m uito sereno de m anhã; seu corpo todo estava relaxado e seu rosto não m ostrava m ais a tensão do dia anterior. Não queria nem m e lem brar do que aconteceu, m e dava um calafrio toda vez que os olhos raivosos do m eu ex-chefe apareciam na m inha m ente.
A atitude que Bruno tom ou foi algo de que nunca m e esqueceria.
Eu sem pre fui a forte, tinha que tom ar as decisões im portantes, dar consolo. Foi m uito m ais significativo ele ter cuidado de m im do que poderia im aginar. Estava realm ente grata por tê-lo em m inha vida.
Coloquei as m ãos espalm adas em seu peito e senti seu coração
bater. Estava calm o, m uito diferente de quando ficava irritado ou excitado. Dem orei-m e apreciando todo aquele tórax de m úsculos rígidos. Era raro eu ter a oportunidade de apreciar algum a coisa, estava sem pre correndo contra o tem po.
Subi m eus olhos e observei seu pescoço forte. Eu tinha um a tara
estranha por essa parte do corpo, dava água na boca. Mordi os lábios. Bruno tinha um a pele deliciosa: dourada pelo sol. Dava vontade de lam bê-lo todinho.
Decidi não ficar na vontade e passei a m inha língua da sua
clavícula até a orelha. Observei sua pele se arrepiando, e um gem ido rouco saiu de seus lábios entreabertos. Tinha certeza de que ele j á não dorm ia m ais.
Cheguei perto da sua bochecha, enchendo-o de beij os. Um sorriso
sonolento despontou de seus lábios. Sua barba j á estava crescendo e arranhava a m inha pele, era um a sensação gostosa. Ele tirou o braço que estava cobrindo seus olhos e o levou até a m inha cintura, m e prendendo ao seu corpo.
Um par azul m e encarou com aquele brilho m aravilhoso, que eu
aprendi a am ar tão rapidam ente. Bruno apertou m inha cintura com a m ão direita, levou a outra ao m eu rosto deslizando de leve num a carícia terna.
— Bom dia, Anj o. Dorm iu bem ? — sua voz rouca pelo sono
provocava coisas gostosas em m eu corpo.
Apoiei m eu queixo em seu peito, e brinquei com as som bras que
suas veias faziam em seu pescoço largo.
— Sim , m uito bem . Poderia até m e acostum ar. — Senti sua
respiração parar por um instante. Levantei m eus olhos e o observei, Bruno tinha a boca aberta num espanto engraçado. — O que foi, Doutor Pegador, falei algum a coisa errada?
Ele soltou um suspiro longo e apertou os olhos, m e avaliando.
— Claro que não, m as eu acho que você não devia dar esperanças
a alguém se não desej a cum prir.
— Hum ... — Dei de om bros. — Eu gosto de dorm ir e acordar com
você, acho que não faria m al se passássem os algum as noites j untos. — Desviei o olhar. Falar aquilo tudo era fácil, m as observar sua reação era com plicado. Podia ver um a rej eição que não estava preparada. Afinal, ele era um m ulherengo.
Bruno estendeu a m ão e levantou o m eu queixo. Acariciou o m eu
rosto com o polegar e sorriu com o um m enino feliz.
— Eu adoraria acordar com você todas as m anhãs.
Meu coração afundou, e senti um frio na barriga com o se fosse
um a adolescente ao ouvir a sua prim eira declaração de am or. Havia um a insinuação no que ele dizia, m as ainda era cedo para pensar naquelas coisas. Nem queria cogitar para não ter falsas esperanças.
— Vam os levantar, sua m ãe espera a gente e você ainda tem que
passar em casa. — Me desvencilhei de seus braços, tentando disfarçar a m inha insegurança.
— Ok, senhora — bufou, se sentando e m e abraçando por trás com
sua ereção cutucando as m inhas costas. — Se tivéssem os tem po eu ia te pegar agora, Lay la. Mas à noite você não m e escapa.
Ofeguei, m inha excitação subiu a m il. Aquele hom em m e fazia
louca m uito rapidam ente. Num a hora estava preocupada, insegura; em outra, excitada e alucinada por ele. Eu iria surtar com as variações de hum or que sofria constantem ente.
