Primeiro e Único

Emily Giffin · Capítulo 12 de 46

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Primeiro e Único

Doze

 

Quarenta e oito horas depois que voltam os do lago, a m inha época do ano preferida tinha finalm ente chegado: o prim eiro dia dos treinos e o início oficial da tem porada de futebol am ericano universitário. Com o todos na Walker, eu estava em polgada e m ais esperançosa do que nunca. Mas, de certa form a, eu não m e sentia exatam ente da m aneira com o esperava.

Falei para m im m esm a que era apenas o nervosism o pré-tem porada — que sem pre piorava quando as expectativas sobre nós eram de grandes acontecim entos. Ou talvez eu estivesse preocupada com a tal investigação. Boatos internos com eçaram a circular, e eu não suportava a ideia de que a NCAA poderia estragar os nossos planos inj ustam ente.

Por outro lado, talvez fosse algum a outra coisa, algo m aior. Talvez tivesse a ver com as preocupações que eu vinha tendo desde a m orte da Sra. Carr. A sensação de que eu não estava no cam inho certo, de que, apesar de todos os m eus esforços para com eçar um a nova carreira e um novo relacionam ento, eu continuava no m esm o lugar — acom panhando os treinos ou enfurnada no m eu pequeno escritório atendendo ligações interm ináveis de repórteres de verdade.

Certo dia, depois do treino, fui até a butique de Lucy, algo que eu sem pre fazia, fosse para com prar ou para aj udar a desem balar o inventário, ou sim plesm ente para dizer oi. Ela pareceu feliz ao m e ver, e saiu de trás do balcão para m e dar um abraço.

— Hei! E aí? Está precisando de um m odelito para o retorno dos treinos?

Sorri e falei:

— Sim , estou. Não sabia que você estava cuidando do uniform e do Walker agora.

Lucy tam bém sorriu e com entou:

— Eu tenho m esm o algum as coisinhas para você lá no fundo. Um as peças para m eia-estação, verão e outono.

— Ótim o. O Ry an vai voltar am anhã — contei, sentindo um a pontinha de entusiasm o. — Adoraria ter algum as coisas novas para usar.

Lucy m e olhou de um j eito engraçado e depois voltou para trás do balcão, de onde sacou um a revista dessas de fofoca que estava em baixo do caixa.

— Você viu isso?

Olhei para a página e vi um a foto m eio em baçada tirada por um paparazzo, Ry an e Blakeslee sentados j untos em um café ao ar livre. A legenda sugeria que os dois estavam tentando se reconciliar, m as fiquei feliz ao perceber que a cena parecia tudo m enos rom ântica. Blakeslee parecia irritada, com os braços cruzados, e Ry an estava olhando para baixo, para o celular. Havia apenas um a garrafa de Perrier, com dois copos, em cim a da m esa entre os dois.

Senti que Lucy estava m e encarando, tentando avaliar a m inha reação enquanto eu m esm a tentava processar o que estava sentindo. Raiva? Ciúm es? Tristeza?

— Talvez ele estivesse m andando um a m ensagem de texto para você no m om ento da foto — sugeriu Lucy, esperançosa, espiando a foto bem de perto para enxergar o celular dele, com o se pudesse ver o que havia na tela.

Eu estava pensando a m esm a coisa, e perguntei a Lucy se dava para saber quando a foto fora tirada.

— Aqui não diz. Você acha m esm o que eles podem estar se reconciliando? — ela questionou, preocupada.

Dei de om bros, ainda exam inando a página da revista. Blakeslee estava calçando sandálias estilo gladiador — daquelas do tipo que a m aioria das m ulheres não conseguiria tirar rapidam ente —, short curto e um a bata de m anga longa m uito elegante. Ela era um a m ulher bem pequena e bronzeada, com pletam ente diferente de m im .

— Pode ser que sim . Não sei m esm o — respondi.

— Meu Deus! O que acontece com as pessoas da sua vida que se divorciam e depois se reconciliam ? — perguntou Lucy, referindo-se, é claro, ao m eu pai e Astrid.

— Dificilm ente eu os colocaria na m esm a categoria — retruquei, pensando que não podíam os com parar o encontro entre Ry an e Blakeslee para tom ar um a água com gás com a decisão do m eu pai de m e abandonar para ficar com sua filha prim ogênita e visivelm ente favorita.

— É, acho que não — concordou Lucy, balançando a cabeça. — Mas isso é realmente irritante. Ele não te contou que ia encontrar com ela?

Balancei a cabeça, negando.

Lucy devolveu a revista ao balcão e foi até um a das m esas, que estava coberta de regatinhas da Splendid, todas em cores vibrantes de verão que m e lem bravam sorvete. Eu a acom panhei, aj udando-a a organizar a pilha, separando as peças de cores m ais frias das m ais quentes.