Virei m eu rosto e beij ei a sua boca, até m esm o de m anhã ele
tinha um gosto bom .
— Vam os então, Don Juan. Vou tom ar um banho e não m e siga.
Quero deixar um suspense para m ais tarde.
Saí de seus braços e parei na porta. Olhei por cim a do om bro e
apreciei aquele hom em delicioso sentado na m inha cam a só com um lençol em volta da cintura. Ele sorriu de lado e arqueou um a sobrancelha, corando. Que bonitinho, fiz o pegador ficar envergonhado.
— E só para te avisar, desta vez vou lam ber a sua pele todinha. —
Medi todo seu corpo com os olhos, m e dem orando em seu abdôm en sarado. — Parte por parte.
Bruno gem eu e se j ogou na cam a com um braço estendido acim a
da cabeça e o outro em cim a do seu peito.
— Com o um m édico consegue evitar um ataque cardíaco?
Tive que rir, ele tinha um senso de hum or incrível. Adm ito que no
início m e irritou bastante, m as agora percebia que era um a parte dele. Antes do Bruno, eu era um a pessoa travada sentim entalm ente, contudo m e descobri alguém diferente ao seu lado.
Deixei-o ali no quarto com seu pequeno “problem inha” m atinal, e
fui tom ar um banho. Ainda tínham os que tom ar café para ir à casa da sua m ãe. Eu estava um pouco receosa com relação a conhecer sua fam ília. Era acostum ada com poucas pessoas, sem pre fora eu e m eu irm ão desde que perdem os nossos pais.
Entrei debaixo do chuveiro e lavei m eus cabelos cuidadosam ente.
Adorava ficar cheirosa, por isso m e ensaboei e esfoliei o m eu corpo. Ouvi o barulho da porta do banheiro abrindo e fechando. Fiz um a bola no vidro com a m ão, tirando o em baçado do vapor. Bruno estava segurando um a toalha em volta da cintura, m e observando através do boxe.
— Quer com panhia, Anj o? — falou com um sorriso de lado.
Não pude deixar de apreciar aquele corpo m aravilhoso. Toda vez
que o olhava parecia a prim eira vez. Surpreendia-m e o quão gostoso ele era. Sorri e deslizei a porta, convidando-o a entrar com um a inclinação da cabeça. Logo, ele soltou a toalha e pude perceber que ainda estava excitado. Entrou no boxe e parou ao m eu lado, segurando m eus quadris com am bas as m ãos e abaixando a cabeça para sussurrar no m eu ouvido:
— Você sabia que eu não podia resistir te im aginando debaixo do
chuveiro toda m olhadinha, né? — Mordiscou o lóbulo da m inha orelha e esfregou a barba na área sensível do m eu pescoço. — Você fez isso de propósito, não é m esm o, m eu anj o?
Ofeguei ao sentir sua ereção pulsando contra a m inha barriga.
Bruno estava pronto para m e possuir. Eu devo ter feito algum ruído ou gem ido, porque pude sentir seu sorriso na m inha pele. Ele desceu, beij ando o m eu pescoço e o m eu colo.
— Você gosta de m e provocar, não é, Lay la? — Balancei a
cabeça autom aticam ente. — Tá brincando com fogo, pequena.
Senti-m e totalm ente sexy com aquela delícia sussurrando em m eu
ouvido, era um a m ulher poderosa com ele. Levá-lo à loucura era o afrodisíaco m ais potente que poderia existir.
Bruno m e encostou à parede e prendeu seu corpo m usculoso no
m eu, encaixando um a coxa entre as m inhas pernas e roçando em m eu sexo.
— Oh, Deus. Assim você vai m e m atar, Bruno. O bom que você é
m édico, pode m e ressuscitar.
Ele sorriu e se afastou para olhar em m eus olhos. Seu olhar m e
devorava, tinha um sorriso cínico em seus lábios. A reação que eu tinha quando ele m e observava daquela m aneira era desesperadora. Ficava louca para tê-lo dentro de m im .
— Anj o, não tenho a m ínim a intenção de te m atar de m aneira
algum a. Apenas quero ter seu corpo delicioso em volta de m im , sentir seu calor, seu cheiro... — respirou fundo em m eu pescoço, passando a língua e capturando a água que escorria em m inha pele. — Seu gosto é com o um m anj ar dos deuses, m ulher. Acho que m uito não é o bastante para a vontade que eu tenho de você.
Levantei um a perna e a encaixei em seu quadril, colando nossos
sexos m olhados e m e esfregando sem vergonha na sua ereção rígida. Bruno gem eu e j ogou a cabeça para trás. Era m aravilhoso vê-lo se contorcendo de tesão. Intensifiquei m eus m ovim entos e esfreguei m eu clitóris em seu pau, sentindo todo o prazer que aquilo m e proporcionava.
E aparentem ente não era só a m im que estava afetando. Bruno
m ordia os lábios e segurava m inha cintura forte, seus olhos estavam fechados em êxtase. A im pressão que tive era de que ele precisava se segurar em algum a coisa para não perder o controle.
Porém eu o queria feroz. Inclinei-m e e m ordi seu queixo,
provocando espasm os por todo seu corpo. Ele abriu os olhos azuis, que estavam escuros de desej o por m im . Senti m eu coração inchar de orgulho.
— Acho bom você estar se cuidando, Anj o. Porque eu vou te
foder agora.
Balancei a cabeça e, num im pulso, entrelacei as m inhas pernas
em sua cintura.
— Pode vir com tudo. Estou m e cuidando, fica tranquilo porque
tom o anticoncepcional há anos. Tam bém estou lim pa, nunca transei sem cam isinha.
— Graças a Deus, eu tam bém não. É som ente com você que
tenho essa vontade louca de sentir pele com pele. Se segura no m eu pescoço, isso não vai ser gentil.
Entrelacei m inhas pernas com força e fiz o que pediu. Ele m e
apertou contra o azulej o do banheiro e colocou a m ão entre nós, posicionando seu pênis na m inha entrada. Olhou em m eus olhos e sorriu. Tom ou a m inha boca num beij o fam into e, num im pulso, entrou em m im . Gem i de prazer, senti-lo invadindo o m eu corpo era m aravilhoso.
Nunca tive esses sentim entos no sexo antes, era com o se fosse um
alívio m om entâneo. Com o Bruno era diferente, tinha m uita coisa envolvida: corpo, alm a e coração. Poderia até ser clichê, m as aquele hom em m e possuía por inteira.
Ele levantou um a m ão segurando m eu pescoço, m ordeu o m eu
queixo e lábios, enquanto estocava em m eu corpo, dentro e fora. Balançam os sintonizados, não queríam os fazer am or. Às vezes precisam os de um sexo selvagem e m olhado.
— Lay la, você é deliciosa. Nunca tive um a m ulher com o você,
quente e doce ao m esm o tem po. Quero te com er todinha!
Achei que iria m orrer. Já não bastava a sensação do seu corpo sem
nenhum a barreira dentro de m im , ele ainda falava suj o. Levou a m ão livre até a m inha bunda e a puxou, m e apertando m ais. Meu sexo estava latej ando de prazer, podia sentir o clím ax surgindo em m eu ventre. Minha barriga trem ia em antecipação ao orgasm o que viria.
— Bruno, eu vou gozar.
— Porra, eu tam bém — falou alto e rouco.
Explodi em êxtase com um grito alto. Meu corpo todo latej ava em
satisfação. Senti-o se derram ar em m im . Era m aravilhoso tê-lo pulsando no seu ápice. Nossa respiração estava acelerada, e m eu coração batia m uito rápido. Bruno estava ofegando com o corpo colado ao m eu. Tinha a cabeça encostada ao m eu om bro e dava beij inhos ternos na m inha pele. Sua m ão, que estava anteriorm ente em m eu pescoço, deslizou se prendendo em m eu seio, onde ele fazia círculos deliciosos em m eu m am ilo.
— Você vai acabar com igo, Lay la.
Eu ia abrir a boca para falar algo engraçado, ou o que quer fosse,
quando ouvim os um a batida na porta. A voz de Lucas invadiu o banheiro.