— Bem , acho que não devem os presum ir o pior — ela considerou.

— Eu sei — afirm ei, enquanto um a j ovem m ãe entrou com o seu bebê na loj a, parando o carrinho próxim o a um a prateleira de j eans da JBrand. Lucy a recepcionou calorosam ente e ofereceu aj uda. A m ulher recusou qualquer tipo de auxílio e ficou inspecionando cada uma das calças j eans, procurando pela diferença entre as peças de tam anho 36, desfazendo toda a pilha. Essa era um a das coisas que irritavam Lucy. Na verdade, esse é um dos m aiores torm entos de qualquer pessoa que trabalha com varej o e que passa o dia inteiro dobrando e organizando as roupas.

— Você tem planos de se encontrar com ele? — perguntou Lucy.

— Ainda não. Mas talvez sej a m elhor a gente continuar por aqui e ver algum as roupas para m im agora — afirm ei, com o m áxim o de entusiasm o que consegui. — Vai que...

Lucy sorriu, parecendo tão orgulhosa com o ficou quando Caroline deu seus prim eiros passos.

— É assim que se fala, garota.

No final das contas, acabei encontrando Ry an logo na prim eira noite em que ele voltou para a cidade, a pedido dele. Chegam os a pensar em sair, m as eu sabia que ele estava cansado, então perguntei se não preferia sim plesm ente vir até a m inha casa. Ele disse que seria perfeito, enquanto preparei um discurso para m im m esm a: Não fique com vergonha do seu apartamento. Não banque a inferior. Seja confiante. Aproveite o dia. Não pense, nem fale, nem se empolgue demais e (Deus me livre!) não ligue para o treinador.

Quando Ry an bateu à porta, eu estava pronta. Então, atendi e sorri para ele, radiante. Ele estava ainda m ais lindo do que eu m e lem brava, a pele bronzeada, com um tom dourado, a cam iseta azul realçando os m úsculos dos seus om bros e braços.

— Oi, Ry an! — falei, em polgada, talvez até m esm o em ocionada.

— Oi! — respondeu ele, inclinando-se para m e dar um beij o dem orado, parando apenas para sussurrar no m eu ouvido: — É tão bom ver você.

Senti m eus braços arrepiados ao m e afastar dele e olhá-lo nos olhos.

— É m uito bom ver você tam bém — falei, decidindo que não estragaria a noite perguntando sobre Blakeslee. Em vez disso, levei-o para o sofá, onde nam oram os por um bom tem po, debaixo da única peça de luxo que havia na m inha sala de estar (um a m anta de cashm ere que m eu pai e Astrid m e deram de presente no Natal do ano passado). A m anta era tão m acia que Ry an até com entou sobre ela, m urm urando:

— Eu gostaria de ficar pelado debaixo dessa coisa com você.

Sorri tim idam ente para ele e depois, antes que eu perdesse a coragem , tirei a cam iseta e a calça j eans.

— Quero você — eu disse, entre beij os ardentes e profundos.

Ry an sussurrou:

— Tam bém quero você, m eu doce.

— Gosto quando você m e cham a de “m eu doce” — confessei enquanto passava os dedos sobre o cabelo dele, adm irando a textura dos fios.

— Você é o m eu doce — ele acrescentou, e, naquele m om ento, eu não apenas acreditei nele com o tive certeza de que não estava acontecendo nada com Blakeslee nem com qualquer outra m ulher.

Enquanto ele tirava a cam iseta, fiquei observando seu m úsculo dorsal grande, o peitoral, o tríceps e todo aquele m onte de outros m úsculos cuj o nom e eu desconheço. Balancei a cabeça, encantada com aquele corpo, e Ry an sorriu, porque sabia no que eu estava pensando — que ele era um a sublim e espécie m asculina. Desej ando que eu fosse o equivalente fem inino, desabotoei o fecho frontal do m eu sutiã e pressionei m eu corpo contra o dele, aninhando nós dois ainda m ais no casulo do sofá.

— Está vendo com o é m acia?

Eu quis dizer a m anta, m as soou com o se eu m e referisse ao m eu próprio corpo, então Ry an disse:

— Ah, é sim , você é m uito m acia. — Fiquei excitada porque pude ver que ele tam bém j á estava.

— E você... é um m aldito anúncio de cueca. Seu corpo é tão sexy que m e faz...

— Te faz o quê? — sussurrou.

— Me faz quase odiar você.

— Ah, fala sério. Não diga isso — ele reclam ou, sorrindo.

— Bem , é que é m eio intim idador... — acrescentei, cobrindo o m eu corpo, pensando que Ry an realm ente era m uita areia para o m eu cam inhãozinho. Ele não era para m im . — Você é intim idador.