— Aê, eu quero fazer xixi. Se vocês j á acabaram com a sessão, eu
agradeceria! Só tem um banheiro e estou a ponto de estourar a bexiga.
Merda! Esqueci que o m eu irm ão estava em casa. Gritei com o um a louca no cio. Bruno com eçou a rir e gritou:
— Já estam os saindo, seu m ala.
Pude ouvir Lucas rindo do lado de fora e se afastando. Escondi o
m eu rosto corado no pescoço do Bruno. Ele levou a m ão ao m eu queixo e o levantou. Aproxim ando sua boca da m inha, deu um beij o terno e m ordeu o m eu lábio inferior.
— Não precisa se envergonhar, Anj o. Lucas sabe o que um casal
de nam orados com tesão fazem quando estão sozinhos.
— Que droga, Bruno. Inform ações dem ais... Não gosto de pensar
em m eu irm ão assim .
Ele balançou a cabeça, divertido, e se afastou, saindo de m im .
Protestei sem querer, m e sentia tão bem em volta do seu corpo.
— Lay la, ele é hom em , tenho certeza de que sabe dessas coisas há
m uito m ais tem po do que você pode im aginar. Eu, por exem plo, com ecei cedo.
Eu poderia im aginar, com todo esse desem penho devia ter m uita
experiência.
— OK... Mas isso não quer dizer que eu tenha que ficar falando
disso.
Ele sorriu m alicioso e se aproxim ou, colando nossos corpos
m olhados novam ente.
— Claro que não. Eu prefiro m il vezes falar do sexo m aravilhoso
que fazem os j untos.
Minha pele se arrepiou todinha, eu era m assa de m odelar em suas
m ãos.
— Mas que droga, você j á é convencido por natureza e eu, tendo
essa atitude tresloucada, te deixo se sentindo ainda m ais.
Bruno deu um sorriso cínico e entrou debaixo do chuveiro, se
ensaboando.
— Eu não sou convencido, Anj o. É que os fatos não m entem , com
a altura dos seus gritos de prazer dá pra saber que eu sou m uito bom de cam a.
Cara, teria que m e controlar m ais, ele se achava m uito bom pro
m eu gosto.
— Hum , acaba logo com isso pra eu term inar o m eu banho. Já
devem os estar atrasados. Sua m ãe é paciente?
Bufou fazendo um a careta engraçada.
— Não, j á deve ter um as m il ligações perdidas no m eu celular.
Assenti e o observei. Se pecado tinha um nom e, ele se cham ava
Bruno Petri. Era deliciosam ente m usculoso.
— Podem os levar o Lucas? — falei m eio hipnotizada.
Ele m e olhou, surpreso.
— Lay la, Sabrina j á o convidou. Você não percebeu nada entre os
dois?
Era a oportunidade de dizer o que eu achava.
— Sim , percebi. E aproveitando a deixa, notei que ela é um pouco
confusa. Às vezes pego ela olhando-o, m as aí ele percebe e dá em cim a. Sabrina tenta desviar, e é até um pouco ríspida. — Franzi a testa m e lem brando da atitude dela no outro dia.
Bruno suspirou e saiu do chuveiro m e dando passagem , entrei e
aguardei o que ele diria. Saiu do boxe e se enrolou na toalha.
— Lay la, m inha irm ã passou por algum as coisas há um tem po e
está um pouco confusa. Mas de um a coisa tenho certeza, ela gosta do Lucas. Porém , acho que não está pronta para um relacionam ento.
Torci a boca para os lados, pensativa. Com o coração quebrado,
era m elhor se curar prim eiro. Só tinha o problem a de que poderia m achucar outra pessoa no cam inho.
— Espero que ela resolva isso logo, porque deixar alguém legal
passar por conta de um a decepção do passado não é bom .
Ele sorriu e m e olhou intensam ente.
— Não m esm o! — Piscou e saiu do banheiro, m e deixando com o
coração acelerado.
Com o esse cara m exeu com igo tão rápido?
Um a piscadela e j á estava pronta para outra, droga. Não havia
salvação para m im . Estava caidinha por ele.