Ele afastou a m inha m ão e acariciou a m inha barriga.

— Am o o seu corpo tam bém . Bem aqui — sussurrou.

Acreditei tanto nele que parei de com prim ir a barriga e ele m e ergueu do sofá, com m anta e tudo, e m e carregou até o quarto. Era a prim eira vez. Outros caras, inclusive Miller, j á tinham m e carregado no colo até a cam a antes, m as era a prim eira vez que eu não m e sentia com pletam ente estranha, com o um peso m orto. Ry an m e fazia sentir flexível, leve, perfeitam ente graciosa em seus braços com as m inhas m ãos entrelaçadas ao redor do seu pescoço. Ele m e olhou bem dentro dos olhos enquanto m e colocou sobre a cam a com facilidade, e eu vi — através do calor da lâm pada do m eu abaj ur, que clareava o am biente na m edida certa para esconder alguns dos m eus defeitos e ao m esm o tem po ilum inava a perfeição de Ry an — seus m úsculos se flexionarem .

— Quer que eu coloque um a m úsica? — perguntei.

De pé, ele balançou a cabeça devagar, depois se aj oelhou no chão, de frente para m im . Tentei m e sentar, m as ele m e fez voltar, m e tocando com um a das m ãos cheias de calos, enquanto a outra percorria o interior da m inha coxa. Não resisti e ergui o quadril, deixando o cam inho m ais fácil para ele tirar m inha calcinha preta. Então eu m e sentei, puxei os om bros dele na m inha direção e disse:

— Vem aqui. Quero sentir você em cim a de m im .

E foi o que ele fez, deitando-se bem em cim a de m im , restando entre nós apenas a sua cueca boxer cinza. Passei as m ãos sobre as costas m usculosas dele e puxei a cueca para baixo o m áxim o que m eus braços alcançaram . Depois, envolvi as m inhas pernas ao redor das pernas dele, prendendo o m eu dedo sobre a elástico do cós e tirando o resto da cueca.

— Nossa! — exclam ei, agora respirando com dificuldade, as m inhas m ãos ainda sobre o bum bum durinho dele. — Nossa...

Ele se esfregou contra o m eu corpo, m e provocando e m e perguntando se eu estava gostando. Respondi que sim .

— Você está tom ando...

— Pílula? Sim . Precisam os de algo m ais? — perguntei.

Ele sabia exatam ente o que eu quis dizer com aquela pergunta. Talvez estivesse até im aginando aquela longa fila de cheerleaders do Cowboy s, então respondeu:

— Não, baby, sou m uito cuidadoso.

Relaxei com pletam ente, confiando nele, sentindo que, m esm o que eu fosse um a entre tantas, com certeza eu era um a das poucas em quem ele confiava para transar sem cam isinha. Ry an beij ou o m eu pescoço enquanto puxava o edredom e os lençóis e depois m e reposicionou m ilim etricam ente, repousando a m inha cabeça sobre o travesseiro. Olhei para ele, m as estávam os perto dem ais, então não vi nada além dos seus olhos e nariz, as partes exatas de seu rosto que vem os na televisão através do capacete azul e branco dele. Ry an pareceu intenso e determ inado quando perguntou:

— Está pronta?

— Prontíssima — respondi. — E você?

— Sim , m eu doce. Tam bém estou pronto.

Então, ele m e penetrou, devagar no com eço, segurando-se com sincronism o e controle prim orosos. Abri os olhos. Ele abriu os dele, olhou para m im , depois voltou a fechá-los. Todos os seus m úsculos se flexionaram à m edida que ele m e penetrou ainda m ais, ficando com pletam ente dentro de m im agora. Caramba, falei m ais de um a vez, j unto com um m onte de palavrões, pensando que aquilo era, sem a m enor som bra de dúvida, a m elhor sensação física de toda a m inha vida. Foi m ais ou m enos com o se eu tivesse experim entado heroína, o tipo de droga que pode arruinar a sua vida. Vício instantâneo. Ainda pensando com igo m esm a, perdi a noção de tem po e espaço enquanto o deixei assum ir o com ando. Ele m udou a intensidade da penetração, prim eiro devagar, depois rápida, devagar de novo, num ritm o assustadoram ente bom . Ry an m e virou e m e penetrou por trás, pressionando o tórax contra as m inhas costas, m e prendendo debaixo dele, afastando os m eus cabelos com gentileza, beij ando o m eu ouvido, falando o m eu nom e. Então, quando eu não conseguia aguentar nem m ais um segundo, ele m e virou de barriga para cim a, m e pedindo para olhar em seus olhos. Meu quarto ficou tão quente quanto um a sauna, então j oguei de lado as cobertas, nossos corpos escorregadios de suor. Senti m eu corpo com eçar a estrem ecer, depois m e vi gem endo o nom e dele enquanto nós dois chegam os ao orgasm o j untos.

Depois disso, entrei num estado sem elhante ao com a. Não conseguia m e m exer, nem falar, nem m e concentrar em nada além da m inha respiração e da eletrizante constatação de que eu tinha acabado de ter a m elhor noite de sexo de toda a m inha vida, com um quarterback gostosão do m aldito Dallas Cowboy s.

Na m anhã seguinte, despertei de um sono profundo e encontrei Ry an de pé, ao lado da m inha cam a. Ele j á estava com pletam ente vestido, e, ao que parecia, tinha acabado de sair do banho, com o cabelo escuro úm ido e precisam ente penteado. Tentei m e recom por, afastando o cabelo em aranhado do rosto e lim pando a boca com o dorso da m ão.

— Eu babei? — perguntei, pensando que aquela aparência m atutina era a pior e m ais inj usta desvantagem que poderia haver sobre um a garota que j á era m uito azarada.

— Não. Você fica m uito linda quando dorm e — disse ele.

— Obrigada.

Na verdade, esse era o m elhor tipo de elogio que eu j á tinha recebido.

— Você fica linda quando dorm e. Linda quando acorda. E fica ainda mais linda quando estou fazendo am or com você. — Ele sussurrou essa últim a parte, com o se estivesse dividindo com igo um segredo que só ele tinha a sorte de saber.

Envergonhada, sorri, depois m e sentei, enfiando o edredom debaixo dos m eus braços, para m e cobrir.

— Você j á vai? — questionei, tentando não bancar a carente nem nada do gênero, e aliviada porque de fato eu não estava m e sentindo assim . Na verdade, eu estava realm ente feliz por m e livrar daquele sentim ento estranho de “m anhã seguinte”.

— Sim , eu preciso. Não ia te acordar — respondeu ele, sentando-se na beira da cam a, ao m eu lado. — Mas eu tam bém não queria ir em bora sem dizer tchau.

— Tudo bem . Eu j á ia m e levantar m esm o. Preciso trabalhar. Hoj e tem j ogo de vôlei fem inino. Vam os receber o Penn State.

Ry an m eneou a cabeça, depois esticou o braço e segurou a m inha bochecha com a palm a da m ão, um gesto que m e pareceu íntim o, surpreendentem ente íntim o, considerando que tínham os feito m uito m ais na noite anterior. Claro que talvez tenha sido por isso que o gesto m e pareceu tão íntim o.

— Por m im , eu ficaria para preparar o café da m anhã para você. Mas preciso treinar. Depois tenho um m onte de reuniões, e um a sessão de m assagem , às quatro — acrescentou.

Assenti, m e perguntando por que ele estava m e colocando a par de toda a sua agenda. Será que pensou que eu estava chateada por ele ter de ir em bora tão cedo? Porque eu não estava. Será que ele estava preparando o terreno para não ter de m e ligar m ais tarde? Se fosse isso, eu tinha entendido m uito bem , sabia que ele estava ocupado. Muito ocupado.

— Ok. Bom . Obrigada por ter vindo — respondi, tentando parecer casual, dando até um bocej o falso e um a espreguiçada. — Foi divertido.

Isso deve ter soado um pouco indiferente dem ais, porque Ry an balançou a cabeça e retrucou:

— Divertido?

— Você sabe o que eu quero dizer — respondi, sorrindo.

— Divertido é j ogar Xbox. Brincar de tiro ao alvo. Ir ao cinem a.

— Tudo bem . Vou tentar de novo. A noite foi incrível, fascinante... m aravilhosa em todos os sentidos. — Sorri e estiquei o braço para segurar a m ão dele, e o edredom caiu na altura da m inha cintura.

— Assim está m elhor. Eu concordo — declarou ele, apertando a m inha m ão, olhando para os m eus seios e voltando a olhar para os m eus olhos, lentam ente. Tudo o que ele disse e fez realm ente m e pareceu consciente e m uito sincero.

Trocam os um sorriso por alguns segundos, depois ele fez um a cara séria, quase com ovente, e então afirm ou:

— Eu gosto de você de verdade, Shea.

— Eu tam bém .

— Tenho procurado um a m ulher com o você... E você estava bem aqui. O tem po todo — continuou.

Fixei m eus olhos nos dele, e todos os m eus m ecanism os de defesa dispararam quando considerei que ele poderia escolher qualquer outra m ulher que desej asse. Por que m e escolheria? Por outro lado, por que ele m entiria para m im ? Especialm ente depois de eu ter dorm ido com ele? Me vi sendo tom ada por um a pontinha de esperança e falei:

— Sim . Eu estava aqui. O tem po todo.

Então eu m e inclinei para um longo beij o de despedida.